Freddy Batteur é um músico alemão que vive no Bouro, desde os anos 90. O percussionista, que é também produtor musical, recebe na sua casa músicos de todo o mundo. Gazeta das Caldas apresenta este autor que se divide entre a Alemanha e a região e que dá a conhecer o concelho caldense a amigos das mais variadas nacionalidades.
Natacha Narciso
nnarciso@gazetadascaldas.pt
As primeiras viagens a Portugal foram feitas em 1984 quando Freddy Batteur fazia parte da equipa que assegurava que nada faltava nos ensaios ou actuações da banda alemã, Guru Guru (criada em 1968). Naquela época, os grupos de rock viajavam em grandes autocarros e ficavam alguns dias pelas localidades onde actuavam.
Após uma dessas viagens Freddy Batteur decidiu percorrer durante três meses a Península Ibérica. Esteve em Montegordo com os seus amigos, actuaram em Armação de Pêra. Muitas das actuações eram jam sessions com improvisação que contavam com a participação de músicos locais.
Após alguns dias de descanso, lazer e muita música, Freddy fez uma viagem até à região Oeste. Conta que estava sentado num café em S. Martinho quando alguém lhe perguntou se estava interessado em comprar uma casa próximo da praia do Salgado, na Serra da Pescaria. “No dia seguinte, estava a fazer a escritura”, contou o músico que assim começou a ficar ligado a Portugal e à região. Nos anos 90, Freddy trabalhou com vários músicos portugueses: o cantor Beto (falecido em 2010) ou com o baixista Mário Carreira que actualmente trabalha com Mikael Carreira.
Na Alemanha, Freddy teve vários grupos e, como baterista, trabalhou como freelancer, tendo feito gravações de bossa nova com big bands e colaborou com grupos que se dedicavam à new wave. “Eu era o que se pode chamar o músico bombeiro pois ligavam-me ao sábado à tarde para tocar à noite e eu ia!”, contou o baterista que, em 1995, veio a Portugal com a sua banda de então e chegou a fazer a primeira parte do concerto de Pedro Abrunhosa, em Alcobaça, quando o cantor estava em digressão com o seu álbum Viagens.
No ano seguinte, Freddy trabalhou para o projecto Lusonics, constituido por músicos alemães que viviam em Porto Covo. Um deles, Manfred Preaker era o baixista de Nina Hagen que veio viver para Portugal no início da década de 90. “Gravámos várias canções, algumas delas em português que passaram nas rádios locais”, contou referindo-se a Rapariga de Lisboa e a Noites de Verão.
Foi também nos anos 90 que Freddy conheceu uma francesa com quem foi viver no Bouro já com a ideia de “fazer algo nesta propriedade, dedicado às artes”, contou o músico, que entretanto vendeu a sua primeira casa na Serra da Pescaria e comprou no Bouro a propriedade designada Casal do Pomar.
Gosta da vida livre que sente sempre que regressa a Portugal, mas refere que há uma enorme diferença entre a vida na Alemanha e aqui em Portugal. No entanto, “sempre que chego ao Bouro, sinto que foi uma decisão certa ter adquirido esta propriedade”, disse Freddy Batteur que, entretanto, fez uma paragem forçada na sua carreira de músico, motivado por um acidente “em que fui atingido nas costas por um caçador”. Foi operado várias vezes mas, o incidente obrigou-o a largar a bateria durante pelo menos 15 anos.
A partir de 2004, decidiu iniciar uma segunda carreira como escritor de canções. Escreve-as em várias línguas e consegue compor em alemão, português, inglês e francês. Algumas são entoadas pelo músico, outras por cantores nacionais e internacionais.
Um dos pontos altos foi a produção conjunta com o cantor Dennis Le Gree da canção de Freddy, Love will change it all. A produção foi da Canoa Studios e as filmagens do vídeo para o tema foram feitas em Óbidos. Os arranjos estiveram a cargo de Luís Pinto, músico que faz parte da banda Anjos.
Usufruir da liberdade no Oeste
Aos 64 anos, Freddy continua a trabalhar com músicos de várias nacionalidades e que convida para conhecer de perto o Oeste. Fá-lo não só pelo prazer da música, como para usufruírem de “um lugar onde as pessoas se sentem em segurança e livres”, disse o alemão que costuma receber músicos dos EUA, Alemanha, Inglaterra e País de Gales. Alguns dos convidados actuam em grandes palcos onde há tanta pressa e controlo de segurança que eles “agradecem-me uns dias calmos onde podem efectivamente descansar, passear e fazer música sem grandes pressões”, disse o baterista. “Alguns vêm para cá para preparar novos álbuns e até já se apresentaram em actuações nos Silos”, contou o baterista.
Actualmente Freddy está a trabalhar com o seu amigo Rudy Valentino Jr. que é presença regular no Casal do Pomar. Estão a trabalhar numa nova versão da canção, Tears and Pain, escrita por Freddy Batteur. Além de músico experiente, Rudy é também engenheiro de som e em 2006 ganhou Grammy para melhor engenheiro de som com o cantor jamaicano Toots.
Um hectare de arte e natureza
A casa de Freddy Batteur tem um hectare e os seus amigos não pagam pela estadia. “Eles deixam sempre obras artísticas, consoante o que cada um sabe fazer”, disse o músico que quer que a visita ao Bouro possa proporcionar-lhes verdadeiro descanso e principalmente paz de espírito.
No Casal do Pomar os hóspedes têm a possibilidade de apanhar fruta das árvores enquanto fazem uma pausa nas gravações ou nas composições.
A propriedade dispõe de várias áreas anexas, incluindo uma eira que, no futuro, poderá ser fechada com uma tenda, passando a ser um espaço para concertos.
Freddy diz que não é rico e que a recuperação da propriedade é fruto do seu trabalho, feito ao longo de 27 anos. “Prefiro investir aqui do que comprar um apartamento em Lisboa”, disse o músico. O viajante do mundo diz que gosta de viver entre duas realidades bem distintas: tudo muito organizado e feito no imediato “como é próprio do espírito alemão” e a forma de ser portuguesa, “muito mais calma”, onde se houve com muita frequência a expressão “talvez se possa fazer amanhã”.
José Saloio é natural de Salir de Matos e trabalhou na tipografia Minerva Caldense e na Rol antes de emigrar, em 1971, para a Alemanha, onde ficou 36 anos. Lembra-se de ver na televisão alemã um mapa de Portugal com um círculo a assinalar as Caldas da Rainha. Foi a 16 de Março de 1974 e, para sua surpresa, a sua terra era notícia a nível mundial. Recorda-se também do 25 de Abril e ver Mário Soares a falar a um canal alemão.
Actualmente, ele e a esposa, Lurdes, dividem o tempo entre os dois países. Por cá divertem-se em caminhadas e entretidos no jardim e na horta. Na Alemanha têm dois filhos e quatro netos.
José Saloio nasceu em Junho de 1946 em Salir de Matos, numa casa onde hoje fica o Centro Pastoral. Fez a 4ª classe na sua terra e depois, apesar de até nem ser mau aluno, as possibilidades de continuar a estudar eram poucas.
Com quase 12 anos, começou a trabalhar na Minerva Caldense. O jovem ia buscar encomendas à estação de caminhos de ferro e distribuía-as. “Havia três tipografias nas Caldas e aquela era a mais antiga. O meu primeiro ordenado foram 150 escudos [0,75 euros]”, recorda. Com o tempo, foi aprendendo também a compor e a encadernar. “Na altura só tínhamos uma máquina automática, que era uma Heidelberg. Mais tarde soube que a sogra da minha filha tinha trabalhado na fábrica mãe, na Alemanha”.
