A semana da Maria Paciência

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Maria da Paciência habituou-se a ver diariamente a ministra Marta Temido na televisão, num lugar que provavelmente ninguém desejava e confessa que lhe agrada ver uma mulher a exercer um cargo de liderança e ainda para mais, tão exigente, como este se tornou em tempos de pandemia. E se havia dias em que as notícias eram animadoras, outros houve em que a situação era grave e, não obstante, ela estava lá, arcando com críticas, algumas de rara violência. Mas outros rostos femininos assumem papel de destaque quando se fala na gestão de políticas sanitárias, desde logo, o de Ursula Von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, ou a primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, que é aplaudida internacionalmente pelas suas bem sucedidas políticas no controle da propagação da pandemia. E estes são apenas alguns exemplos da liderança no feminino que deixam este símbolo bordaliano, companheira solidária do Zé Povinho, satisfeita com o seu género. ■

Esta Maria não tem paciência e, sobretudo, não compreende como no século XXI ainda há homens que fazem valer a sua vontade à força sobre as mulheres. Vem isto a propósito da detenção de um homem, esta semana, no concelho de Alcobaça por violência doméstica, depois de ter infligido reiteradamente, maus-tratos à vítima, a mãe, de 74 anos. Também esta semana o governo deu a conhecer que o ano passado foram participadas às autoridades policiais 27.609 ocorrências por crimes de violência doméstica, o que, embora represente menos 6,3% do que no ano anterior, não deixa de ser deveras preocupante. E, embora seja um crime público, infelizmente ainda há gente que tapa os olhos e prefere não ver. Uma triste realidade que Maria da Paciência, velha e alcoviteira, não deixa passar impune. ■