Hospital Termal: a interminável saga

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Gira o disco e toca o mesmo. Semanas após semanas leio a Gazeta das Caldas apenas para verificar que o Hospital Termal (HT), mês sim, mês não, está encerrado. Na realidade o problema do HT não é nenhuma bactéria. É sim a falta de exigência. Os Caldenses têm sido pouco exigentes para com os seus representantes, isso sem duvida conduziu ao aparecimento de muitas bactérias nas Caldas da Rainha.
Deixem-me desmistificar um ponto que é assumido como cavalo de batalha de alguns responsáveis: o HT é uma instituição que do ponto de vista financeiro apresenta um deficit crónico. Este ponto é uma falácia desde logo porque ver a questão apenas pelo lado dos custos e proveitos financeiros é um exercício intelectualmente desonesto. Na realidade, com o HT a funcionar, são beneficiados os lojistas, os restaurantes, os transportes públicos, produtores agrícolas, entre outros.

Contudo todos sabemos, que nenhum dos que beneficiam destes fluxo financeiro guarda uma parte para devolver ao HT, de modo que no ano seguinte se possa repetir o ciclo. Esta situação origina um subfinanciamento crónico. O HT nos anos bons distribui proveitos para muita gente recolher, enquanto nos anos maus  sofre cortes do Governo Central que não lhe permitem manter a actividade de uma forma normal. Daí ao aparecimento de “bactérias” é um pequeno salto.
Uma solução para este problema é a constituição de um fundo, por parte da Câmara, Estado e Mecenato, que permita servir de ancora às necessidades de financiamento do HT. O funcionamento do fundo seria através d o uso exclusivo dos rendimentos que este proporcionasse e nunca através da utilização do capital. Os benefícios são inegáveis: é possível obter uma fonte de financiamento renovável, ano após ano,  permitindo fazer face aos investimentos de que o HT tanto necessita, ao mesmo tempo que o capital continua preservado permitindo que um dia mais tarde se possa desfazer o fundo, sem prejudicar o contribuinte. Este método é utilizado na sua plenitude pelo Fundo de Petróleo da Noruega constituído para garantir uma suavização do declínio da produção petrolífera neste País. No caso do HT permitiria garantir que nunca mais se verificasse uma paralisação como aquela que agora assombra o futuro do Hospital.
Naturalmente que o HT iria depender deste fundo durante muitos anos, antes de passar a depender apenas das suas receitas, contudo o efeito do fundo seria sentido quase imediatamente na economia Caldense. Mais tarde os excedentes do fundo poderiam ser utilizados para financiar os recursos adjacentes ao HT, como o Parque, a Mata, os Museus entre outros.
Infelizmente uma solução destas é extremamente difícil de implementar num País cuja mentalidade é de chapa ganha chapa gasta, daí que seja quase impossível convencer as pessoas de que esta via é muito mais sensata do que aquela que tivemos na ultima década. Procurar fundos do QREN para co-financiar projectos não basta para se ter uma estratégia de sucesso, é que mais do que ter ovos para se fazer uma omolete, é preciso parti-los.
Nelson Alves