José Saloio ia e vinha todos os dias a pé de Salir de Matos para as Caldas, excepto quando aparecia alguma boleia. “Quando chovia, tínhamos que fazer grandes desvios porque não havia estradas alcatroadas e os caminhos ficavam intransitáveis”, conta.
Dessa altura recorda ainda que chegava a ir mais cedo para as Caldas para poder jogar à bola no Campo da Mata. “Uma vez ou duas aconteceu chegar atrasado ao trabalho, com as botas todas enlameadas”.
Um ano depois, José Saloio foi trabalhar com o pai para o campo. O pai era caseiro da família Pereira, que detinha vários terrenos e quintas nas Caldas e arredores.
Mas o rapaz andou pouco tempo a trabalhar com o pai. Aos 14 anos surgiu-lhe a oportunidade de ir para a Rol como moço de recados. Por essa altura, José Saloio já tinha uma bicicleta e ia a pedalar de Salir de Matos para o Lavradio.
Na fábrica começou a aprender electromecânica e em 1962 foi estudar à noite para a Escola Industrial e Comercial (hoje Rafael Bordalo Pinheiro). “Praticamente fui estrear aquela escola, que tinha boas oficinas”, conta. O jovem saía cedo de casa, ia para o trabalho e de lá voltava para casa por volta das 18h00. Depois saía novamente a pedalar em direcção às Caldas para as aulas, que começavam às 20h00. Ao fim da noite regressava a Salir de Matos. Começou os estudos na área da serralharia, mas decidiu depois mudar para a parte eléctrica.
A certa altura, quatro dos cinco irmãos trabalhavam na fábrica de rolamentos. A José juntaram-se João, Arselino e Ilda Saloio.
Em Agosto de 1967, com 21 anos, foi para a tropa onde esteve três anos. Assentou praça em Leiria e tirou a especialidade em Santa Margarida e no Regimento de Transmissões do Porto. O resto do tempo foi cumprido em Tancos.
Na tropa, para vir a casa, os militares tentavam organizar-se em grupos de 30 ou 40 para alugarem um autocarro. Outra possibilidade era vir de comboio, que custava apenas 20 escudos (10 cêntimos). “Tínhamos de ir a Lisboa ou Alfarelos para vir a Caldas, portanto só utilizava essa via quando tinha um fim-de-semana mais comprido”. É que além disso, vir de comboio implicava, depois de chegar às Caldas, ir a pé até Salir de Matos. Por isso, muitas vezes ficava os fins-de-semana em Lisboa onde tinha um primo, o padre José da Felicidade Alves.
O seu primo nunca escondeu as suas discordâncias em relação ao regime político e religioso. “A casa do padre era um albergue para as pessoas de esquerda e foi mesmo considerada como uma casa de conspiração. Eu lembro-me de, mais do que uma vez, estar deitado num quarto e a porta abrir-se, com malta das reuniões que vinha ver se havia sítio para dormir”.
O aviso de um desconhecido
O primeiro dia na Alemanha, junto à firma onde foi trabalhar. “A primeira vez que vi neve”.
Nos anos 80 no interior da fábrica
Condecorado por 25 anos de trbaalho ao serviço da mesma empresa.
Numa das vezes em que ficou a dormir em casa do seu primo, vinha embora para a estação de Santa Apolónia e já não foi a tempo de apanhar o comboio. Pediu ao chefe de estação para lá ficar à espera do seguinte porque aquele era o último da noite e só havia outro comboio de madrugada. Mas sentiu-se seguido por um homem que tinha entrado no autocarro no mesmo local que ele e que também saíra na estação. Acresce que esse homem, depois de José falar com o chefe da estação, esperou que ele se afastasse e foi falar com o ferroviário. José Saloio ainda hoje pensa que foi seguido pela PIDE e que só não foi detido porque era militar.
Nesse momento apareceu um alferes miliciano que o avisou: “você saia daqui e esconda-se numa porta escura numa rua próxima até faltarem dois ou três minutos para o comboio e depois venha a correr e entre, porque nós fomos avisados e vem aí a Polícia Militar”. Ainda hoje José Saloio diz que está “muito grato a essa pessoa da qual não sei o nome, mas lembro-me das feições”.
Fez o que lhe mandaram e nada aconteceu, mas a partir daí, e apesar de nunca ter sofrido na pele nenhuma perseguição concreta por parte do regime teve “sempre um pressentimento de que não estava sozinho”.
Depois da tropa voltou para Rol até se despedir em 1971. Ainda se lembra do director, “de quem pouca gente gostava”, o senhor Loi, que lhe ofereceu um aumento de salário para ficar. “Disse-lhe que se eu merecia mais dinheiro amanhã, então também tinha merecido ontem. Por isso, algo tinha falhado”.
Foi por essa altura que meteu na cabeça que “tinha que sair de Portugal”. Sentia que “havia sempre uma pessoa perto dos portões e eu sabia que havia muitas pessoas em Salir de Matos que eram informadores”.
José Saloio até tinha conseguido obter legalmente um passaporte, documento que, à época, até nem era acessível para qualquer um. Conseguiu um contrato de trabalho para França, mas preferiu esperar por uma nova oportunidade e ir para a Alemanha trabalhar na metalomecânica na MaschinenFabrik.
A oportunidade surgiu porque um conselheiro alemão veio visitar a escola comercial nas Caldas e elogiou o estabelecimento de ensino, dizendo que era uma pena existirem tão poucas assim em Portugal. Contente com o que viu, abriu as portas das empresas alemãs aos alunos caldenses.
Viagens que foram aventuras
José Saloio fez as malas e, como tantos outros na altura, apanhou o comboio em Santa Apolónia para além Pirinéus.
Em Vilar Formoso, como era habitual, o comboio foi controlado pela PIDE e pela guarda fiscal. Daí foi para Irun. “Aí é que foi um pandemónio porque tivemos que andar mais de um quilómetro em túneis e depois tínhamos mesas com mais de 100 metros de comprimento onde se punham as malas e era tudo revistado”.
Prosseguiu viagem, já num comboio francês, durante a noite e quando amanheceu, apercebeu-se que estava em Paris. Ia sozinho, mas nos dois ou três dias de viagem acabou por fazer vários contactos.
Da capital francesa seguiu para Frankfurt onde encontrou uma missão de católicos portugueses que sabia que o comboio ia chegar e que lhe deu um envelope onde dizia “Frankfurt x horas Gießen – Alsfeld” e depois tinha escrito em alemão “Gleiss e um número” que na altura nem percebeu. “Meti-me no comboio e a dada altura parou durante mais de meia-hora por trabalhos na via. Cheguei a Gießen e vi que a Gleiss era a linha que tinha de apanhar. Eu fui para essa linha, mas o comboio já tinha ido embora. Esperei um bocado e fiquei sozinho sem saber o que fazer, até que apareceu um tipo com um chapéu vermelho e eu, não sabia dizer nada, mostrei-lhe o papel. Ele disse qualquer coisa que eu não percebi e ele escreveu o horário e a linha, que já não era a mesma”.
A partir daí tudo bem, ou quase… É que na cidade para onde ia – Alsfeld – estava o pessoal da firma à espera que José Saloio chegasse no comboio que perdera. Não chegou e eles foram-se embora.
