Oficina caldense desenha “Relicário” dos The Walking Dead

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Ana+Betânia na oficina nas Caldas

Dupla de ceramistas com ateliê nas Caldas criou peças em cerâmica sobre série norte-americana e que estiveram em exposição na Comic Con

Crânios, rostos sem pele, braços caídos, pés decepados e dedos putrefactos são apenas algumas das esculturas cerâmicas feitas por Ana+Betânia nas Caldas e que integraram a exposição “Relicário” dedicada à série de culto The Walking Dead (FOX Portugal) e que esteve patente na Comic Con, no passado fim de semana no Parque das Nações.
Tratou-se da 7ª edição do maior festival de cultura Pop que tinha como mote “A New Hope” e que recebeu milhares de visitantes em quatro dias.
O evento tinha cerca de 40 mil pessoas esperadas por dia, além de dezenas de artistas nacionais e internacionais relacionados aos mundos do cinema, televisão, banda desenhada, literatura, cosplay, anime, manga, videojogos, música e do Youtube.
A oportunidade de trabalhar com a FOX Portugal, canal que pertence ao Grupo The Walt Disney Company desde 2017, surgiu às autoras através de um convite da Ghost Productions, produtora que tomou conhecimento do seu trabalho durante uma exposição de 2020, na galeria Underdogs, explicaram Ana+Betânia à Gazeta das Caldas.
Para a dupla, o facto de trabalharem em escultura figurativa e em cerâmica, com um nível de detalhe meticuloso, inclusivamente levado ao limite, colocou as artistas “numa ótima posição para a execução do projeto”.

Uma das peças feita na oficina das Caldas

Ao todo, criaram um total de 11 esculturas em cerâmica que pretendem eternizar a memória coletiva da série de culto “The Walking Dead” e fizeram-no no seu ateliê de cerâmica que fica nas Caldas da Rainha.
“Iniciámos a produção com a escultura de um pé de uma criança com uma pantufa calçada, em forma de coelho”, disseram as criadoras, acrescentando que esta obra representa a memória do primeiro Walker da série: uma menina que surgiu no começo do Apocalipse, que carrega ainda os restos de uma infância perdida.
Este pormenor, foi o começo da grande caminhada que representa este “estranho e algo bizarro” conjunto de obras que fazem parte do relicário de The Walking Dead e que as autoras comentam que, eventualmente, poderá posteriormente ser vista noutros locais.
“Foi um enorme desafio, um trabalho extenuante que nos fez sair da nossa zona de conforto, testando a nossa elasticidade e versatilidade como artistas que trabalham com cerâmica”, disseram as autoras à Gazeta das Caldas.
Finalizadas as peças, que acabam por ser bastante fora do comum, dizem que acabaram “por descobrir um novo território, rico e satisfatório”.
O mais difícil de gerir ao trabalhar com uma grande empresa com sede nos Estados Unidos da América foram “os atrasos na aprovação das propostas e consequentemente o curto espaço temporal para a execução do projeto”. No entanto, “tudo foi compensado pelo relevo e pelo impacto que o trabalho teve junto dos muitos visitantes”, disseram.
À dupla composta por Ana Cruz e Maria de Betânia foi inicialmente proposto que fizessem uma pequena relíquia para presentear os visitantes e fãs do “Relicário The Walking Dead”, no evento da Comic Con Portugal.
“Esculpimos em cerâmica dedos amputados, putrefatos, que recordam e imortalizam as personagens “Walkers”, que dão o mote a esta mostra de arte”, contaram acrescentando que foram produzidas e seriadas 900 peças. Para tal, também contaram com o apoio do caldense Estúdio Arte Factory.

Apostar na internacionalização
De momento, Ana + Betânia estão a aguardar o lançamento do filme que documenta o processo de estúdio aquando a produção das 11 peças de “Relicário”.
Em mãos, as autoras têm, em safe de idealização, um mural de grande escala para uma moradia, uma escultura em alto relevo para um fontanário que vai ser integrada num projeto arquitetónico na zona sul do país. Estão também a projetar esculturas com iluminação e “letterings” para um cliente dos EUA que vai lançar no próximo ano uma empresa internacional de comércio de arte.
A par destes projetos, as artistas planeiam a internacionalização “através de concursos de arte e galerias internacionais”, contaram Ana Cruz e Maria de Betânia,, formadas na Faculdade de Belas Artes de Lisboa e que pretendem também alcançar os circuitos de arte urbana e na escultura pública. Este ano já expuseram em Espanha e Suíça. ■