O projecto Familiarmente – “Um amigo especial”, promovido pelo canil municipal e a unidade de saúde de Óbidos foi premiado com 11.158 euros pela Missão Sorriso, do Continente. Este projecto articula a terapia familiar sistémica, potenciadora das competências das famílias com a relação que os seres humanos têm com os cães.
Um jovem com problemas de comportamento realizou actividades de rotina no canil municipal de Óbidos e como retribuição recebeu afecto por parte dos animais. Esta capacidade de fazer alguma coisa bem e ter retribuição disso mesmo, elevou a sua auto-estima e o resultado reflectiu-se em toda a família.
Este resultado inspirou a Unidade Local de Saúde Pública de Óbidos e o canil municipal, que o candidataram à Missão Sorriso, do Continente, tendo sido um dos vencedores, com um prémio de 11.158 euros.
O projecto articula a terapia familiar sistémica, potenciadora das competências das famílias, com a relação particular que os seres humanos têm com os cães e é indicado nos problemas relacionais, doença crónica, luto, tentativa de suicídio. O processo terapêutico decorre na unidade de saúde de Óbidos e no canil municipal e o objectivo agora é que este possa ser replicado, tanto com jovens e famílias com problemas sociais, como com idosos em lares.
A delegada de saúde e terapeuta familiar da Unidade Local de Saúde Pública de Óbidos, Fátima Pais, explicou durante a cerimónia de atribuição do prémio, no passado dia 21 de Junho na Escola Josefa de Óbidos, que em alguns lares os idosos estão todos juntos mas não conversam, pelo que o animal poderá ser o desbloqueador de conversa e aumentar as relações sociais.
O projecto deverá arrancar em Setembro, estando já identificadas duas famílias para participar. Estão também previstas intervenções nos lares da Delgada, A-dos-Negros e da Santa Casa da Misericórdia de Óbidos.
Actualmente o canil de Óbidos tem 18 animais e de acordo com o veterinário municipal, João Almeida, o trabalho será iniciado com os mais sociáveis.
Depois, consoante os casos a intervir, serão combinadas as idas das pessoas ao canil municipal ou dos animais a casa dos participantes.
Há ainda a possibilidade da família depois ficar com o animal pois um dos objectivos do projecto é também aumentar a possibilidade de adopção. No entanto, e de acordo com João Almeida, nesta primeira fase a ideia é que os animais possam beneficiar do treino.
O veterinário municipal, que possui uma pós graduação em Comportamento Animal e Terapia Assistida por Animais, destacou que as “pessoas na presença dos animais estão mais motivadas a aprender ou a desenvolver outras capacidades”. Também para “quebrar o gelo” é muito mais fácil a intervenção do animal, assim como de potenciador de afectos, através do toque, acrescentou.
Para os animais, este projecto é importante porque permite socializá-lo, integrá-lo na sociedade e estimular-lhe o raciocínio.
O prémio do Continente permitiu a contratação de uma treinadora e foram também comprados brinquedos – onde se coloca comida dentro e os cães entretêm-se por bastante tempo – e material para a esterilização. O dinheiro foi também utilizado para melhorar os gabinetes da Unidade Local de Saúde Pública afectos ao projecto e para aquisição de material informático e de imagem.
Presente na cerimónia, o presidente da Câmara, Humberto Marques deixou o desafio para que a Missão Continente possam continuar o apoio a este projecto.
A equipa do projecto Familiarmente – “Um amigo especial” juntamente com a mascote da Missão Continente e com o presidente da Câmara de Óbidos
Trata-se do primerio livro da nova colecção «cadeRnos suRRealistas sempRe» dirigida por Maria Estela Guedes.
Claudio Willer (n.1940) foi presidente da União Brasileira de Escritores entre 1988 e 2004.
[shc_shortcode class=”shc_mybox”]Poeta, ensaísta e tradutor, é também psicólogo e sociólogo. Os seus poemas neste livro integram epígrafes de Julien Gracq, Rimbaud, Henri Béhar, Novalis, Herberto Helder, André Breton e Mário Cesariny, o que revela um grande conhecimento do surrealismo por parte de um autor que já em 1965 escrevia algo como isto: «Tudo o que escrevo se dirige a um só tipode público, muito difícil de definir – o uso de palavras como «marginal» ou «rebelde» arrisca rotular ou cristalizar o que é muito mais dinâmico e complexo. Na realidade trata-se de pessoas portadoras de alguma monstruosa deformação espiritual, como uma ferida mal cicatrizada que as torna mais sensíveis a certos estímulos.»
Esse texto de 1965 antecipa o do século XXI colocado na página 7 do livro no sentido em que interroga o intervalo entre a vida e a morte: «POESIA PICTÓRICA; VISUAL: SIMBOLOGIA DA ÁGUA Quando a praia onde você está é sentida como real unicamente por / trazer a lembrança viva dos cheiros, claridade e ruídos da / outra praia onde você esteve, muito tempo atrás /quando nada mais resta a não ser a impressão de que viver foi inútil / e de que morrer é algo totalmente idiota.»
(Editora: Apenas Livros «apenaslivros2@gmail.com», Revisão: Luís Filipe Coelho, Capa: Maria
Tomás, Direção: Maria Estela Guedes)[/shc_shortcode]
Poucas cidades em Portugal terão mais rotundas do que as Caldas da Rainha. Pelo menos se tivermos em conta a dimensão da cidade. Isso faz dos caldenses verdadeiros “rotundólogos”.
[shc_shortcode class=”shc_mybox”]Não serve esta crónica para criticar a loucura das novas regras de circulação dentro de rotundas mas apenas para demonstrar que os caldenses perceberam, porventura melhor do que os habitantes de outras cidades do país, que, tal como um rio dá a volta a uma montanha no seu caminho para o mar, por vezes é melhor contornar os obstáculos para poder seguir em frente do que tentar embater cegamente nesses mesmos obstáculos.
Tal como uma rotunda serve, e bem, para distribuir o trânsito sem os inconvenientes de um cruzamento tradicional, nas Caldas sempre nos habituámos a dar a volta às situações e evitarmos, dessa forma, “choques” desnecessários. Um bom exemplo disso mesmo é o património termal, que estava a degradar-se com a gestão estatal e, contrariamente ao que muitos aconselhavam, a Câmara Municipal teve a coragem de assumir a sua gestão. Se a autarquia tivesse ouvido as vozes daqueles que são sempre contra tudo, teria enfrentado o poder central, exigindo que fosse o governo a restaurar e a continuar a gerir aquele património. O resultado seria dramático: se o Estado até na educação retira o financiamento a escolas que estão a proporcionar ensino público às nossas crianças, certamente não iria gastar mais dinheiro dos contribuintes para melhorar a gestão do nosso património termal. Assim, como especialistas em rotundas que são, os caldenses deram a volta à situação e hoje é com esperança que aguardamos pela reabertura do Hospital Termal, já para não falar do prazer que é passear no Parque, que se encontra muito bem cuidado pela Junta de Freguesia.
Mas as rotundas também têm os seus inconvenientes. De tanto andarem à roda, alguns caldenses habituaram-se a não sair do lugar, não evoluírem e ficam, vezes sem conta, a reclamar e a dizer mal de algo sem se aperceberem que apenas estão a dar a volta à rotunda mas não saem para lado nenhum. Pior do que isso são aqueles que não perceberam que, quando se entra numa rotunda, convém saber ao certo qual o destino que se pretende seguir. Entrar na rotunda e depois sair numa saída qualquer é arriscar voltar para trás e desperdiçar o trajeto que já se havia feito.
Ora, é isto que muitos portugueses, que não os caldenses, ainda não perceberam. Com a alteração que ocorreu após o derrube do governo eleito nas últimas eleições, em que a oposição se uniu para tomar o poder, aproveitando o facto de não poderem, naquela altura, e por imperativo constitucional, serem marcadas novas eleições, Portugal entrou numa rotunda sem saber por qual saída deveria seguir. Os vários partidos que agora apoiam o governo defendem ideias contrárias e, assim, o governo vai navegando à vista, cedendo aqui e ali, saindo da rotunda por onde o trânsito lhe parece menos congestionado, mas sem se perceber que, na verdade está a voltar para trás.
Se não vejamos: o desemprego, que já estava a diminuir após o embate das reformas impostas pela Troika para nos emprestarem o dinheiro suficiente para sairmos da bancarrota, voltou a aumentar. As exportações que, honra seja feita aos nossos trabalhadores e empresários, batiam recordes sucessivos, voltaram a cair. O défice que, se não tivesse sido a pressa de António Costa em “vender” o BANIF, ficaria finalmente abaixo dos três porcento, parece estar novamente a descontrolar-se.
Enfim, bairrismos à parte, as Caldas bem que podiam dar uma lição sobre como conduzir nas rotundas a quem tem, por ora, a responsabilidade de conduzir o país.[/shc_shortcode]
Com o verão finalmente a entrar em força no calendário e nos termómetros, o país da geringonça lá vai avançando rumo à normalidade, contra as piores expectativas e previsões dos profetas da desgraça. O governo socialista tem-se esforçado, há que dizê-lo com sinceridade, para devolver substância ao substantivo, perdoe-se o pleonasmo. Os indicadores económicos e sociais vão no bom sentido, há alguma confiança na população que sente um ânimo diferente. O país respira tranquilidade e olha para a europa para ver o que vai acontecer a seguir. Todo o país? Não. Algures no Oeste há um enclave que resiste a este sentimento colectivo.
[shc_shortcode class=”shc_mybox”]Desta vez não escrevemos sobre as tristes misérias caldenses a que não deixaremos de voltar. Escrevemos sobre um território próximo, vizinho, que numa escala regional também sentimos como nosso. Um território donde parece que as instituições nacionais, aquelas que nos dão sentido e coesão como país parecem ter desaparecido para parte incerta. Não escrevemos sequer sobre Peniche ou a Marinha Grande, dois municípios que nos recordam a cada eleição que mesmo no distrito de Leiria há ainda territórios onde a esquerda respira saúde. Por razões históricas fundas, a que as novas realidades sociológicas e sobretudo a consciência acrescida nas populações das malfeitorias da direita portuguesa vieram trazer novo sentido nos anos mais recentes. Não. Hoje escrevemos, com mágoa, sobre um município de maioria e Câmara Municipal socialista – onde esta maioria, conquistada à direita, tem servido para tentar despedir funcionários, além dos habituais números de marketing político. Num território litoral e piscatório onde tradicionalmente a esquerda tem uma implantação significativa, elege-se uma Câmara Municipal “socialista” depois de anos e anos de regabofe económico-financeiro da direita, e assim que chega ao poder desata a despedir funcionários. Para vergonha de todos os seus camaradas e de todos o que conhecem o significado da palavra socialismo. Longe vão os tempos em que nenhum secretário-geral do PS ganhava uma eleição nacional sem passar pela Nazaré para dar um animado pé-de-dança com as peixeiras. A Nazaré actual está entregue a pseudo-socialistas com o desejo lascivo de governar como a direita. Um filme já visto, e com muito maus resultados. Quem não se lembra do PS socrático, não do PS filosófico mas daquele das engenharias manhosas. É este PS que ainda existe por aÍ, pelos vistos, em algumas autarquias. Composto por autocratas invés de autarcas, gente que julga estar acima da lei. Pessoas que pensam que podem ignorar uma ordem de um tribunal que ordenou a reintegração dos trabalhadores nos seus postos de trabalho.
O caso é mais bicudo do que parece à partida: estamos perante uma autarquia que entende ignorar – mais, entende desrespeitar, uma ordem judicial. Estamos perante uma nova espécie de neo-feudalismo onde cada presidente de câmara passa a ignorar as instituições nacionais, nomeadamente o poder judicial e passa a governar impunemente a seu bel-prazer, fazendo o que quer e bem lhe apetece. Seja por que via for, este caso só pode ter um desfecho exemplar. O Estado enquanto entidade que representa todos os cidadãos não pode ser posto em causa desta maneira. É preciso recordar a estes socialistas de contrafacção que as decisões dos tribunais são para cumprir. E que o incumprimento, para um autarca, implica perda de mandato. É preciso recordar-lhes também que o original é sempre preferível à cópia e que para governarem como a direita talvez fosse preferível lá estar a direita. A Nazaré é um bom exemplo de uma autarquia onde é preciso acabar com a alternância ou o arco da governação.[/shc_shortcode]
Cerca de 40 professores e funcionários dos colégios Rainha D. Leonor e Frei Cristóvão, que têm contrato de associação, pediram a intervenção do presidente da Câmara das Caldas para evitar o encerramento dos estabelecimentos. O administrador João Calvete (filho do empresário António Calvete, do grupo GPS), alertou para o impacto social e económico desta decisão do Ministério da Educação, que afectará os funcionários e docentes daqueles estabelecimentos de ensino. Nesta reunião foi também aprovada a contratação de mais 42 trabalhadores para a Câmara, elevando para 350 o número de trabalhadores camarários. O CDS-PP criticou as sessões públicas desenvolvidas no âmbito do Plano Estratégico caldense, por não darem ao público o tempo suficiente para o debate de ideias. o PS quer que o executivo mostre aos deputados os planos antes de fazer as candidaturas a fundos comunitários, permitindo-lhe assim dar também contributos.
João Calvete, administrador da sociedade anónima que detém os colégios Rainha D. Leonor e Frei Cristóvão, foi à Assembleia Municipal para à autarquia para tentar reverter o processo de não atribuição de nenhuma turma de inicio de ciclo no colégio caldense.
Este apelo veio depois do Externato da Benedita não ter sofrido qualquer corte porque “os representantes políticos locais fizeram valer a sua posição junto do governo” tendo “os directores dos agrupamentos da área de influência contribuído para o equilíbrio da rede, reconhecendo a mais-valia subjacente à coexistência de projectos diferentes”, disse João Calvete.
O responsável afirmou que desde o início que estas escolas têm sido reconhecidas e respeitadas pela autarquia e que sempre obtiveram “todo o apoio necessário”. No entanto, não deixou de manifestar que esta foi “extremamente exigente” no momento inicial, tendo imposto como condição para a construção do colégio Rainha D. Leonor, a construção de uma escola também em A-dos-Francos.
João Calvete falou de uma “realidade preocupante”, tanto para as entidades proprietárias, como para os 300 agregados familiares que dependem das duas escolas e dos 1500 alunos que ali estudam. Destacou que estas são escolas inclusivas, com alunos subsidiados e com necessidades educativas especiais, e também escolas onde não há vandalismo, bullying e onde se obtêm excelentes resultados escolares, argumentos que têm atraído muitos alunos dos concelhos vizinhos e que são cerca de 400.
João Calvete disse que não querem prejudicar as restantes escolas públicas das Caldas, mas defende um equilíbrio da rede. “Entendemos que não é razoável um corte tão radical de turmas [15 no próximo ano lectivo] no Colégio Rainha D. Leonor”, disse, adiantando que estão receptivos a um ajuste no número de turmas que abrem nos inícios de ciclo, como de resto tem acontecido desde 2011, em que já reduziram 10 turmas.
O responsável disse mesmo que se há uma década, quando vieram para as Caldas, soubessem que estavam perante uma “sentença de morte”, não teriam vindo.
Também a professora Elsa Oliveira falou em defesa do colégio Rainha D. Leonor, destacando tratar-se de uma escola inclusiva, com cerca de 100 alunos com necessidades educativas especiais, onde 30% dos alunos são subsidiados e onde prestam apoio e acompanhamento aos jovens e famílias. A docente falou também do bom relacionamento e da proximidade entre professores, alunos e funcionários e do projecto diferenciador deste estabelecimento de ensino privado.
De acordo com Elsa Oliveira, têm vindo a reduzir as turmas e a curto prazo as escolas publicas terão que receber 31 turmas, o que “provocará a insatisfação de todos os intervenientes da comunidade escolar”. Considera que a ruptura nas escolas públicas será inevitável, bem como o insucesso e a perda de qualidade da educação no concelho.
A docente realçou que o colégio Rainha D. Leonor contribuiu para os bons resultados do concelho a nível educativo e manifestou a sua tristeza pelas ameaças de que os alunos são alvo, quer através das redes sociais, quer pessoalmente.
