Provar as comidas do mundo nas Caldas

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Archil Shinjikashvili casa a gastronomia portuguesa com a georgiana

Sabia que pode degustar comida do mundo nas Caldas? Há restaurantes com pratos internacionais feitos por chefs que dão a conhecer os sabores dos seus países. Do habitual sushi até à comida egípcia, conheça todo um mundo de propostas diferentes

 

Há propostas, literalmente, para todos os gostos na restauração das Caldas. O difícil é escolher, mas a Gazeta partiu em busca de conhecer melhor as diferentes propostas gastronómicas que nos chegam dos quatro cantos do mundo.
O restaurante Safflor abriu portas em junho de 2020, em plena pandemia, no Hemiciclo João Paulo II. Coordenado pelo chef holandês Martijn Castricum, dedica-se à comida internacional. “É a minha experiência, adquirida ao longo dos anos que vai à mesa”, disse o responsável, que vive em Portugal desde 2001 e trabalhou no Hotel Foz Praia, na Foz do Arelho.
Apesar de ter começado carreira na sala, a vida encaminhou-o para a cozinha. Os seus pais vieram viver para o Oeste nos anos 1990 e Martin e a sua família mudaram-se também para as Caldas. O chef trabalhou em várias unidades hoteleiras em Óbidos e em Vilamoura. No final de 2019 começou a pensar que era o momento de criar o próprio negócio e decidiu apostar na comida internacional. “Como, infelizmente, ainda não podemos visitar outros países, o que nós oferecemos é uma viagem pela gastronomia do mundo”, disse o chef, que apresenta aos seus clientes uma ementa de comida mexicana, depois grega, tailandesa, israelita e de África do Sul.
Tem propostas vegetarianas de cada menu, sem esquecer a sobremesa e contou à Gazeta que tem muitos clientes ingleses, holandeses, belgas, franceses e norte-americanos. Martijn Castricum tem constatado que a comida internacional tem procura e também tem apostado em menus especiais para celebrar datas importantes, como o Dia dos Namorados.
Da Grécia, o chef holandês destaca a moussaka, um prato de forno que leva beringela e carne picada, uma espécie de lasanha grega. No que diz respeito à Tailândia, salienta a Massaman, um caril suave e de Israel destacou a Pita Shoarma enquanto que de África do Sul faz um Boerewors (salsicha do agricultor) que é fresca e que é servida grelhada. No futuro, pensa também juntar ementas da Holanda, Tunísia, Marrocos, América do Sul, EUA. Uma das novidades foi um menu dedicado à comida da Indonésia.

Da Geórgia para as Caldas
Ainda no Hemiciclo João Paulo II há um espaço com uma oferta mais específica: no restaurante Geo, que abriu em 2018, une-se a gastronomia portuguesa à comida da Geórgia, país de origem do chef Archil Shinjikashvili.
“As entradas são todas georgianas e temos muitos pratos com molho de noz, especiarias e frutos secos”, disse o responsável, acrescentando que as massas, o pão e o próprio queijo “é tudo feito” no restaurante.
A Geórgia é um país de grande diversidade e, por isso, tanto se podem provar pratos típicos da zona de montanha como outros mais leves e à base de vegetais. “Além da comida também vendemos vinhos georgianos”, disse o chef, que faz catering para a Embaixada da Geórgia em Lisboa.
“No meu país, os homens são cozinheiros”, contou o chef, que aposta nos pratos tradicionais do seu país que tem várias similitudes com a cozinha portuguesa dado que se aposta igualmente em comida de tacho e de forno. “Diariamente aposto em pratos especiais”, disse, explicando que o que determina o que os pratos vão ser são os produtos frescos que encontra na praça e no mercado do peixe.

Sushi entre a Praça e o Parque
Yasuke é o restaurante japonês que abriu há um ano na Rua do Parque, onde o chef é Jailton Santos. Este brasileiro, de 54 anos, de Minas Gerais (Belo Horizonte), viveu, desde os 12 anos, com uma família japonesa, que tinha um restaurante dedicado à cozinha tradicional daquele país. É neste espaço que se pode comer sushi, mas não só. A cozinha japonesa tradicional também tem vários pratos quentes que se podem provar neste espaço. Um dos eventos que este chef mais se orgulha foi o de ter coordenado um banquete, em 1997, para 400 pessoas, de homenagem aos imperadores do Japão quando estes se deslocaram ao Brasil.
Em Portugal desde 2006, Jailton Santos tem estado à frente de vários restaurantes.
Entre as muitas propostas está o Yakiniku, que é um churrasco japonês. A carne vai marinada para a mesa e é o próprio cliente que a grelha em pequenos fogareiros. Não faltam ainda Kushiage, tempura Kushiyaki, Teriyaki, Gyosas entre tantos outros que prometem surpreender os clientes mais exigentes.
O restaurante Yasuke oferece uma grande variedade de sushi, quer na vertente mais tradicional, quer de fusão, onde as propostas incluem queijo, legumes e frutas.

