Editorial: Europa, Portugal e Camões neste 10 de junho

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José Luiz de Almeida Silva

Inveja é a última palavra usada pelo poeta maior Luís de Camões (que esta semana comemoramos os 500 anos do seu nascimento) nos Lusíadas para caraterizar o terrível defeito dos portugueses, fruto das suas incapacidades e da impossibilidade de atingir objetivos que os outros conseguiram.
O resultado europeu destas eleições de domingo, podem fazer conjeturar que este defeito tipicamente dos povos do sul, se introduziu no modo de pensamento da grande maioria dos nossos concidadãos comunitários, mesmo entre aqueles por cultura ético-religiosa da Reforma, afastavam este comportamento tão nefasto em favor de projetos de cooperação e partilha, como o é o da União Europeia.
Felizmente a ameaça das sondagens de um “terramoto” ideológico europeu nestas eleições foi afastada (por quanto tempo?), evitando ou adiando o eventual colapso do projeto global mais bonito e solidário do Século XX, que é da União Europeia, quebrando a tradição de guerra entre vizinhos no Velho Continente.
Mas importa perceber como aqui se chegou? Provavelmente o projeto Europeu tornou-se ameaçador para muitos cidadãos mais preocupados com o seu bem-estar imediato, temendo ameaças reais ou virtuais provocadas pela chegada maciça de outras gentes, algumas bastante incompreendidas, mas tão necessárias para assegurar o bem-estar do consumidor europeu.
Dificilmente esta contradição se irá resolver no curto prazo, como se verifica no nosso país, deixando-nos numa deriva de um futuro instável e provavelmente conflitual, ainda apenas ao nível do discurso entre nós. Esperemos que a Europa receba a luz da razão e Portugal também. ■