O ex-presidente da Câmara, Fernando Costa, também interveio para justificar que todas as decisões tomadas pela autarquia para a instalação dos colégios nas Caldas foram aprovadas por unanimidade na Assembleia Municipal, que não se “envergonha das ter tomado e que hoje voltaria a tomá-las”.
Recordou que a Câmara ofereceu um terreno ao Estado para instalar uma escola pública e que esta chegou a ter concurso aberto, mas foi interrompido por causa das fundações que não estavam previstas e que iriam encarecer o projecto. A alternativa dada pelo próprio Estado foi a da criação de uma escola privada que teria contrato de associação com a tutela.
O terreno foi vendido ao grupo GPS por 53 mil euros, “muito mais do que valia, até porque este só podia ser destinado a equipamentos escolares”, disse Fernando Costa, acrescentando que a Câmara exigiu ao grupo “tudo e mais alguma coisa para fazerem o colégio”, como foi o caso de acessos e de uma outra escola em A-dos-Francos.
Para o ex-autarca, o encerramento destes colégios será uma “facada” nas Caldas, na população escolar e nas famílias. Diz-se defensor do ensino público, mas considera que este pode coexistir com o particular e deu o exemplo de vários autarcas, nomeadamente de Alcobaça, Mafra, Leiria e Ansião, que lutaram e conseguiram junto do Ministério da Educação melhores condições para o funcionamento dos colégios nos seus concelhos.
No final, Fernando Costa foi fortemente aplaudido pelos elementos dos colégios que se encontravam a assistir à reunião e que foram de imediato repreendidos pelo presidente da Assembleia Municipal porque não é permitido qualquer tipo de manifestações aquando das intervenções.
João Diniz (CDS-PP) apresentou logo no início da Assembleia um requerimento onde pedia que o ponto “futuro da educação no concelho” fosse discutido naquela reunião, mas os outros partidos entenderam que o assunto devia baixar à comissão para ser discutido com mais profundidade.
O deputado explicou então que este grupo municipal realizou uma reunião, há cerca de 15 dias, entre os representantes dos pais das Escolas Bordalo Pinheiro, D. João II e Colégio Rainha D. Leonor para conhecer as suas preocupações relativamente à situação criada pelo recente anúncio da não abertura de turmas em início de ciclo no colégio. Só não participou o representante dos pais da escola Raul Proença por se tratar de uma iniciativa de um partido político.
Entre as conclusões obtidas, o CDS refere a “preocupante instabilidade que toda esta situação está a criar nos alunos do Colégio”, ao verem, no final do ano lectivo, ser colocado em causa o seu projecto educativo e a incerteza sobre terem que abandonar a escola e os colegas.
De acordo com João Diniz, na reunião os pais disseram que a alteração deveria de ter sido realizada de forma faseada e gradual, dando tempo às escolas, às famílias e aos jovens para se adaptarem. Os representantes dos pais mostraram também preocupação sobre o tempo que as escolas públicas têm para se reorganizar e integrar os novos alunos, assim como com a possibilidade de existirem horários lectivos desajustados.
João Diniz revelou ainda que os pais dizem também que é necessária a elaboração da nova carta educativa do concelho e que devem ser realizadas actividades comuns entre os diferentes estabelecimentos de ensino.
O presidente da Câmara, Tinta Ferreira, é da opinião que o processo de retirada de turmas aos colégios com contrato de associação devia ser mais gradual, embora reconheça a necessidade de alguma redução de turmas para que outras escolas, nomeadamente a EBI de Santo Onofre, “possam ficar mais robustas”.
Entende que se o processo da não atribuição de turmas de inicio de ciclo se repetir para o ano, dificilmente a escola continuará a exercer a sua função com contrato de associação, e as escolas públicas estarão com a sua capacidade no limite.
A Câmara solicitou uma reunião com o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, mas continua a aguardar pelo seu agendamento. No entanto, o edil considera que não é razoável colocar nas mãos da autarquia a possibilidade de reverter a situação, pois esta apenas pode manifestar a sua opinião, a decisão é da tutela. “Por nós era feita em três anos e de forma gradual, mas estão a querer fazê-la já num ano”, disse.
Jovens das Caldas em projecto europeu
O investigador Hélder Luiz Santos apresentou aos deputados o projecto YouthLab, que incide sobre o conceito de emancipação e activação juvenil, e que decorreu durante 18 meses, envolvendo associações de Portugal, Espanha, França e Eslováquia. Em Portugal o estudo sobre os chamados NEET (jovens que não estão na escola, nem em formação nem a trabalhar) incidiu sobre os municípios da Amadora e das Caldas da Rainha e foram feitas visitas a diversas associações e instituições, recolhidas boas práticas e realizadas várias conversas com jovens. O responsável explicou que entre as características dos jovens vulneráveis, estão a solidão e a invisibilidade.
Este estudo é baseado num conceito nórdico que está na base do modelo finlandês e que tem tentado responder à dificuldade dos jovens serem integrados na sociedade. “É um grande problema e um dos objectivos do estudo é dar pistas aos decisores”, disse, destacando que pretendem dar visibilidade a estes jovens, dizer o que eles pensam e como podem construir políticas novas para estes problemas.
Hélder Luiz Santos revelou que o grande problema é que, pela primeira vez, há uma geração que não perspectiva uma vida melhor do que a dos seus pais. “Todos os jovens das Caldas com quem falei têm uma grande necessidade de espelhar que vai ser muito pior. A incerteza, a dificuldade que vêem no seu futuro é determinante”, disse, acrescentando que a falta de emprego dá origem à frustração e começa-se o ciclo da radicalização, isolamento, consumo de drogas e todas as outras questões ligadas à juventude.
E como é que isso se pode alterar? Os jovens com quem o investigador falou têm coisas para dizer, mas não encontram os locais para o fazer, e quando o conseguem, ouvem-nos com uma atitude paternalista, explicou, dando nota da vontade de participação social dos jovens.
Hélder Luiz Santos entregou ainda aos deputados o estudo feito e a disponibilidade para partilhar as suas reflexões com mais pormenor.
O documento suscitou a curiosidade do deputado do CDS-PP, João Diniz, que disse que o irá ler com “cuidado e expectativa”.
O presidente da Câmara agradeceu o contributo para o concelho e informou que fizeram uma candidatura para projectos com jovens NEET e que este estudo poderá ser muito útil nesse âmbito.
Um museu nos Pavilhões do Parque
O ex-presidente da Câmara das Caldas, Fernando Costa, voltou à Assembleia para alertar os deputados pela demora na realização da reunião sobre a Linha do Oeste prevista para a Marinha Grande. Esta ficou acordada após a reunião que decorreu em Loures, a 24 de Fevereiro, mas até agora ainda não foi agendada.
O autarca não tem dúvidas de que o projecto de electrificação da linha entre Meleças e Caldas da Rainha vai para a frente, mas entende que deve ser também defendida a continuidade da electrificação da linha até ao Louriçal e que seja construída uma nova linha entre Malveira e Sacavém para ligar de forma directa a linha do Oeste a Lisboa pelo vale de Loures.
Fernando Costa deixou também manifesta a sua opinião quanto ao futuro dos Pavilhões do Parque. Entende que ali deveria ser criado um grande museu, que albergasse todo o espólio de cerâmica da Câmara e o actual Museu da Cerâmica, assim como a Casa Museu Ferreira da Silva. “Um museu de grande escala traz muito mais pessoas do que um hotel de luxo, e nós já temos um hotel de qualidade no Lisbonense”, disse, acrescentando que o melhor hotel nos Pavilhões nunca atingirá as proporções que atingirá um grande museu. Deu, inclusive, exemplos de outras autarquias como a de Chaves, que incluiu no seu programa de regeneração urbana investimento para o alargamento de um museu, e do Porto e de Loures, que também estão a investir nesta área.
O antigo presidente recordou as colecções que foram compradas pela Câmara à Secla e à Molde, destacando que a autarquia tem um grande património.
Tinta Ferreira respondeu que é importante lutar pela a continuidade da electrificação e requalificação da linha para Norte, embora com a consciência de que dificilmente poderá ser feito no âmbito do actual quadro comunitário.
No que respeita aos Pavilhões do Parque, a intenção da Câmara é a do seu aproveitamento para hotel, por questões de financiamento. “O uso dos Pavilhões pensado por Rodrigo Berquó era de uma enfermaria termal de qualidade e aquilo que nós pretendemos é o mais aproximado disso: um hotel com acesso a águas termais e que lhe permita ter também um balneário dentro do próprio hotel e uma atractividade hoteleira de qualidade na cidade e de ligação às termas”, resumiu.
Tinta Ferreira disse ainda que irá continuar a bater-se junto da Direcção-Geral do Património Cultural e do Ministério da Cultura para que permitam condições para o alargamento do Museu da Cerâmica.
Mais 42 trabalhadores para a autarquia
A Câmara das Caldas vai contratar mais 42 trabalhadores, que se irão juntar aos cerca de 350 já existentes. De acordo com o presidente da Câmara, serão abertos concursos para 37 lugares e recebidos cinco trabalhadores por mobilidade.
A maioria das contratações destinam-se a operacionais de acção educativa. Serão também admitidos cantoneiros de limpeza, jardineiros, pintores, carpinteiros, serralheiros, entre outros. Será criado um lugar de chefe de unidade ao nível da cultura, colocados cinco técnicos superiores e um assistente técnico na área da construção civil.
Algumas das contratações, nomeadamente de operacionais de acção educativa e os trabalhadores afectos ao gabinete de reabilitação urbana, terão comparticipações da DREL e de fundos comunitários.
Esta proposta foi aprovada apenas com o voto favorável do PSD. O CDS-PP, o PS e a CDU votaram contra e do MVC, Edgar Ximenes absteve-se e o seu colega de bancada, Emanuel Pontes, não participou na votação por ser funcionário camarário.
O deputado socialista Manuel Nunes reconheceu que a autarquia tinha défice de funcionários e destacou o facto deste Orçamento de Estado ter permitido à Câmara colmatar essas falhas. “Esta medida, a ser aprovada, permitirá facilitar a vida a muitos funcionários das Caldas que faziam o trabalho por dois”, disse, colocando de seguida várias questões relativamente ao procedimento dos concursos.
Manuel Nunes disse ainda que este não é o modelo defendido pelo PS, que teria mais departamentos e daria mais importância ao plano estratégico, unidade de acção social, educação, cultura, desporto e turismo.
Também João Diniz, do CDS-PP, se congratulou pelo executivo mostrar intenção em reforçar os seus quadros, mas entende que a resposta que a autarquia dá não é eficiente. Considera que antes de se iniciarem os procedimentos de contratação, se deveria garantir o seu “melhor enquadramento funcional e sobretudo a eficiência dos respectivos processos”.
Apesar de estar de acordo que se contrate mais gente, Vítor Fernandes (CDU) votou contra, mostrando assim o seu desagrado pelo facto dos documentos terem sido entregues no próprio dia e por entender que este tem que ser um processo transparente.
Já o deputado do MVC, Edgar Ximenes, absteve-se por entender que o organigrama apresentado pela autarquia deveria ser mais completo. “Tem que deixar transparecer uma visão estratégica e não ser apenas o resultado automático da contratação ou da criação de determinados lugares na Câmara ou serviços”, disse.
De acordo com Tinta Ferreira, o objectivo desta medida é colmatar a falta de pessoal em alguns sectores. O autarca disse também – em resposta a Manuel Nunes – que o governo actual não alterou nada em termos de capacidade de contratação e que a Câmara continua com as limitações para contratação de chefias. No caso dos serviços municipalizados apenas podem contratar chefes de divisão e têm as “chefias todas esgotadas”, disse o autarca, acrescentando que a Câmara pode contratar pela sua boa situação de despesa com pessoal.
Tinta Ferreira realçou ainda que as Caldas é das cinco câmaras do país com menor custo com pessoal por habitante.
CDS-PP critica sessões do Plano Estratégico
O deputado centrista João Diniz queixou-se do arrastar de pontos na ordem de trabalhos e pediu ao presidente da mesa, Lalanda Ribeiro, para garantir o mais célere tratamento aos temas que constam na ordem de trabalhos.
O mesmo deputado falou sobre o Plano Estratégico para as Caldas, que considera ser uma peça base de gestão e que, por isso, é fundamental que todas as forças vivas do concelho tenham a mais ampla participação possível e que o resultado final reflicta realmente a visão dos munícipes quanto ao futuro.
João Diniz deixou uma critica às sessões de debate público promovidas pela Câmara e pela empresa Augusto Mateus Associados, responsável pelo estudo. Diz que lhe pareceu que se estava a perspectivar a lista das obras que a Câmara tem de realizar nos próximos anos e não realmente o plano estratégico e criticou os demorados comentários iniciais, por elementos da empresa de Augusto Mateus, onde a forma contou mais do que o conteúdo.
O deputado centrista disse não colocar em causa a competência de quem faz o estudo, mas que suspeita que a qualidade do produto final estará “muito dependente” do nível de exigência que todos saibam colocar no projecto. “Sejamos então o mais exigentes possível e não nos deixemos parolamente intimidar pelo valor científico e técnico dos nossos interlocutores”, pediu, adiantando que as sessões realizadas estiveram longe de permitir o debate de ideias, pois o público não teve o tempo necessário para isso.
A deputada Filomena Rodrigues (PSD) refutou as criticas do seu colega do CDS-PP, referindo que os vários temas foram postos a debate e que as intervenções feitas contribuíram, e em muito, para discussão do que possa vir a ser o plano estratégico das Caldas. “Só não interveio quem não quis”, disse, acrescentando que houve a oportunidade para quem não concordava poder mostrar a sua discordância com a metodologia. “Deixar passar o acontecimento para depois vir aqui dizer que aquilo não cumpriu os objectivos não me parece correcto, era lá que isso devia ter sido revertido”, concluiu.
João Diniz (CDS-PP) voltou a intervir para esclarecer que entende que é na Assembleia Municipal e perante o presidente da Câmara que a questão deve ser levantada.
Tinta Ferreira explicou que escolheram Augusto Mateus por ser uma empresa com créditos firmados na área e que foi a própria Câmara que lhes pediu para fazer três sessões públicas, permitindo um clima de participação pública previamente à elaboração do plano estratégico.
PS quer conhecer projectos do executivo
O deputado socialista, Jaime Neto, sugeriu à Câmara que se candidate à programação cultural em rede, cujo concurso decorre até 31 de Agosto e tem uma dotação financeira de cinco milhões de euros. No que respeita ao apoio comunitário obtido com o PEDU – Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano, o deputado questionou a Câmara sobre a disparidade ao nível dos financiamentos, nomeadamente entre as Caldas e Torres Vedras, que tem quase o dobro do valor, 5,3 milhões e 9,3 milhões de euros, respectivamente, de comparticipação comunitária para os projectos. “Não podemos aceitar que se considere esta Assembleia Municipal apenas como uma conservatória do registo político das actividades da Câmara, em que nós só tomamos conhecimento quanto aparece tudo já feito e sem uma discussão prévia”, afirmou, referindo-se ao PEDU.
Jaime Neto quis também saber informações sobre o PAMUS – Plano de Acção de Mobilidade Urbana Sustentável – e pediu para que este fosse apresentado à Assembleia. Questionou ainda o executivo sobre as propostas que ele contem e se entre elas estão as apresentadas pelo PS, nomeadamente o Plano Municipal de Mobilidade Ciclável, que visa a articulação das ciclovias a implementar nas Caldas e Óbidos, e a implementação de zonas 30 em todas as ruas do concelho onde se encontram escolas e que foi aprovada em Assembleia Municipal.
Emanuel Pontes, do MVC, interpelou o presidente da Câmara sobre o projecto para a frente lagunar (com a requalificação da Avenida do Mar e da zona envolvente ao cais), lembrando que este há seis meses lhe disse que estava para breve. Tinta Ferreira explicou-lhe que a lista com os concorrentes será entretanto colocada na plataforma da autarquia.
