Lares de idosos das Caldas sem vagas e com listas de espera

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A falta de vagas em lares é um problema que não é recente e não é exclusivo das Caldas. Atualmente existem dez candidaturas ao programa PARES para criar mais 200 lugares no concelho

 

A dificuldade em encontrar vagas em lares de idosos ou estruturas residenciais de apoio a idosos nas Caldas da Rainha é um problema que não é recente e que também não é exclusivo do concelho. A Gazeta das Caldas tentou perceber esta realidade e concluiu que praticamente todas as estruturas deste tipo têm lista de espera, faltando centenas de vagas para poder preencher as necessidades da população.
Maria da Conceição Pereira, vereadora da ação social da Câmara das Caldas disse à Gazeta que “infelizmente existe sempre procura” para este tipo de estruturas, apontando não só a situações sociais, mas também a casos de isolamento ou de perda de capacidades.
“Sentimos necessidade de mais espaço em lar e provavelmente de outro tipo de respostas”, admitiu a vereadora, acrescentando que tem conversado com as Instituições Particulares de Solidariedade Social para que estas comecem a preparar outras respostas que possam até ajudar na rentabilidade das instituições criando valor acrescentado e respondendo a um público que procura estas soluções. Exemplo disso são as residências assistidas, mas não só. “Devemos pensar o apoio que gostaríamos de ter no futuro”, afirma.
De resto, o paradigma tem vindo a evoluir, desde os lares apenas nas sedes dos concelhos para a ideia de manter as pessoas próximas das suas raízes que temos hoje, mas muito há ainda para fazer.
E este é um problema que tem particular gravidade, tendo em conta que, segundo a PORDATA, em 2019 existiam quase mais dois mil e quinhentos idosos a residir no concelho do que os 8892 registados em 2001. Trata-se de um aumento a rondar os 22%, bastante superior ao aumento populacional do concelho registado pelo mesmo portal (48.992 residentes em 2001 e 51.726 em 2019).
Segundo uma listagem fornecida pela Câmara das Caldas ao nosso jornal, existem 635 utentes no conjunto das nove IPSS e das dez entidades particulares que constam da Carta Social. Nessa lista, com dados fornecida pelas IPSS do concelho, consta também que existem 1600 inscrições em lista de espera.
Mas “relativamente a estes dados importa referir que no que concerne ao número de idosos inscritos em lista de espera em IPSS, mais de metade são coincidentes, pelo facto de a Segurança Social dar indicação para que os idosos efectuem inscrição em todas as IPSS do concelho”, esclareceu.
Nos privados não existe uma lista de espera, mas a maioria das pessoas só recorre a estas entidades quando não encontra vaga numa IPSS, ou quem tem capacidade financeira para optar ou urgência.
“Cada idoso custa ao lar, no mínimo e muito por baixo, mil euros por mês”, esclarece a vereadora. E nesta região “existem muitos idosos com pensões muito baixas”, pelo que segundo Maria da Conceição Pereira, “sem os acordos com a Segurança Social é muito difícil”.
O financiamento do Estado é uma questão importante que também se coloca após a construção da obra física, porque nem todos os potenciais utentes têm capacidade económica para fazer face às despesas envolvidas no usufruto daquele serviço. E nesse campo não têm existido apoios comunitários nem governamentais para a construção.
“O Nadadouro tem a obra a terminar e o lar de Alvorninha já está construído e não tiveram outro apoio que não o da Câmara e das Juntas e os fundos próprios ou empréstimos bancários”, apontou a vereadora, mostrando-se esperançada com o programa PARES, cujas candidaturas terminaram recentemente.