Quando finalmente desembarcou em Alsfeld, colocou-se à porta da estação. “Volta e meia vinha um carro e eu pensava: ‘olha é este’. Estive assim mais de uma hora e nada, até que peguei no papel verde que era o contrato de trabalho e que tinha o nome da firma, fui a um táxi, mostrei-lho e ele levou-me à firma, onde já pensavam que eu não vinha”.
Chegou à Alemanha em 1 de Novembro de 1971 e o seu primeiro dia de trabalho foi feriado. “Ganhei sem trabalhar”, graceja.
O chefe era alemão, mas falava português porque tinha estado vivido no Brasil durante a II Grande Guerra. Quando chegou à fábrica, ficou “decepcionado com a máquinas e porque aquela zona ainda apresentava muitos vestígios da guerra”.
Vivia numa casa, alugada pela empresa, com cinco portugueses que já lá trabalhavam. Era uma antiga moagem, com um canal de água a atravessar a casa e tinha um piano. Ficava numa aldeia próxima e iam de comboio para o trabalho todos os dias. “Os alemães foram muito acolhedores. Estive lá 36 anos e nunca tive a mínima razão de queixa. Agora vejo alguns comentários racistas e por causa disso até já deixei de falar com alguns colegas que lá tinha”.
No primeiro ano foi passar o Natal com o primo, em Monchengladbach, a mais de 300 quilómetros. Depois, uma vez por mês, fazia essa viagem para o visitar.
Cumpriu um ano de contrato nessa fábrica, que era perto da antiga Alemanha de Leste, e depois decidiu mudar-se para junto do primo, onde podia trabalhar na sua área.
Madrinha de guerra… sem ter ido à guerra
Mas regressemos um pouco atrás no tempo, ao momento em que José Saloio ainda estava em Portugal. Apesar de não ter ido para o Ultramar, o caldense teve uma madrinha de guerra, que se chamada Lurdes e era da Benedita. Durante três anos corresponderam-se trocando cartas, que era a única forma de comunicação possível na época pois quase não havia telefones e as chamadas eram caras.
Lurdes e José já se tinham visto uma vez nas Trabalhias, porque Henriqueta tinha uma tia que morava em Salir de Matos e um dia combinaram e ela veio visitá-lo, mas acabaram por não se conhecer. Lurdes Saloio conta que “vinha com uma prima minha e ele pensou que ela era eu”, lembrando que só travaram contacto visual.
Na altura estavam em Salir de Matos dois padres jovens que eram irmãos e que trabalhavam no campo, onde ganhavam ordenado como os outros trabalhadores. Era o padre António e o padre Jesuíno e “foram padres exemplares”, recorda. “Nunca vi o padre António a dançar, mas levava-nos no seu Carocha aos bailes, comia connosco e trazia-nos”.
Foi esse padre que levou José Saloio ao encontro de jovens da Benedita, para visitar a sua madrinha de guerra. “Conheci-a e era tudo real, o que ela tinha escrito era o que eu via, fui muito bem recebido pela família dela e gostei muito”. Depois foi para a Alemanha e Lurdes seguiu a sua vida profissional em Lisboa. Mas continuaram a escrever-se durante muito tempo até que em Abril do ano seguinte pediu-a em namoro. Um ano depois, ainda com Lurdes em Portugal, José veio à Benedita casar, arrancando o casal, duas semanas depois, para a Alemanha. Lurdes Saloio diz hoje que “fui passar a lua-de-mel à Alemanha e fiquei lá 36 anos”.
Na TV alemã um mapa de Portugal com Caldas assinalada
Os primeiros anos de José Saloio nesta nova firma foram passados a fazer os painéis eléctricos de máquinas de têxtil que preparavam os fios para os teares. Faziam 150 máquinas por mês para diferentes locais do planeta. José Saloio trabalhava na adaptação das máquinas para cada local. “A 16 de Março de 1974 vi na televisão as notícias com um mapa de Portugal com um círculo a marcar as Caldas da Rainha”. Era o famoso golpe falhado. Pouco mais de um mês depois, no 25 de Abril, viu Mário Soares, que vinha da parte leste da Alemanha a entrar na parte ocidental, a falar a um canal alemão sobre a Revolução dos Cravos.
No ano seguinte nasceu a filha do casal, Sandra, e o filho, Marco, três anos depois. Em 1983, com as poupanças que angariaram, começaram a construir uma casa em Salir de Matos.
Os anos foram-se passando em solo germânico, onde recebiam as notícias através da Gazeta das Caldas, de que já são assinantes há mais de 30 anos.
Com a globalização e a redução de custos, a empresa em que trabalhava decidiu centralizar os serviços daquela fábrica numa outra a 45 quilómetros de distância. Propuseram-lhe a mudança e até lhe ofereciam um aumento, mas a nova localidade não tinha escola portuguesa. “Fizemos sempre questão que os nossos filhos estudassem em escolas portuguesas na Alemã e lá fizeram o 12º ano”.
José Saloio recebeu uma proposta para ficar na secção da assistência até passar a inspector de aparelhos eléctricos. A firma que tinha chegado a ter mais de 6000 empregados, tem hoje cerca de uma centena e foi sendo vendida aos bocado. Mal informado, o caldense acabou por perder 30 anos de casa, assinando por uma outra empresa e ficando a trabalhar no mesmo local, mas com exigências cada vez maiores.
Já com 60 anos, quiseram impor a José Saloio um cargo que o obrigava a conduzir o seu carro por centenas de quilómetros e que só começava a ser pago quando chegava aos locais onde ia trabalhar. “Tive que me despedir para me reformar aos 60 anos”. O filho já tinha concluído a universidade e já estava a trabalhar, pelo que o casal decidiu então regressar a Portugal.
Hoje têm quatro netos. Os filhos e os netos vivem na Alemanha, mas costumam vir a Portugal e gostam muito desta região. Na Alemanha José Saloio dedicou-se ao coleccionismo e guarda 30 anos de selos nacionais e germânicos e uma colecção com mais de 2000 esferográficas.
Actualmente o casal divide o seu tempo entre os dois países e mantém-se activo. Fazem parte de vários grupos de caminheiros e estão a fazer o Caminho de Santiago por etapas. Mas o seu maior passatempo é o bonito jardim da sua casa e a horta, com árvores de fruto e um pequeno lago com peixes e rãs, cujo coachar constituiu a banda sonora durante esta conversa.
Como muitos da sua geração, Joaquim Bernardo Coito, hoje com 75 anos, também andou embarcado. Navegou pelo mundo inteiro, da América ao Japão, e quando resolveu pôr os pés em terra firme, fixou-se numa cidade industrial alemã – Osnabrük – onde trabalhou como intérprete e administrativo, tendo acabado por abrir dois restaurantes. Um deles, o Alderman, acabaria por servir de modelo para realizar o sonho da sua vida, que era abrir um restaurante nas Caldas da Rainha. A Lareira, inaugurado em 1985, é o seu grande projecto. Algo que não passava pela cabeça do rapazinho de 11 anos que em 1955 foi do Peso (Santa Catarina) para o Sanguinhal (Bombarral) trabalhar numa quinta como aguadeiro.
Joaquim Coito (nascido em 1944) ficou órfão de mãe aos sete anos. O pai trabalhava no campo e impunha-se sustentar uma prole de seis filhos, no início dos anos 50, na então isolada aldeia do Peso (Santa Catarina). Para a época, Joaquim até foi mais longe do que muitas crianças da sua idade – fez a 4ª classe. Muitas nem a escola frequentavam. Mas os estudos ficaram por aí. Com 11 anos apenas, foi para a Quinta do Sanguinhal, no Bombarral, trabalhar como aguadeiro. Uma “profissão” que consistia em distribuir água aos trabalhadores rurais.