Em resposta ao deputado Jaime Neto, o presidente da Câmara informou que o PAMUS é elaborado pela OesteCIM com os contributos dos vários municípios. A nível interno a autarquia irá abrir um concurso público para o plano de mobilidade ao nível das Caldas e entende que é nesse âmbito que têm cabimento as propostas do PS.
Referindo-se aos valores atribuídos aos PEDU, explicou que estes tiveram em consideração aspectos como apoios obtidos no quadro comunitário anterior, e a área do concelho e população, entre outros. O autarca disse não ficar nada incomodado com o que os outros conseguem e afirmou que as Caldas viu aprovadas todas as suas propostas, à excepção da reabilitação da Biblioteca Municipal porque ficava fora do perímetro da Área de Regeneração Urbana. Explicou ainda que têm várias candidaturas a fundos comunitários que, se forem aprovadas, atingem uma verba próxima dos 23 milhões de euros.
O deputado comunista, Vítor Fernandes, voltou a mostrar a sua preocupação com o CHO, pois não vê arrancar as obras nas urgências nem serem recuperadas as valências que o hospital caldense já teve.
Merece-lhe também preocupação a segunda fase de intervenção na Lagoa de Óbidos e a linha do Oeste, cujas intervenções não avançam.
Paulo Espírito Santo (PSD), realçou a “coragem” da autarquia em fazer a Feira dos Frutos nos moldes em que está pensada, destacando o seu envolvimento nacional. Cumprimentou também a população do Nadadouro pela recolha de lixo nas margens da Lagoa e disse que é notório que nos últimos anos se vem a verificar cada vez menos dejectos e lixos ali depositados.
Nesta reunião foram aprovados, por unanimidade, os votos de louvor apresentados pelo PS ao Acrotamp Clube das Caldas pelos resultados alcançados, Clube de Pentatlo Moderno das Caldas pelo título alcançado a nível nacional, e aos Pimpões, também pelos resultados obtidos ao nível da natação.
O ex-presidente da Câmara, Fernando Costa, defende a criação de um grande museu nos Pavilhões do Parque | FÁTIMA FERREIRA
O investigador Hélder Luíz Santos apresentou o estudo europeu que envolveu jovens caldenses | FÁTIMA FERREIRA
João Calvete, do grupo GPS, disse que se soubesse que estavam perante uma “sentença de morte” não teriam vindo para as Caldas | FÁTIMA FERREIRA
Recusaram fazer a guerra colonial e partiram para os países europeus democráticos. Grande parte organizou-se em comités que por vezes até eram rivais, e muitos aderiram a movimentos de extrema esquerda (quase todos maoístas). Depois do 25 de Abril uma grande parte regressou a Portugal. Pacheco Pereira diz que esta foi uma experiência geracional que marcou o país e sem a qual Portugal não seria aquilo que é hoje.
“A geração que está neste livro é muitas vezes só conhecida pela política, mas o seu impacto na vida social e cultural portuguesa foi muito grande”. O livro a que Pacheco Pereira alude chama-se “Exílios – Testemunhos de exilados e desertores portugueses na Europa (1961-1974)” e foi apresentado na passada sexta-feira, 24 de Junho, no CCC, perante cerca de uma centena de pessoas. Nele se contam 22 histórias de exílio, vividos em França, Bélgica, Holanda, Suécia e noutros países europeus.
O historiador Pacheco Pereira diz que a sua influência na sociedade portuguesa foi muito grande quando puderam regressar após o 25 de Abril Tiveram impacto na universidade, nas artes, na cultura, na medicina e, claro, também na política. E diz que vieram ajudar a preencher alguns vazios na própria academia. Antes a História acabava na Revolução Francesa e a Filosofia morria com Kant. Estes ex-exilados que estudaram nas universidades europeias acabaram “por trazer coisas que não haviam cá”.
Do ponto de vista político, apesar da disseminação de grupos de extrema esquerda em que militavam, tinham, contudo, em comum uma atitude pouco reverencial em relação à União Soviética e ao PCP. Tomaram posição contra a invasão da Checoslováquia, contra a guerra do Vietname e sobre as experiências socialistas nos países do terceiro mundo.
Esta “inteligentzia”, que mais tarde teria um papel importantíssimo no Portugal democrático, tinha no entanto uma militância política revolucionária que hoje, 40 anos depois, parece anedótica porque cheia de episódios pitorescos.
A maioria eram maoístas e Pacheco Pereira, enquanto historiador, fez notar que este livro espelhava uma realidade parcial dos exilados porque é constituído praticamente pelo grupo dos maoístas (movimento ao qual ele próprio pertenceu na sua juventude), sendo o mosaico da extrema esquerda naquela época mais amplo, se juntarmos as tendências trotskistas, comunistas e até anarquistas.
(Fernando Cardoso, presidente da Associação de Exilados Portugueses, explicaria depois que limitou-se a reconstruir a rede de amigos daquela época, desafiando contudo a que “mais mil livros floresçam” sobre este assunto).
Organizados em comités de apoio aos exilados e desertores, estes grupos por vezes entravam em concorrência e competiam entre si através dos seus jornais e boletins escritos em português e editados em vários países europeus.
Para muitos a militância política foi uma questão que só se colocou nos países de acolhimento. Em Portugal, no momento de partir, o que estava em causa era a recusa em fazer uma guerra que consideravam injusta. Pacheco Pereira referiu-se a “um conhecido historiador de direita” que afirmou que naquela altura a escolha do exílio ou da prisão era uma “opção de carreira” com vista a colher frutos no futuro regime democrático.
Classificando tal visão de “absurda”, criticou “a linguagem empresarial e de marketing” associada à palavra “carreira” e explicou que naquela altura ninguém sabia o que iria acontecer no dia seguinte. “Não se sabia que ia haver uma revolução, a ditadura portuguesa foi a mais longa da Europa Ocidental, maior que a da Espanha, maior que a da Grécia, maior até que as da América Latina porque foi ininterrupta. Portanto, a opção pelo exílio ou pela clandestinidade, eram opções de vida e implicavam sofrimento, separação, dor”. Muitos tiveram que se sujeitar a empregos pouco qualificados e mal pagos, embora seja certo que outros tinham o dinheiro que os pais lhes enviavam e puderam até estudar na universidade.
Mas o sofrimento do exílio, a saudade, a incerteza do futuro eram comum a todos.
Contudo, diz Pacheco Pereira, a opção de recusar a guerra e partir “não era complicada do ponto de vista moral para quem era politizado”.
O conflito entre a memória e os documentos
O orador falou ainda do “conflito” entre a memória e os documentos. A memória é selectiva e é reconstruída, por vezes inconscientemente, pelos participantes dos momentos históricos. Por vezes não coincide com o que está nos documentos, mas compete ao historiador saber usar ambas as fontes para tentar obter a verdade. Ele próprio contou que iria pesquisar página a página informações neste livro para introduzir na sua extensa base de dados.
Questionado pela Gazeta das Caldas se 40 anos era um tempo suficiente para dar à luz um livro com estas memórias, Pacheco Pereira disse que sim, que até já poderia ter sido publicado há 20 anos porque as organizações em que militavam os seus autores desapareceram e eles próprios seguiram os seus caminhos.
O próprio discurso do orador foi muito voltado para dentro, para os antigos correligionários maoístas, partindo do princípio de que estes seriam a maioria na assistência.
Mas não eram, apesar de, na fase de debate, acabarem por só usar da palavra os próprios co-autores do livro ou outros ex-desertores.
Carlos Ribeiro, um caldense que partiu nos anos 60 para a França, contou como era “sedutor” militar na altura na OCMLP (Organização Comunista Marxista-Leninista Portuguesa), associada ao jornal Grito do Povo, devido à vitalidade e às dinâmicas criadas pelos membros daquela estrutura.
Fortunato Cardeira, que era oficial do Exército quando desertou para a Suécia, falou na emoção com que muitos ex-exilados acolheram este livro e saudou o facto de finalmente haver uma associação de exilados políticos portugueses.
Alberto Veríssimo contou como desertou da Marinha Portuguesa quando a fragata em que estava embarcado atracou em Copenhaga e este se pôs em fuga para a Suécia.
Fernando Varela contou histórias pitorescas das redes de falsificações de documentos e da facilidade com que, em Portugal, se corrompiam funcionários para obter favores. E Ana Rosenheim falou no papel esquecido das mulheres nas histórias de exílio, à qual Pacheco Pereira respondeu que, efectivamente, “as organizações de extrema esquerda e o PCP eram machistas. Ponto”.
Isabel Xavier, Fernando Cardoso, Pacheco Pereira e Rui Mota falaram para uma assistência relativamente homogénea, que se identificou com as intervenções e as memórias nelas relatadas | CARLOS CIPRIANO
Comentário Entre a liberdade individual e o colectivismo totalitário
Na interessante apresentação do simpático livro “Exílos” lançou Pacheco Pereira uma reflexão que ficou perdida no ar e que merece ser aqui retida para aprofundamento, e para ilustrar a nossa história e iluminar o nosso presente.
A deserção, como a objecção de consciência, é/são um acto individual, profundamente inscrito na lógica liberal e também libertária.
Para o Partido Comunista Português, assim como toda a então extrema esquerda (desde logo para a direita era óbvio) a deserção estava longe, muito longe do programa político da revolução democrática nacional, nenhum partido, ou grupúsculo (ainda havia a mitologia soviética da insurreição de soldados e marinheiros, que tinham que lá… estar!), a tinha no seu programa, ou sequer imaginava que os seus militantes pudessem desertar.
A deserção era vista como uma atitude “pequeno burguesa” e individualista que não contribuía para a causa, que passava pela luta dentro do exército colonial, matando ou não os rebeldes… guerrilheiros
As forças armadas e a nação são aliás centrais no épico comunista e da extrema esquerda que tem, ainda hoje, dificuldades em defender políticas de direitos humanos e de defesa do Estado de direito, como sempre defendeu a Amnistia Internacional, que foi também referida nesta sessão.
A deserção, assim como depois do 25 de Abril a regulamentação da objecção de consciência (já para não falar do fim do serviço militar obrigatório), sempre foram anatemizadas pelas forças do colectivismo, em nome da defesa da mitologia e de uma épica nacional, nas fronteiras, hoje e sempre, do nacionalismo mais balofo.
Teria sido e será útil discutir, e a evolução do pensamento de Pacheco Pereira é desde logo uma referência, como a generalidade dos desertores, no quadro do individualismo que representou a sua atitude, ajudaram a moldar a evolução da nossa democracia, e nessa a recusa de caminhos que contrariam o direito e a liberdade individual no quadro da sociedade organizada.
Tema para a continuação do combate. “Ce n’est qu’un debout”, de pé ou sentados… continuemos o caminhar. António Eloy
As indicações geográficas protegidas servem, além de informar o consumidor sobre a origem ou a proveniência de um produto, para garantir que o mesmo tenha sido colhido na zona que reúne determinadas características e qualidades específicas.
Ora, ao desempenharem esta função de garantia da qualidade, as indicações geográficas ou denominações de origem, inspiram confiança no consumidor e, nessa medida, podem ser um instrumento muito valioso ao serviço das regiões conferindo um valor acrescido às suas marcas.
Este processo passa inicialmente por Portugal podendo posteriormente ser submetido às instâncias europeias, alargando nesse caso a abrangência desta distinção a nível internacional, potenciando a importância daquele reconhecimento.
Foi o que aconteceu – e que agora está reconhecido no Jornal Oficial da União Europeia – com o estatuto de Indicação Geográfica Protegida europeia à ginja de Óbidos e Alcobaça, reconhecendo para efeito a região onde este fruto é cultivado, entre a Serra dos Candeeiros e o Oceano Atlântico.
Este facto, que obriga a um conjunto prolongado de diligências burocráticas junto de entidades nacionais e europeias, culminou esta semana, premiando o esforço desenvolvido pelos concelhos de Óbidos e Alcobaça.
Em nome de ambos os concelhos, onde se produz tradicionalmente aquele precioso fruto, hoje um emblema da região e que serve para produzir o néctar com o mesmo nome – e que também pretendem reconhecer a nível internacional -, Zé Povinho felicita ambos os presidentes das autarquias e exorta outros a terem a mesma diligência para outros produtos, agrícolas ou não, que definem as regiões pelas boas razões.
Há líderes políticos que ficam na História por atitudes e decisões erradas, que produzem resultados irreversíveis, pelo menos num longo período.
Há dois anos David Cameron, numa jogada para impedir a ascensão da linha mais radical do seu partido e ajudar à vitória nas eleições para o Parlamento Britânico, inventou o referendo para a saída da União Europeia.
Prometeu-o num prazo de dois anos e neste período andou a contestar a Europa Unida e a desmanchar normas europeias para que não fossem aplicadas no Reino Unido, caso este se mantivesse.
A seu lado, e invocando argumentos falaciosos e muitos falsos, os seus companheiros de contestação à UE, Nigel Farage e Boris Johnson, ainda mais radicalizados, foram criando um clima no Reino Unido, especialmente ouvido em Inglaterra e País de Gales, que convenceram os mais conservadores e tementes da putativa “ameaça” europeia, de que ficar na UE era um erro clamoroso. Entre os seus apoiantes, estiveram os mais idosos, cuja permanência ou saída da UE, não vai provavelmente prejudicar ou beneficiar muito, pois no tempo de vida útil – por mais anos que vivam – o impacto não será grande para além deste sobressalto inicial.
Já os jovens e os activos mais novos, ou seja, a geração Erasmus, é que irão sofrer mais com este isolamento do continente europeu.
Nos últimos dias o desacreditado líder conservador Cameron tentou ainda inverter o discurso, com uma argumentação incoerente para quem dizia o contrário antes, levando ao inevitável Brexit. Depois veio a saber-se, através de estudos de opinião, que uma parte considerável da população britânica votou irresponsável e quixotecamente julgando que o Brexit não vencia e que se tratava apenas de uma ameaça velada, só para assustar os restantes europeus.
Agora, perante a ameaça de derrocada da sua economia e da provável partida da Escócia e Irlanda do Reino Unido, tentam atrasar o processo e invocam factos acessórios, para não se concretizar imediatamente a saída.
O primeiro-ministro Cameron vai ficar pelo caminho, estando o seu nome a partir de agora associado a mais um sobressalto europeu, do mesmo nível da queda do muro de Berlim, ficando para a história com h minúsculo, como o exemplo de um idiota útil para os extremistas e xenófobos do seu país.
O resultado do referendo no Reino Unido deixou perplexos a maioria dos europeus e as suas ondas de choque continuam a sentir-se uma semana depois dada a insegurança e incertezas que este veio trazer aos destinos da União Europeia. Gazeta das Caldas ouviu alguns dos seus assinantes que vivem no Reino Unido e alguns súbditos de Sua Majestade que vivem na nossa região. Como seria de esperar, nem uns nem outros estão satisfeitos com este resultado.
“As motivações dos eleitores que estiveram por detrás deste resultado revelaram-se com uma clareza assustadora”
Sara Machado
Vinte e quatro de Junho será para sempre lembrado como a data em que o meu mundo, e o de todos aqueles que sempre se consideraram europeus acima de quaisquer sentimentos nacionalistas ultrapassados, se desmoronou. A notícia da vitória do Brexit foi recebida com um misto de incredulidade, indignação e desespero, e o anúncio da demissão voluntária do primeiro ministro causou perplexidade.
O dia passou-se numa nuvem de lágrimas e confusão. Contudo, os contornos das verdadeiras motivações dos eleitores que estiveram por detrás deste resultado revelaram-se com uma clareza assustadora.
Os seus votos demonstram, a meu ver :
– A ignorância quanto ao poder que o seu voto realmente tem. Muitos destes já admitiram que nunca pensaram que o seu voto viesse a ter tanto impacto no resultado final do Brexit.
– A ignorância quanto ao que a UE realmente é. O papel que o Reino Unido desempenha nesse contexto: a ideia falaciosa de que não é um país soberano e de que as suas políticas são praticamente ditadas por Bruxelas.
– A ignorância de uma classe de britânicos ‘brancos’ que vivem dos subsídios e que têm medo que a UE lhes vá roubar esses subsídios sociais e criar desemprego.
