De Braços Abertos – Comércio

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O comércio de uma cidade integra múltiplos formatos, tendo cada um deles determinado papel e importância. É assim hoje, como sempre foi ao longo da história do comércio. As feiras, os mercados, as lojas de rua, os super e hipermercados, os centros comerciais, as máquinas distribuidoras, as vendas à distância, incluindo pela Internet, as vendas porta-a-porta e através das redes sociais, são exemplos de formatos comerciais que convivem, com algum grau de conflitualidade, buscando a preferência dos consumidores.

A responsabilidade dos poderes públicos, nesta matéria, é garantir que o comércio se desenvolva de acordo com as preferências dos consumidores e os interesses da comunidade, a curto e a longo prazo. Deverão fazê-lo no respeito pelas leis do mercado, intervindo apenas quando se torne necessário prevenir ou corrigir os efeitos negativos das suas falhas ou desequilíbrios. Nesse sentido, ao Estado compete assumir funções essenciais de regulação, fiscalização, estabilização, redistribuição e promoção, e não de proteccionismo ou ingerência indevida.

Cabe a cada forma de comércio desenvolver iniciativas úteis e legítimas para a defesa do seu espaço na economia da cidade. No caso do comércio de rua, dito tradicional, impõem-se iniciativas individuais e colectivas, sendo estas de carácter cooperativo e associativo. A todos os níveis, devem ser definidas orientações estratégicas e medidas operacionais. Cada loja, cada grupo de lojas (por localização ou actividade) e todos os comerciantes unidos na sua associação, o devem fazer, superando alguma descrença ou imobilismo.

As excelentes acções de animação recentemente realizadas – Montras Vivas e O Comércio Sai à Rua – ganhariam em eficácia com um enquadramento estratégico, o qual considerasse igualmente acções de promoção, fidelização, avaliação, certificação, organização e investigação. Em matéria de financiamento, requer-se também mais ambição e criatividade. Caldas da Rainha precisa de uma política comercial efectiva, com tradução em iniciativas concretas ao longo do ano, bem seleccionadas e programadas, porque o comércio é, sem qualquer dúvida, a alma desta cidade.