Militares australianos fizeram intercâmbio na ESE

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Os militares australianos estiveram nas Caldas entre 6 e 8 de setembro

Grupo de seis militares acolhido pela ESE no âmbito da visita de estudo anual do Curso de Português da Escola de Línguas das Forças Armadas Australianas

Seis militares da Escola de Línguas das Forças Armadas Australianas, dos quais cinco aprendizes da língua portuguesa e um acompanhante que concluiu a formação no ano passado, estiveram a fazer um intercâmbio na Escola de Sargentos do Exército Português (ESE), onde está instalado o Centro de Línguas do Exército (CLE), com o fito de melhorar as suas competências linguísticas e ficar a conhecer as boas práticas da escola de línguas.
Os alunos, com idades entre os 20 e os 53 anos, pertencentes à Infantaria, Cavalaria, Forças Especiais, Transporte ou Logística, que estão a estudar português desde fevereiro deste ano e que terminam a formação em dezembro, estiveram nas Caldas da Rainha entre 6 e 8 de setembro. A estadia esteve integrada na viagem de duas semanas a Portugal, que começou em Lisboa e terminará no Porto, contou o Major Craig Cunningham, atual aluno do Curso de Português.
O programa de atividades iniciou com um almoço com o comandante da ESE, seguindo-se apresentações acerca da escola e do CLE, e a seguir foi a vez dos militares australianos usarem da palavra. O primeiro dia contou ainda com uma visita às instalações da ESE e do CLE e culminou com um jantar de cozinha tradicional portuguesa na cidade. No segundo dia, os militares realizaram visitas culturais pela cidade das Caldas, em parceria com o Turismo e a Câmara Municipal. Um passeio pelo Parque D. Carlos I, uma visita ao Hospital Termal e a museus, como o Museu do Ciclismo, ocuparam a manhã do grupo. Os militares conheceram ainda a Foz do Arelho, Óbidos (cuja visita teve também o apoio da Câmara e do Turismo) e São Martinho do Porto.
“Estamos a achar tudo muito bonito e as pessoas são muito simpáticas e hospitaleiras. Esta área é muito interessante e tem muita história, mais que a Austrália”, afirmou o australiano. “Acho que há uma boa relação entre a Austrália e Portugal, especialmente no exército. Trabalhamos juntos em Timor-Leste [cuja língua oficial é o português], providenciando segurança e assistência humanitária às pessoas locais. Portugal e Austrália também trabalham juntos para treinar o contingente naval e o exército. Por isso, penso que é muito importante reforçar essa relação”, continuou, explicando que, “muito embora os portugueses saibam falar inglês, achamos importante aprender a falar português para estabelecer boas relações”.
O Curso de Português ministrado em países como os Estados Unidos da América, Alemanha ou França, a par da Austrália, destina-se a formar militares que irão desempenhar missões em embaixadas ou na cooperação militar, em locais como o Brasil, Portugal, os PALOP e, claro, Timor-Leste.

Intercâmbio anual
O intercâmbio entre o Exército Português e o Exército Australiano ocorre todos os anos, integrado na viagem de estudo do Curso de Português da Australian Defence Force School of Languages (Forças Armadas Australianas). “O objetivo principal é praticar a língua portuguesa em vários ambientes, inclusive no militar”, explicou o diretor do CLE. O intercâmbio consiste numa visita a uma Unidade Militar do Exército Português, tendo, este ano, sido “escolhida a Escola de Sargentos do Exército, em particular o Centro de Línguas do Exército nela localizado”, continuou.
Foi, com efeito, a primeira vez que militares australianos estiveram de visita à ESE. No entanto, não está prevista nenhuma visita dos militares portugueses à Austrália, uma vez que o CLE ainda não realiza intercâmbios, mas “está a planear implementar”, afirmou o sargento-chefe Rodrigo Minhava, do Centro de Comunicações e Informações do Quartel das Caldas, e que esteve a acompanhar o grupo de australianos.
Os intercâmbios já promovidos pela ESE são no âmbito dos cursos de formação e progressão na carreira dos sargentos, com outras escolas de “Espanha, França, Bélgica, Brasil”, por exemplo, continuou.
A turma de australianos foi também o primeiro grupo de todos acolhido no âmbito do Centro de Línguas do Exército, estando “em estudo uma visita ao CLE por parte do Exército Brasileiro, nomeadamente, militares do Centro de Idiomas do Exército Brasileiro”, informou ainda o diretor do CLE.
O Centro de Línguas do Exército está instalado na ESE desde 2014, em edifícios da escola disponibilizados e renovados para o efeito, tendo estado estabelecido, anteriormente, na Amadora e em Évora. Nele são ministradas as línguas inglesa e francesa, e realizados os exames para obtenção do nível linguístico necessário para participar em missões internacionais, sendo que os militares portugueses marcam presença na República Centro-Africana, Roménia, Lituânia, Estados Unidos da América, França, entre outros países. ■