– A ignorância quanto ao impacto das ajudas dos fundos comunitários nas suas comunidades, particularmente no País de Gales que votou em número elevado para sair. Os efeitos do declínio da indústria do aço foram largamente mitigados pelos mesmos.
– A vitória de uma campanha enganadora, durante a qual números sem qualquer fundamento foram anunciados a “torto e a direito” sem serem comprovados, nomeadamente as contribuições para a UE e a forma como estes valores foram aplicados. Também foram feitas muitas promessas quanto ao destino que esses valores iriam ter no país, caso essas mesmas contribuições cessassem. Afirmações e promessas que diversos “brexiters” já se apressaram a desmentir.
– O descontentamento com as políticas de governos consecutivos que parecem estar cada vez mais desligadas da classe média. O governo, e aqueles que o cabeceiam, são vistos por muitos como um ‘boys club’ elitista formado por indivíduos que vieram de backgrounds priveligiados e que agora, em Westminster, continuam a apoiar os mais ricos;
– A ‘vingança’ daqueles que votaram no referendo em 1975 e que se sentiram ludibriados pelas promessas dos benefícios político-económicos que a adesāo a UE iria ter;
– A expressão das tensões sociais decorrentes, em grande parte, da crise económica e de um crescente racismo e xenofobia em relação aos imigrantes.
A população imigrante da Ásia e Médio-Oriente são alvos frequentes, assim como uma das maiores comunidades de imigrantes: os polacos. Pessoalmente, não me parece que a comunidade portuguesa seja vítima deste tipo de hostilidade. Talvez devido a uma história partilhada, ou porque geralmente os portugueses aqui sabem falar bem inglês, são bem qualificados e integram-se facilmente na vida social e cultural britânicas. Ainda assim, é inevitável sentirmo-nos de alguma forma rejeitados por esta decisão.
Finalmente, e tendo em conta as últimas notícias, não me parece que a saída se vá realizar. O Cameron, que anteriormente tinha garantido que o Artigo 50 do Tratado de Lisboa iria ser accionado assim que aos resultados de apoio à saída fossem anunciados, decidiu que não era o homem para tal tarefa. Os restantes Brexiters, incluindo o Boris Johnson, também já vieram dizer que não havia pressa nenhuma para começar o processo de negociação da saída. Parece-me que eles aperceberam-se que:
– no caso do Cameron, a promessa eleitoral de um referendo sobre esta matéria foi um erro colossal, cometendo consequentemente suicídio politico e deixando atrás de si em legado desastroso;
– as consequências de uma saída, os problemas que esta levanta e as futuras ramificações, das quais o eleitorado não me parece de todo estar ciente, são graves e resultarão numa enorme instabilidade política e económica da qual, não sei bem quem vai beneficiar.
Em conclusão, o resultado deste referendo é produto de uma votação de protesto que revelou uma malaise e um descontentamento social e político que não deve ser ignorado nem pelos políticos britânicos, e muito menos pelos restantes estados-membro da UE. Na minha opinião, esta é acima de tudo, uma oportunidade para uma renovação e reestruturação da União Europeia, pois este é um projecto que, apesar dos seus defeitos, continua a ser um forum e um modelo relevante na cena política e económica internacionais. Agora, é esperar para ver.
Sara Machado
“O Brexit aconteceu e a Inglaterra parece estar virada ao contrário”
Gonçalo Ferreira
Estou a viver em Inglaterra hà três anos e três meses com a minha namorada Ana Sofia.
Realmente o Brexit veio trazer alguma agitação por estes lados. Qual o nosso espanto quando na passada madrugada de sexta-feira, pelas 4h00, percebemos que a alta percentagem a votar “Leave” já dava este resultado quase como certo. A partir daí uma mistura de sentimentos e preocupações fizeram-se sentir, uma vez que somos cidadãos europeus e tememos pela incerteza que esta decisão nos poderá trazer.
Em parte sentíamos que este resultado poderia acontecer. Contudo, os nossos colegas de trabalho faziam-nos acreditar na permanência do Reino Unido na União Europeia. A verdade é que o Brexit aconteceu e que a partir daí a Inglaterra parece estar virada ao contrário. De acordo com os noticiários, é frustrante perceber que muitas das pessoas que votaram “Leave” não estavam conscientes do que realmente isso poderia significar para o país. Deixa-nos bastante desiludidos perceber que um dos motivos do Brexit tem que ver com a emigração, quando este país precisa de nós, emigrantes, para poder colmatar as suas necessidades.
Em conversa com os nossos colegas enfermeiros portugueses sobre toda esta situação, conseguimos sentir a revolta de alguns e a frustração por parte de outros. Muitos de nós, já pais, e com projetos de vida neste país, neste momento sentimos que tudo pode desabar. Não é certo o que poderá vir a acontecer; resta-nos apenas aguardar para saber o que o futuro reserva para nós e para este país.
Por parte do hospital em que nos encontramos, recebemos todos um email da Diretora Executiva com algumas palavras de apoio, tentando demonstrar que irão fazer de tudo para salvaguardar os nossos direitos.
Enquanto jovens emigrantes a primeira dificuldade já foi ultrapassada, no momento em que deixámos o nosso país e a nossa família. Sabemos que o nosso lar estará sempre pronto para nos receber e que o mundo estará também de portas abertas com novas oportunidades.
Gonçalo Ferreira
“Não estou receoso, mas apreensivo”
Estou no Reino Unido há perto de 10 anos com a minha esposa. O meu filho veio ter comigo há três anos e todos estamos a trabalhar. Quando vim para o Reino Unido, estive em Londres a trabalhar com a minha esposa durante quatro meses a limpar escritórios, o qual em conjunto recebíamos 400 libras por mês, e nunca quis receber benefícios, apesar de ter direito a eles devido ao meu ordenado. Mas eu vim para este país para trabalhar e não para receber benefícios.
Por duas vezes, há dois anos atrás, fui saber como pedir permanência neste país, mas disseram que não tinha que o fazer porque pertencia a União Europeia. Agora neste momento não sabemos o que fazer porque as leis estão feitas com este país ainda a pertencer à União Europeia. Nem os políticos sabem o que fazer. Sei que o Reino Unido no princípio vai sofrer um pouco e que vamos ser afectados, mas o meu sentimento é que este pais vai dar a volta e sinto que irá ser uma nova Suíça, no qual os mercados, os ricos deste mundo vão confiar aqui o seu dinheiro porque não estou a ver os americanos e outros a meterem dinheiro na Alemanha, a qual é rei absoluto da Europa. Acredito que tudo se vai resolver e não tenho receio porque estou aqui há 10 anos a trabalhar e com a minha idade não farão nada. Mas tenho mais trabalho para ir tratar da papelada para ter o visto de permanêcia, que antes não havia necessidade. Não estou receoso, mas apreensivo.
Mário Mártires
“Nem é bom para a Inglaterra nem é bom para Portugal”
“Votei. Mas perdemos, não é?”. Ao telefone desde Romsey (Southampton), Gentil Costa, 43 anos, disse à Gazeta das Caldasque agora não sabe o que vai acontecer. Ninguém sabe. Mas há uma pequena certeza que este caldense, assinante do nosso jornal, tem: “isto nem é bom para a Inglaterra nem é bom para Portugal”. E não precisa de grandes reflexões políticas para concluir que “todos nós precisamos de ajuda e a Inglaterra sem a União Europeia não é nada”.
Gentil Costa diz que a palavra de ordem agora é “esperar para ver” e que esse é um estado de espírito seguido pela maioria dos portugueses no Reino Unido. Aliás, segundo nos conta, a maioria dos seus conterrâneos que puderam votar no referendo, fizeram-no contra a saída do país do espaço político europeu.
Empresário, dono de uma pequena empresa de jardinagem, mas reformado há dois anos, Gentil Costa passa temporadas nas Caldas e na Inglaterra. Para já, diz que a desvalorização brutal da libra lhe é muito prejudicial. “Se eu agora quisesse vender aqui a minha casa perdia dinheiro”, remata. C.C.
“Não acredito que nenhum dos ingleses que vivem em Portugal tenham votado na saída”
Pamela Patten: “um segundo referendo seria um desperdício de dinheiro” | DR
Sheila Chettle: “Não queria acreditar. Só me apetecia chorar.” | DR
A comunidade inglesa que vive na região tem vivido a saída do Reino Unido da União Europeia com grande intensidade, pronunciando-se activamente nas redes sociais, partilhando notícias sobre o Brexit e as suas consequências, bem como sobre o clima de tensão e instabilidade que paira no Reino Unido.
Sheila Chettle, 85 anos, vive há 25 em Portugal (e há 11 nas Caldas) e, por isso mesmo não teve autorização para votar no referendo, já que os ingleses que vivem há mais de 15 anos fora do seu país não têm esse direito. Mas se tivesse votado, a sua opção era clara: contra a saída.
Na sexta-feira passada, quando acordou, Sheila Chettle deparou-se com o resultado que, na sua opinião, foi desastroso. “Não queria acreditar. Só me apetecia chorar”, contou à Gazeta das Caldas, adiantando que “não acredito que nenhum dos ingleses que vivem em Portugal tenham votado na saída”. Dos amigos com quem contactou e que também vivem no nosso país, esta inglesa tem conhecimento que todos votaram a favor da permanência do Reino Unido na UE.
Em sua opinião, o sucesso dos “brexiters” deveu-se ao sentimento de insegurança criado entre a população. “Tentaram convencer as pessoas que os imigrantes estavam a ameaçar o seu modo de vida e que a Grã-Bretanha tinha representantes sem rosto na União Europeia”, disse. Além disso, “convenceram que o dinheiro pago à UE serviria antes para ser aplicado no Serviço Nacional de Saúde do país, o que fez com que a classe operária acreditasse que fora da UE seriam mais independentes e haveria menor poder das elites”, acrescentou.
Para Pamela E Patten os motivos que levaram à vitória da saída prendem-se com razões xenófobas. “Estou muito triste com as notícias que têm sido publicadas pela imprensa que relatam casos de descriminação a pessoas de cor, asiáticos e polacos”, contou.
A inglesa, de 71 anos e que vive nas Caldas há uma década – e exerceu o seu voto por correio – acredita que as pessoas que votaram “out” esqueceram o quadro global da história do Reino Unido e não mediram as consequências que essa decisão acarretaria no futuro. Pamela E Patten recorda os incentivos que foram dados após a Segunda Guerra Mundial a países como a Polónia e ex-colónias da Commonweath para que os seus cidadãos viessem viver e trabalhar para o Reino Unido e ajudassem a recuperar o país.
Tanto Sheila Chettle como Pamela E Patten temem o futuro do Reino Unido fora da UE. Se por um lado existe o risco de ruptura entre os quatro países do Reino Unido (tendo em conta que na Escócia e Irlanda do Norte a maioria pronunciou-se a favor da permanência), as duas inglesas também receiam o crescimento dos comportamentos racistas e o aumento do custo de vida.
DESVALORIZAÇÃO DA LIBRA
“Um dos resultados imediatos foi a desvalorização da libra, em breve as importações serão mais caras e acredito que muitos ingleses não vão ser capazes de pagar umas boas férias no estrangeiro como se têm acostumado”, frisou Sheila Chettle, ironizando que as únicas personalidades políticas que deram as boas-vindas ao resultado do referendo foram Donald Trump e Vladimir Putin.
Pamela E Patten salientou ainda o facto que muitos dos britânicos reformados a viver no estrangeiro – como é o seu caso – verão diminuídas as suas reformas, uma vez que estas são recebidas em libras e a moeda britânica está desvalorizada. Na opinião desta inglesa, um segundo referendo “será um desperdício de dinheiro”. Já Sheila Chettle assinou a petição pelo segundo referendo, “embora não saiba ao certo qual a sua utilidade nem se este poderá efectivamente contribuir para a reversão desta decisão”. M.B.R.
João dos Santos tomou posse como director da ESAD na sexta-feira, dia 24 de Junho, na sequência das eleições para aquele cargo que tiveram lugar a 19 de Maio. Simultaneamente tomaram posse como subdirectores os docentes Samuel Rama e João Mateus. Mas, mais uma vez, o candidato António Delgado (que só obteve três votos em 10) voltou a impugnar o acto eleitoral, tal como já havia feito por duas vezes em eleições anteriores, durante os quais tem interposto vários recursos em batalhas judiciais que parecem não ter fim.
Nuno Mangas diz que seria importante “responsabilizar” quem tem tentado insistentemente impugnar as eleições na ESAD | NATACHA NARCISO
É a terceira vez que António Delgado, professor de Artes Plásticas, natural e residente em Alcobaça, procura impugnar o acto eleitoral para o qual também concorreu. Fê-lo em 2014 e conseguiu que o acto fosse repetido no ano seguinte, já que um dos outros candidatos era também membro do Conselho de Representantes. O acto repetiu-se em 2015, tendo Rodrigo Silva voltado a ganhar e Delgado voltou a impugnar. Agora, chegados a 2016, o mesmo candidato – que obteve três votos em dez -, volta a impugnar a eleição. As razões aludidas são quase sempre de ordem processual. Mas o próprio optou por não responder às questões da Gazeta das Caldas, remetendo qualquer resposta para os seus advogados. Agora é representado pelo Gabinete de Advogados Garcia Pereira, junto de quem Gazeta das Caldasprocurou obter esclarecimentos sobre esta situação. Mas até à hora de fecho desta edição, não obteve respostas.
Questionado sobre a impugnação de António Delgado, o novo director, João dos Santos, escusou-se a comentar. Por sua vez, Nuno Mangas, presidente do IPL, disse que o processo agora intentado não tem efeitos suspensivos, pelo que a tomada de posse foi marcada e teve lugar a 24 de Junho.
O presidente do IPL diz que o facto de impugnar eleições ser uma atitude recorrente por parte de António Delgado “cria um clima de suspeição e não contribui para o bom nome da Escola nem da sua direcção” nem de todos os profissionais e alunos da ESAD. “Felizmente, em regra, as decisões dos tribunais têm demonstrado que aquelas acusações são infundadas e a ESAD.CR tem argumentos sérios em matéria científica, pedagógica e artística que lhe permitem ultrapassar estas situações sem grandes prejuízos”, afirmou.
No entanto, há sempre alguns prejuízos e por isso Nuno Mangas diz que “seria importante também responsabilizar quem os promove, em especial sendo provado, como tem sido, que os motivos são infundados”.
AS PRIORIDADES DE JOÃO SANTOS
A tomada de posse do novo director decorreu sem incidentes. João Santos definiu como prioridades o estabelecimento das condições necessárias para o arranque do ano lectivo. Referiu que está em curso o processo de acreditação dos cursos da ESAD e ainda da qualificação do seu corpo docente. A nova direcção vai dar atenção ao segundo ciclo de estudos, estudando a possibilidade de abrir mais mestrados na escola de artes caldense.
O novo director – que foi também coordenador do centro de investigação LIDA (Laboratório de Investigação em Design e Artes) – disse aos jornalistas que esta unidade vai trabalhar em conjunto com outras centros de investigação do IPL. Quer também apostar em novos equipamentos para a escola nas áreas de áudio e de vídeo e ainda tecnologias digitais.
João dos Santos gostaria também de criar na ESAD uma galeria interdisciplinar que junte as disciplinas onde se possa mostrar tudo o que se produz. “Seria um espaço no exterior, que permitisse aos alunos usufruir de uma pequena oficina”, afirmou.
Considera ainda que a ESAD tem com as Caldas uma relação informal forte que é estabelecida através dos alunos e uma outra, formal, através da realização de eventos, como a Molda, que fazem parte da Festa da Cerâmica e permitem maiores interacções entre todos. “Acho que a ligação entre a escola, a cidade e a região poderá ter um papel mais relevante”, disse o novo director que escolheu os docentes Samuel Rama (que foi director interino nos últimos dois meses e é ex-aluno da ESAD) e o caldense João Mateus, ambos doutorados pela Universidade de Valência, como seus sub-directores.
A bandeira azul já se encontra hasteada nas praias do Mar e da Lagoa, na Foz do Arelho. A vistoria foi realizada no passado dia 22 de Junho e logo depois içado o galardão que distingue estancias balneares que cumprem vários critérios de gestão ambiental, educação ambiental, informação, qualidade da água balnear, serviços e segurança dos utentes.
