Quase um ano entre nós

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José Luiz Almeida Silva

Aproxima-se o 1º aniversário do momento em que Portugal foi atingido duramente pela covid-19. O balanço é muito duro para a grande maioria, desde aqueles que pereceram ou apenas tiveram de enfrentar o vírus, aqueles que tiveram de o tratar e acompanhar as vítimas do mesmo, até ao resto da população. E se a 1ª vaga nos apanhou de surpresa e quase que todos nos fechámos, as vagas seguintes, fruto de uma certa habituação, mesmo de uma rotina, tiveram custos mais elevados.
Se for verdade que estamos a sair da vaga mais dura, mas a que teve maiores custos, quando já era conhecida a descoberta da vacina que quase tudo parecia evitar, estamos num momento crucial. No momento em que escrevo mais de 7% da população portuguesa foi atingida pelo vírus e há quase 15 mil óbitos, não falando nos internamentos, números que eram há um ano impensáveis. Errou-se ou estes valores eram inevitáveis? Provavelmente no final agudo da pandemia, a grande maioria dos países, vão apurar resultados semelhantes neste covid, independentemente do momento em que o viveram. Dentro de algum tempo, quando houver uma distância maior dos momentos cruciais, iremos tirar conclusões mais substanciais e entender muito daquilo que no calor da refrega é impossível verificar.
A lição foi dura e teve bastantes vítimas, a maioria inocentes, mas como em tudo na vida, a inocência não compensa e a sorte de uns é a desgraça de outros.
A fatura que nos espera ao nível da economia e do emprego também será pesada, mas certamente mais fácil de ultrapassar que o custo nas vidas e na saúde de muitos de nós. Que nos sobre a coragem e a resiliência para enfrentar tudo isto nos tempos que se aproximam, esperando que a “inteligência coletiva” que deve orientar os homens e a sua civilização se imponha no final. ■