Dragagens na Lagoa de Óbidos iniciam-se hoje

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Governo faz-se representar no arranque dos trabalhos

Com um atraso de cerca de dois anos começa hoje a instalação da draga vinda de França, com a presença de um membro do Governo, provavelmente a secretária de Estado do Ambiente, Inês Costa, que permitirá nos próximos 18 meses fazer uma dragagem de 875 mil metros cúbicos de areia dos canais e bacias da Lagoa e a sua deposição no mar “para sul, a partir da arriba do Gronho, por rainbow”.
Certamente os leitores vão associar esta notícia ao facto de hoje ser 1º de Abril, mas há garantias dos atuais dirigente do Ambiente, nomeadamente da Agência Portuguesa para o Ambiente, que tem demonstrado uma sensibilidade e grande empenho pela situação do sistema lagunar costeiro mais extenso da costa portuguesa, a Lagoa de Óbidos, com uma área de 6,9 Km2 entre os concelhos de Caldas e Óbidos.
Aproveitando este evento, que tem um orçamento de cerca de 14,6 milhões de euros, financiado em 85% pelo POSEUR – Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso dos Recursos e pelo Fundo Ambiental na parte restante, vai ser anunciado como compensação para o atraso da obra uma série de novos investimentos que serão incluídos no Plano de Recuperação e Resiliência 2021-2026, na dimensão de transição climática.
Assim está finalmente prevista a concretização da ligação pedonal e por via ciclável entre uma margem e outra margem da Lagoa a partir da zona da entrada do braço da Barrosa, na estrada da Brogueira, e finalmente, um projeto que já tem cem anos de trazer a lagoa até próximo das Caldas da Rainha através do Braço da Barrosa, como via navegável. Ficará a cerca de 2 km a pé das Águas Santas o que significa menos de 15 minutos.
Prevê-se um investimento maciço no final do Braço da Barrosa, na fronteira entre a freguesia de Nadadouro e numa zona muito próxima das Águas Santas e do bairro junto ao Alto dos Moinhos, com a construção de um complexo desportivo e de restauração, de onde sairão também vias pedonais e cicláveis em redor da Lagoa.
O projeto permitirá a navegação em catamarã de fundo chato desde o final da Barosa junto às Caldas até à Foz do Arelho, estando prevista a aquisição de uma catamarã movido a energia solar, como já foi testado há alguns anos.
Mais em pormenor estavam previstas inicialmente as dragagem dos canais de ligação do corpo da lagoa aos Braços da Barrosa e do Bom Sucesso, da bacias no delta do rio Real e no Braço da Barrosa, valorização da zona a montante da foz do rio Real, numa área de 78 ha, contemplando uma requalificação ambiental e paisagística de uma área atualmente ocupada por depósitos de antigas dragagens, com a deposição dos sedimentos dragados diretamente no mar, em praia imersa, a sul da embocadura da lagoa de Óbidos e do Gronho, contribuindo para a minimização da erosão costeira neste troço de costa e evitando assim o impacte resultante de milhares de viagens de transporte por camião a depósitos provisório e definitivo.
É explicado no projeto que sendo na costa oeste a deriva de norte para sul, os sedimentos tenderão a deslocar-se nessa direção e após circulação na água do mar a depositar-se em parte nas praias a sul do Gronho, contribuindo para o reforço do cordão dunar e proteção da costa marítima. Foi também pedido ao conceituado Laboratório Nacional de Engenharia Civil para fazer o estudo comparativo do comportamento hidrodinâmico da lagoa, antes, durante e após a realização das dragagens. ■