Joaquim dormia no “quartel”, expressão que significava os armazéns onde os “malteses” (trabalhadores sazonais vindos normalmente do Centro e Norte do país) pernoitavam, amontoados, em esteiras assentes em tábuas de madeira. “Ganhava 16 escudos [8 cêntimos] por dia e trabalhei lá durante um Verão. Mas depois voltei para as Caldas e fui aprender a ser padeiro na Borges & Matias, uma padaria na rua Heróis da Grande Guerra, ali ao lado do Montepio”, conta hoje Joaquim Coito, viajando 60 anos no tempo para reencontrar as suas memórias.
Feita a aprendizagem, o jovem ruma para Lisboa onde trabalha numa padaria, na Portela da Ajuda. Tinhas algumas ideias sobre a sua vida. Sabia que não voltaria a viver no Peso e queria conhecer mundo. Aliás, ainda hoje, aos 75 anos, diz que adora viajar. Por isso, com 17 anos feitos, faz um exame em Setúbal para obter a carta de ajudante de maquinista e embarca num navio de pesca, o Cabo Branco, que lançava redes na costa da Mauritânia.
Trinta dias no mar e dois ou três em terra, em Lisboa, para descarregar o pescado. Nalgumas vezes, Joaquim metia-se num carro de praça (táxi) com outros rapazes da região, que também andavam embarcados, e vinha ver a família ao Peso. Noutras, preferia ficar por Lisboa e desfrutar do que a cidade tinha para oferecer a um jovem solteiro à beira dos 20 anos.
A TROPA NA GUINÉ
Durante uns festejos carnavalescos na Alemanha, integrado numa comitiva de portugueses
A tropa e a ida para a guerra colonial era coisa esperada e considerada quase “normal” naquela época. Em 1965, com 21 anos, o mancebo Joaquim Coito assenta praça no quartel da Figueira da Foz, onde faz a recruta e tira a especialidade de condutor. Durante 11 meses o Exército dá-lhe guia de marcha para o Porto, Mafra, Vila Nova de Gaia, Santa Margarida e Tomar, até ser embarcado no navio Niassa rumo à Guiné onde ainda o esperavam mais 22 meses de tropa.
Durante algum tempo o soldado Joaquim serve a Pátria como condutor na capital, Bissau. Mas depois é enviado para um destacamento no mato, em Sedengal, junto à fronteira com o Senegal. Aí regressa à sua antiga profissão de padeiro e é ele quem coze o pão para a soldadesca.
Em Maio de 1968 o jovem do Peso passa à “peluda” (expressão que significa regressar à vida civil). Nessa altura Paris era palco de manifestações de estudantes e operários que reivindicavam maiores liberdades e mudanças políticas. Mas no Portugal salazarista e salazarento de então essas notícias não beliscam o regime. Joaquim Coito é fruto da época. Tem 24 anos e quer arrumar a sua vida. As expectativas de emprego e os salários são baixos e é novamente no mar que o jovem encontra a resposta para as suas aspirações – ganhar dinheiro e abrir um dia um restaurante.
OUTRA VEZ NO MAR
Em Agosto desse mesmo ano, apanha um comboio em Santa Apolónia e dois dias depois está em Roterdão, na Holanda. Embarca num navio da United Fruit Company, uma empresa norte-americana de produção e comércio de frutas tropicais, com sede em Nova Orleães, e que tem um historial vergonhoso de repressão e conspiração em países da América Central. Mas Joaquim Coito estava longe dessas realidades e até ocupava um lugar privilegiado a bordo: era o responsável do bar num navio que transportava carga e passageiros e que sulcava todos os oceanos.
O miúdo que nascera na freguesia de Santa Catarina viajava agora pela costa americana, atracava na Europa, rumava ao Japão. Mas nada era fruto do acaso. Joaquim Coito atingira posição no navio porque falava inglês. E aqui é preciso recuar aos tempos em que estava na Guiné e se correspondia na língua inglesa com uma madrinha de guerra de Guimarães. Mais tarde compra um curso de inglês que incluía discos em vinil que ele ouvia, repetidamente, no gira-discos. O seu objectivo era ir um dia para o estrangeiro. E ter aprendido inglês fez a diferença. “A vida de marinheiro era uma vida boa porque, primeiro, eu era solteiro, depois porque ganhava muitas gorjetas. E eu não era de estragar dinheiro. Queria conhecer sítios e gostava de viajar”. Quando iam a terra, enquanto os outros frequentavam as tascas portuárias, Joaquim Coito procurava os restaurantes mais caros e instalava-se “à grande e à francesa” com o objectivo de ver como funcionava o serviço. É ele que o diz, meio século depois: “eu como tinha o desejo de me especializar na hotelaria, ia aos melhores restaurantes, mas não era por guloseima… era mesmo para saber como é que as casas trabalhavam”.
Nos quatro anos em que andou embarcado, entre uma viagem e outra, o caldense vem à terra. Em 1970 casa com Maria Beatriz Chita Coito (de Salir de Matos). O primeiro filho, Sérgio – que hoje é o seu sucessor na Lareira – nasce um ano depois. A vida de marinheiro esgota-se em 1972. Joaquim tem 28 anos e quer assentar os pés em terra. Mas – mais uma vez – está fora de questão regressar às origens. Consegue um trabalho na Lemförder Metallwaren, uma empresa com 1400 trabalhadores, em Osnabrük, uma cidade industrial no norte da Alemanha.
Graças aos seus conhecimentos de inglês, trabalha como tradutor junto do departamento de recursos humanos e trata da papelada dos operários. “Ao fim de um mês vim a Portugal com um director recrutar 300 trabalhadores. Aproveitei e trouxe a minha mulher comigo para a Alemanha. A minha filha, Susana, já nasceu em Osnabrük, em 1976”, conta.
Incapaz de estar quieto, Joaquim Coito colabora numa agência de viagens vocacionada para o mercado português. Trata do aluguer de autocarros e das viagens de avião. E funda uma associação de portugueses em Osnabrük.
O PRIMEIRO RESTAURANTE
Em 1975 sai da Lemförder Metallwaren e estabelece-se, finalmente, por conta própria. Abre o restaurante Tamar, que se revela desde logo um sucesso. “Mas um ano depois convenceram-me a abrir outro restaurante com um nível mais alto, um restaurante de primeira”. E é assim que inaugura o Alderman, destinado a um público mais selecto.
Joaquim esforça-se. “Todas as semanas eu vinha de Osnabrük a Paris abastecer-me de peixe, legumes e carnes, produtos que não havia na Alemanha com a mesma qualidade. Eram 700 quilómetros para cada lado”. Em pouco tempo o segundo restaurante passa a ser uma referência em termos de qualidade.
Aos 32 anos o caldense emprega 19 pessoas nos dois restaurantes e o negócio vai de vento em popa: “quando o deixei [o Alderman] fazia 5000 a 7000 marcos [2500 a 3500 euros] por dia”.
Trabalhar na hotelaria pode ser tanto ou mais cansativo que ser operário numa fábrica. E em 1982, antes de entrar nos quarenta, Joaquim Coito resolve regressar a Portugal. “Feitas as contas só vivi dez anos na Alemanha, mas parece que foi uma vida”, conta.
