Dois meses e meio depois, o Mercado de Santana voltou a reabrir e Zé Povinho aplaude a maneira como se processou a reabertura daquele que é considerado o maior mercado ao ar livre do nosso país. Foi uma tarefa hercúlea montar toda aquela estrutura que permitiu, no passado domingo, que muitos vendedores pudessem voltar ao contacto com os clientes, e cumprindo as normas de segurança exigidas pelas autoridades competentes. Daí que a Junta de Alvorninha, ainda que com apoio inequívoco da Câmara Municipal das Caldas da Rainha, esteja de parabéns por todo o esforço que fez nas últimas semanas no sentido de criar todas as condições para a reabertura daquela feira tão importante para uma vasta região e que, contando com o civismo de quem lá vai comprar aquilo de que precisa, tem todas as condições para, inclusive, servir de modelo para outras feiras.
Mas Zé Povinho quer estender os parabéns a outra parceria muito frutuosa que tomou conhecimento esta semana: o projecto Vamos conversar?, que decorre em Óbidos, e que visa aproximar os jovens dos seniores através de telefonemas ou encontros presenciais, assim que a pandemia permita.
Esta iniciativa levada a cabo pelo município de Óbidos e pela Associação Rizoma Colony serve um propósito muito nobre e que devia ser replicado noutros territórios. Porque serve para mitigar o problema do isolamento dos nossos idosos e também porque é uma ferramenta social de desenvolvimento dos nossos jovens, a quem, tantas vezes, faltam referências geracionais. Assim, vale a pena trabalhar.

 

Derek Chauvin só tem a importância de ser citado pelo Zé Povinho, mesmo pelas más razões, porque representa todo um estado de espírito ligado a uma irracional actuação violenta, que tanto está no seu ADN, como dos inspectores do Serviço de Estrangeiros que são acusados de assassinarem no Aeroporto de Lisboa um cidadão ucraniano, como o namorado de uma jovem psicóloga que alegadamente a assassinou por ciúmes ou de um pai que na Atouguia da Baleia confessou a morte da criança que ele nunca soube aceitar.
O mundo no século XXI e depois, ou ainda na sequência da pandemia covid-19, devia ser outra coisa, como se esperava, mas no meio dos acontecimentos que levantam o ego dos cidadãos, emergem outros que envergonham a todos e que depois dão origem a males maiores.
Em Minneapolis assiste-se a uma sucessão de actos indignos, que as câmaras de telemóveis captaram, mostrando que quem está à roda do polícia agindo de forma irracional, também nada mostra uma racionalidade mínima, tal como aconteceu nos outros alegados crimes, na maioria dos casos feitos com testemunhas que, por medo ou por inconsciência, não ousaram travar a loucura de alguns.
Zé Povinho representa em Chauvin aquilo que de pior o homem moderno pode ter e que não devia ter no Séc. XXI, mas também não compreende a ausência de forte censura de alguns responsáveis públicos que deviam de imediato sair a caminho, para evitar a sanha irracional (ou oportunista) de uns quantos, que também gostam do sangue. Zé Povinho não gosta de uns e de outros, mas quer significar em Chauvin o tudo que rejeita e abomina nestes dias.