Uma biblioteca livre no Nadadouro

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Inaugurada em julho de 2018, a pequena biblioteca foi criada pela própria população.

Três amigas que residem no Nadadouro decidiram um dia criar uma pequena biblioteca livre e, em julho de 2018, no parque de merendas entre a escola e o jardim de infância, era inaugurada esta estrutura comunitária.
Carla Pinelas, Sílvia Santo e Isabel Ganhão foram as mentoras da iniciativa, inspirada no que viam nas suas viagens ao estrangeiro, a países onde as bibliotecas comunitárias são algo… comum. Acresce que, trabalhando na área do turismo, deparavam-se muitas vezes com livros deixados pelos turistas e não os queriam deitar para o lixo. Tudo se alinhava para a criação da biblioteca. “Estes projetos devem ser das pessoas para as pessoas”, referiu Carla Pinelas, acrescentando que, a partir do momento em que foi criada, esta pequena biblioteca livre não pertence ao grupo de amigas, mas sim a toda a comunidade. Até por isso, as mentoras sugerem que “qualquer um pode juntar-se e fazer coisas em torno da biblioteca”.
A localização não foi escolhida por acaso. “Este é um projeto muito vocacionado para os mais jovens. É ali que se criam novos leitores”, afirma Carla Pinelas. Na altura, necessitaram de dinheiro para construir a estrutura, uma casa de madeira, com telhado. “A Comissão de Festas de 2016 financiou os materiais e dois amigos ajudaram na construção”. Os primeiros a aderir à iniciativa foram os estrangeiros que residem perto ou que por ali faziam férias “porque já estavam familiarizados com o conceito e são muito gentis, porque, por exemplo, deixam mensagens”. Comum é ver, ao fim-de-semana, os miúdos da freguesia a irem de bicicleta à pequena biblioteca livre para irem trocar livros e também os idosos que vivem na aldeia e que aproveitam para se encontrarem. “Pretendemos que seja precisamente um pretexto para as pessoas se juntarem e se conhecerem”, notam. “Numa freguesia onde residem cada vez mais cidadãos estrangeiros, a biblioteca pode ser um ponto de comunhão”.
Uma das grandes dificuldades que têm sentido passa pela falta de partilha de livros infanto-juvenis, mas até aí a boa vontade e o esforço das três amigas possibilitou uma oferta da Porto Editora de meia centena de exemplares de livros para os mais novos. Durante a pandemia, a biblioteca tinha portas de acrílico, que com o tempo ficaram baças e foi preciso substitui-las por umas de vidro. Organizaram um crowdfunding e, adivinhe-se… conseguiram o dinheiro necessário, demonstrando que o projeto é visto como um bem comum pela própria comunidade. Para o futuro, gostavam de enviar livros para os mais necessitados em África e também que o projeto fosse replicado noutros pontos da região.