Nas Caldas da Rainha abre inicialmente uma loja gourmet – o Copacabana, que ficava na Praceta António Montez. Mas em 1985 cumpre o seu sonho de construir de raiz “um bom restaurante, inspirado no Alderman” e abre A Lareira. O resto é uma história de sucesso que dura até hoje. Sérgio Coito sucedeu ao pai na gestão do restaurante, mas Joaquim vai-se mantendo activo e passa lá grande parte do seu tempo.
O empresário vive hoje uma situação de semi-reforma, que lhe permite fazer o que mais gosta – viajar. “Estive há pouco tempo na América, no Uruguai, na Argentina… Mas olhe, nunca mais voltei a Osnabrük. Os meus amigos alemães é que têm vindo visitar-me”.
Olhando para trás, Joaquim Coito recorda que entrou na Alemanha com um passaporte que só lhe permitia ser trabalhador, impedindo-o de abrir negócios. Conta que teve de tratar de muita papelada para poder ter os mesmos direitos que os alemães. Sobre estes, diz que “não são um povo frio, mas sim disciplinado”. E aplaude a existência da União Europeia em que as pessoas podem viajar e trabalhar livremente em qualquer dos 28 países. “No meu tempo não era assim. Agora é tudo mais fácil e ainda bem”.
Joaquim durante umas férias em Portugal e no seu restaurante Alderman em Osnabrük.
Aos 21 anos João Diniz pouco mais conhecia que as Cruzes, as Caldas da Rainha e Lisboa. Mas puseram-no num avião para a Alemanha para ir buscar uma fragata para a Armada Portuguesa. Regressou por mar e ainda andou quase 5 anos a navegar pelas rotas do Império Colonial, mas terminada a tropa haveria de regressar à Alemanha, agora não como marinheiro, mas como operário. Ali esteve 22 anos até construir uma casa nas Cruzes (Salir de Matos) e finalmente regressar para gozar a reforma e dedicar-se à agricultura.
Quando fiz a 4ª classe, em 1958, aqui na escola primária das Cruzes, o meu padrasto (perdi o meu pai aos quatro anos) não me deixou continuar a estudar. Eu até queria. Tinha sido bom aluno na escola, mas o meu destino era andar a trabalhar com a enxada no campo. Às vezes ainda apanhava com ela nos quadris quando cortava alguma erva mal cortada, que o meu padrasto não perdoava nenhum erro. Ainda assim, foi ele que me emprestou dinheiro para eu tirar a carta de maquinista de barcos.
Foi na Nazaré e em S. Martinho que tirei a cédula para poder embarcar e não perdi muito tempo. Eu queria era sair daqui para fora. Em Agosto de 1964, tinha eu 16 anos, fui para Lisboa e embarquei no Ilha do Faial, um barco de pesca que lançava redes ali ao largo da costa da Guiné. Eu trabalhava na casa das máquinas, um sítio barulhento e sujo, mas sempre era melhor do que a vida no campo. Andávamos 30 dias no mar e vínhamos a Lisboa descarregar, mas só ficávamos em terra três ou quatro dias, que o navio tinha partir outra vez.
Nessas alturas metíamo-nos num carro de praça, eu e mais três ou quatro rapazes aqui da zona, e vínhamos à terra. Eu trazia a roupa para a minha mãe lavar, bebia uns copos com uns amigos, dormia no meu quarto de infância sem sentir os baloiços do navio e lá voltávamos para Pedrouços para embarcar outra vez.
Diga-se de passagem que naquele tempo eu não era o único. A maneira que a malta mais nova arranjava para sair daqui era poder embarcar. Havia dias em que do largo aqui das Cruzes saíam três ou quatro táxis com rapaziada que andava embarcada.
Eu andei no Ilha do Faial, no Pólo Norte, no Praia do Restelo, no Alfeite, no Albufeira, tudo navios de pesca. Mas havia outros que andavam nos paquetes de passageiros e estavam temporadas maiores fora de casa.
A TROPA NA MARINHA
Quando fiz 21 anos fui chamado para a tropa e, obviamente, mandaram-me para a Marinha. Sou um “filho da escola” – andei em Vila Franca de Xira – e fui depois para o Alfeite. Um dia disseram-me que eu faria parte de uma tripulação que ia buscar uma fragata nova, a Almirante Pereira Bessa, a um estaleiro alemão. Foi assim que eu, um rapaz das Cruzes que ainda não tinha visto mundo, apanhei um avião na Portela e aterrei na Alemanha e fui instalado numa base militar em Kiel.
Logo na altura vi que a Alemanha estava aí uns 20 ou 30 anos à frente de Portugal. O que mais me impressionava era a organização deles e o marco alemão. Cada marco era para aí uns cento e tal escudos. Eu pensei logo ‘quando acabar a tropa vou arranjar maneira de vir para a Alemanha”.
Não gozei muito naqueles dois meses em que estive em Kiel. Não sabia a língua nem tinha dinheiro. Saíamos da base à noite, dávamos uma volta pela cidade, um grupo de marinheiros portugueses a contar os Pfennig (cada marco valia 100 Pfennig) para beber uma cerveja. Também é certo que, anos depois, como emigrante, também não entrava em grandes despesas porque aquilo só valia a pena se trabalhássemos muito e poupássemos ainda mais.
Mas não quero adiantar-me. Em Kiel, quando a fragata ficou pronta e recebeu a bandeira portuguesa, passámos a dormir nela e um mês depois zarpámos para o Alfeite. Não fiquei muito tempo em Portugal. Em breve a Pereira Bessa partia em missão para a Moçambique. Mas demorámos a chegar: três meses em Cabo Verde, três meses na Guiné Bissau, duas semanas em Luanda, uma semana na cidade do Cabo (África do Sul) e depois, sim, Lourenço Marque (hoje Maputo).
A nossa missão era patrulhar a costa moçambicana e andei quase cinco anos a navegar no Índico, entre Lourenço Marques, Beira e Porto Amélia (hoje Pemba). Portugal era então um país que – aprendíamos na escola – ia do Minho a Timor, e coube-me a mim andar a defender aquela parte do Império. Servir na Marinha poupou-me aos horrores da guerra. Pior estavam os do Exército que combatiam e morriam nos territórios do norte de Moçambique. Mas, mesmo assim, não escapei uma vez a ver dois soldados ficarem sem pernas devido ao rebentamento de uma mina quando fazíamos um desembarque num rio.
Da guerra ainda me lembro de um episódio estranho: uma vez subimos pelo rio Rovuma, que faz fronteira entre o norte de Moçambique e a Tanzânia numa operação que incluía forças sul-africanas (e até um submarino da África do Sul) e que fizeram explodir uma base da FRELIMO.
Durante os quatro anos em Moçambique nunca vim à Metrópole, como então se dizia. Nas férias aproveitei para tirar a carta. Quando acabei a tropa, já não vim de barco – voei da Beira para Luanda e depois para Lisboa.
EM SINZIG NA ALEMANHA
João Diniz com colegas na fábrica onde trabalhou em Sinzig
Quando regressei às Cruzes em 1973, é claro que tinha saudades da terra e da família. Mas estava tudo na mesma, isto é, sem futuro. Por isso não demorei muito tempo a inscrever-me para ir para a Alemanha porque aqui o meu vizinho Silvino Alves (ver “Silvino Alves para a Alemanha ganhar dinheiro para o Caldeirão”, Gazeta das Caldas de 8/03/2019) dizia-me que precisavam lá de gente para trabalhar.
