A sociedade civil somos todos nós

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Joaquim Paulo

Um dos sintomas que evidenciam a incapacidade de regeneração da sociedade civil é o clientelismo e a consequente perpetuação no poder daqueles que representam movimentos com objetivos claros de manutenção do status quo.
Há exemplos notórios, uns mais próximos do que outros, de casos em que a chamada sociedade civil deixa de se rever em determinadas instituições precisamente pela falta de renovação das lideranças e da impossibilidade das gerações mais jovens de assumir o próprio destino nas mãos.
Este fenómeno, de autêntica “demissão” da sociedade civil, torna o debate público vazio e facilita, desse modo, a estratégia de poder de determinados setores, tornada pública, por vezes, através de associações e instituições que deveriam ser poupadas a estes expedientes.
Contudo, é um facto notório e objetivo que a maioria das pessoas se mostra indisponível para trabalhar em prol da comunidade e abraçar desafios de outra índole, o que abre caminho a que alguns, impreparados ou, pior, meros objetos instrumentais, assumam um protagonismo inaudito sem que o mérito lhes confira a autoridade necessária para a função.
O espaço público precisa de um debate mais aceso e objetivo sobre o dia-a-dia das nossas instituições e partidos políticos, de atores mais competentes e arrojados e menos de figuras decorativas que procuram, meramente, um palco ou uma ocupação profissional. Porém, a responsabilidade última deste assalto ao poder será, sempre, de todos nós, a tal sociedade civil.