Tacho Solidário serve mais de 150 refeições semanais

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Projeto solidário tem ajudado a comunidade sem-abrigo na capital, mas com a pandemia sente o aumento dos pedidos de ajuda de famílias com fome

Projeto nasceu no Cadaval e leva comida a 120 pessoas em Lisboa e oferece 35 refeições aos profissionais de saúde

Todas as segundas-feiras um grupo de voluntários do Cadaval parte para Lisboa com 120 refeições prontas para distribuir por quem mais precisa. O Tacho Solidário nasceu há quatro anos e é direcionado para a comunidade sem-abrigo que existe na capital.
“Tendo em conta a situação que vivemos, houve a necessidade de adaptarmos o Tacho Solidário às novas realidades”, conta Cláudia Fernandes, uma das fundadoras da associação solidária.
Com a pandemia, e o primeiro confinamento, o projeto serviu refeições a cerca de 30 famílias no concelho do Cadaval e também em Campelos e Torres Vedras. “No início deste segundo confinamento e, dadas as circunstâncias que os profissionais de saúde enfrentavam, organizámos mais uma entrega semanal e distribuímos também refeições nas urgências do hospital de Torres Vedras e Caldas da Rainha”, explicou a dirigente.
No hospital de Torres Vedras distribuíram apenas duas vezes, porque já existiam várias associações a contribuir. No hospital das Caldas continuam, todos os fins de semana, a deixar 35 refeições completas para quem está na linha da frente do combate à pandemia.
O funcionamento do Tacho Solidário é diferente do de outras associações. Não é distribuída comida, mas elaborada uma ementa que consiste em sopa, uma refeição de peixe ou carne, uma sobremesa, fruta, águas e pão. O grupo conta com a colaboração de pastelarias e padarias, tanto na doação de produtos como na cedência dos espaços para cozinharem as refeições, sendo que a grande maioria é feita na escola do Cadaval.
“O transporte é, sem dúvida, a nossa pedra no sapato, uma vez que as idas a Lisboa são feitas apenas com um carro particular de uma das voluntárias”, contou à Gazeta das Caldas Cláudia Fernandes, explicando que, só por uma vez, uma Junta de Freguesia cedeu a carrinha. Porém, o transporte e as portagens ficam a cargo das pessoas que vão na viatura “e assim têm sido estes quase quatro anos…”, nota.
O Tacho Solidário reúne seis voluntários permanentes: duas cozinheiras e quatro pessoas que prestam apoio na recolha de alimentos e roupas como cobertores e agasalhos e também no transporte e distribuição das refeições. “Quando conseguimos ajuda para o transporte podemos contar com mais voluntários”, salienta a dirigente.

“Já não é só a comunidade sem abrigo que procura ajuda em Lisboa, mas também famílias que têm fome, muito devido a esta pandemia”

“Distribuir é realmente o mais fácil e, para isso, não nos faltam voluntários”
Cláudia Fernandes

 

 

 

 

 

 

 

Pandemia acentuou dificuldades e pedidos de ajuda

O Tacho Solidário é um projeto direcionado à comunidade mais desfavorecida da capital, mas Cláudia Fernandes constata que “já não é só a comunidade de sem abrigo que procura o Tacho Solidário às segundas-feiras no Martim Moniz”.
“Servimos também famílias que precisam de ajuda, que têm fome, sobretudo devido a esta pandemia que veio deixar vários agregados familiares com muitas dificuldades financeiras e de urgência social”, salienta a dirigente da associação.
Este grupo nasceu de uma conversa entre uma catequista e a mãe de uma das crianças que frequentava a igreja, há quase quatro anos. A fundação da associação tinha como objetivo despertar os jovens da Dagorda (Cadaval) para o voluntariado.
Além disso, este projeto não aceita dinheiro. “É feito um apelo para o que realmente precisamos: que, em dias a combinar, alguém que nos ajude a confecionar uma refeição, uma panela de sopa ou qualquer outro bem alimentar, na sua casa”, frisa.
Em certos casos solicitam a doação de sumos ou leite com chocolate e pedem às quatro pastelarias locais que costumam ajudar neste projeto que guardem os bolos que não sejam vendidos. O facto de serem um grupo de voluntários e não uma associação tem dificultado a existência de apoios das entidades locais, o que os “desaponta um pouco”, confessa.
“Há uma logística enorme antes de chegarmos aos sem abrigo com a comida para distribuição”, realça a cadavalense. “Pensar e elaborar a ementa, recolher e embalar a comida, contar talheres, carregar o carro e, claro, as horas disponibilizadas para que seja possível concretizar esta ajuda é uma tarefa exigente”, acrescenta. “Distribuir é realmente o mais fácil e, para isso, não nos faltam voluntários”, conclui. ■