E foi assim que fui parar a Sinzig, uma cidade pequena, entre Koblenz e Bona (que na altura era a capital da Alemanha Federal). Trabalhei na AGRO na parte da hidráulica (porque eu já percebia alguma coisa de máquinas) e vivia num bairro da própria empresa.
Durante 22 anos a minha vida foi trabalhar e amealhar deutsche mark. Vivi quase dois anos sozinho, mas depois casei-me e a minha mulher foi comigo. Os meus filhos Vítor e Diana nasceram na Alemanha e ainda hoje lá vivem. É lá que também tenho três netos, mas infelizmente eles mal falam português. Quando regressei a Portugal divorciei-me e voltei a casar. O meu mais novo, o João Miguel, tem 19 anos.
No tempo em que vivi em Sinzig não houve lugar a grandes diversões. Saía de casa, atravessava a rua e tinha a fábrica em frente. E, sempre que podia, fazia horas extraordinárias, porque afinal a gente estava ali era para ganhar dinheiro. Aliás, os trabalhos mais difíceis não eram os alemães que os faziam. Nem os turcos nem os árabes. Eram os portugueses e os espanhóis. Estávamos sempre prontos.
Hoje vejo na televisão que não querem estrangeiros na Alemanha, mas eles hão-de se lembrar que se não fossem os estrangeiros, eles não eram ninguém. Mas, seja como for, eu de política não entendo nada. O meu filho, o Vítor, quando vem cá de férias é que me fala algumas coisas de lá, da Merkel, do SPD, da CDU, dos Verdes e isso, mas eu não percebo muito.
Quando foi o 25 de Abril eu percebi logo de manhã que alguma coisa se passava em Portugal porque tinha o costume de ouvir o rádio português logo de manhã. Na fábrica entre os portugueses ainda falámos sobre isso, mas só à noite é que percebemos que tinha havido uma revolução. Não fiquei lá muito preocupado. Quando foi no 16 de Março, é que sim. Também tinha ouvido que saíram umas tropas das Caldas da Rainha e eu pensei ‘Eh pá, isso é na minha terra!… . Mas nem telefonei. Naquela altura telefonar era caro. E quase nem havia telefones. Aqui nas Cruzes, então, só havia dois.
Em 1995 eu tinha 48 anos e decidi regressar a Portugal. Já tinha a casa e herdei umas fazendas do meu avô. Durante uns anos dediquei-me à fruta, mas depois arranquei os pomares e agora tenho vinhos. Comprei uma prensa e tenho um lagar onde faço vinho que depois vendo. E vivo disso e da reforma que vem da Alemanha no dia 29 de cada mês e da reforma portuguesa (do tempo em que andei nos barcos) que vem no dia 10. Só que há uma diferença: a reforma alemã eu não preciso de fazer nada que eles aumentam-na todos os anos, mas a reforma portuguesa, essa está sempre na mesma…
Aos 15 anos Silvino Alves viu os pais partirem para França em busca de uma vida melhor e ele próprio decidiu também pôr-se a andar. O rapaz que tinha feito a 4ª classe na escola primária das Cruzes e mal saíra do concelho das Caldas, não imaginava que viria a conhecer o mundo, desde Los Angeles a Creta, desde Halifax à cidade do Cabo. Andou embarcado, mas acabou por encalhar mais de 12 anos numa cidade industrial alemã onde, à custa de muito esforço, juntou o necessário para construir um restaurante em Óbidos – o Caldeirão – do qual ainda tem saudades.
Em 1969 em São Francisco (USA) a bordo da fragata Almirante Pereira da Silva. Silvino está à direita.
Na copa da fragata, rodeado de outros marinheiros e de cervejas
Naquele tempo as Cruzes eram uma aldeola no cimo de um barranco onde nem havia estrada alcatroada e se subia por um caminho enlameado, mais propício para carroças e tractores (que ainda eram poucos) do que para carros. Silvino Joaquim dos Santos Alves fizera a 4ª classe na escola primária local. Uma sala de aulas onde se gelava no Inverno e à qual ocorria a miudagem dos casais e aldeias em redor. Muitos iam para a escola descalços. Aos 15 anos esperava-o uma vida a trabalhar no campo. Uma vida tão dura que até os seus pais dela fugiram, indo em busca de melhor sorte para França. Silvino nem esperou um ano. Embarcou no Alcaide, um navio da Companhia Portuguesa de Pesca, sem quaisquer outras habilitações do que a cédula marítima (obrigatória para poder embarcar). A bordo foi desterrado para o porão do navio como ajudante de motorista, um dos piores sítios para se trabalhar num barco: o cheiro a gasóleo e a óleo queimado, o enjoo, o ruído das máquinas, o ar pestilento. A profissão aprendeu-a a bordo, à custa da experiência, nos repetitivos turnos na casa da máquinas. Um mês a navegar, dois ou três dias em terra. O Alcaide pescava ao largo da Guiné Conacri e mal tocava Lisboa para descarregar pargos, garoupas e pescadas, logo se fazia ao mar para nova pescaria. Vida dura, sim. Mas compensadora. “Na altura um ordenado assim já bonzinho de um funcionário público eram 380 escudos [1,90 euros] e eu já ganhava 1800 escudos por mês [9 euros]. Era muito bom!”, conta Silvino Alves.
VIDA DE MARINHEIRO
Maria Bernardina Henriques e Silvino Alves pouco tempo depois de casarem
A tropa, para a qual foi chamado aos 21 anos, não mudaria muito a vida do caldense. Foi para a Marinha. Em 1967 assentou praça na Escola de Marinheiros de Vila Franca de Xira, passou pelo Alfeite e ei-lo a bordo da fragata Almirante Pereira da Silva, o primeiro navio da Armada portuguesa a participar numa operação da NATO. A viagem demorou seis meses: Londres, Faial, Mindelo, cabo Horn, Los Angeles, San Francisco e regresso com passagem ainda no Canadá antes de regressar a Portugal. Foi nessa viagem, quando estavam atracados em Cabo Verde que num belo dia de Julho de 1970 o marinheiro Alves acorda com uma estranha comunicação geral emitida pelo sistema de fonia interna para todo o navio. “Lerpou”. Só isso. Instantes depois toca o apito para a formatura e a tripulação é informada que Salazar tinha morrido e que ficariam todos de prevenção. O “lerpou” tinha sido um alegre desabafo de um 1º tenente comunicado a todo o navio. Findos os quatro anos de tropa (dos quais três na fragata), Silvino Alves continua no mar. Embarca no pesqueiro Altaíre, um dos novos navios da Companhia Portuguesa de Pescas e passa largas temporadas na África do Sul. Depois muda de empresa e de embarcação. Viaja para Los Angeles e embarca no Goldstone, um navio de bandeira liberiana pertencente a uma empresa americana com sede no Mónaco. “Partíamos de Los Angeles, íamos a Vancouver carregar madeira, depois ao México carregar cereais e íamos para Europa, para a Itália carregar roupas e para Creta, na Grécia, carregar passas de uva. Depois fazíamos a viagem de regresso ainda a passar por Lisboa para carregar rolhas de cortiça e no Porto para carregar vinho Mateus Rosé e seguíamos para Los Angeles. Íamos pelo canal do Panamá onde às vezes ficávamos uma semana ou mais à espera de poder atravessá-lo porque eram muitos navios e só podiam passar dois de cada vez”. Estas viagens inter-continentais compensavam. Por esta altura o jovem ganhava 140 a 150 contos por mês (entre 700 a 750 euros), um balúrdio para os salários portugueses de então e ainda por cima pagos em dólares. Duas razões fizeram com que Silvino Alves largasse a vida do mar. “Em 1973 parti o pé em Los Angeles e não podia andar embarcado. A companhia não me quis pagar o regresso de avião a Portugal. Tive de esperar uma semana até que um dos navios da empresa zarpasse para a Europa. Vim até Barcelona e depois de avião para Lisboa. Apareci aqui nas Cruzes, sem ter avisado, pendurado numas muletas”. Apareceu a quem? À mulher e ao filho. E esta foi a segunda razão. Silvino Alves tinha-se casado em 1969, quando estava na tropa, com uma vizinha do Guisado, Maria Bernardina, que era irmã de um colega seu com que estava embarcado. Dionísio Alves é o primeiro rebento do casal, a que se seguiria, Melanie Alves, que nasceria já na Alemanha.
