Agradecer à Gazeta

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Cristina Teotónio
médica

Quando há um ano acedi a colaborar nesta rubrica não tinha um plano definido.
Aceitei com entusiasmo este desafio e com o propósito de transmitir alguma informação que pudesse contribuir para melhorar a literacia em saúde. Apenas o consegui nos dois primeiros artigos. Eis que surgiu a pandemia e tudo nas nossas vidas mudou de rumo. A problemática Covid dominou quase o último ano, passou a ser a prioridade. Foi necessário incluir regras, viver em função da evolução dos números, num processo longo e desgastante e do qual não vislumbramos o fim. Acho mesmo que não vai haver fim; teremos de incluir este novo agente de doença nas nossas rotinas e aprender a conviver com ele.
Perante a extensão do problema foi urgente adaptarmo-nos, procurar soluções para travar a desastrosa evolução a que assistíamos no resto do mundo. Os serviços de saúde, que não estavam programados para a dimensão da situação viram os seus limites ultrapassados, a sua capacidade de resposta ao nível da catástrofe. Foram tomadas as medidas possíveis, reativas, questionáveis seguramente, mas urgentes, emergentes e inevitáveis.
Os planos de emergência e as regras impostas, sobretudo as medidas de confinamento permitem um alívio na pressão sobre os cuidados de saúde, mas não são o único fator da equação. Se o comportamento individual não se modificar, voltaremos a ter as longas filas de ambulâncias à porta dos serviços de urgência, insuficiência de camas de internamento, nomeadamente em cuidados intensivos. Por melhores planos que se tracem, os recursos serão sempre finitos e a capacidade das instituições está há muito esgotada. A recente diminuição do número de novos casos funciona como um pequeno balão de oxigénio dando espaço para tratamento das situações que requerem internamento, mas se o afluxo voltar a aumentar? Não haverá mais por onde “esticar”.
A esperança depositada na vacina é fugaz; incertezas quanto à duração da imunidade e o surgir de novas variantes ensombram ainda o horizonte.
Continuo, pois a pedir, cumpram a parte que vos toca: medidas adequadas de proteção, respeito pelas regras de confinamento….
Esta será a melhor demonstração de apreço pelo esforço de todos os profissionais de saúde.
E aos “oestinos”, um apelo: não permitamos que morra o “sonho” de um novo hospital no Oeste; como a nossa capacidade de resposta estaria facilitada!
Por último, agradecer à “Gazeta” a oportunidade de colaboração e de partilha de algumas reflexões num período tão peculiar das nossas vidas.
Cuidem-se e saúde para todos! ■