Caldas já tem novo documento a refutar parecer sobre localização do hospital

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O novo documento, com uma apreciação crítica ao relatório do Grupo de Trabalho, foi elaborado pelo diretor do CEDRU, Sérgio Barroso

Elaborado pelo especialista em Ordenamento do Território, Sérgio Barroso, o documento já foi enviado às entidades envolvidas na decisão e partidos políticos

O relatório do grupo de trabalho “constitui uma manifesta perda de oportunidade para corrigir um processo que vem revelando muitas das insuficiências que, ao longo das últimas décadas, foram detetadas nas tomadas de decisão do Estado Central sobre grandes investimentos públicos”, refere a apreciação crítica, realizada pelo especialista em Ordenamento do Território e diretor do Centro de Estudos e Desenvolvimento Regional e Urbano, Sérgio Barroso, para o município caldense. No novo documento, o responsável salienta que estas fragilidades são postas em evidência pelo facto de “estarmos em presença de um sistema policêntrico, com duas localizações alternativas evidentes – Caldas da Rainha e Torres Vedras”. Entende que opção Bombarral “só é compreensível” pelo facto do Estado se ter eximido das suas responsabilidades, delegando a condução do processo na OesteCIM, e por o modelo intermunicipal “ser incapaz de dar uma resposta supra municipal, pela falta de legitimidade política”. Para Sérgio Barroso os custos desta “má decisão” terão “múltiplas escalas territoriais (nacional, regional e local), temporais e serão diversos”, sublinhando que irá refletir-se na falta de qualidade do serviço hospitalar prestado, por incapacidade de dispor de um quadro completo de profissionais de saúde.
A proposta do município das Caldas para o novo Hospital do Oeste, que já foi enviada às diversas entidades, integra ainda a apresentação do parecer técnico-científico encomendado pela autarquia e o relatório do grupo de trabalho liderado pela antiga ministra da Saúde, Ana Jorge.
O autarca caldense tem já marcada uma audiência com a CCDR de Lisboa e Vale do Tejo, onde pretende apresentar as preocupações em relação à decisão tendo em conta o Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território e Plano Regional de Ordenamento do Território, bem como sobre as características do próprio terreno do Bombarral.
O Grupo de Trabalho sustentou a escolha do Bombarral (tal como o estudo encomendado pela OesteCIM à Nova IMS) em critérios de acessibilidade, como a proximidade à saída da autoestrada e à estação do caminho-de-ferro.
Para Sérgio Barroso a localização proposta está desarticulada da conetividade ferroviária. Entende mesmo que “vai contra a promoção do transporte ferroviário e uma integração multimodal” e considera que, ao afastar o equipamento da Linha do Oeste, está a hipotecar a sua “utilização como um vetor chave da acessibilidade ao Hospital”. Lembra o comunicado conjunto de três associações ambientalistas que defendiam a sua construção junto à Linha do Oeste e uma mobilidade urbana sustentável. ■

 

Encontro com associações para preparar ação em Lisboa, em Outubro

Estava prevista para a passada terça-feira à noite (depois do fecho do jornal) uma reunião da Câmara das Caldas com todas as associações do concelho para as mobilizar para a ação em defesa do novo hospital nas Caldas – Óbidos, a ter lugar em Lisboa, em outubro, em data ainda a confirmar. Vítor Marques disse à Gazeta das Caldas que irá também falar com os autarcas de Óbidos e de Rio Maior para os informar do que estão a fazer e convidar para se juntarem a esta mobilização.
De acordo com o presidente da Câmara está também a ser desenvolvida uma nova campanha de sensibilização, que será espalhada por muppies e outdoors, na defesa da construção do novo Hospital nas Caldas-Óbidos. Numa associação à iniciativa do movimento “Falo pela tua Saúde” continuam a ser enviados 200 postais, por dia, para o primeiro-ministro e Presidente da República, e a associação Vamos Mudar organiza, hoje, 14 de setembro, uma conversa sobre “O impacto do hospital na economia do concelho” com as economistas Susana Peralta e Joana Alves.
Nos dias 22 e 23 de setembro e a 10 de outubro irá realizar-se a Feira da saúde. Tendo por tema “Viver mais saudável para ser mais feliz”, pretende promover hábitos saudáveis junto da comunidade, em colaboração com os parceiros locais. A 22 e 23 de setembro irá decorrer no Parque D. Carlos I e, a 10 de outubro, na Expoeste. ■