Confinados, mas pouco

0
188

O confinamento geral determinado na semana passada pelo Governo está a esbarrar no comportamento dos portugueses, que, ao invés do que sucedeu em março, parecem hoje relativizar o impacto de uma pandemia que coloca o nosso País no topo das listas dos países com maior taxa de incidências e mortes desde o início do ano.
Obviamente sem capacidade para proceder a uma fiscalização eficaz, o Estado fica à mercê da vontade dos cidadãos de cumprirem as regras da Direção-Geral de Saúde. E, por isso, não pode causar particular espanto que, ao contrário do que sucedeu no primeiro confinamento, as ruas das nossas cidades, vilas e aldeias apresentassem um maior movimento do que seria de esperar diante da escalada dos números de infetados.
Em março, o medo estava instalado, amplificado com as imagens chocantes que chegavam de Itália e de cemitérios de vala comum em Nova Iorque para corpos não reclamados. Hoje, tudo é diferente. Muitos julgam ter passado a saber conviver com o vírus e, depois de um verão em que era possível estar na praia quase sem restrições e um outono calmo, a covid-19 deixou, aparentemente, de causar tantos constrangimentos no dia a dia.
Nada de mais errado. Bastou uma quadra natalícia em que o facilitismo imperou e os números descambaram. Mesmo no Oeste, há concelhos com várias centenas de casos ativos, um cenário que, há um par de meses, seria mais do que improvável. O SNS está a rebentar pelas costuras e a falta de respostas é evidente para um país periférico e pobre com o nosso. É por isso que este confinamento em nada se parece com o de março. Estamos confinados, mas pouco. Está a perder-se o bom senso. ■