Crianças e ecrãs

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Joana de Sousa Monteiro
Médica

Cada vez mais precoce e frequentemente as crianças usam ecrãs (telemóvel, tablet, televisão), diminuindo o tempo para brincar, estudar, falar, dormir ou relacionar-se com os outros. O uso excessivo de ecrãs pode estar associado a problemas de desenvolvimento físico, cognitivo e comportamental, com repercussões ao nível da linguagem, autocontrolo e habilidades sociais, podendo ainda potenciar problemas de sono, depressão, ansiedade e obesidade.
Para um uso saudável, os pais devem desenvolver um plano familiar, onde definam o tipo e tempo de uso, assegurando o cumprimento das recomendações de atividade física, de pelo menos 1 hora diária e do tempo de sono, de 8 a 12 horas. Abaixo dos 18 meses de idade não deve haver qualquer tempo de ecrã, entre os 18 e os 24 meses podem ser introduzidos conteúdos educativos e entre os 2 e 5 anos, não deve ultrapassar uma hora diária.
Devem ainda designar os tempos sem ecrãs, como por exemplo à refeição, bem como assegurar que o plano é partilhado pelos restantes membros da família e cuidadores. O tempo de ecrã deve ser acompanhado, ajudando a criança a interpretar o que vê.
Relativamente ao uso de redes sociais pelos adolescentes, é importante garantir comportamentos adequados, atentando na partilha de conteúdos que passa a fazer parte da sua pegada digital.
Apesar de poderem oferecer conteúdos educativos, é importante ter um uso criterioso destes dispositivos e promover o tempo em família, o exercício físico e as brincadeiras no exterior, pois são, por excelência, os promotores da criatividade e o desenvolvimento psicomotor da criança.