Agendas mobilizadoras – Vão mobilizar a nossa economia?

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Sérgio Félix
Gestor e formador

Em 2021, no âmbito do PRR, as Agendas Mobilizadoras e Agendas Verdes para a Inovação Empresarial foram criadas com o objetivo de aumentar a competitividade e a resiliência da economia com base em I&D, inovação, diversificação e especialização da estrutura produtiva portuguesa.
As agendas foram uma das poucas medidas destinadas ao tecido empresarial com o objetivo do país superar os seus desafios de desenvolvimento e competitividade nomeadamente nos pontos ligados com a transição ecológica, transformação digital, crescimento inteligente, sustentável, inclusivo e a resiliência económica.
Apesar de um primeiro objetivo que previa resultados mais imediatos, as agendas passaram por uma primeira fase de candidatura, uma segunda fase de candidatura em 2022 com uma aprovação final e na sua maioria iniciaram a sua implementação em 2023.
Com um investimento superior a 7 mil milhões de euros o seu objetivo económico é permitir que Portugal consiga atingir um volume de exportações equivalente a 50% do PIB até 2027 e a 53% do PIB até 2030, incrementar o investimento em I&D, garantindo atingir 3% do PIB até 2030, com 1,25% de despesa pública e 1,75% privada, promover a criação de 25 mil novos empregos qualificados até 2030, multiplicando por 3 vezes a despesa em I&D das empresas face a 2020, reduzir as emissões de CO2 em 55% até 2030, em linha, quer com uma trajetória que permita a neutralidade carbónica em 2050, de acordo com o Plano Nacional Energia e Clima 2021-2030 (PNEC 2030) e o Roteiro para a Neutralidade Carbónica.
Ora com estes objetivos gerais e com os atrasos na implementação do PRR do choque, que se perspectivava na sua rápida implementação, dificilmente se conseguirão atingir os resultados esperados. A título de exemplo e conforme dados de execução disponíveis, a novembro de 2023 estavam transferidos para as empresas menos de 600 milhões de euros (585 milhões). Provavelmente o ano de 2023 não terá terminado com uma execução superior a 10% face ao total de investimento previsto nas agendas (7,7 mil milhões de euros).
Com os resultados/rácios à data disponíveis poderá inferir-se que o resultado deste programa poderá não ser o melhor mas permitam-me ainda ter a esperança nas empresas que são a base do projeto.
Assim e tendo a parte burocrática sido afinada em 2023 as empresas tem assim “liberdade” para avançar com a execução dos projetos propostos e aquisição de equipamentos prevendo-se assim o ano de 2024 como o ano no qual teremos alguns resultados já visíveis das agendas.
Dado que as agendas tem envolvidas um número reduzido de empresas, face ao total do setor, o efeito de “transferência de conhecimento” e de contágio positivo dos resultados poderá levar bastante tempo a denotar-se na economia portuguesa. Neste sentido sugiro aos leitores uma atenção proativa para poderem aproveitar a criação de valor nas agendas e de que forma?
Sugiro assim alguns passos: 1- Verificar no site do IAPMEI a(s) agenda(s) que interessam ao meu setor/empresa; 2- Seguir a página da agenda com interessa; 3- Verificar as universidades e empresas envolvidas com projetos na área de interesse; 4- Participar e acompanhar os eventos promovidos pela agenda mobilizadora; 5-
Aproveito a oportunidade para dar a conhecimento a ação que se realizará no próximo dia 5 de Março de 2023 no pequeno auditório do CCC nas Caldas da Rainha. Teremos a oportunidade de assistir a uma ação da agenda mobilizadora “Embalagem do Futuro”, uma oportunidade que poderá aproveitar. ■