O Círculo

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Bruno Santos
ilustrador – autor

Sendo o Círculo a forma geométrica mais perfeita, com este artigo fecha-se não um círculo mas algo muito parecido. Admito no entanto que nem sempre encontrei as palavras certas e fui muitas vezes confrontado com a falta de clareza que as minhas ideias continham. Essa espécie de círculo começou a ser desenhada há um ano e muita coisa mudou desde então – tinha a ideia de escrever sobre cultura e ambiente, mas até as minhas palavras foram contaminadas pela pandemia, e no final decidi que era a comunidade que mais precisava destas linhas.
Desde o início desta colaboração que a data do fim já estava escrita num Excel, mas o que não estava escrito era o caminho feito para chegar até aqui, um caminho acidentado feito nos meandros de um ano como não há memória. No entanto, seria para mim impensável voltar atrás para ser quem era. A incerteza e o medo não podem consumir-nos a alma, desejamos sobretudo certezas, mas fechamos os olhos à única certeza que temos, a morte, e ignoramos, como o provérbio italiano diz, que “toda a gente morre, provavelmente até eu”. Seria mais fácil aceitar a garantia que vamos chegar ao fim e aproveitar para desfrutar a viagem, para em vez de nos queixarmos da dificuldade que encontramos ao subir uma montanha, agradecermos por esta nos elevar.
Nestas colunas preenchidas não por texto mas por gratidão, agradeço a todos que fizeram a viagem comigo. Obrigado à Gazeta das Caldas e a quem a torna possível, aos meus colegas que partilharam as mesmas colunas, a quem as leu, mas principalmente a quem as leu primeiro e as fez ter sentido, a Carolina, obrigado.
Ficam muitas coisas para dizer mas gostava de concluir usando este último parágrafo, para partilhar uma reflexão que me surgiu nos últimos tempos. Porque tem as Caldas tanto supermercado? E alguns até a duplicar? Uma cidade com tanto comércio tradicional, com tanta oferta, sendo inclusive a praça da fruta o principal ponto turístico da cidade, uma praça do peixe a pedir clientes, boas padarias, pastelarias e mercearias. Não estou a rejeitar as grandes superfícies, eu mesmo as uso também e sei que providenciam trabalho a muita gente, mas não será isso uma ilusão? Não tirarão mais do que dão? Penso que a chave para superar as consequências desta pandemia estará nos dois ou três euros a mais que iremos gastar no pequeno comércio.

Tinha a ideia de escrever

sobre cultura e ambiente,

mas decidi que era a comunidade

que mais precisava

Resta-me oferecer o meu sincero contributo da forma possível: caso algum comerciante das Caldas necessite da minha ajuda como designer gráfico ou como ilustrador,para divulgar o seu estabelecimento nesta fase tão difícil, pode entrar em contacto comigo através da Gazeta.
Até à próxima. ■