A praia da Lagoa é galardoada desde 2012 e a praia do Mar desde 1999.
[shc_shortcode class=”shc_mybox”]Nos mastros das duas praias está também hasteada a bandeira da acessibilidade, garantia de que estas têm condições de acesso para pessoas com mobilidade condicionada.
Está também prevista a colocação da bandeira de ouro da Quercus e a de QualityCoast, atribuída por um organismo da Comissão Europeia (EUCC- Coastal & Marine Union), que certifica a qualidade ambiental para um turismo sustentável.
Este ano, com o areal mais extenso e a uma cota mais alta, a praia do Mar conta com novas protecções, entre elas a sinalização junto à aberta para evitar que os mais incautos saltem para a água, prevenindo assim os acidentes.
A autarquia começou também a remover os passadiços de betão que existem no areal e a substituí-los por placas de borracha reciclada, com melhores condições para as pessoas circularem.
Para além das duas praias caldenses, foram distinguidas com a bandeira azul mais 23 praias do Oeste, entre elas S. Martinho do Porto, que no ano passado não constou da lista devido a uma nova directiva europeia que alterou os critérios das análises.
Ostentam também este galardão as praias Paredes de Vitória (Alcobaça), Nazaré, Baleal Norte e Baleal Sul, S. Bernardino, Cova de Alfarroba, Medão – Supertubos, Gamboa, Consolação (Peniche), Areia Branca, Areia Sul, Porto Dinheiro (Lourinhã), Santa Rita norte e sul, Navio, Mirante, Física, Centro – Santa Cruz, Formosa, Azul, Santa Helena e Pisão (Torres Vedras).[/shc_shortcode]
A rubrica semanal que a Gazeta das Caldas iniciou no dia 13 de Maio terminou na semana passada. Foram sete as bandas filarmónicas que viram parte da sua história recontada numa página deste jornal sob um olhar que cruzou o passado e o presente destes grupos musicais. Alternando entre os concelhos de Caldas e de Óbidos, a Banda Comércio e Indústria abriu a rubrica, seguindo-se a União Filarmónica de A-da-Gorda, a Sociedade Filarmónica de Alvorninha, a Sociedade Musical e Recreativa Obidense, a Sociedade Filarmónica Catarinense, a Sociedade Filarmónica e Recreativa Gaeirense e a Sociedade de Instrução Musical, Cultura e Recreio de A-dos-Francos. Embora cada uma bandas tenha a sua particularidade, é possível identificar uma série de pontos comuns a todas elas. O facto das primeiras formações serem exclusivamente constituídas por homens e actualmente os repertórios serem muito diversificados são apenas dois exemplos.
Foi em Santa Catarina, A-dos-Francos, Alvorninha e nas Gaeiras que se formaram as primeiras bandas filarmónicas. A primeira soma 124 anos e ganha a taça da mais velha e as restantes têm 110, 95 e 90 anos respectivamente. Embora a de Óbidos comemore este mês o 64º aniversário oficial, há registos de actuações desde 1885
As filarmónicas surgiram numa época em que não existiam televisões nem Internet, nem estavam ainda formados a maioria dos grupos desportivos destas localidades. Havia pouca (ou nenhuma) animação e a banda funcionava como um escape ao trabalho no campo (grande parte dos músicos trabalhava de enxada na mão). Enquanto actualmente as actuações decorrem ao fim-de-semana, naquela altura era normal que fossem marcadas para meio da semana: afinal compensava aos camponeses faltar ao trabalho porque se ganhava mais a tocar.
Neste tempo as estradas eram de terra batida, os instrumentos prateados, ia-se a pé para os ensaios, levava-se farnel para os serviços e bebia-se muito vinho. Os veteranos contam que antigamente as bandas eram conhecidas como os “velhos bêbedos” porque era frequente tocar-se mais uma hora por um garrafão de vinho e a média de idades rondava os 50 ou mais anos.
Às vezes a bucha azedava, quando as festas duravam dois dias e o calor estragava a comida. Também era frequente que nestes serviços os músicos ficassem a dormir em palheiros, nos autocarros ou… nem sequer dormissem! E sempre de farda vestida (embora os primeiros instrumentistas se apresentassem à civil).
Nos anos 60 e 70 a Guerra Colonial “roubou” muitos rapazes às bandas. Outros emigraram clandestinamente para França em busca de sonhos maiores. Estes dois fenómenos causaram a paragem de quase todas as filarmónicas de Caldas e Óbidos, que só retomaram a sua actividade depois do 25 de Abril, altura em que as mulheres e os mais jovens também começaram a ter lugar entre os instrumentistas.
Os primeiros maestros vinham das bandas militares e eram conhecidos pelo seu feitio intolerante. Ai do músico que ousasse dar a sua opinião sobre uma peça ou se levantasse da cadeira sem lhe pedir autorização.
Faz pouco tempo que a formação musical está acessível nas escolas – através do ensino articulado – e nas academias e conservatórios locais. Durante muitos anos quem queria seguir carreira de músico ou tinha meios para frequentar o Conservatório de Lisboa ou entrava para o Exército. Daí que os primeiros maestros fossem maioritariamente ex-militares.
Para trás ficaram ainda as rivalidades entre bandas do mesmo concelho.
Bandas mais jovens e com repertório diversificado
Se antes os mais novos dificilmente tinham lugar na banda, hoje a maioria das bandas é jovem e os mais velhos reformam-se mais cedo. Para garantir que chega “sangue novo” às bandas é preciso apostar nas Escolas de Música, de onde saem os novos músicos.
Todas as filarmónicas de Caldas e Óbidos ensinam gratuitamente, mas só Santa Catarina e Gaeiras é que investem em professores externos. Nas restantes localidades as aulas são dadas pelos maestros e músicos mais experientes (alguns profissionais). De notar uma evolução, tendo em conta que antes os maestros ensinavam todos os músicos de instrumentos diferentes.
Como actualmente os jovens são muito mais ocupados que antigamente – a escola é conciliada com a música entre outras actividades extracurriculares – e já existe televisão, internet e telemóveis, o grande desafio é conseguir manter os mais novos nas bandas. Para os motivar aposta-se em repertórios mais complexos e diversificados: já não se toca apenas a típica música das procissões e festas populares, mas também temas de filmes e arranjos de canções pop, rock e até heavy-metal. A música é menos pesada e mais ligeira.
Comuns são também as dificuldades financeiras. O preço elevado dos instrumentos (e respectivas reparações) assim como das fardas e a manutenção das sedes são as principais despesas, sendo que tanto os municípios de Caldas como Óbidos subsidiam as suas filarmónicas. Contudo, enquanto as obidenses recebem por igual (e contam com um espaço gratuito no Mercado Medieval, a sua maior fonte de receita), as quatro bandas caldenses recebem quantias diferentes. A Banda Comércio e Indústria é a mais apoiada financeiramente e Santa Catarina e Alvorninha as que ganham menos.
Em todas as bandas é comum encontrarem-se várias gerações familiares e namoros que muitas vezes acabam em casamentos. O convívio entre miúdos de 10 anos e veteranos de 70 é uma característica rara de encontrar hoje em dia noutro local senão nas filarmónicas.
Há mais bandas filarmónicas na região
O Círculo de Cultura Musical Bombarralense tem cerca de 10 valências e aposta nos intercâmbios
O Círculo de Cultura Musical Bombarralense (CCMB) foi fundado em 1979 e conta com cerca de 500 sócios e 10 valências (oito delas musicais). A sua origem esteve na banda “Música Velha”, mais conhecida por “Os Roufenhos”, formada em 1893 no Bombarral.
Curiosamente, a banda filarmónica foi o primeiro agrupamento do Círculo, que também inclui uma Orquestra clássica, o Grupo Coral Adulto e o Grupo Coral Infanto-Juvenil, o grupo Cottas Club Jazz Band, a West Europe Orchestra (que já acompanhou em concerto cantores como Luís Represas e Jorge Palma, preparando-se em Agosto para actuar com os Deolinda) e o Grupo de Cantares Populares “Os Mal Vestidos”. Frequentam a Escola de Música (que tem professores contratados) 40 alunos e a banda conta com 45 elementos (dos 12 aos 48 anos).
Dirigida pelo maestro Vitor Feitor, a filarmónica realiza 15 serviços anuais e regista no seu currículo vários intercâmbios.
O CCMB tem sede própria e funciona ainda como polo local do Conservatório das Caldas da Rainha, recebendo 120 alunos. Tal como a Sociedade Filarmónica Carvalhense também não recebe subsídios camarários.
A especialidade da Associação Filarmónica da Nazaré são os espectáculos tauromáquicos
A Associação Filarmónica da Nazaré (AFN) é das colectividades musicais mais recentes da região, contando apenas com 10 anos de existência (celebrados no passado dia 1 de Junho) e 115 sócios. O seu maestro é Jorge Roque que dirige 30 músicos (o mais velho com 10 anos, o mais novo com 79). Dos 25 serviços da banda cerca de 15 são espectáculos de tauromaquia: o ano passado a filarmónica actuou nas três corridas de touros que foram televisionadas (Póvoa de Varzim, Abiul e Albufeira). A Escola de Música é frequentada gratuitamente por seis alunos.
A AFN é também a única da região a recriar num auditório (neste caso do Teatro Chaby Pinheiro) um concerto tauromáquico, avançando este ano com a quarta edição do espectáculo onde são utilizados adereços das corridas e inclusive são convidados cavaleiros profissionais que assistem ao concerto ao lado do público. Só não entram os touros e os cavalos.
Banda Sinfónica de Alcobaça é a estrela da Academia
Com origem na Fanfarra Alcobacense (agrupamento composto apenas por metais que se extinguiu em 1912), a Banda de Alcobaça foi fundada em 1920 e actuou por 40 anos. Após uma paragem de 15 anos, a banda retoma a sua actividade em 1985 com uma vertente estilística mais próxima da banda sinfónica do que da filarmónica tradicional.
Do seu currículo fazem parte vários CD’s gravados (em 2000 e 2010), concursos de bandas (Ateneu Artístico Vilafranquense, onde obteve o 1º lugar em 2010 e 2º lugar em 2012 e o Concurso Internacional de Bandas de Música de Valência) e ainda actuações com grupos como os The Gift. A participações nas edições do Festival Cistermúsica têm sido outra constante.
Actualmente a banda é composta por 50 a 70 elementos (dependendo do repertório do concerto), dos 12 aos 45 anos, e é alimentada pelos alunos da Academia de Alcobaça, realizando cerca de 10 espectáculos por ano. Desde 2002 que o seu maestro é Rui Correia.
Associação Filarmónica e Cultural do Cadaval é uma verdadeira Escola de Música
Com 119 anos, a Associação Filarmónica e Cultural do Cadaval designava-se inicialmente Philarmónica Cadavalense Recreio Musical Dramático. A falta de apoios financeiros e o impacto das duas guerras mundiais fizeram parar a banda em 1922 e 1944. A actividade é retomada em 1981 graças à ajuda da Casa do Povo do Cadaval, passando a colectividade a chamar-se Banda da Casa do Povo do Cadaval. Contudo, quatro anos depois, os instrumentos são novamente arrumados e só em 1989 é que a banda reinicia os ensaios e em 1993 é criada a actual associação.
Hoje a banda é composta por 20 elementos (dos 22 aos 71 anos) e dirigida pelo maestro Marco Silvestre. Soma cerca de 10 serviços por ano e conta com actuações fora do país (em Troyes, França e Hamburgo, Alemanha).
A funcionar desde 1989 está a Escola de Música que alargou o seu ensino a mais instrumentos do que aqueles que integram a filarmónica: também existem aulas de canto, violino, piano, guitarra acústica, guitarra eléctrica, baixo eléctrica e bateria de jazz. Este ano a Escola encerrou o ano lectivo com 25 alunos. As aulas tanto são dadas por professores contratados como pelos músicos mais experientes da banda e o próprio maestro.
Sociedade Filarmónica Carvalhense não recebe subsídio da Câmara do Bombarral há seis anos
À semelhança do Circulo de Cultura Musical Bombarralense, a Sociedade Filarmónica Carvalhense (SFC) também não recebe apoio monetário da autarquia do Bombarral. Na região estas são as únicas bandas a não contar com subsídios camarários.
Conta a história que a SFC surgiu graças a uma banda formada numa festa do Santíssimo Sacramento do Carvalhal, sendo depois fundada em 1859. Com 156 anos, a filarmónica do Carvalhal é a mais antiga do Oeste, contando actualmente com 36 elementos (dos 14 aos 70 anos) e com uma Escola de Música frequentada por 14 alunos. À frente da banda está o maestro José Carlos Reis.
Esta colectividade tem cerca de 300 sócios e regista uma média de 30 serviços por ano, na sua maioria romarias e procissões. O bar da associação encontra-se fechado pois dá mais prejuízo que lucro, embora em tempos abrisse as portas todos os dias.
A sede da SFC é cedida pela Junta de Freguesia (que cobra uma renda simbólica) e durante as gravações da série Beirais serviu de camarins às equipas de produção e a sua fachada de cenário à novela.
A maioria dos músicos não mora no Carvalhal, por isso a direcção encarrega-se de os ir buscar às respectivas localidades.
Começa hoje a edição deste ano do Caldas Anima, festival de animação de Verão que tem animado as ruas da cidade durante os meses de Julho e Agosto.
O início da época está marcado para as 15h30, no Parque D. Carlos I, com o teatro Clérikuss. Trata-se de uma peça que se desenvolve à volta do padre Albano e da freira Ludovina que, dando-se conta da forma apressada de viver da maioria dos fiéis, decidem transportar um confessionário ambulante para os ouvir em confissão.
No dia 2 de Julho, sábado, a partir das 11h00, realiza-se A La Minute, um teatro itinerante em que os personagens, acompanhados de uma máquina à la minute com o sorriso integrado, percorrem as ruas Dr. Leão Azedo, Heróis da Grande Guerra e Dr. Miguel Bombarda. Estas duas actuações serão apresentadas pela Companhia Marimbondo.
No mesmo dia a Banda Comércio e Indústria e a Banda Filarmónica Idanhense com as Adufeiras de Idanha actuam na Praça da República a partir das 22h00.
Na manhã de quinta-feira, 6 de Julho, há oficinas de bodypainting (com Elisabeth Rocha) e de magia (com Rui Cruz) na Rua Dr. Miguel Bombarda.
Na apresentação do evento, Carlos Mota, director artístico do CCC, refere que pretendem “animar os espaços históricos, as praças, os átrios das igrejas, as ruas das zonas comerciais, a estação rodoviária, o mercado do peixe, espaços devolutos, pátios e o parque”. O objectivo é “qualificar a cidade como anfitriã da cultura e do sorriso”.
Outra das propostas é a criação de um evento de músicas do mundo a realizar em três dias na cidade.
As famosas personagens de ‘Allo ‘Allo saltaram do ecrã televisivo para o palco do CCC nos dias 25 e 26 de Junho, interpretadas por caras bem conhecidas do público português como João Didelet, Elsa Galvão, Melânia Gomes, Suzana Borges, Filipe Crawford ou Pedro Pernas. Onze actores recordaram as principais peripécias da série britânica numa história que girou à volta da famosa pintura da Madona Caída (com grandes mamas). ‘Allo ‘Allo foi produzida pela Yellow Star Company e encontra-se em digressão pelo país depois de ter estado em exibição no Teatro da Trindade e no Armando Cortez.
A expectativa é grande entre a plateia do grande auditório, ansiosa por rever as personagens que entre 1982 e 1992 animaram o canal da BBC. Como serão as “versões portuguesas” de René Artois, a sua mulher Edith, a amante Yvette, ou o espião-polícia inglês Crabtree? Aquele que ficou conhecido pelas valentes calinadas no francês e a expressão “Good Moaning” (bom dia)? Rapidamente a expectativa dá lugar a gargalhadas que se prolongam até ao fecho das cortinas. ‘Allo ‘Allo tem como cenário principal o café de René, localizado em Nouvion, vila francesa ocupada pelos alemães em plena II Guerra Mundial. Três mesas de madeira com toalhas aos quadrados azuis, um piano no canto esquerdo, o balcão em madeira, a caixa registadora antiga e a gaiola que guarda uma catatua (que na verdade disfarça um rádio de comunicação) são alguns dos elementos que rapidamente nos transportam para o estabelecimento original da série britânica.
