Assim como se fosse um esclarecimento em jeito de resposta (ou vice-versa)…

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Reconhecendo-me como um leitor regular da Gazeta das Caldas, ao chegar à página 4 da edição de 9 de Fevereiro último, admito ter ficado estupefacto com as declarações atribuídas ao Presidente da Câmara de Caldas da Rainha, Dr. Tinta Ferreira, a propósito da Estrada Nacional 360, que liga Caldas a Santa Catarina e à Benedita.
Segundo lá se pode ler, o Dr. Tinta Ferreira, pessoa que, diga-se, me merece total consideração e estima, referiu que «uma intervenção profunda naquela via, ou uma nova estrada, poderia custar mais de 10 milhões de euros» e que isso iria «comprometer toda a sua capacidade de investimento e teria, mesmo de abdicar de outras obras já previstas, como a sede do Teatro da Rainha». Ora esta linha argumentativa, por ser manca, não leva lá muito longe e revela-se tão sinuosa como a estrada em causa. E já que de estradas se fala, o Dr. Tinta Ferreira, como se costuma dizer, arrisca pois confundir a beira da estrada com a estrada da Beira.
Senão vejamos:
A construção de um novo edifício para o Teatro da Rainha, promessa feita pelo executivo municipal vai para 15 anos e que só actualmente está em vias de concretização, custará 5 vezes menos do que o previsto para a tal estrada (e, já agora, 9 vezes inferior ao que importou o CCC), e, aliando a componente da criação à formação teatral numa envolvente arquitectónica específica, será não só a grande marca da contemporaneidade no tecido urbano, como, sobretudo, uma indesmentível mais-valia para a cidade, concelho, região e país, distinguindo-se, pela sua singularidade e pelas múltiplas valências que propicia, até mesmo no contexto do território europeu. É um facto que o reconhecimento da qualidade deste projecto se estabeleceu unanimemente em todos os círculos de apreciação a que foi sujeito, não sendo pois prejudicado pela minha condição de membro da equipa do Teatro da Rainha, de que sou, orgulhosamente, co-fundador.

Tendo eu, como é sabido, tido a honra de encabeçar a lista da CDU nas eleições autárquicas, interessa deixar claro que a reivindicação de uma nova via de acessibilidade, amplamente reclamada, já constava dos programas eleitorais de 2009, 2013 e 2017, o que demonstra que este problema é apenas mais um dos muitos outros que se arrastam sem solução à vista e será bom não misturá-los nem complicá-los ainda mais, até porque todos nós temos curvas apertadas para vencer e convirá que, nelas, o Presidente da Câmara, Dr. Tinta Ferreira, não se despiste.