Sabores da Norte da índia
Já na Calçada da Praça 5 de Outubro preparamo-nos para uma nova e diferente experiência gastronómica indiana.
O espaço é da responsabilidade da família Khanna, que veio para as Caldas a pedido da filha do casal, Saisha, para que esta pudesse seguir o sonho de ser tenista profissional. E, como tal, Anila cozinha para o seu restaurante tal como o faz para a família. As entradas podem ser chamuças acompanhadas de grão e molho de iogurte, mas há outras como Bhel Puri, Peanut Masala ou Mock Eggs. Entre as várias propostas constam o Butter Chicken, Chicken Tikka Masala, Chicken Rogan Josh, Biryani ou Saag Chicken. Há, também, uma série de propostas vegetarianas como a Dal Tadka, Dal Makhani ou outros pratos que realiza com grão-de-bico ou couve-flor.
“Cozinho pratos típicos do Norte da Índia e alguns com inspiração da cozinha afegã”, disse a responsável, que teve uma grande adesão de gente de várias nacionalidades e idades. “Temos clientes que vêm ou encomendam todas as semanas”, disse a responsável que cozinha quase tudo de raiz, ou seja, é a própria que prepara inclusivamente as misturas das especiarias. Orgulha-se também de não usar gorduras extra, apenas a que os próprios alimentos possuem.
Também há gelado preparado à moda indiana e uma nova aposta nos cocktails. Anila Khanna está a pensar em abrir um segundo espaço de restauração na região. Abrimos-lhe o apetite? ■

 

Menu do dia

Safflor
HEMICICLO JOÃO PAULO II, 15
O preço médio da refeição fica entre os 12,5 e os 14€ ao almoço e entre os 20 e os 25€ ao jantar. O chef prepara ementas dos quatro cantos do mundo. É possível provar sabores tailandeses, mexicanos ou indonésios. Entre as novidades da primavera está uma sopa de morangos, feita com espumante e gelado de chocolate
Contacto: 262 097 851

Geo
Hemiciclo João Paulo II, 9 A O preço médio da refeição oscila entre os 10 e os 15€ ao almoço e entre os 20 e os 30€ ao jantar.
A possibilidade de provar a fusão entre a gastronomia portuguesa e georgiana. O chef Archill diz que há semelhanças, pois nas duas gastronomias aposta-se em pratos de tacho e de forno.
Contacto: 914 025 995

Yasuke
Rua do Parque, 5 Para quem vem comer sushi ao Yasuke, os preços médios ao almoço variam entre os 10 e os 12 €. Ao jantar entre 20 e os 25€ por pessoa.
A comida japonesa não é só sushi. O chef Jailton também confeciona vários pratos quentes que vão surpreender os amantes dos sabores asiáticos.
Reservas: 913 206 387

Flavours of India
Calçada da Praça 5 de Outubro, 5 O preço médio da refeição fica entre os 9 e os 12€.
Anila Khanna traz sabores do Norte da Índia. Dedica-se à comida caseira e trata os
clientes como família.
Contacto: 936 740 633

Cairo, Cairo
Rua Vitorino Fróis, 40 O preço médio por refeição fica nos 12€.
Katrin Soliman faz comida 100% egípcia e tradicional, tal como a mãe lhe ensinou.
Contacto: 911 060 609

 

Cairo, Cairo aposta nos sabores egípcios

Katrin Soliman faz vários pratos do seu país e está a conquistar os oestinos

Katrin Soliman é a responsável pelo restaurante Cairo, Cairo, situado na Rua Vitorino Fróis, próximo do Restaurante Canas. “Conheço bem a oferta que há em Portugal e o meu restaurante é o único que se dedica em exclusivo à ementa típica egípcia”, garante a cozinheira, que veio para Portugal com a família há 21 anos.
Nos meses de confinamento trabalhou em take-away e foi levar os seus pratos por todo o Oeste. Um dos mais famosos é o Koshary, uma especialidade vegetariana que inclui arroz, lentilhas e macarrão. Kofta, um prato que pode ser feito com vários tipos de carne, à exceção da carne de porco que não entra nos pratos egípcios. A cozinha egípcia tem características próprias, com cozinhados a baixa temperatura e Katrin Soliman explica que cozinha tudo na hora e como tal “é sempre melhorar reservar ou encomendar com tempo”. A responsável aprecia cozinhar à frente dos clientes a típica Moussaka ou pratos de Kofta.
O Cairo, Cairo tem entre os seus clientes vários estrangeiros desde ingleses, americanos, suíços, alemães, holandeses, belgas, franceses e também alguns egípcios.
A chef diz que em Portugal “há segurança, bons preços e sobretudo muita qualidade de vida. É difícil encontrar tudo isto num só país”, disse a empresária, conhecida pelos vários pratos como Shish tawook de frango ou salada verde egípcia, entre tantas outras especialidades, algumas com detalhes menos usuais como, por exemplo, folha de videira.
A responsável pela confeção da comida daquele país nas Caldas não dispensa as compras diárias de legumes e frutas na Praça da Fruta, onde, de resto, já é bem conhecida dos vendedores.
“Não guardo comida para o dia seguinte”, disse a cozinheira que se orgulha de não ter stock de comida.
E o que explica o seu sucesso? “Faço as receitas típicas, da mesma maneira que a minha mãe me ensinou”, disse Katrin Soliman, contente por poder reabrir as portas do seu espaço, onde é preferível fazer a reserva previamente. ■