O Paço da Rainha

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Teresa Marques
empresária

Num pequeno passeio de amigos, no dia da nossa cidade, fomos visitar o Paço da Rainha.
Foi com espanto e tristeza que nos deparámos com as traseiras do edifício cheias de riscos nas paredes, lixo no chão e o seu anfiteatro votado ao abandono. No mesmo dia em que se homenageia a nossa fundadora, chegar ao local onde sua Alteza Real pernoitou e passeou tantas vezes e encontrar o que encontrámos foi, no mínimo, desolador. Numa cidade que gira em volta da passagem da nossa Rainha D. Leonor e considerando tudo o que daí adveio, deveríamos mostrar respeito por todos os locais relacionados com a sua presença na nossa cidade em vez de votá-los ao abandono.
Quando falo em riscos nas paredes traseiras do Paço, é exatamente disso que se trata, porque, arte de rua (incluindo graffitis) são uma coisa inteiramente diferente. A arte urbana é uma forma de manifestação que diverge das formas tradicionais e que se carateriza pela utilização de espaços públicos e pela transgressão, com temáticas que frequentemente implicam uma critica social ou política e pelo seu caráter transitório, mas não deve confundir-se com atos de vandalismo. À semelhança do que tem acontecido por variadíssimas cidades a nível mundial também a nossa cidade tem visto um crescimento deste tipo de arte.
Os artistas urbanos acabam por ser prejudicados por este tipo de atos de vandalismo, porque muitas vezes se associam ambas as realidades.

Gostaria de sublinhar a falta de conservação dos nossos espaços públicos

No entanto, o que gostaria de sublinhar é a falta de conservação dos nossos espaços públicos e dos edifícios de interesse público. Sendo certo que o Paço da Rainha está sob a alçada do CHO, será que o poder central não tem meios para manter e conservar estes espaços limpos? Será que não pode contratar uma empresa de segurança para que este vandalismo termine? Será que não se podem aplicar as coimas ou multas que constam da lei, a quem vandaliza os espaços que são de todos? Até quando teremos de assistir ao que alguns, poucos mas com muita frequência, fazem ao nosso património?
Será que este estado de abandono reflete a falta de interesse por parte dos visitantes em relação ao Jardim da Rainha e seu Anfiteatro? Quanto tempo mais teremos de esperar para que o erário público seja aplicado para usufruto de todos?
Perante a situação descrita e as questões elencadas, resta a perplexidade de constatarmos a existência de incentivos ao turismo antes de se criarem as condições que justifiquem Caldas como um destino aprazível e com valor intrínseco.