Palácio Gorjão entrou em obras para dignificar o passado

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Imóvel é pertença da câmara do Bombarral, que ainda está a estudar o uso a dar á totalidade do equipamento

Trabalhos vão decorrer ao longo de 18 meses e representam um investimento municipal de 2 milhões de euros

Arrancaram, esta semana os trabalhos de recuperação do Palácio Gorjão, datado do século XVII e classificado como Imóvel de Interesse Público, pertença do município do Bombarral.
A empreitada, que representa um dos maiores investimentos públicos dos últimos anos no concelho, vai custar quase 2 milhões de euros e conta com cofinanciamento comunitário, através do Fundo Europeu para o Desenvolvimento Regional (FEDER), no valor de 960 mil euros. Trata-se da primeira grande intervenção de fundo para recuperar este edifício histórico localizado no centro da vila.
Como se trata de uma construção muito antiga, todas as cautelas são poucas, pelo que os trabalhos de recuperação serão acompanhadas, a par e passo, pelo arquiteto Rafael Montes, da empresa ProaSolutions.pt, responsável pelo projeto de reabilitação e que, no próximo ano e meio, vai viver na zona até à conclusão dos trabalhos. A acompanhar as obras estará um arqueólogo, como manda a legislação, que acompanhará todas as intervenções, para que seja respeitada a história do edifício.
“Foi feito um estudo prévio e identificados alguns problemas que afetam o palácio, que precisam de ser resolvidos”, destacou o arquiteto na visita guiada que fez à Gazeta. O principal problema é a humidade. As sondagens revelaram água junto aos alicerces, pelo que a primeira grande intervenção será abrir uma vala em redor de todo o edifício, reparar os alicerces e drenar as águas que serão canalizadas pela encosta abaixo, através do anfiteatro municipal, em direção ao rio Real, que corre a pouco mais de 200 metros em direção à Lagoa de Óbidos.

Projeto foi condicionado pela Direção-Geral do Património Cultural

O Palácio Gorjão será alvo de uma autêntica operação de rejuvenescimento, de forma que seja devolvido a uma realidade próxima do passado. Neste edifício muita coisa mudou desde a monarquia e os espaços foram convertidos sem que fosse respeitada a sua história. Aqui funcionou na década de 80 o ciclo preparatório, por exemplo, antecessor da futura Escola Preparatória e Secundária Fernão do Pó.
As obras vão estender-se à zona ocupada pela biblioteca municipal, auditório e anfiteatro, sendo eliminada a atual rampa de acesso, íngreme e escorregadia. Em alternativa será construído um acesso em ‘s’ que vencerá mais comodamente a inclinação.
A ligar este espaço ao Palácio Gorjão será montado um elevador interno, que permitirá a acesso das pessoas com dificuldades de locomoção, desde o auditório ao 1º andar do edifício histórico, funcionando também como monta-cargas. O anfiteatro verá a sua capacidade aumentada e beneficiado de um segundo acesso lateral, respondendo a questões de segurança. O lago será restaurado e dotado de uma ponte pedonal e zona circundante. O auditório será remodelado, com mais alguns lugares e terá ar condicionado, uma velha aspiração, para além de equipamento tecnológico de última geração de som e imagem. Ao lado será criada uma sala infantil com luz e ventilação natural, fonoteca/mediateca e um pátio lúdico. Será criada instalação sanitária acessível a todas as pessoas e renovadas as existentes.

Imóvel é pertença da câmara do Bombarral, que ainda está a estudar o uso a dar á totalidade do equipamento

As obras são caras devido às exigências da Direção-Geral do Património Cultural: as janelas serão substituídas por outras em madeira, de caixilho duplo, para comportar vidros duplos, tendo sido negado o uso do PVC, muito mais barato e com melhor eficiência energética. Foi também barrada a possibilidade do uso de painéis solares. Outra exigência que a equipa projetista teve de integrar no projecto, que também provocou dificuldades, esteve relacionada com questões de segurança e proteção civil.
Sobre o futuro do Palácio Gorjão, estão em aberto várias questões. Neste ano e meio haverá tempo para pensar sobre o seu uso. Para além da manutenção do Museu do Bombarral no 1º andar, no rés-do-chão permanecerá o posto de turismo e será criado um espaço expositivo sobre a história do concelho e para sessões públicas.
Rafael Montes está entusiasmado perante o desafio que tem pela frente, porque esta obra pode ter muitos imprevistos que terão de ser ultrapassados. “A principal missão é pôr à vista de todos a história deste palácio”, conclui o arquiteto.
Em ano de autárquicas, a obra representa para o socialista Ricardo Fernandes, o início da concretização de um objetivo que, por diversas vicissitudes, só agora está no terreno. ■