Desenvolvimento local impulsionado por projeto

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Manuela Silva, que faleceu em 2019, numa iniciativa no Externato da Benedita a propósito do DLBC que executou na vila

Em 1962 foi implementado um projeto que permitiu criar empresas e uma escola secundária

Foi em 1962 que o projeto de Desenvolvimento Local de Base Comunitária foi implementado na Benedita, com o objetivo de unir os beneditenses em torno de um bem comum. A localidade sofreu uma grande transformação com esta iniciativa.
O projeto foi um sucesso e, segundo Andreia Bernardino Mendes, uma beneditense que na sua tese de mestrado em Ciências da Educação – Especialização em Educação e Desenvolvimento Comunitário estudou este assunto, foi notória “uma melhoria da vida comunidade”. Se, por um lado, “foi possível criar sociedades empresariais e criar uma escola secundária”, sendo que à data existia apenas uma a vários quilómetros, esta operação permitiu a muitos jovens estudar, com ganhos na vida profissional.

“O DLBC veio dar um ‘abanão’ no mundo rural beneditense. Terminou, mas deixou as suas raízes na Benedita”
João Luís Maurício

A investigadora explica que “a freguesia da Benedita, na altura, tinha transportes muito fracos, saneamento básico inexistente, agricultura pobre, indústria totalmente artesanal e principalmente problemas elevados ao nível da saúde e da educação”. Ainda assim, refere que a equipa que desenvolveu este projeto, encabeçada por Manuela Silva, que faleceu em 2019, “encontrou uma população rica em união e com um enorme grau de abertura ao desenvolvimento”.Entre as principais conquistas do DLBC na área da agricultura elenca a plantação de pomares, a construção de explorações de animais e a criação da cooperativa agrícola. “Na indústria destacamos a fundição de pequenos “ateliers” de sapateiros em fábricas modernas, e posteriormente também a difusão de uma fábrica de cutelaria”, explicou.
Mas “a educação foi de facto a grande preocupação de toda a intervenção da Equipa de Estudos e Experimentação de Desenvolvimento Comunitário, daí a conquista do Externato Cooperativo da Benedita, a escola que toda a população desejava”.
Segundo João Luís Maurício, na obra “Os Sapateiros da Benedita e a sua história”, este projeto “marcou uma rutura com o passado. A partir daí, a freguesia da Benedita mudou”. “O Desenvolvimento Comunitário veio dar um abanão no mundo rural beneditense. Terminou, mas deixou as suas raízes na Benedita”, escreve o mesmo autor.
Já M. Justina Imperatori, referiu que o DLBC teve também implicações na mudança das mentalidades. “Passou a verificar-se uma grande curiosidade intelectual sobre os mais diferentes assuntos”, refere, acrescentando que houve mudanças nas formas de relacionamento e até no vestuário. ■