E vira o disco e toca (quase) o mesmo

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Parece que voltámos atras. Números a aumentar, sensação de insegurança no ar, confinamento à vista, férias escolares alargadas, novas regras para isto e aquilo que mudam à velocidade não sabemos muito bem de quê. Eleições em janeiro, dúvidas se as medidas agora implementadas são sanitárias ou eleitoralistas. Estado de calamidade. Estados de insanidade. Mudança de estratégia, agora é testar, testar, testar, sem de facto avaliar efetivamente a capacidade de testagem. Testar para ir ao lar, testar para ir ao bar, testar para ir ao restaurante, testar para ir ao concerto, testar para ir à bola, testar porque estamos com sintomas. Testar. Testar nas farmácias, uma rede capilar distribuída por todo o país, ilhas incluídas, mas que só quem não está por dentro é que percebe que tem limitações. Farmácias de aldeia, atras do sol posto com 2 pessoas a trabalhar, o proprietário mais um técnico ou farmacêutico. Sem espaço para testagem, sem capacidade económica para contratar um enfermeiro.
Todos os dias pessoas à porta, a quererem isto e aquilo, a quererem testes gratuitos (não são gratuitos, são comparticipados pelo Estado) e a não compreenderem porque dizemos que já não há vagas. E recebemos muitas reclamações, de esperarem muito, de não haver testes, de demorarmos a enviar o certificado, de precisarmos de tantos dados para preencher os papéis, de não termos auto testes. Sim, porque queremos fazer parte da luta, está no nosso ADN a saúde das pessoas, mas os recursos são finitos. E a pandemia infinita.
Mas recentremos a questão: as farmácias são entidades privadas a fazer serviço público. Nós, farmacêuticos, queremos contribuir para a luta contra a covid, queremos ser solidários com todos, mas além da covid, há o colesterol, a hipertensão arterial, há a diabetes, há os medicamentos hospitalares dispensados em farmácias a custo zero, há a solidão que leva os nossos utentes a falar connosco, há as doenças mentais (essas sim em claro crescimento), há pessoas a precisar de nós. E não podemos fechar a porta e garantir só testes covid. Temos equipas formadas nas mais diversas áreas, prontas a ajudar e a cuidar da saúde das pessoas. Trabalhamos sob pressão, mas sempre com um sorriso. E agora juntamos mais um serviço, a testagem à covid, reformulamos espaços e rotinas (mais uma vez) para tornar isso possível. Pois bem desculpem, temos equipas que vestem a capa de super heróis todos os dias, testamos na medida das nossas capacidades, cuidamos da saúde de todos. E quem cuida de nós? Por isso apelamos, vacinem-se que a vacina como se prova tem resultados, não impede a circulação do vírus mas reduz significativamente os sintomas e a severidade da doença (ou ainda há dúvidas em relação a isso?), tomem o reforço, usem máscara, desinfetem as mãos e testem-se. Não podemos baixar a guarda que o vírus continua por aí, com outros nomes, com uma imensa habilidade para não ser vencido. Com uma imensa perícia em invadir.
Estamos juntos. Somos humanos. ■