Pela pessoa…

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Certamente, poucos são os que se empenham numa Pastoral Penitenciária, com especificidades muito próprias, porque nunca pensaram que o recluso é, acima de tudo, pessoa, interessando-nos mais a pessoa do que o ilícito que tenha cometido. Nós, cá fora, é que nos esquecemos disso com demasiada facilidade e não entendemos que, quando alguém falhou, também a sociedade falhou, quando nem sempre acudiu às carências e dificuldades.
A Pastoral Penitenciária procura olhar para a população reclusa com um sentido verdadeiramente humano e cristão: iguais em dignidade, independentemente dos feitos de cada um.
Existindo, na nossa cidade, um Estabelecimento Prisional, não podemos ficar indiferentes aos que ali vivem. Temos a obrigação de nos desinstalarmos e estar junto daqueles que não se podem reunir com a restante comunidade paroquial, levando connosco, essencialmente, disponibilidade para ouvir e palavras de incentivo que possibilitem mudanças de rumo na vivência em sociedade.
Alguns voluntários da nossa paróquia procuram, ao longo de todo o ano, visitar, de forma organizada, os reclusos, sentindo que estão perante pessoas que querem ouvir, conversar, desabafar, dialogar, independentemente das suas crenças religiosas. Os visitadores sabem que não vão mudar a realidade dos outros, mas vão entrar nela, seja qual for, e vivê-la a partir de dentro, tendo bem presente que não basta prender, mas é essencial que a sociedade se envolva, tal com faz com outros problemas sociais, para que a recuperação e a integração sejam possíveis.
O nosso grupo de visitadores do Estabelecimento Prisional, nas suas visitas aos reclusos nunca esquece a sua matriz cristã, procurando levar sempre uma palavra de esperança e serenidade, garantindo que Deus ama a todos e que nunca é tarde para recomeçar. É, assim, uma assistência de cariz religioso que não pode esquecer os problemas reais das pessoas. É, também, missão do visitador aproximar as comunidades locais, servindo de ligação ao mundo.
Não posso deixar de referir a preciosa ajuda material e financeira de muitas pessoas e empresas, as quais têm contribuído, especialmente na época natalícia, de forma bastante significativa, para a prossecução dos nossos objetivos, como visitadores. Muito obrigado a todos.
Infelizmente, no final do ano passado e nos inícios deste, não nos tem sido possível ser presença tão assídua no Estabelecimento Prisional, devido à greve dos guardas prisionais, a qual não nos compete comentar, dada a sua legalidade e, certamente, legitimidade. Em todo o caso, desejamos que o governo e as estruturas sindicais cheguem a acordo o mais rápido possível, para que nos possa ser possível estar mais próximos dos reclusos.
Os visitadores, sentindo que vão em nome da Igreja e com a certeza de que Cristo procura e quer encontrar-se com cada ser humano, em qualquer situação da sua vida, dão primazia à vertente testemunhal, fazendo sempre o seu trabalho “Pela Pessoa”.

Fernando Alves
Grupo de Visitadores Católicos