Duzentos novos lugares
Entretanto, no concelho das Caldas da Rainha foram apresentadas doze candidaturas a este programa, que prevêem a criação de mais 202 lugares para idosos em lares.
Entre as candidaturas apresentadas encontra-se o lar do Centro de Apoio Social do Nadadouro (30 lugares), mas também o da Associação de Desenvolvimento Social de Salir do Porto (34), o da Paradense, no Chão da Parada (30 lugares) e o da Associação de Desenvolvimento Social a Freguesia do Coto (30), assim como os alargamentos da Casa de Repouso da Misericórdia das Caldas (38 lugares), da Fonte Santa – Serra do Bouro (4 lugares e centro de mobilidade), do Centro Social e Paroquial de Santa Catarina (6 lugares e sala de convívio e gabinetes) e da Associação de Solidariedade e Educação de Salir de Matos (10).
A Associação de Desenvolvimento Social de Alvorninha candidatou-se nas valências de Centro de Dia e Serviço de Apoio Domiciliário, o Montepio Rainha D. Leonor a obras ao nível de melhoramento da estrutura e equipamentos e o Centro de Educação Especial Rainha Dona Leonor para adaptação e renovação. ■

Candidaturas PARES

  • Associação de desenvolvimento Social de Alvorninha – Centro de Dia e SAD
  • Associação de desenvolvimento social salir do Porto – Construção de lar (34 lugares)
  • Centro social e paroquial de santa catarina – Alargamento da resposta de lar (mais seis lugares e sala de convívio, gabinetes, etc.)
  • Associação de solidariedade e educação de salir de matos – Alargamento da resposta de lar (mais dez lugares)
  • Centro de desenvolvimento comunitário do landal – Construção de lar (20 lugares)
  • Associação cultural e social paradense – Construção de lar (30 lugares)
  • Associação de desenvolvimento social da freguesia do coto – Construção de lar (30 lugares)
  • Santa Casa da Misericórdia das Caldas – Obras na Casa de Repouso – Criação de nova resposta de lar (38 lugares)nstrução de lar (30 lugares)
  • Centro de apoio social do Nadadouro – Construção de lar (30 lugares)
  • Fonte Santa – Alargamento de lar (mais quatro lugares e centro de mobilidade)
  • Montepio rainha D. Leonor – Obras ao nível de melhoramento estrutura/equipamentos

 

Lares querem expandir oferta

Edição 5366Em Salir de Matos há uma candidatura para expansão dos lugares do larA falta de vagas foi testemunhada à Gazeta das Caldas por Clara Justino, diretora-técnica da Associação de Solidariedade e Educação de Salir de Matos.
“Sentimos necessidade de aumentar a capacidade para dar resposta às solicitações que nos chegam”, disse, esclarecendo que atualmente têm 33 utentes internos dos quais seis são vagas reservadas para casos sociais.
A associação tem atualmente um projeto de alteração e ampliação para mais 10 camas, num investimento de cerca de 390 mil euros (e que foi candidatado ao programa PARES).
A falta de lugares é também uma realidade no lar Sossego, no Nadadouro, uma entidade privada que tem 23 utentes e que não tem neste momento vagas. Também aqui sentem a necessidade de aumentar a oferta, mas não têm previsto nenhum investimento no curto prazo. “De salientar que lares privados não têm direito a candidatar-se a ajudas dos programas lançados pelo governo para aumento de oferta ou de espaços”, referem.
Uma ideia curiosa partilhada pelos responsáveis deste lar é que “no contexto atual, notamos que a procura é muito mais reduzida desde o início da pandemia”. Segundo os mesmos “o ano 2020 teve uma procura de menos 60% em relação aos dados de que dispomos sobre o ano de 2019”. Outra ideia importante é que “as vagas que têm sido preenchidas, no nosso lar, não advém de procura direta de família ou utentes, estando estritamente relacionadas com o fecho de lares ilegais na zona das Caldas da Rainha, o que faz denotar bem a baixa procura que existe neste momento”.
Questionada sobre esse assunto, a vereadora Maria da Conceição reconheceu que a Segurança Social tem fechado lares ilegais nas Caldas, mas lembrou que também há situações em que estes estão em processo de legalização. “A Câmara não interfere, é a Segurança Social que faz as vistorias e que encerra, a autarquia deve, sempre que souber da existência de um lar ilegal, identificar e depois encaminhar as pessoas”, explicou, fazendo notar que também há casas que recebem dois ou três idosos e que fogem às exigências da legalização. “Tal como amas que não estão legalizadas, é ainda mais difícil identificar”, fez notar a vereadora. ■