O Afeganistão e a globalização

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O dramático abandono do Afeganistão pelos Estados Unidos e aliados, depois de uma alegada guerra falhada nos objetivos de ocupação, pacificação e democratização naquelas paragens, em que Portugal também modestamente participou, impressiona-nos a todos. Afinal, ao longo de mais de duas décadas que custaram à economia liberal americana mais de 2 a 3 trilhões de dólares, para lá do mais importante, os custos humanos de 2,3 mil militares americanos mortos e mais de 20 mil feridos, não esquecendo as restantes vítimas dos dois lados do conflito, mostra o absurdo de tudo isto.
Neste período, a China não se imiscuiu diretamente nos conflitos militares internacionais, aproveitando para investir valores milionários em infraestruturas no seu território, especialmente em transportes com a construção de modernas vias de comboios de alta velocidade de milhares de quilómetros, modernizando aeroportos e portos de mar gigantescos e eficientes para servir as exportações, naquilo que terá sido a sua estratégia da nova rota da seda, etc.
Nestes últimos anos tivemos uma verdadeira lição prática de estratégia política económica internacional, misturada com a afirmação de controversas ações em que países defensores da economia global se fechavam à globalização e outros, que ideologicamente estiveram fechados muitos anos a esta fórmula, se abriam e defendiam esse liberalismo económico mesmo que internamente praticassem o condicionamento e intervencionismo económico, como é o caso da China (e de outros países asiáticos), por nós sentido diariamente à nossa porta.
É a este novo paradigma que vamos ser obrigados a responder, mesmo nos países pequenos com economias débeis devido à fraca dimensão, mas integrados em economias mais vastas como estamos nós, independentemente de todas as “bazucas” que nos caiam milagrosamente ou não.
Será possível compreender isto e agir de modo a enfrentar e ultrapassar estas questões? ■