Oeste Lusitano voltou a dinamizar o Parque Dom Carlos I num evento marcadamente equestre, mas para todas as famílias

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Os passeios de charrete são um atrativo da feira

Espetáculos noturnos continuam a ser o grande chamariz do evento, mas são os pequenos poldros que fazem as delícias de miúdos e graúdos

O Parque D. Carlos I voltou a ser o centro da atividade equestre na região no passado fim de semana e, apesar de não existirem números oficiais de público presente, uma vez que as entradas são livres, é seguro dizer que a 10ª edição não defraudou as expectativas e atraiu muita gente durante os três dias do certame.
No que respeita a quantidade de visitantes, o principal barómetro são os espetáculos noturnos no picadeiro principal, que cerca de uma hora antes de iniciarem já tinham a bancada repleta e, à volta da teia que delimita o picadeiro, a acumulação de pessoas era tal que tornava difícil para quem ficava mais atrás poder acompanhar o espetáculo.
E neste particular, a organização do Oeste Lusitano, a cargo da Associação de Criadores de Puro Sangue Lusitano do Oeste, quis inovar em relação aos anos anteriores e fê-lo da melhor forma. Paco Martos veio de Espanha com o seu espetáculo de cavalos em liberdade, que deu um fator surpreendente a esses espetáculos noturnos. Sem rédeas, nem qualquer tipo de aparelhamento, os equídeos e Paco Martos deliciaram os presentes com momentos de alguma ternura própria da proximidade que existe entre cavalos e tratadores, mas também de grande entusiasmo, com o número em que, em pé em cima de dois cavalos, mas a dirigir um conjunto de seis, cavalgou com destreza ao som da banda sonora dos Piratas das Caraíbas.

Mas o Oeste Lusitano vai bem além destes espetáculos. Durante todo o fim-de-semana o fluxo de visitantes foi constante, com as atividades espalhadas pelo Parque que atraíram muitas famílias para desfrutarem do espaço e também dos cavalos em exposição, que faziam as delícias de miúdos e graúdos, que não resistiam a dar-lhes uma festa.
Magda Moita, de Santa Cruz (Torres Vedras) veio ao Oeste Lusitano no domingo, porque a filha, cavaleira que compete pela associação O Pintas, veio competir, e aproveitaram para visitar todo o recinto. “Estamos a gostar, a feira está interessante, só estamos a achar um pouco estranho ver tão poucas bancas com material equestre”, apontou. Esta foi a segunda vez da família no Oeste Lusitano. “Está um ambiente tranquilo. Acho que faz todo sentido ser realizado neste espaço do Parque e é um evento de manter. Pelo que ouvimos, os espetáculos noturnos parecem ter sido bastante interessantes”, acrescentou.
Se Magda Moita veio às Caldas para o Oeste Lusitano, Tânia Machado e a família foram apanhados de surpresa quando chegaram ao Parque, no sábado à tarde, vindos de Alcobaça, e se depararam com o certame. “Não conhecia e não sabíamos que estava a acontecer. Está engraçado porque tem muitos cavalos”, destacou. Acabaram por ficar para assistir ao espetáculo da noite, “porque vimos as miúdas a dançar”, acrescentou.
Pela primeira vez no evento, mas como expositora, esteve Carolina Madaleno, da Foz do Arelho mas que está a viver atualmente em Lisboa. Veio dar a conhecer a marca de bikinis que criou em 2020, a Sal na Areia, e não se arrependeu da decisão. “Está a ser uma boa feira. É a primeira vez que faço mercado no Oeste, mas está a ser uma boa experiência. Há muitas pessoas e têm demonstrado curiosidade para visitar o stand”, referiu.
Já Peter Pereira, que tem o projeto Mundos dos Cavalos, em Óbidos, tem participado em todas as edições e esta não ficou aquém das expectativas. “Correu bem, como sempre, todos os anos a organização é fabulosa e impecável”, elogia. Destaca as atividades com os cavalos como o que mais sobressai no evento, “e o desfile este ano foi muito giro, com os cabrestos”, destacou. Peter Pereira esteve a realizar passeios de charrete pelo recinto e os comentários que foi recebendo. “As pessoas gostam, temos muita gente que vem todos os anos com os filhos, ou com os netos”, realça, acrescentando que o certame “é importante para darmos a conhecer os nossos negócios”.
Parceiro na organização do Oeste Lusitano, com a responsabilidade de montar as provas dos concursos de saltos e da equitação de trabalho, Óscar Costa, presidente da Associação Hípica O Cavalo de Óbidos e fez um balanço “muito positivo”, não só do concurso, mas de todo o evento. “A ACPSL tem uma equipa super, são pessoas com muita capacidade e que estão sempre à frente dos problemas”, destacou. Nos concursos, que juntaram cerca de 200 conjuntos, tem a particularidade de dar muito a conhecer o trabalho dos cavaleiros da região. Só entre os 6 e os 12 anos, estiveram presentes cerca de 60 jovens cavaleiros. “Apesar de termos condições para realizar um concurso de categoria mais elevada, preferimos dar oportunidade a que os jovens e as escolas deem aqui a conhecer o seu trabalho”, destacou. ■

