Os deputados

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Pela décima sexta vez os portugueses vão eleger os seus deputados que escolherão depois o governo, desde que foi re-instaurado em Portugal o regime democrático. Nos próximos dias repetir-se-ão os processos e contra-processos que levarão à escolha das listas que permitirão no final eleger os 230 deputados que comporão o próximo Parlamento e que levarão à formação do 23º governo constitucional. Uma vez mais voltarão as discussões sobre a pertinência das escolhas, a credibilidade e fidelidade das opções, o reconhecimento dos eleitores pelos escolhidos e as razões pelas taxas crescentes das abstenções e pela maior ou menor representatividade dos eleitos.
Há muitos anos que se discutem os métodos e as práticas nas escolhas dos candidatos a deputados levadas a cabo pelos partidos, que têm o monopólio da representação parlamentar, tendo havido ao longo de sempre, o debate sobre o papel que as nomenclaturas partidárias e as lideranças nacionais e locais detêm neste processo. No final repartem-se por todos as desculpas pela razão que o processo eleitoral engorda as hostes da abstenção, nem agora desculpado com a representação das margens mais radicais, pois não diminui o seu peso.
Provavelmente, devia ser ensaiado, mesmo com o risco de não resultar totalmente, outras formas de escolha, que não acrescentem menor representatividade, como a utilização de métodos que passem pela criação de círculos uninominais (compensado pelo um círculo nacional de correção), ou que os membros de um futuro governo saiam das bancadas parlamentares, obrigando a escolhas de deputados mais responsáveis e credíveis, ou outras fórmulas que possam melhorar o sistema eleitoral.
Afinal o que os eleitores gostariam provavelmente era poderem reconhecer-se melhor no seu ou nos seus deputados, sentindo-os como representantes objetiva ou subjetivamente das suas principais opiniões ou escolhas para o país. ■