Camaroeiro volta a abrir ao domingo nove anos depois

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José Carlos Monteiro diz que a decisão é também uma resposta à quebra de vendas que a cervejaria sofreu

A cervejaria Camaroeiro Real está agora aberta sete dias por semana interrompendo uma prática de nove anos em que o estabelecimento estava fechado ao domingo.
“Entendi que as Caldas quebrou um bocado ao nível do comércio e que se devia fazer alguma coisa. Acho que o comércio deveria estar aberto nas horas e nos dias em que as pessoas andam na rua e por isso optamos por abrir ao domingo”, disse José Carlos Monteiro, 46 anos, responsável pelo Camaroeiro.
A cervejaria-café-restaurante abre agora neste dia entre as 11h30 e as 23h00 e mantém o horário habitual das 9h00 às 2h00 no resto da semana.
Esta decisão é também uma resposta à crise pois este estabelecimento sofreu, em relação ao ano passado, uma diminuição das vendas superior a 40%.
“Eu tinha uma máquina montada para o movimento que existia, mas com a quebra que agora há, permite-me rodar o pessoal por forma a dar folgas durante a semana e ter isto aberto ao domingo”, disse José Carlos Monteiro.
Este empresário tem notado que a redução da sua facturação não se deve tanto à falta de clientes, mas sim a um menor consumo per capita. “A minha clientela não deixou de aparecer. Passou foi a vir menos vezes e a consumir menos. As pessoas estão com menos poder monetário e isso nota-se bem”, conta.Falando à Gazeta das Caldas na tarde do passado domingo (o primeiro em que esteve aberto), José Carlos Monteiro disse que a hora do almoço até correu bem e que foram sobretudo pessoas de visita à cidade, que andavam na rua, os seus principais clientes.
Partilhando uma opinião que tem sido cada vez mais falada, diz que era necessário dinamizar o comércio no centro da cidade porque se não for assim ainda haverá mais lojas a fechar. E aproveita para dizer que está inteiramente de acordo com a decisão de se adiar as obras na Praça da Fruta por um ano porque realizá-las nesta altura de dificuldades poderia ser fatal para a próprio mercado diário e para os estabelecimentos da zona. Ele próprio ponderou fechar o Camaroeiro enquanto durassem as obras, caso elas tivessem avançado já.
O Camaroeiro Real faz parte do Grupo Catembeiros, que possui também a cervejaria Páteo Valverde na Azambuja e uma suinicultura na Vestiaria (Alcobaça). As três empresas são detidas por José Carlos e pelo seu irmão, António Monteiro, que se encontra à frente do estabelecimento azambujense. Este grupo é responsável por 20 postos de trabalhou e facturou no ano passado mais de 1 milhão de euros.
José Carlos Monteiro diz que também na Azambuja notou uma quebra de mercado da ordem dos 40%, mas que naquela vila optou por descaracterizar um pouco a cervejaria transformando-a também em geladaria e pizzaria, por forma a responder à procura. Nas Caldas, pelo contrário, entende que a vantagem competitiva do Camaroeiro é precisamente a sua tradição de cervejaria e restaurante.
Já a suinicultura alcobacense – que escoa toda a sua produção para um matadouro em Barcelos – começa agora a dar alguns sinais de retoma, após um período também de recessão.

Carlos Cipriano
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