Organização faz balanço positivo

Levar largadas de touros para as ruas da cidade continua a ser objetivo para o futuro

O desfile equestre levou o Oeste Lusitano para as ruas com cerca de 80 participantes

O Oeste Lusitano é uma organização da Associação de Criadores de Puro Sangue Lusitanos do Oeste e Pedro Columbano, presidente da associação, faz um balanço positivo desta 10ª edição.
“Pensamos que em termos de público, na generalidade, foi o mesmo, mas tivemos um evento mais organizado no pormenor. É a 10ª edição e temo-nos dirimido para resolver problemas que vão surgindo”, sintetizou.
Pedro Columbano destacou o aumento do número de expositores, 73 no total, e dos pontos de comidas e bebidas, que aumentaram dos 16 do ano passado para 29 na presente edição. “Havia procura e achámos que fazia sentido aumentar essa oferta”, realçou.
O dirigente sublinhou também a reorganização que foi feita dos stands, em sintonia com a Câmara das Caldas. “Decidimos ter mais stands na zona do antigo Pópulos e menos na zona do lago e achamos que ficou mais agradável”, considerou.
Na vertente equestre, que é a grande razão de ser do certame, Pedro Columbano destacou os 30 exemplares de jovens lusitanos inscritos no concurso de modelos e andamento. “É a nossa montra e têm vindo os melhores de Portugal, penso que no futuro a tendência é para termos mais”, disse. Trinta foi também o número de criadores presentes. “Esgotámos as boxes”, destacou, acrescentando que se, no início, a associação enviava convites para que viessem expor ao Oeste Lusitano, “agora são eles que pedem para vir, o que significa que há uma boa dinâmica no festival”, completou.
Ainda nos concursos, houve lugar ao Torneio Rainha Dona Leonor em equitação de trabalho, uma prova que, pelas dimensões reduzidas do picadeiro, não pode integrar o calendário de provas oficiais do regional, “mas esperamos ter essas condições no futuro”, disse Pedro Columbano, satisfeito também com o feedback positivo dos concursos de saltos, nos quais “a bancada esteve sempre cheia”.
Ainda na vertente equestre, a ACPSL fez uma aposta maior no desfile equestre. “Fizemos um investimento em esforço de organização e financeiro para termos campinos e cabrestos e fados em frente à Camara, mas gostávamos de ter mais pessoas nas ruas”, referiu, elogiando o respeito que os cerca de 80 participantes tiveram pelo desfile, ao desfilar trajados a rigor.
Pedro Columbano destacou, ainda os espaços de animação noturna. A começar nos espetáculos do picadeiro principal. “No mundo dos cavalos não é fácil estarmos sempre a inovar, mas a contratação do Paco Martos superou as expectativas”, considerou.
No Céu de Vidro, as sessões com DJ’s tiveram boa adesão e, acima de tudo, Pedro Columbano realça não terem existido queixas relativamente ao som.
Ainda não foi este ano que a organização conseguiu retirar do Parque as largadas de touros, mas Pedro Columbano adianta que o objetivo continua a ser o de levar essa iniciativa para as ruas da cidade. “Isso permitia passar as largadas para o período diurno, com mais segurança porque haveria menos problemas ligados ao consumo de bebidas alcoólicas, e traria pessoas às Caldas, que ficariam para jantar”, argumenta. Além disso, as largadas no picadeiro de aquecimento para as provas de saltos causam problemas ao nível do piso, o que pode ser problemático para essa vertente do evento.
Pedro Columbano saudou, ainda, o crescente envolvimento dos Forcados Amadores das Caldas da Rainha, que dinamizaram a zona da pala. “Estão cada vez mais empenhados na feira e pensamos que, no futuro, serão nossos associados, porque os touros e os cavalos estão interligados”, concluiu. ■