Saúde Mental na Escola: Que caminho seguir?

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Patrícia Oliveira

Patrícia Oliveira
Técnica Superior do Ministério da Educação

Com a pandemia, a saúde mental das crianças e dos jovens piorou significativamente. A alteração das rotinas diárias, os confinamentos e a privação da socialização, vieram provocar nas crianças e nos jovens mudanças ao nível social e emocional, que naturalmente se repercutem no contexto escolar, assim como no contexto familiar.
O Pacto Europeu para a Saúde Mental e Bem-Estar apela a que os Estados Membros da União Europeia intervenham em cinco áreas prioritárias, sendo uma das quais a Saúde Mental na Juventude e Educação.Estima-se que cerca de 20% das crianças e adolescentes sofrem de problemas comportamentais, ou emocionais, sendo que 1 em cada 8 apresenta uma perturbação mental.
A prevalência das doenças mentais entre os jovens é preocupante tendo um elevado impacto no desempenho escolar. Os jovens com perturbação mental estão em risco de apresentarem problemas disciplinares, absentismo, retenção escolar, más notas, abandono escolar e/ou delinquência.
A Coordenação Nacional para a Saúde Mental – CNSM, com base no documento da Rede Europeia para a Promoção da Saúde Mental e a Prevenção das Perturbações Mentais, definiu como linha privilegiada de prevenção a implementação de programas de educação escolar para a saúde mental, nomeadamente os programas de desenvolvimento de competências pessoais e sociais. Estes programas deverão ter o objetivo de desenvolver competências nas crianças e jovens ao nível da resiliência e autorregulação, gestão emocional, auto-estima, estratégias de coping. A intervenção deverá ser multinível e sistémica, isto é, envolver alunos, docentes e não docentes e as famílias.
Estamos certos que existe um longo caminho pela frente no que diz respeito à definição e implementação de medidas interventivas na saúde mental das crianças e jovens, ao nível escolar. Terá de haver uma mudança de paradigma e um virar da página na forma como a escola é encarada. ■