Da construção do Hospital Termal até hoje, uma cidade em mudança

0
286
Praça 5 de Outubro Na primeira fotografia, do Antes, vemos ainda as bancas do mercado do peixe a funcionar naquele local e, ao fundo, o edifício do Teatro Pinheiro Chagas, que foi demolido. Na página da direita, o mesmo local hoje: uma praça de bares, com um parque de estacionamento subterrâneo e um anfiteatro

Pelo Dia da Cidade recordamos algumas das grandes mudanças urbanísticas nas Caldas ao longo do tempo

Uma das maiores mudanças que se registou nas Caldas da Rainha, se não a fundamental, terá sido a construção do primeiro Hospital Termal do mundo, ainda no século XV, e que acabaria por dar origem à urbe, hoje cidade. Em torno deste complexo de edifícios vai-se desenvolvendo tudo. A construção das habitações e da própria Igreja de Nossa Senhora do Pópulo e a criação de serviços ocorre em torno da centralidade do Hospital Termal (quer estes lhe pertençam ou não). Ao longo dos séculos o seu plano de gestão “implica” mudanças urbanísticas relevantes, considerando o seu vasto e importante património, que inclui o que viria a ser o parque e a mata.

 

Na Praça da Fruta o tabuleiro mantém-se
igual e o mercado ainda é uma realidade diária. Mas muito tem mudado

Também foi marcante nas Caldas a construção dos chafarizes no século XVIII para o abastecimento de água, dos quais o das Cinco Bicas é o ex-libris. Hoje, em torno desse mesmo monumento, que viu o aqueduto ser destruído, encontramos… um parque de estacionamento. Outro momento importante e que levou a grandes alterações urbanísticas, foi a chegada dos caminhos de ferro no final do século XIX. Desde a construção da linha e da estação até à influência no próprio desenvolvimento da agora Avenida 1º de Maio, atravessando o que se chamava a cerca do Borlão. Nessa artéria a construção desordenada de prédios com vários andares e a destruição da avenida arborizada da Independência Nacional, que se iniciou nos anos setenta do século passado alterou a imagem da cidade como urbe termal.
Recentemente, em frente à estação foi colocada a rotunda dos sapos de Bordalo Pinheiro, que confere uma atração diferente e que assinala o primeiro ponto da rota que o artista fazia quando chegava às Caldas. Ali perto, o edifício do Bingo (antes sede dos Bombeiros Voluntários) permanece na memória de muitos caldenses, mas hoje no seu local existe um centro comercial praticamente vazio e habitações. Ainda ali próximo é impossível não referir os tempos em que o Borlão era apenas um terreno, onde viria a ser construída Igreja Nª Senhora da Conceição, inaugurada em 1951, e depois o tribunal e o edifício dos Paços do Concelho onde se albergaram as Finanças, naquilo que era simbolicamente a praça dos três poderes.
Na Praça da Fruta, se o tabuleiro se mantém igual e o mercado ainda é uma realidade diária, a verdade é que muito tem mudado. Em torno desta praça, permitiu-se a construção de edifícios que nada se relacionavam com os anteriores. No mercado, propriamente dito, tem-se buscado uma  modernização e uniformização das bancas, num processo que pode sempre ser melhorado. Além disso substituíram os bancos tradicionais de madeira por uns inestéticos de cimento. Na Praça 5 de outubro, a destruição do Teatro Pinheiro Chagas, a saída do mercado do peixe e das escolas primárias, alteraram o paradigma, do local e do próprio mercado. A agitação diária deu lugar à agitação noturna, com a criação da praça dos bares. A construção de um centro cultural e de congressos de referência não  pode ser ignorada. Pela qualidade, mas também pelo que ali existia antes: um terreno utilizado para estacionamento e uma antiga fábrica. Permanecem, ainda,  os grandes edifícios inacabados ao lado do CCC.

Apesar do chamado progresso, que tantas vezes destrói o que não devia, nas Caldas ainda existem locais que nos levam ao passado

Ao longo do tempo, a Rua da Liberdade e a chamada Rua das Montras foram alcatroadas para mais tarde serem pedonalizadas com a colocação de calçada. Na Rua Heróis da Grande Guerra, a calçada também foi colocada, mas com acesso a veículos. Apesar do constante desenvolvimento, que tantas vezes destrói o que não devia, nas Caldas ainda existem locais que nos levam ao passado, como o Hospital Termal e o seu Largo, o  Parque D. Carlos I, a Mata Rainha D. Leonor, a Praça da Fruta, a Igreja de N. Sra. do Pópulo, entre outros sítios em que se sentem menos os sinais do passar das décadas. Esperemos que a Quinta da Boneca que podia fazer a ligação entre a Mata e o Parque e o fecho da cintura verde da cidade não seja definitivamente abandonada. ■