René apresenta-se como o comerciante francês que, para manter a casa aberta, faz por agradar a gregos e troianos. Ou melhor dizendo, à resistência francesa, aos soldados e coronéis alemães, aos agentes da Gestapo, aos aviadores ingleses que estão escondidos na sua adega, às duas empregadas de mesa que são também suas amantes, à mulher Edith e ainda à sogra que vive no primeiro andar.
Para manter o negócio é preciso ser-se simpático com todos e ter um bom jogo de cintura para evitar que os planos de uns sejam descobertos pelos outros.
De pano na mão, René limpa constantemente o suor da testa, preocupado com a possibilidade de ser fuzilado caso os alemães, os franceses e os ingleses descubram que dá a mão a todos. Como ele próprio o diz no início da peça: “a minha esperança de vida é praticamente a mesma de alguém que já está morto”.
Entre os planos falhados da Resistência para enviar de volta a Londres os dois aviadores em fuga e os casos amorosos com as empregadas Mimi e Yvette às escondidas da mulher Edith, a maior preocupação de René é a pintura da Madona Caída com Grandes Mamas (originalmente The Fallen Madonna with the big boobies de Van Klomp).
O retrato valiosíssimo está escondido numa salsicha a pedido do coronel alemão e do oficial da Gestapo, Herr Flick. Ambos querem vendê-lo no final da guerra e garantir assim a sua reforma. O problema é que Edith mudou o esconderijo da pintura, decidida a não entregá-la aos alemães. E depois a chegada do general Smelling traz mais um problema: este quer encontrar a famosa obra e oferecê-la a Hitler, que chega dentro de poucos dias.
Numa corrida à Madona, os vários personagens pensam em diferentes esquemas para chegar à pintura antes do verdadeiro Führer, quer disfarçando-se de Hitler, quer servindo-se de um boneco insuflável que, em pleno enchimento, teve um furo. Sai um Hitler roto!
No final nenhum deles ganha a “caça à pintura” porque esta está afinal escondida no sítio menos provável de todos. Ou, pelo menos, num sítio onde René dificilmente iria procurar, para desgosto da sua Edith: debaixo da blusa da mulher.
“Sair de Lisboa é muito gratificante”
Para João Didelet (René em palco e encenador da peça, em conjunto com Paulo Sousa Costa) “a digressão fora de Lisboa tem sido muito gratificante, porque é uma oportunidade para conhecer diferentes públicos”. Além disso, “embora já comece a existir boa programação fora das grandes cidades – e Caldas é exemplo disso – a digressão leva o teatro a quem não tem possibilidade de deslocar-se à capital”, acrescentou o actor, também responsável pela tradução do texto.
A adaptação das expressões inglesas para português – como a intemporal “Oiçam com atenção, só vamos dizer isto uma vez” – não foi possível em todos os casos. “Felizmente tal como os ingleses são ricos em trocadilhos, nós também o somos e conseguimos ser fiéis à peça original”, disse.
Em cena desde o ano passado, ‘Allo ‘Allo tem conquistado a geração que acompanhou as sete temporadas, mas também os jovens que não conheciam o êxito de Jeremy Lloyd e David Croft. “Curiosamente a série está a ser transmitida pela RTP Memória, por isso os mais novos que ficaram com curiosidade começaram agora a acompanhá-la”, acrescentou João Didelet.
René (João Didelet) tenta ao máximo escapar das “garras” da mulher Edith (Elsa Galvão) que faz de tudo para ter a sua atenção
O café é frequentado por muitos alemães e, embora nem René nem os empregados o façam por gosto, têm que ser simpáticos para salvar a sua própria pele
Depois de décadas de relativo abandono, o Parque D. Carlos I volta a ocupar um lugar central na vida cultural e recreativa dos caldenses e dos visitantes da cidade. O baile revivalista organizado no passado sábado provou que as pessoas aderem facilmente a este tipo de iniciativas e já estão previstos mais eventos como é o caso dos Jogos Sem Fronteiras que amanhã terão lugar na zona do parque das bicicletas e do lago com seis colectividades caldenses em competição.
A União de Freguesias, que agora gere este espaço público desde que saiu da tutela do CHO, prevê ali realizar com regularidade uma feira de artesanato e em breve será também no Parque que ficará instalada a associação Nostrum, bem como um conjunto de estufas com espécies ali representadas. Isto sem falar na Feira da Frutos que – tal como na década de oitenta – vai regressar ao D. Carlos I, bem como a regata da Gazeta das Caldas que voltará a realizar-se este ano.
No passado sábado dançou-se na alameda principal ao som dos BJazz, que actuaram, antes e depois do jogo Portugal-Croácia, no coreto. Depois do futebol, teve lugar uma festa revivalista dos anos 80.
De 4 a 16 de Julho decorre nos Silos a iniciativa “Argilas” que junta um workshop, uma exposição e várias conferências em torno da cerâmica. Trata-se de um evento organizado pela artista plástica Umbelina Barros em parceria com os Silos que terá como base um workshop com aquela artista caldense, com a ceramista Mirta Morigi (Faenza, Itália) e com o oleiro João Oliveira (Barcelos). Cada um dos artistas será responsável pelas aulas de escultura, modelação e de olaria, respectivamente, e vão coordenar as sessões de cerâmica onde os participantes vão criar totens e pequenas peças em barro. Esta será a oportunidade de aprender mais sobre cozeduras pois as peças feitas durante o workshop serão cozidas em forno de lenha (amovível), de papel e num forno de raku. Os dois primeiros serão construídos no exterior dos Silos.
O projeto inclui também momentos abertos ao público de acesso livre com diversos convidados. Entre os dias 4 e 9 de Julho haverá tertúlias que terão lugar à noite nos Silos. No dia 4, o primeiro convidado será o ceramista Carlos Enxuto, a 5 de Julho será a vez de Teresa Almeida, que virá conversar sobre luminescências (matéria que brilha no escuro). A 6 será a vez de João Oliveira (que também constrói instrumentos musicais) se juntar a Adelino Mota, Maria João Veloso e Orlando Trindade para partilhar um serão sobre a música.
No dia seguinte, o serão será dedicado ao Raku e no dia 8 estará nas Caldas o professor Pedro Fortuna, das Belas Artes de Lisboa que vem falar sobre “Barro Pobre, Barro Nobre”. No dia 9 de Julho, será inaugurada a exposição com os trabalhos feitos durante o workshop. Os comes e bebes vão estar a cargo de Hagira Guibá, que trará iguarias vegetarianas.
A iniciativa tem um custo de 150 euros por pessoa e as inscrições podem ser feitas pelos tel. 937602930 ou 912288809.
Artistas que vão coordenar a formação neste workshop
As “Figuras, Figurinhas e Figurões” de António estarão patentes, a partir de 4 de Julho, na Galeria Municipal Paul Girol, na Nazaré. Ao todo são mais de 70 cartoons escolhidos entre os mais de dois mil publicados que o autor realizou nas últimas quatro décadas no jornal Expresso e os figurões em cerâmica (Eusébio, Mário Soares, Barack Obama, Papa Francisco e Ângela Merkel), feitos em parceria com a Bordallo Pinheiro. A exposição apresenta também a colecção de chávenas “Viagem”, produzidas pela Fábrica de Porcelanas da Vista Alegre, com base nas caricaturas de figuras portuguesas da música, pintura, literatura e cinema, bem como de Eusébio, criadas por António para a estação de Metro do Aeroporto de Lisboa.
A mostra, que já passou pelas Caldas da Rainha, Óbidos, Peniche, Lourinhã, Torres Vedras e Leiria, foi enriquecida com obras recentes. Estas caricaturas referem-se à “Geringonça” (sobre a nova maioria) e “Chegou o Homem dos Sete Instrumentos” (sobre o novo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa).
Quem se dirigir à galeria municipal poderá também encontrar a segunda edição do catálogo que, segundo o autor, está mais completa porque foi complementada por textos de dois prefaciadores que vêm dos jornais. Participam Joaquim Vieira, que foi subdirector do Expresso e que trabalhou com o artista, e Ferreira Fernandes do Diário de Notícias.
A mostra estará patente até ao dia 30 de Julho e está integrada nas comemorações dos 90 anos da Gazeta das Caldas.
Parte da colecção dos cartoons de António, está também patente, entre 1 de Julho a 31 de Agosto, no Museu da Vista Alegre, estando integrado na Festa Vista Alegre em honra de Nossa Senhora da Penha de França, em Ílhavo.
A mostra pode ser visitada entre as 9h00 e as 23h00 durante a Festa e nas horas normais de funcionamento nos restantes dias.
A Promol – Indústria de Velas S.A. completa em Setembro 40 anos de existência. A empresa, que integra um grupo económico sueco, atravessa um período de vitalidade. Em 2015 atingiu os 18 milhões de euros de volume de negócios e trabalha para atingir os 20 milhões num período de dois anos. A empresa ultrapassou as dificuldades criadas pela concorrência da Polónia e da China e pela forte subida do preço da parafina, recorrendo à criatividade e a matérias-primas alternativas. O futuro é encarado com optimismo.
A data vai ser assinalada internamente durante a festa de Natal da empresa. “Queremos recordar como era em 1976 quando a empresa foi fundada, e em 1982, quando construímos esta fábrica, e a diferença para o que é hoje”, conta o administrador Hans Bopp. “Hoje temos cá a trabalhar netas de avós que também cá trabalharam, temos colaboradores há 25 anos, e outras há 40 anos, que começaram aqui com 18 ou 19 anos, e vai ser engraçado ver como tudo mudou”, refere Hans Bopp.
E mudou mesmo tudo. A empresa na sua origem era puramente artesanal. Os processos industriais surgiram em finais da década de 1980, quando se massificou o consumo de velas no norte da Europa. “Até então produzia-se para pequenos consumos, eram velas artesanais em poucas quantidades”, recorda Hans Bopp. O resultado tem sido, de lá para cá, velas “muito mais perfeitas”, explica.
Mais recentemente a produção tem sido obrigada a adaptar-se a normas comunitárias cada vez mais apertadas e a clientes cada vez mais exigentes. “Hoje o sector é tão regulado que as velas fazem menos mal que algumas comidas”, graceja Hans Bopp, para dizer a seguir que os critérios em relação à perigosidade se assemelham aos dos brinquedos para crianças. Cumprir estes requisitos obriga a empresa a ter uma série de certificados que somam ao custo do produto final.
O que também obrigou a empresa caldense a mudar a sua estratégia foi a concorrência que surgiu dos países do leste europeu e da China em produtos que só a Promol fazia até 2004.
A empresa teve que se reorganizar. Passou dos 300 efectivos para os 130 que hoje tem. No pico do trabalho sazonal, entre Maio e Outubro – quando a fábrica tem que responder à procura para o Natal, a Passagem de Ano e a Páscoa – chegava a atingir os 600 funcionários e era um das principais empregadoras do concelho. Hoje atinge entre 250 a 280 contando com os postos temporários. “Em 2006 começámos a diminuir o número de colaboradores”, recorda o administrador. Nesse ano o grupo sueco Midway, que anos antes tinha vendido a Promol a uma empresa norte-americana, voltou a integrá-la no grupo. A empresa ainda sentiu dificuldades em 2010, num ano de reorganização do grupo, mas a partir daí tem vindo a recuperar. “A pouco e pouco voltámos a fazer lucros e estamos no bom caminho agora, com muitas encomendas”, acrescenta o administrador, de origem alemã.
Hans Bopp refere que tem consciência da responsabilidade que a empresa tem enquanto empregadora. “Temos muitas famílias. Marido e mulher, mãe e filha, é uma responsabilidade” e por isso a estabilidade atingida nos últimos anos é uma mais-valia, realça.
Em 2015 a empresa facturou 18 milhões de euros e está a trabalhar para atingir os 20 milhões de euros dentro de dois anos, de acordo com as encomendas que já tem em carteira. Estes valores garantem o suporte da estrutura de custos fixos, que é bastante elevada e “lucros estáveis”, acrescenta.
Nesse período, a empresa conta ainda aumentar a sua capacidade empregadora em 20%. Hans Bopp prefere ver a fábrica com muita gente do que com pouca e manifesta também preocupação da empresa no bem-estar do pessoal.
Um mercado quase exclusivo
A forma de ripostar face à concorrência consistiu na aposta num segmento ao qual os concorrentes do leste e da China não podem chegar.
A empresa mantém a produção indispensável de velas fabricadas através de processos automatizados para garantir volume de vendas. Mas para subsistir a aposta foi na criatividade. “No passado lançávamos dois, três produtos novos, agora estamos felizes quando mantemos dois antigos pois para ser competitivo é preciso uma criatividade enorme todos os anos”, explica Hans Bopp.
Esta diferenciação é feita por uma equipa que trabalha tanto a parte criativa, como implementa todas as novidades nos processos de produção, garantindo a qualidade.
Este binómio qualidade versus criatividade tem forçosamente que andar sempre junto. “A vela sem pavio é fácil de fazer, mas tem que queimar bem”, realça Hans Bopp. Esta exigência é generalizada, mas assume maior relevo no mercado escandinavo. “Lá as pessoas usam as velas numa altura muito escura, têm muitas velas a arder ao mesmo tempo, se elas deitam fumo as pessoas têm que pintar a casa duas vezes por ano”, observa.
O principal negócio da Promol são os produtos de promoções, conjuntos sortidos que são vendidos em grandes superfícies e lojas de descontos, produtos de saída rápida, que são vendidos em três a quatro dias.
São produtos que obrigam a ter mais recursos de mão-de-obra e, por isso, é um sector em que as empresas concorrentes têm mais dificuldade em chegar. “Não gostamos de fazer coisas fáceis porque senão as fábricas automatizadas também conseguem fazer. Gostamos de ver muitas pessoas aqui, gastamos menos parafina e temos melhor margem”, diz Hans Bopp.
O principal mercado continua a ser o original – a Alemanha – que fica com cerca de 70% da produção. O Aldi, grupo que fundou a fábrica, continua a ser o principal cliente, absorvendo entre 30 a 40% das velas produzidas nas Caldas. O segundo mercado mais importante é a Escandinávia, representando 15% das vendas. No ano passado a Promol conseguiu entrar no mercado da cadeia Ikea.
Portugal vem a seguir na lista de clientes, com cerca de 10% da produção. Aqui a empresa vende sobretudo produto semi-acabado a pequenos e médios produtores, que fabricam velas para fins religiosos. “Descobrimos esta oportunidade, temos capacidade para transformar parafina líquida em pó e vender de forma eficaz para estes produtores pequenos e médios fazerem velas diferentes das nossas”, explica o administrador da empresa.
Preço da parafina
Outro factor que contribuiu para alguma dificuldade no sector das velas foi a subida do preço da parafina, um subproduto que resulta da refinação do petróleo e que sofreu com a subida significativa da matéria-prima durante este milénio. A parafina é o maior custo da empresa, entre 56 e 60% dos custos totais.
Um problema que a Promol combateu também através da inovação. “Fomos das primeiras fábricas a aplicar em larga escala as ceras alternativas”, de origem animal e vegetal, refere Hans Bopp.
Para além do preço da parafina, a fábrica caldense debate-se com outro problema que na Polónia não existe: o acesso limitado a esta matéria-prima.
Os fornecedores da Promol são a refinaria da Petrogal em Matosinhos e uma outra refinaria da Cepsa, mas não cobrem as necessidades, pelo que é preciso importá-la da China, do Brasil e por vezes de Itália.
Para combater estes limites, e o problema de competitividade, a empresa desenvolve desde 2001 produtos com cera vegetal ou animal. Começou com cera produzida através da refinação de gordura de porco. Mais tarde começou a utilizar também cera com origem no óleo de palma, de origem indonésia. “Neste momento, cerca de um terço do nosso consumo de cera é não parafínica”, adianta Hans Bopp.
