Esta (não) é uma obra de ficção

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João Carlos Costa comunicador

João Carlos Costa
comunicador

Com uma inequívoca vontade de cumprir o propósito pelo qual nasceu e uma enorme capacidade de adaptação e resiliência, a Gazeta das Caldas comemora 96 anos, naquela que considero ser a sua melhor versão de sempre e que se traduz numa justa homenagem aos fundadores deste semanário caldense.
Se Hegel estivesse por cá, teria aqui uma boa oportunidade para teorizar sobre a Dialéctica. Mas eu prefiro dizer que a única saída da maior crise de sempre da comunicação social é mesmo reinventar métodos, reorganizar equipas, reestruturar conteúdos e a Gazeta das Caldas tem vindo a fazer isso na perfeição nos últimos anos, correspondendo aos anseios das populações que pretende servir e, ao mesmo tempo, ligar as nossas comunidades cá dentro e lá fora.
O jornal que relata a história das nossas vidas, mas também se tornou na alavanca de tantos projectos e iniciativas, no fórum onde uns e outros se encontram e criam sinergias, onde o debate político acontece, cresceu e tornou-se imprescindível para quem quer saber o que acontece no Oeste. E, com esta edição virada para o futuro, também aquilo que poderá vir a acontecer na próxima década nesta região alargada que tem Caldas da Rainha e Óbidos como epicentro.
Vítima de uma grande retração do investimento publicitário e da pirataria desenfreada daqueles que partilham impunemente os seus conteúdos, sem tomar consciência dos danos irreparáveis que causam nas suas vendas, este é um momento difícil para quem não abdica de um elevado padrão de qualidade. Creio, mesmo, que essa é a grande imagem de marca da Gazeta das Caldas: ser fiel à exigência de um trabalho jornalístico de qualidade, mas virado para a modernidade e com o objetivo de ser um agente de desenvolvimento regional.
Numa altura em que o papel está a sucumbir ao digital, com a voracidade e a velocidade da internet e com um público cada vez mais exigente, impaciente e difícil de fidelizar, ser referência na informação local, faz parecer a luta de David e Golias, uma brincadeira.
Todos devíamos ser assinantes da Gazeta das Caldas, não porque sim, mas, porque todos precisamos que continue a fazer como ninguém, o que faz há 96 anos. E quando digo todos, somos mesmo todos, as autarquias do Oeste, as empresas de toda a região e não só, os movimentos disto e daquilo, a população em geral, porque todos precisamos de saber o que acontece, deste ponto de encontro, deste meio para fazer passar a mensagem.
Considero até que seria muito ajustado que, com o intuito de marcar a efeméride que agora se assinala, uns e outros em jeito de agradecimento, começássemos por tomar verdadeiramente consciência da importância da Gazeta das Caldas e cada um à sua maneira retribuíssemos estes quase 100 anos de dedicação total a uma região, a nossa. Eu do meu lado, mesmo sendo assinante, a cada quinta-feira (foi durante muito tempo à sexta) logo pela manhã, vou continuar a comprar a Gazeta na primeira banca que encontrar, para de imediato à mesa do café mais próximo a poder folhear, com a avidez de quem gosta de saber o que acontece na sua terra.
É que “esta, (não) é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, factos ou situações da vida real, (não) são mera coincidência”, são sim a história e as estórias da nossa vida. ■

Todos devíamos ser assinantes da Gazeta das Caldas, não porque sim, mas, porque todos precisamos que continue a fazer o que faz há 96 anos