Acontecimento do ano: A pandemia que transformou as nossas vidas

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A escolha da pandemia como o acontecimento do ano de 2020 foi uma escolha que se pode dizer unânime na redação, embora se a opção fosse a escolha da descoberta da vacina pelos cientistas não seria menos certa.

Recordamos o que escrevemos no editorial de 17 de março, quando se iniciava, inesperadamente para todos, o primeiro confinamento: “Quase de surpresa (apesar de termos tido os avisos distantes da grande China) caiu-nos algo que nunca pensámos que seria possível – o coronavírus. De um momento para o outro, fomos confinados às nossas casas, vimos fecharem-se as escolas, muitas empresas, mesmo as fronteiras, num movimento tipo queda de baralho de cartas, que, em poucos dias, transformou a imagem e a vida no mundo.”

Logo na semana seguinte acrescentávamos em novo editorial as palavras premonitórias, que se vieram a confirmar: “Na História da Humanidade irá aparecer o ano de 2020, como o ano entre parêntesis, onde tudo pôde acontecer de imprevisto e nada aconteceu do que estava previsto, ou quase nada.“

Estamos no final de 2020, e olhamos para o futuro ainda com certa incredibilidade, não sabendo se as anunciadas e já em aplicação vacinas vão tornar o ano de 2021 mais normal, ou estaremos perante o já apregoado “novo normal”, que ainda ninguém descortina, e que muitas aves de mau agoiro, anunciam com novas ameaças.

Esta pandemia permitiu conhecer melhor muitos dos seres humanos que coabitam connosco nestes tempos difíceis, juntamente com os grandes desafios e enorme esperança.
De um lado, observámos muitos, mas mesmo assim não tantos como julgávamos possível, que desta ameaça se transformaram em cultivadores da desgraça, do pior possível, que só se contentavam com mais desespero, medo e desenlaces fatais.

Do outro lado, um número muito superior de homens e mulheres que deram o seu melhor, trabalhando de forma incansável, mesmo correndo o risco das suas vidas, para que o cidadão comum e especialmente os grupos mais idosos, pudessem enfrentar e vencer a traiçoeira pandemia, da qual sabíamos inicialmente muito pouco.
Felizmente no país, na Europa e no mundo, houve gente que vai ficar na nossa memória e vai marcar os próximos anos, como exemplos de sabedoria, inteligência, persistência, optimismo, altruísmo e de amor para com o próximo.

Conhecidos ou anónimos, serão os verdadeiros heróis destes longos meses que ainda não acabaram, e que vão ficar na nossa memória pelas melhores e piores razões, sabendo que muitos deles nem vão ser devidamente reconhecidos, mas podem ficar contentes com eles próprios e com o que fizeram para o bem da Humanidade.

Os outros, que estiveram consciente ou inconscientemente do outro lado da barricada, morrerão no esquecimento e na vala comum da sua teimosia e desumanidade neste ano da pandemia que dificilmente esqueceremos.