Estes produtos têm como vantagem o preço, que chega a ser inferior em 30%, e como a fábrica fica próxima do porto de Lisboa e a cera chega por mar, a empresa caldense consegue-a a preços mais vantajosos que as fábricas da Polónia, que ficam muito distantes do mar.
No entanto, estes produtos obrigam a um desenvolvimento mais trabalhoso. “São produtos desenvolvidos por fornecedor, por material, por tipo de vela”, sustenta.
Actualmente a Promol já substitui a parafina por ceras naturais em um terço da produção, cerca de 4 mil das 10 mil toneladas. “Estes materiais alternativos são uma grande oportunidade”, considera. É importante, por isso, que o porto de Lisboa não encerre. Os recentes problemas na infra-estrutura portuária preocuparam Hans Bopp. “Estarmos perto de um porto é muito importante, ir para o porto de Leixões custa mais 150 euros por contentor”, acrescenta.
A presença do porto é importante tanto para a chegada de matéria-prima, como para a saída do produto acabado. A subida do preço dos transportes levou a Promol a procurar no transporte marítimo uma alternativa que lhe fica mais em conta. “É mais difícil carregar e descarregar, mas o custo é à volta de 25% mais barato e conseguimos assim ter um custo de transporte razoavelmente baixo tendo em conta a distância a que estamos dos mercados”, explica.
Ao fim de 40 anos Hans Bopp considera que seria difícil projectar em 1976 a empresa que a Promol é hoje, mas também não quer fazer conjecturas em relação aos próximos 40. “A tecnologia está a mudar mais rapidamente que nunca, projectar o futuro ainda é mais difícil”, diz, mas acredita que ultrapassar a crise 2006 foi o mais difícil, agora é manter o caminho.
Hans Bopp, administrador da Promol, conta como a empresa ultrapassou a subida do preço da parafina e a concorrência de outros países | JOEL RIBEIRO
O calor chegou e com ele as moscas, que voltam a incomodar a população de Óbidos. O problema não é novo e a Câmara refere que o foco está na exploração avícola da Avarela, a qual foi fiscalizada por duas entidades públicas que – surpreendentemente – emitiram conclusões diferentes. A autarquia quer agora apurar responsabilidades sobre esta situação e vai pedir à Inspecção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT) uma inspecção à CCDR e à DRAP, bem como à Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que é a entidade que emitiu a licença ambiental aquele aviário.
[shc_shortcode class=”shc_mybox”]A Câmara de Óbidos vai apresentar uma queixa à Inspecção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT) para que faça uma inspecção à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR), à Direcção Regional de Agricultura e Pescas (DRAP) de Lisboa e Vale do Tejo e à Agencia Portuguesa do Ambiente (APA). Em causa estão os relatórios emitidos por duas entidades públicas (CCDR e DRAP) feitos na sequência de uma visita inspectiva conjunta à exploração avícola da Avarela e com pareceres muito diferentes.
A CCDR-LVT refere no relatório que está a ser desenvolvida actividade em pavilhões que deviam estar desactivados, verificando-se que a condicionante da Declaração de Impacte Ambiental (DIA) não está a ser cumprida. Refere ainda que das seis condicionantes, como é o caso da desactivação dos pavilhões ou questões relacionadas com o sistema de drenagem, apenas duas estão a ser cumpridas.
Já o documento da DRAP-LVT (entidade que tem a tutela do licenciamento e fiscalização da actividade), refere que o aviário da Avarela se encontra a funcionar dentro das regras.
O presidente da Câmara, Humberto Marques, questiona como é que se verificam conclusões “totalmente díspares” destas duas entidades, quando a acção inspectiva foi realizada em conjunto. Quer ainda ver esclarecido porque é que a DRAP-LVT refere que a actividade está a funcionar dentro das regras e a CCDR-LVT enumera as condicionantes que não estavam a ser cumpridas em Fevereiro.
Humberto Marques diz ainda que levou esta proposta à última sessão de Câmara (25 de Junho) e que foi aprovada por unanimidade, após ter recebido “inúmeras queixas” da população com o aumento exponencial de moscas, sobretudo na zona da Avarela, Bairro da Senhora da Luz e Bairro das Morenas. O autarca acrescentou que uma equipa de técnicos da autarquia tem feito vistorias por todo o concelho e não encontraram outros focos de origem de insectos.
O autarca defende que a população, visitantes e investidores no concelho não podem estar à “mercê de tamanha leviandade por parte das entidades que tutelam o funcionamento das actividades susceptíveis de colocar em causa a saúde pública e o meio ambiente, licenciamentos e autorizações”.
A Câmara também já contactou por várias vezes a Secretaria de Estado do Ambiente sobre este assunto. Inclusivamente já houve uma reunião entre o vice-presidente da CCDR, os representantes da Comissão Municipal da Avarela e da hotelaria e restauração de Óbidos, onde foi “assumido que a origem das moscas eram os aviários e que a entidade fiscalizadora e com responsabilidades era a DRAP-LVT”, disse o autarca. Para ontem, 30 de Junho, estava prevista uma reunião do secretário de Estado do Ambiente com a APA, CCDR-LVT e IGAMAOT.[/shc_shortcode]
O já famoso Festival da Codorniz do Landal arranca hoje e vai decorrer durante dois fins-de-semana (de 1 a 3 e de 8 a 10 de Julho), juntando uma vez mais gastronomia e animação.
Na sua sexta edição, o evento vai realizar-se em Julho e não em Outubro, como era habitual. O adiantamento para Julho e o alargamento para dois fins-de-semana, têm como objectivo optimizar os custos e aproveitar as condições meteorológicas e as férias de Verão.
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O primeiro fim-de-semana é exclusivamente dedicado à codorniz, sendo que no segundo as associações que participam podem apresentar outras propostas dado que, além destas aves, o certame dará também a conhecer outros produtos da freguesia como o Pão-de-Ló do Landal, as Pêras Bêbedas e o vinho.
O Grupo Desportivo de Santa Suzana, a Comissão da Igreja do Landal, o Grupo Desportivo do Landal e a Associação de Benfeitores da Nossa Senhora do Rosário de Amiais vão ter as suas tasquinhas no festival, que contará com a presença de produtores e criadores de codorniz e com uma mostra de artesanato da região. A Escola de Hotelaria e Turismo do Oeste também se associou ao evento.
O Landal é a freguesia do país que produz mais codornizes, valendo-lhe esse facto o epíteto de capital daquelas aves.
PROGRAMA
1 de Julho
19h00 – Inauguração com entidades oficiais
20h00 – Animação com Gaiteiros da Fanadia
23h00 – Baile com Banda Enigma 2 de Julho
12h00 – Abertura das Tasquinhas
15h00 – Animação de rua com Bandinhas
20h00 – Animação com Gaiteiros da Fanadia
23h00 – Baile com Mega Music 3 de Julho
8h30 – Cicloturismo à volta do Landal
12h00 – Abertura das tasquinhas
14h30 – Festa da igreja, missa e procissão acompanhada pela Banda Filarmónica de A-dos-Francos
16h30 – Actuação do Grupo OTL Sénior do Landal
17h00 – Festival de Acordeão com José Cláudio, Catarina Brilha e amigos seguida de animação com acordeonistas
22h00 – Baile com AF Music 8 de Julho
20h00 – Abertura das tasquinhas seguida de animação de rua com Bandinhas
23h00 – Baile com Os Lord’s 9 de Julho
12h00 – Abertura das tasquinhas seguida de animação de rua com Bandinhas
23h00 – Baile com Anabela & Top Girls 10 de Julho
8h30 – Caminhada pelo Landal
12h00 – Abertura das tasquinhas
15h00 – Animação de rua com Bandinhas
18h00 – Final do Torneio de Futsal
22h00 – Baile com Paulo Holandês
A partir das seis da tarde foram muitas as famílias que vieram passear na alameda principal do Parque D. Carlos I petiscando nas tasquinhas, jogando xadrez, ou dando um pezinho de dança ao som dos BJazz, que actuaram, antes e depois do jogo Portugal-Croácia, no coreto. Depois do jogo terminar e com a vitória de Portugal em França, aquele espaço transformou-se numa pista de dança ao ar livre, tendo dado lugar a mais uma verdadeira festa revivalista dos anos 80, onde foram recordados temas dessa década. Os convivas acham que este tipo de eventos – co-organizado entre a Gazeta das Caldas, o Museu do Hospital e a União de Freguesias – poderiam ganhar regularidade, pelo menos durante o Verão.
Música variada e gastronomia para todos os gostos garantiram uma noite animada no Parque D. Carlos I.
Música variada e gastronomia para todos os gostos garantiram uma noite animada no Parque D. Carlos I.
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Isabel Lourenço veio ao baile ao fim da tarde com a sua filha e netas. Estava a gostar do ambiente e, antes de irem aos insufláveis, degustaram saborosas panquecas holandesas. “Está um óptimo ambiente”, disse a participante que acha que eventos do género poderiam ter lugar de forma mensal. Joana Tornada também veio acompanhada pela sua filha e achou que o evento “é uma excelente ideia para toda a família”. Depois de ter saboreado um hambúrguer especial na Taskinha do Beco, acompanhou a sua filha até ao insuflável.
Uma das empresas caldenses presentes, a Gramas com Sabor trouxe os seus produtos e fez questão de criar um de propósito para este evento. “Nós trabalhamos os produtos de hoje com os sabores de antigamente”, explicava Isa Nobre, uma das responsáveis dando a conhecer a novidade: uma empada de sardinha com pimento.
Manuel Dias, do Raízes, não podia estar mais satisfeito com a realização deste evento. “É destes e de outros eventos que o parque precisa, por isso era bom que se realizassem de forma regular”, disse o chef que tinha casa cheia para assistir ao jogo de Portugal- Croácia, tendo salientado a presença de vários estrangeiros.
Idealmente no Verão eventos deste tipo deveriam realizar-se quinzenalmente e no Inverno nas datas festivas. O Raízes marcou presença com os Montaditos, pedaços de pão com várias conjugações que fizeram as delicias de quem os provou. Havia as mais diversas propostas desde morcela com uvas no forno, húmus com grão assado, atum com vegetais, entre tantas outras.
Por seu lado, o Maratona trouxe comida saudável e apostou em propostas cruas, feitas com vegetais, frutos e peixe onde usaram a casca dos próprios alimentos. A equipa do Maratona apresentou-se com uma banca em madeira e as iguarias aguardavam para ser servidas numa original bancada de gelo. Não faltou quem se tenha deliciado com ceviche de salmão ou as outras propostas coloridas à base de vegetais ou de frutas. A repetir, sem dúvida.
Jazz animou dia e serão
Ao longo da tarde e no início do serão, os BJazz trouxeram aquele género musical a este baile. Do grupo fazem parte músicos da região que integram também outros agrupamentos como a Orquestra do Monte Olivetti.
David Santos (tuba), Rafael Neves (clarinete), Hugo Santos (trombone), João Ventura (bateria) e Ana Matos (voz) trouxeram standards daquele género musical dos anos 20 até à década de 60 e conseguiram arrancar elogios do público. “O jazz é um pouco elitista e nós tentamos chegar às pessoas, apostando em temas mais mexidos”, disseram os músicos que estiveram à conversa com a Gazeta das Caldas.
Para os BJazz é fundamental sentir a energia do público, algo que aconteceu no parque pois algumas pessoas deram uns passitos de dança e outras aplaudiram os vários solos dos músicos.
Vividas as emoções do jogo Portugal-Croácia, a noite caiu e o Parque ganhou outras cores. O jazz deu lugar ao DJ do We love the 80 e assim que o jogo terminou afluíram ao parque mais pessoas.
O presidente da Câmara, Tinta Ferreira, e o presidente da União de Freguesias, Vítor Marques, estavam satisfeitos com a iniciativa e ambos referiram a importância de dinamizar e de atrair público aos eventos locais.
“Eventos sim, sem esquecer tranquilidade”
Dado o sucesso da regata no passado Verão, Gazeta das Caldas voltou a aliar-se ao Museu do Hospital e à Agrupamento de Freguesias para organizar um evento destinado a relembrar os passeios no parque, a música ao vivo no coreto e os bailes que tinham lugar no Casino. E há muitos caldenses que se lembram de tais iniciativas. O Museu do Hospital “está em todas!”, disse a responsável Dora Mendes, acrescentando que “o parque sempre teve grande animação na época de Verão” e por isso faz sentido recuperar uma programação regular de eventos. O museu está aberto a mais propostas desde que estas contribuam para a animação diurna e nocturna do parque, mas que “nunca se esqueça também a vertente da tranquilidade”.
Memórias de outrora
Nos bons tempos do Parque durante os meses de Verão, às quintas e aos domingos, havia concerto da Banda Comércio e Indústria no coreto. Quem o confirma é Madail Mendes que é do Cartaxo, mas que veio para as Caldas ainda menino. Em jovem era um dos que percorria a alameda principal do parque nestes dias e “foi aqui que conheci a minha mulher”. E por isso esta festa, com vista a recordar estes dias e estes passeios, ganham mais importância para este conviva que acha que naquela altura “havia menos dinheiro mas nós divertíamo-nos mais”.
Na sua opinião, eventos como este poderiam ter uma periodicidade quinzenal durante o Verão. Luís Santos também não esquece os bailes do Casino, onde chegou “a actuar mais do que uma vez a Amália Rodrigues, assim como o conjunto do Shegundo Galarza”. Ambos eram já considerados figuras de top a nível nacional.
Luís Santos, da loja Ramiro, também recordou que as senhoras se vestiam bem para passear pela alameda do parque. Na relva havia ainda uma bordadura com pequenos vasos com velas iluminadas que muito contribuíam para criar um ambiente especial.
Já Nazaré Andrezo, também se lembra dos bailes do Casino e também os do Lisbonense e dos passeios ao som da música que se faziam no parque. Por ter gostado de se relembrar desses tempos, a conviva gostaria que este evento se repetisse e promete voltar a participar. Opinião partilhada por Gracinda Elias e Arlete Nunes que recordam com saudade as práticas sociais do parque. A primeira, lembrou que vinha a pé de Santa Rita para ouvir a Banda tocar e para passear pelo principal artéria do Parque.
Decorreu na passada quinta-feira, 23 de Junho, a tomada de posse dos órgãos sociais da ACCCRO – Associação Empresarial das Caldas da Rainha e Oeste para o triénio 2016/2019. A nova associação empresarial – que continua a ser liderada por Paulo Agostinho – deu posse aos novos elementos, numa cerimónia onde foi ainda assinado um protocolo com o Banco Bic, que oferecerá vantagens aos associados. Foram ainda apresentadas novas empresas que agora integram esta associação. A ACCCRO passou agora a ter um orgão consultivo de personalidades locais do mundo das artes, da música e da restauração “que nos ajudarão a ter uma visão diferente sobre tecido empresarial”, afirmou o presidente Paulo Agostinho.
[shc_shortcode class=”shc_mybox”]A ACCCRO tem agora novos associados que foram apresentados nesta cerimónia. São eles o Balance Club, o Grupo Auto Júlio, a Master Vantagem, a Transwhite, Lda., a Objeto OLE, a Barros e Moreira SA., a FGP, Lda e a Pan & Past, Lda.
A associação empresarial possui agora um órgão consultivo onde pontuam profissionais ligados à restauração, aos livros, à música, ao teatro, aos museus, às escolas e ao desporto que permitirão aconselhar e a ter um olhar diferente sobre os projectos. Este novo órgão, constituído por nove elementos, foi criado dada “a nossa necessidade de ter massa crítica de outras áreas que nos possam dar uma outra visão sobre o tecido empresarial”, disse o presidente da ACCCRO, Paulo Agostinho. Dele fazem parte Ricardo Madruga, José Ramalho, Maria José Rocha, Isabel Castanheira, José Elói, Carla Cardoso, Daniel Pinto, Carlos Coutinho e Adelino Mota.
O dirigente diz que a sua associação empresarial terá como parceiros activos as autarquias oestinas e em breve irá reunir com a Câmara do Bombarral onde este tipo de associação não existe e onde “os empresários locais também têm necessidade de se rever e sentir representados”.
