O SNS e a pandemia

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Cristina Teotónio

O Serviço Nacional de Saúde é uma estrutura através da qual o Estado Português assegura o direito à saúde a todos os cidadãos de Portugal. A sua criação remonta a 1979 e com a aprovação da Lei de Bases da Saúde em 1990, a proteção da saúde foi perspetivada não só como um direito, mas também como uma responsabilidade conjunta dos cidadãos, da sociedade e do Estado, em liberdade de procura e de prestação de cuidados.
Para a efetivação do direito à proteção da saúde, o Estado atua através de serviços próprios, mas também celebra acordos com entidades privadas para a prestação de cuidados e apoia e fiscaliza a restante atividade privada na área da saúde.
Ao longo dos anos, temos assistido a crescentes evoluções e reformulações na estrutura dos cuidados de saúde, sobretudo do ponto de vista organizacional com modificação de regimes jurídicos das instituições (PPP, EPE, USF), para uma maior autonomia e responsabilização governativa destas.
Apesar das limitações e do muito que ainda faltará fazer e melhorar, temos um SNS que presta sem dúvida, cuidados de excelência de modo indiscriminado a todo o cidadão. A despesa corrente em cuidados de saúde, de acordo com as previsões para 2019 (dados da Pordata) era de 20 303 590 milhares de euros, cerca de 9,5% do PIB, dos quais 13 020 616 milhares de euros caberiam às administrações públicas. É claro que a saúde não tem preço!

Mas nenhum sistema de saúde estaria preparado para uma pandemia…

Mas nenhum sistema de saúde estaria preparado para uma pandemia…Á já difícil tarefa dos serviços responderem aos cuidados necessários, acresce agora, a sobrecarga de cuidados extra pelos números estrondosamente crescentes de casos. E a necessidade de se criarem e reinventarem respostas…E aqui vêm à tona as fragilidades do sistema: estruturas físicas, recursos técnicos e humanos. Ainda que parecesse possível reorganizar serviços, construir novos hospitais ou adquirir novos equipamentos, dotar os mesmos de adequados recursos humanos é uma enorme barreira. A formação de profissionais na área da saúde é um processo longo e com áreas de atuação próprias (nem todos, como em qualquer profissão, sabemos fazer tudo) e por isso ultrapassámos todos os nossos limites…
Prevê-se (se é possível fazer previsões!) o pico desta vaga para 20/11 com cerca de 4500 internamentos!!!
Apelo assim, mais uma vez, a capacidade de resiliência de todos, a manutenção das medidas de proteção adequadas em todas as situações, para que a terrível ameaça de termos de “escolher” quem tratar não seja uma realidade!
Creiam que continuamos cá por vós…