A ALEMANHA…
Silvino com o filho Dionísio em Osnabruque no início da década de 70
ilvino Alves tem agora 27 anos. Anda há dez no mar. Decide que é altura de tentar melhor sorte em terra, mas não na que lhe era madrasta. Em 1973 Portugal continua a ser um país rural, cinzento, exaurido por uma guerra colonial em três frentes de África e com grande parte da população emigrada. O futuro passaria pelo estrangeiro e em 6 de Agosto desse ano, o ex-marinheiro despede-se da mulher e do filho e apanha um avião para Frankfurt e um comboio para Osnabruque no norte da Alemanha. O seu primeiro trabalho é numa fábrica de indústria pesada que fazia mosaicos para suportar fornos com altas temperaturas. A indústria Agrob emprega mais de 2000 funcionários, entre eles 600 portugueses. Silvino fica alojada numas casernas com centenas de outros emigrantes. Três homens num quarto e uma casa de banho ao fundo do corredor para dezenas de trabalhadores. O trabalho nas prensas como servente de material é duro e exige muito esforço físico. Mas receber 4,50 marcos alemães (2,30 euros) à hora compensa. É Joaquim Coito, do restaurante A Lareira, à data também emigrado na Alemanha, que dá a mão ao seu conterrâneo e o leva para um fábrica da Volskwagen como soldador. É na indústria automóvel que o antigo marinheiro vai passar os próximos sete anos. Entretanto, no Natal de 1974 vem a Portugal e leva a mulher e o filho para Osnabruque. Maria Bernardino, como muitas portugueses emigrantes, trabalha nas limpezas, mas surge-lhe a oportunidade de trabalhar na Agrob, fazer descontos e ter direitos sociais. O casal emprega-se novamente na fábrica de cerâmica e passa a viver no bairro da empresa onde, mesmo assim, já pagava 600 marcos alemães (307 euros) de renda por mês. As férias são passadas nas Cruzes depois de uma aventura automóvel que dura mais de 25 horas. “Eu saía do turno às 14h00 e já tinha o carro preparado. Arrancávamos de Osnabruque e ainda ia jantar a Paris a casa dos meus pais, que viviam na Place de la Republique. Depois continuávamos pela noite fora… Nessa altura ainda não havia auto-estrada para Bordéus. Era quase tudo estrada nacional até às Caldas. No dia seguinte a meio da tarde estava nas Cruzes.” A história da emigração na Alemanha acaba em 1984, altura em que o casal regressa com os filhos para Portugal. Cinco anos antes Silvino Alves tinha comprado uma loja nas Caldas onde viria a abrir o restaurante Estrela do Mar, o qual venderia pouco tempo depois. A sua aventura hoteleira mais marcante acabaria por ser O Caldeirão, no Senhor da Pedra, em Óbidos, que ele construiu de raiz: comprou o terreno e ergueu o restaurante e casa de habitação. “Com o dinheiro que ganhei na Alemanha. Porque do tempo em que estive embarcado tinha-o gasto todo”, conta. Estamos em 1989 e o caldense que agora reside em Óbidos tem por esta altura 43 anos. O negócio corre bem e o restaurante acaba por ser uma referência na região. A retirada dá-se em 2012. “Foi mais pela minha mulher, que era cozinheira e estava cansada daquilo. Eu por mim gostava muito. O contacto com os clientes era o mais compensador. Ainda hoje tenho saudades do meu restaurante”. O casal muda-se para as Cruzes onde Silvino tinha recuperado e ampliado a casa paterna. É lá que vivem hoje, cuidando do Santiago, um bebé de nove meses que é o mais novo dos três netos do casal.
… E OS ALEMÃES
As férias dos emigrantes nas Cruzes
Mas aos 73 anos Silvino Alves tem uma actividade diária que faz inveja aos mais novos. Levanta-se cedo e vai de carro até às Caldas onde se junta com um grupinho de amigos que todos os dias anda de bicicleta. Mas não se trata de um passeio à Foz do Arelho ou a S. Martinho. As idas podem ser até Pataias ou Marinha Grande a norte, ou a Torres Vedras a sul. Fazem entre 70 a 80 quilómetros por dia. Diz Silvino Alves que por volta das 13h00 já está em casa e pronto para almoçar. A tarde é passada por ali, entretido com a Internet, o neto e alguma bricolage. À Alemanha já voltou duas vezes para rever locais e visitar amigos portugueses e alemães. Destes últimos diz que, sim senhor, são “frios”. Mas são também “respeitadores, trabalhadores, bem educados e muito organizados”. Não tem queixas. Diz que sempre foi bem tratado. “Até porque na altura eles precisavam de nós que íamos para lá trabalhar”. Hoje admite que possa ser diferente e que haja alemães que se sintam ameaçados por os postos de trabalhos virem a ser ocupados por estrangeiros. Ainda hoje fala alemão, o qual continuou a praticar com clientes alemães, suíços e austríacos quando tinha o Caldeirão. A filha Melanie, advogada nas Caldas, veio demasiado nova da Alemanha para ter aprendido a língua, mas o filho Dionísio acabaria por entrar em Portugal como quadro de uma multinacional alemã por ser bom falante da língua de Goethe.
Maria Isabel Pereira nasceu em 1942 nos Infantes (Salir de Matos) e reside em Trabalhias, aldeia pertencente à mesma freguesia. Foi emigrante na cidade de Aachen (Alemanha) durante 42 anos. Hoje vive em Portugal, confessa que tem saudades daquele país, mas não gostaria de lá voltar a viver.
Corria o ano de 1972 quando Maria Isabel e os filhos, José e Gabriel Guilherme, emigraram para este país de forma legal. Viajaram de comboio, visto que ainda não havia autocarros que fizessem a ligação directa entre os dois países.
Antes desta senhora partir já o seu marido, Fernando Guilherme, havia viajado para a Alemanha um ano antes, a convite do cunhado, José Pereira, que já se encontrava na cidade de Aachen com a sua família há mais de cinco anos. Como a qualidade de vida na Alemanha era relativamente boa e acabava por se viver melhor do que em Portugal, Maria Isabel partiu com os dois filhos. Assim, quando este casal colocou a possibilidade de sair de Portugal nunca ponderou ir para outro país.
Ao chegar à Alemanha, Maria Isabel percebeu que a sua adaptação neste país não seria tão fácil quanto esperara, sobretudo por um motivo: a língua. Para além de ser bastante diferente da portuguesa, a aprendizagem da língua alemã revelou-se muito, muito difícil.
Acresce que, a distância de casa e as saudades da família em Trabalhias eram demasiado grandes e o “choro vinha de repente, a qualquer altura do dia… foi algo difícil de controlar”.
