Solidariedade exemplar

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No passado dia 19 foi homenageado no Panteão Nacional, na forma de um túmulo sem corpo, o antigo Cônsul em Bordéus, Aristides de Sousa Mendes, que ousou dizer não ao ditador e protegeu e permitiu salvar milhares de homens, mulheres e crianças que fugiam dos nazis. Foi punido por Salazar por ter transgredido as regras impostas pelo regime ditatorial e demitido, sem qualquer retribuição, acabando por morrer na miséria e impedido de os filhos frequentarem a Universidade pública.
Este reconhecimento em relação a um daqueles que foi considerado “Justo entre as Nações” pela sua compreensão, generosidade e solidariedade, podia servir de exemplo para aquelas terras e gentes, como os habitantes das Caldas, que no século passado por três vezes receberam honrosamente refugiados nas suas casas e na sua comunidade.
Caldas da Rainha e os caldenses foram abrigo de refugiados vindos das mais variadas proveniências, desde os Boers vindos da África do Sul, os espanhóis fugidos à guerra civil e às perseguições do ditador Franco e, depois, os que fugiam da carnificina da Alemanha Nazi.
Os refugiados não são todos iguais, podendo-se diferenciar pela sua proveniência, se de meios evoluídos e com posses, como de outros em que a miséria e a falta de recursos é a dominante e fogem das perseguições mas também da pobreza endémica. Todos merecem solidariedade e apoio, devendo aqueles que ajudaram a sua fuga e como aqueles que os recebem ser valorizados e recordados. Caldas, por tudo isto e por ter esta tradição genuína e nobre, devia perpetuar o facto e a história que viveu com algo significativo que pudesse mostrar para as gerações presentes e vindouras esta atitude de solidariedade e de justiça com o ser humano e com o mundo que cada vez é mais pertinente no nosso tempo. ■