Montepio – a legítima angústia dos associados

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Carlos Querido
lista A

No quotidiano suspenso pela pandemia, o processo eleitoral do Montepio tem-se arrastado penosamente, num ambiente sufocante de ruído que impede a comunicação serena das propostas de cada lista, sucedendo-se acusações, boatos, rumores, insinuações e alguns textos na imprensa local, que geram profunda angústia em pessoas para quem a Instituição constitui memória estruturante, por terem nascido naquela casa, por ali terem falecido familiares, por nela terem sido submetidas a tratamentos, intervenções cirúrgicas, internamentos, ou por terem pais ou avós nas estruturas residenciais de apoio às pessoas idosas. Convém, no entanto, recordar que o que define a Instituição é o facto de transcender os homens e as mulheres que em cada época a servem.
Não. Definitivamente, o Montepio não corre qualquer risco de extinção. Passa apenas por uma fase atribulada, da qual poderá sair mais forte, mais projetado para o futuro, a caminho dos dois séculos de existência e de prestígio.
A divergência, centrada na discussão de projetos diversos, de opiniões discordantes, não fragiliza as Instituições, antes as pode fortalecer. Mas para isso é necessário elevar o debate sem nos deixarmos submergir por questiúnculas e ressentimentos.
A lista A, onde me incluo, propõe a formalização de um acordo de parceria negociado com o “Grupo Sanfil Medicina” (depois de excluídas outras candidaturas), com vista a avançar rapidamente para a instalação do Hospital Montepio Rainha Dona Leonor, por entender que a Casa de Saúde não reúne condições para responder aos desafios da modernidade, e que o Montepio tem a vocação e a responsabilidade de oferecer à Cidade a estrutura de saúde que lhe falta.
Como candidato a Presidente da Assembleia Geral, não posso deixar de manifestar alguma desolação pelo ruído que empobreceu o debate eleitoral, relegando para a sombra projetos, reais, concretos, calendarizados, capazes de gerarem entusiasmo e não angústia nas pessoas que vivem os problemas da Instituição.
Na Assembleia Geral reside a plena soberania dos Associados, que ali podem fazer ouvir a sua voz, elegendo e, se for caso disso, destituindo os membros dos órgãos da Instituição.
Numa Associação que se quer democrática, viva e dinâmica, a Assembleia Geral deve ser um espaço de debate e de confronto de ideias, de crítica construtiva e de acompanhamento exigente da gestão da Instituição.
É também o local privilegiado para construir pontes entre diferentes sensibilidades, harmonias e consensos, unidade na diversidade, energia coletiva para enfrentar os desafios do futuro.
A lista que vencer terá a pesada responsabilidade de sarar as feridas que possam resultar deste processo eleitoral, convocando todos os Associados para um futuro comum, onde todos têm lugar, onde todos fazem falta.
Deverá ser essa a primeira preocupação do Presidente da Assembleia Geral. Caso seja eleito, assumirei todas as minhas responsabilidades. ■