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AS AMIGAS ITALIANAS
Na Alemanha, Maria Isabel trabalhou numa fábrica de metal, a firma Schlüter que produzia sobretudo materiais para fogões. Para ela, a maior dificuldade neste emprego foi a grande quantidade de tarefas que teve de aprender em pouco tempo e a elevada quantidade de trabalho que tinha de fazer com as mãos. Apesar de ao início não saber falar a língua alemã, na fábrica tinha colegas de diversas nacionalidades, nomeadamente italianas, que a ajudaram a aprender este novo ofício e lhe explicavam o que era necessário fazer. “Como o italiano é mais parecido com o português do que o alemão, era com elas que eu mantinha maior contacto. Eram elas que me explicavam tudo o que era necessário fazer e como fazer. No início foram uma grande ajuda”.
Os dois filhos de Maria Isabel, que viajaram com a mãe para a Alemanha, ainda com 12 e 8 anos, tiveram uma adaptação relativamente fácil. Andaram em escolas alemã e portuguesa, o que os ajudou a aprender a língua rapidamente.
Estes anos na Alemanha foram mais do que apenas trabalho. Maria Isabel conheceu um novo país, com costumes diferentes dos de Portugal. Exemplo disso são as comidas típicas alemãs, que agradaram a esta senhora. Contudo, todos os emigrantes que preferissem a sua comida tradicional tinham a possibilidade de ir a um mercado que vendia produtos portugueses. No que toca aos preços dos produtos, é claro que os preços eram mais elevados na Alemanha comparativamente com Portugal.
Todos os anos Maria Isabel, o marido e os filhos regressavam a Portugal, no tradicional mês dos emigrantes: Agosto. Passavam sempre cerca de três a quatro semanas na sua cidade natal. Regressavam sobretudo para descansar e estar algum tempo com a família que não viam durante todo o ano.
Nos primeiros anos optaram por viajar de comboio. Mas ao fim de alguns anos, este casal acabou por adquirir o seu próprio carro, e a partir daí optaram por viajar dessa forma. O percurso demorava sempre cerca de 24 horas, com várias paragens em diversas cidades de França e Espanha, para poderem descansar.
Ao fim de 42 anos na Alemanha, Maria Isabel e o marido planearam a sua vinda para Portugal com alguns meses de antecedência. Tinha chegado a hora de voltar para junto da família e viver confortavelmente naquele que é o seu país. Infelizmente o destino não foi favorável a estas pretensões e, poucos dias depois de ter regressado, Maria Isabel perde o marido que faleceu de doença súbita. Fernando Guilherme acabaria por não gozar a sua merecida reforma.
SAUDADES DA ALEMANHA
Agora, ao fim de quatro anos em Portugal, Maria Isabel sente saudades de todas as pessoas que conheceu no país que a acolheu durante 42 anos, apesar de nunca ter perdido o contacto com estas. Já voltou à cidade de Aachen, apenas para passar férias e estar com estes amigos, mas nunca sentiu vontade de voltar a viver lá.
Com o devido distanciamento, consegue afirmar que a Alemanha sempre foi um bom país e não lhe consegue apontar qualquer defeito, a não ser a dificuldade de aprendizagem da língua. A cidade onde passou a maioria do seu tempo era muito semelhante à cidade de Caldas da Rainha, tanto a nível de território quanto a nível populacional, não havendo grandes diferenças a apontar.
Apesar de gostar de estar em Portugal, Maria Isabel confessou à Gazeta das Caldas que ao início foi um bocadinho complicado readaptar-se ao país. Para além do clima ser muito diferente, já não estava habituada a passar tanto tempo nesta que é a sua terra natal.
Maria Isabel, aconselha todos os portugueses que estiverem tentados a emigrar para a Alemanha a aprender a língua antes de partir. “Para mim foi um grande entrave não saber a língua. Acho que se tivesse aprendido antes de ter emigrado me tinha facilitado em muitos aspectos a minha adaptação ao país”.
Questionada pela Gazeta das Caldas em relação a diversos temas da actualidade, Maria Isabel afirma que os seus amigos e família que se encontram na Alemanha lhe dizem que a chanceler Merkel é uma boa governante, e pelo que tem ouvido através da comunicação social, concorda com isto. Em relação à chegada de muitos refugiados a este país, Maria Isabel acha que não é muito bom sinal, porque a origem de refugiados é sinal de problemas no mundo.
Se perderem o primeiro jogo não têm hipótese. O grupo é muito difícil pois não só Espanha como os outros jogos são complicados porque Marrocos e Irão também têm boas equipas. Não nos considero favoritos, mas se não perdermos o primeiro jogo, acho que é possível discutir o título.
Não estou lá muito confiante. Acho que o grupo é complicado e o primeiro jogo vai ser a prova mais difícil porque Espanha tem um currículo forte neste tipo de competições e vai dar muita luta. Acho que o ano passado tivemos alguma sorte, somos campões europeus, mas isso não faz de Portugal um favorito neste Mundial.
De qualquer forma, vou ver o primeiro jogo pois tenho o hábito de acompanhar a nossa selecção e espero que o Ronaldo consiga levar a equipa para a frente, como tem feito até agora.
A Espanha vai ser um adversário difícil, mas acho que a selecção nacional passa a fase de grupos e consegue ir longe no Campeonato Mundial. Todas as equipas são difíceis e não as podemos subestimar, mas acho que a Espanha é mesmo o maior adversário do grupo.
Como Campeões da Europa estamos no lote dos favoritos com Alemanha, Brasil, França e mais algumas. Portugal é um dos fortes candidatos a ganhar o mundial.
Abriu no passado dia 11 de Março a One Price Shop no local onde funcionou a pastelaria Zaira. Neste estabelecimento há roupa e acessórios femininos e cada artigo custa 12 euros. “Não há dois preços nesta loja, é um conceito inovador em Portugal, mas que funciona no estrangeiro”, contou Maria Cecília Sousa, proprietária do espaço.
Esta é uma aposta de um casal, composto por Maria Cecília Sousa e José António Henriques, empresário nascido no Funchal mas que se considera caldense. Há mais de 25 anos que apostaram nas Caldas para os seus negócios. Entre outros, foram proprietários da Zaira. Depois de sete anos no estrangeiro, por motivos pessoais, regressaram à sua cidade. Vinham com vontade de abrir a pastelaria novamente, mas a actualização das normas para hotelaria e restauração não o permitiram – porque a casa não tinha os três metros de altura requeridos, faltando-lhe cerca de 35 centímetros -, pelo que procuraram outra solução. As obras de adaptação do espaço para a loja de roupa e acessórios a preço único demoraram dois meses.
Maria Cecília Sousa considera que a grande diferença que a One Price Shop traz às Caldas, para além da “inovação do conceito”, é o facto de ser muito prática. Isto porque “uma senhora vem à loja, compra cinco peças, paga 60 euros e sai vestida”.
“Os produtos vêm de Itália, Espanha, Alemanha, entre outros países e têm design italiano”, explicou.
O casal não revelou os montantes investidos, mas esclareceu que recorreu a financiamento bancário e a capitais próprios. A abertura da One Price Shop permitiu criar dois novos postos de trabalho para além dos do casal.
A decoração da loja ficou a cargo dos próprios que, tendo já filhos caldenses, fazem questão de sublinhar que acreditam no potencial da cidade.
A loja localiza-se na Praça da República nº18 e está aberta de segunda-feira a sábado, entre as 10h00 e as 19h00. I.V.