Caldas e Óbidos querem que Ana Jorge conheça localização alternativa

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Os três autarcas que defendem a localização nos terrenos localizados entre Caldas e Óbidos

O ofício já foi enviado à coordenadora do grupo de trabalho e pretendem ser também ouvidos pelo diretor executivo do SNS

As câmaras das Caldas e de Óbidos enviaram, na semana passada, um ofício à antiga ministra da Saúde e atual coordenadora do grupo de trabalho criado pelo governo para decidir a localização e o perfil assistencial do futuro hospital do Oeste, Ana Jorge, para exporem a sua posição e também a convidá-la para conhecer o terreno localizado na antiga Matel. Querem também ser recebidos pelo diretor executivo do SNS, Fernando Araújo.
“O que estamos a fazer é contribuir para uma tomada de decisão consciente”, explica à Gazeta das Caldas o presidente da Câmara de Óbidos, Filipe Daniel, que a semana passada reuniu, juntamente com o seu homólogo caldense, Vítor Marques, e respetiva comitiva, com o ministro da Saúde, Manuel Pizarro. No encontro, o governante informou que a tomada de decisão foi adiada um mês, para 30 de abril. “Parece-me que a decisão estaria tomada e este trabalho que estamos a fazer com as Caldas e Rio Maior veio colocar alguma consciencialização por parte da tutela naquilo que é os cuidados de saúde”, refere Filipe Daniel, realçando que estes três municípios “estão muito preocupados” com a saúde de todos os oestinos.
“Tomei boa nota da expressão que o senhor ministro utilizou de que Torres Vedras está próxima de Lisboa e Caldas não está próxima de nada, em matéria de cuidados de saúde, e que vem ao encontro das nossas expetactivas”, realça. Filipe Daniel destaca ainda que reforçaram junto do governante a mais valia da proximidade da ferrovia e também da coesão territorial, bem como o forte fluxo turístico e também de trabalhadores migrantes, sobretudo entre junho e outubro, que se regista nesta zona. Ainda de acordo com o autarca, também Manuel Pizarro “vê com bons olhos” a possibilidade do novo hospital ter uma academia integrada, permitindo fixar profissionais de saúde neste território.
Entretanto, os autarcas das Caldas já foram ouvidos por todos por todos os partidos representados na Assembleia da República.

Reação a Paulo Prudêncio
O autarca de Óbidos reage às declarações do presidente da assembleia intermunicipal da OesteCIM, Paulo Prudêncio, num texto de opinião, publicado a semana passada na Gazeta das Caldas. Filipe Daniel refuta a afirmação de que tenha estado presente aquando da entrega do relatório final do estudo encomendado pela OesteCIM ao ministro Manuel Pizarro, em Torres Vedras. “Nunca lá estive e não fui só eu. Não iria entregar nada sem que me tivesse sido apresentado primeiro”, diz. O autarca salienta ainda que Paulo Prudêncio manifestou o seu parecer sobre a posição tida por Caldas e Óbidos em relação à localização desta nova estrutura de saúde, ignorando Rio Maior, que também tem uma parte significativa de munícipes a utilizar o hospital das Caldas. “Ao não incluir Rio Maior no seu discurso podemos aferir que o presidente da assembleia intermunicipal sabia que este concelho não faz parte da OesteCIM. No entanto, para o mesmo efeito da localização, incluir várias freguesias de Mafra já dão jeito no argumento”, realça, adiantando que também aquele concelho não integra a comunidade intermunicipal. Para Filipe Daniel “mais ridículo é ignorar os concelhos e, acima de tudo, as pessoas de Alcobaça e da Nazaré – cerca de 70 mil habitantes – ao manifestar que Caldas é um extremo, quando diz que “não se pode ter um equipamento de fim de linha em um qualquer extremo”.
No mesmo comunicado, o responsável autárquico salienta ainda que o novo Hospital “nunca foi prioridade dos governos” e estes “escudaram-se em um não entendimento dos autarcas”, lembrando que não é a eles que cabe decidir a localização, a tipologia e o investimento. ■