A ACCCRO já coordenou programas como o Comércio Investe e já está a tratar de um segundo, o “Dinamizar” ligado ao comércio e aos serviços. No entanto, o presidente da associação considera que não faz sentido terem apenas projectos nesta área “quando temos mais de 300 associados na área da restauração e da hotelaria”, afirmou. Também vão ser desenvolvidos projectos na área do turismo.
Durante a sessão foi ainda assinado um protocolo com o Banco Bic que oferece “condições de crédito mais vantajosas aos nossos associados”, disse o presidente, acrescentando que esta instituição tem um gabinete destinado a tratar do Projecto 2020.
A ACCCRO tem 113 anos e é a sexta associação deste tipo mais antiga do país num universo de 500 associações empresariais. Conta com 2000 sócios que são de Alcobaça, Bombarral, Caldas da Rainha, Cadaval, Óbidos, Peniche e Torres Vedras.[/shc_shortcode]
A Comissão Europeia aprovou no início desta semana o pedido de atribuição de Indicação Geográfica Protegida à ginja de Óbidos e Alcobaça. No Jornal Oficial da União Europeia, a ginja é descrita como “um pequeno fruto da família das cerejas, contendo uma forte concentração de açúcares e de ácidos”. É cultivada na região que se estende entre a Serra dos Candeeiros e o Oceano Atlântico, compreendendo os concelhos de Óbidos, Alcobaça, Nazaré, Caldas da Rainha, Bombarral e Cadaval. Entre as suas numerosas utilizações estão os licores, chás e doçaria.
[shc_shortcode class=”shc_mybox”]Contactado pela Gazeta das Caldas, o presidente da Câmara de Óbidos, Humberto Marques, diz que a atribuição desta “região demarcada” à produção da ginja local representa um momento de regozijo para a região e o culminar de um longo processo. O autarca destaca que o facto de ser uma indicação europeia dá-lhe “um carácter mais global e vai potenciar a ginja a nível externo”.
Está confiante que mais produtores possam ver aqui uma oportunidade, mas adianta que esta distinção também obriga a que sejam seguidas algumas regras.
A Câmara de Óbidos, em conjunto com a secção de ginja que integra a Associação de Produtores da Maçã de Alcobaça, já apresentou uma proposta preliminar também para a defesa do licor de ginja.
Os produtores que estão fora da União Europeia também podem submeter os pedidos de registo de nome dos produtos, desde que estejam ligados a uma área geográfica delimitada. Foi o caso da República Dominicana que obteve, pela primeira vez e no mesmo dia da ginja, uma protecção de indicação geográfica com o “Café de Valdesia”.[/shc_shortcode]
Amanhã, sábado, 2 de Julho, pelas 16h30, no parque das bicicletas do vão realizar-se uns Jogos Sem Fronteiras com a participação de algumas colectividades caldenses. Pretende-se reeditar o conceito do evento que encantou várias gerações europeias nas décadas de 80 e 90, reforçando o espírito de camaradagem e o convívio entre os participantes. Trata-se de uma iniciativa do centro comercial La Vie, organizada em conjunto com a União de Freguesias de N. Sra. do Pópulo, Coto e São Gregório.
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Nos jogos vão participar equipas do A.C.D.R. Arneirense, da Casa do Benfica das Caldas da Rainha, do Caldas Sport Clube, dos Pimpões, do Agrupamento de Escuteiros das Caldas e do Sporting Clube das Caldas, que vão lutar pelo título da primeira edição dos jogos. Cada equipa terá 14 elementos (sete homens e sete mulheres) que irão competir em oito provas que englobam o lago do parque, provas em insufláveis gigantes, provas físicas e de perícia e perguntas de cultura geral. A iniciativa terminará ao final da tarde com a entrega dos prémios no La Vie.
Os Jogos Sem Fronteiras caldenses foram apresentados em conferência de imprensa na segunda-feira, 27 de Junho. Segundo o director do La Vie, nesta edição de estreia, que vai custar 4500 euros ao centro comercial, vão participar três associações de cada uma das freguesias urbanas das Caldas. “Se tudo correr bem, poderemos dar continuidade ao evento e para o ano até admitir mais equipas”, disse o responsável, satisfeito com a parceria que estabeleceu com o município e com a Junta para a realização deste evento, que terá entrada livre.
Duas novas lojas no La Vie
Questionado pela Gazeta das Caldas sobre novos projectos comerciais no La Vie, Amaro Correia respondeu que vão abrir em breve as lojas Wycon (cosmética) e Emotion (sapataria).
O responsável não quis revelar qual a evolução da facturação do centro comercial nos últimos anos, tendo as vendas crescido entre os 2% e os 4%.
Quanto à existência de lojas com rendas em atraso, Amaro Correia disse apenas que “hoje em dia se vivem situações complicadas ao nível da falta de liquidez um pouco por todo o lado”. No entanto garantiu que a administração do centro comercial “está cá também para ajudar a ultrapassar momentos menos bons e não fechamos nenhuma loja sem um contacto e uma abordagem a todas as lojas”.
Posteriormente à conferência de imprensa, e num e-mail enviado à redacção, a administração do centro comercial refere que este é o primeiro ano completo do La Vie Caldas da Rainha e que “a actividade comercial dos lojistas está a melhorar”. As expectativas são positivas e “acreditamos que esta tendência de melhoria poderá consolidar-se no segundo semestre”, informaram. Também como resultado de toda a dinâmica colocada na gestão do La Vie Caldas, “existe já uma lista de espera de lojistas que se pretendem fixar no centro comercial, incluindo grandes marcas internacionais”.
Euro 2016 dá prémios
“Euro 2016 é no La Vie”, assim se designa a campanha promocional válida durante todo o período do Euro 2016 (de 10 de Junho a 10 de Julho) e que visa premiar os clientes que efectuem compras na superfície comercial e ali assistam aos jogos. No total serão distribuídos 1800 euros em prémios – em cartão oferta Pão de Açúcar – podendo ser utilizados em compras no mesmo supermercado das Caldas. Estes serão distribuídos em cartões de valor individual de 100 euros. Para mais informações consultar o Facebook do La Vie Caldas.
Cinemas ainda sem nova empresa
Os cinemas do centro comercial continuam a operar com a empresa Vivacine, a última que resta do grupo FDO, que foi proprietário do então Vivaci e que declarou insolvência.
Fonte oficial do La Vie Caldas da Rainha diz que, “face aos dados conhecidos, a administração do La Vie Caldas da Rainha e do La Vie Guarda tem vindo a trabalhar numa solução que permita manter as salas de cinema a funcionar de forma sustentável”. Nesse sentido, explica, “existem contactos em curso para garantir uma alternativa para a exploração das salas de cinema”.
Para o La Vie, os cinemas são considerados como mais um lojista do centro comercial. Na mesma resposta enviada ao nosso jornal, a administração diz que “esta é uma situação alheia ao centro, relacionada com um lojista, pelo que quaisquer questões específicas devem ser remetidas para o mesmo”. C.C.
Quando a UPACAL foi inaugurada era uma das maiores e melhores padarias do país. Um luxo para a época. Aqui se juntaram numa só sociedade 47 padarias que estavam espalhadas por toda a cidade e pelo concelho. Um investimento de 3000 contos (15 mil euros) onde chegaram a trabalhar 60 pessoas. Eu tinha 24 anos e já era padeiro. Aqui andei durante 34 anos até me reformar. A minha vida foi trabalhar de noite, a amassar e cozer o pão para os outros. A ganhar a vida, a ganhar o meu próprio pão.
Nasci filho de padeiro, mas resisti até aos 18 anos a entrar na profissão. Do Lavradio (Tornada), onde vivia com os meus pais (sou filho único), vinha a pé para a escola, na outra ponta da cidade onde era a polícia de trânsito. Fiz ali a 1ª e a 2ª classe, mas depois adoeci e chumbei um ano. Felizmente, tinha uma madrinha, que já está na Terra da Verdade, que era professora primária e me levou para Frei Domingos (Benedita), onde dava aulas e me ajudou a fazer duas classes num ano. Num espaço de meses fiz a 3ª classe na Benedita e a 4ª classe em Alcobaça.
Ainda andei um ano no curso comercial da Escola Bordalo Pinheiro, atrás do Chafariz das Cinco Bicas, mas chateei-me com uma professora e nunca mais lá pus os pés. Eu se calhar era um puto malandro…
Mas não foi logo que fui para padeiro. Empreguei-me nos Abílios, ali ao pé do Thomaz dos Santos, que vendiam roupas e fancarias. Mas não fiquei lá muito tempo porque fui desafiado para outra casa, a Cinderela, que era ali ao lado. Também ali vendia roupas, mas a loja foi à falência e então lá teve que ser e fui trabalhar para a padaria do meu pai.
Mas foi na minha passagem pela Cinderela que conheci a Aurora, com quem viria a casar quatro anos mais tarde. Ela estava hospedada no primeiro andar e eu trabalhava na loja no rés-do-chão.
O meu novo local de trabalho passou a ser na Rua Dr. Miguel Bombarda, na padaria Gomes & Parada, Lda, que ficava no local onde agora é a pastelaria Comtradição. Nela trabalhavam o meu pai, José Jerónimo, e o seu sócio, Abílio Varela. Empregados éramos eu e outro rapaz.
Os fornos eram a lenha e amassava-se à mão
Aos 18 anos comecei assim uma vida em que quase nunca dormia de noite. Estávamos em 1953. Os fornos eram a lenha e amassava-se à mão, embora já houvesse algumas padarias que tinham amassadeiras. Mas ali era tudo à força de braços. A farinha vinha em sacos de 75 quilos e eu, que pesava 50 quilos, carregava com eles às costas para a masseira. Depois despejava água, fermento e sal. O sal era pesado a punho. Deviam ser 2 quilos de sal por cada 100 quilos de farinha. Hoje, por motivos de saúde pública, é costume pôr 1,4 quilos de sal por 100 quilos de farinha.
Noite fora era amassar e cozer, amassar e cozer. Entrava à meia-noite e saía às… Não tinha hora. Era quando terminava a venda porque depois de cozer o pão íamos fazer as vendas ao domicílio, que era uma coisa que se usava na altura. Por volta das 14h00 é que eu ia descansar. Depois acordava às 19h00 para ir fazer o fermento e voltava a deitar-me até perto da meia-noite. Uma vida dura! A minha vida foi quase toda feita de noite. Mas eu preferia assim do que trabalhar por turnos. Pelo menos assim, o meu sono estava certo.
Naquele tempo não havia a mesma diversidade de pão que há agora. Nem nada que se pareça. Só havia de dois tipos: papo-secos e pão de meio quilo. Mas já a farinha havia de três categorias: farinha de segunda (farinha escura), farinha de primeira e farinha extra. A escura era para fazer o pão para os pobres e a extra era a preferida das senhoras ricas porque era toda refinada e branquinha.
Mas afinal estava tudo ao contrário. A farinha escura, que hoje já não existe, era muito mais saudável do que a extra e hoje já muita gente percebeu que a farinha branca não é propriamente a melhor.
Apesar de ser filho do patrão, ainda trabalhei uns meses à borla, como aprendiz. Só depois é que passei a receber qualquer coisita.
Até que fui obrigado a ir para a tropa. Tinha 21 anos. Mas conseguir fazer o serviço militar todo nas Caldas da Rainha. Não é para me gabar, mas fui esperto o suficiente para lhes dizer que era empregado de comércio em vez de padeiro. Assim não fui parar a Lisboa à Manutenção Militar, que era o destino de todos os padeiros, e acabei por ficar como amanuense no RI5.
Só fiz tropa entre 1956 e 1957 porque me casei. Mas como a minha futura mulher estava grávida de seis meses, naquela época, no tempo do Salazar, eu tive que escrever um requerimento ao ministro da Defesa, para que ele autorizasse o casamento.
Casei-me e já nem fui ao curso de cabos. Voltei para a vida civil e para a padaria do meu pai. Três meses depois nascia a minha filha Elisabete que, infelizmente, perdi há dois anos, levada por uma maldita doença.
A CRIAÇÃO DA UPACAL
Em 1964 o meu pai e o sócio desfizeram a sociedade e integraram-se na UPACAL, que foi formada nesse ano. Uma nova lei, muito exigente com as condições sanitárias das padarias, obrigou a que estas se juntassem numa só sociedade e se construísse uma grande fábrica aqui no Lavradio. No concelho das Caldas havia 48 padarias. Só uma se manteve sozinha.
A melhor padaria do distrito de Leiria custou 3000 contos (15 mil euros), uma fortuna para a época. Mas aquilo era um luxo: espaços amplos, balneários para o pessoal, refeitório. Aquilo deu que falar.
Mas ao princípio ainda continuei a amassar à força de braços. Só mais tarde se compraram equipamentos mecanizados: amassadeiras, peneiros e até um forno de túnel com 21 metros que era capaz de cozer 18 mil papo-secos por hora. Custou 3000 contos, tanto como a própria fábrica.
A empresa era uma das mais importantes das Caldas da Rainha e produzia 60 mil papo-secos por dia. E tinha dezenas de entrepostos e lojas espalhadas por todo o concelho. E uma frota com viaturas e motoristas que faziam a distribuição.
Trabalhei na UPACAL entre 1964 e 1998, dos 29 aos 63 anos. Trinta e quatro anos de uma vida feita de rotinas. Sempre a trabalhar de noite. Costumo dizer que a minha mulher teve que ser mãe e pai ao mesmo tempo porque eu não podia dar muita assistência à família.
Quando me reformei era encarregado-geral. E alguns anos antes já tinha passado a sócio porque o meu pai tinha-se aposentado e passou-me a quota. Mas ser sócio não significava ser patrão. Trabalhei sempre na padaria, às vezes até aos domingos.
O curioso é que, logo a seguir ao 25 de Abril, houve uma greve na UPACAL e eu, apesar do meu pai ser sócio, como era um operário como os outros, também alinhei. Era dos poucos que sabia trabalhar bem com o forno de túnel e então enfiei-me uns dias numa casita que eu tinha ali no Campo, onde guardava umas colmeias (dedicava-me à apicultura nas poucas horas vagas) e só apareci ao fim de uma semana. Fiz mossa porque iam dando cabo do forno para o conseguir pôr a trabalhar. Ao fim de algum tempo, lá conseguimos um aumento de ordenado.
Agora tudo isso já passou e é claro que fico triste quando olho para este edifício. Fico triste por ter fechado, porque o passado já não volta e também porque, no fim de contas, sempre recebia uns dividendos todos os anos devido à quota que tinha. Não era nada que desse para ficar rico, mas dava jeito.
Nos últimos 17 anos não fiquei parado. Ajudei a criar os netos e dediquei-me quase a tempo inteiro ao associativismo. Em 1961 eu tinha sido sócio-fundador do Atlético Clube Arneirense, que em 1989 se fundiu com o Centro Cultural do Bairro dos Arneiros, dando origem à Associação Cultural Recreativa e Desportiva Arneirense. Fui sempre dirigente da associação, mas desde há quatro anos passei a ser unicamente sócio. Agora dedico-me à agricultura, a semear uns tomates, uns feijões e umas alfaces no quintal e a cuidar de um terreno no Campo. Já é suficiente para dar cabo do corpo.
E que pão é que come um padeiro? Hoje já não há farinha de segunda, mas é pena porque essa é que era boa. Eu como pão integral. E é claro que sei distinguir um pão bem feito de um pão mal feito.
Os tempos mudaram. Antes havia 48 padarias nas Caldas. Depois veio a UPACAL que juntou 47. E agora assistimos a uma proliferação de padarias por todo o lado. Não há café, pastelaria, ou supermercado que não faça pão. Mas atenção que às vezes o que fazem é apenas cozer massa congelada.
Seja como for, enquanto no meu tempo praticamente só se fabricava papo-secos e pão de meio quilo, pelo menos agora há pão de todos os tamanhos e feitios e para todos os gostos.
A UPACAL nos anos 60. Nelson Jerónimo está ao meio. | DR
Vão ser instaladas no Parque D. Carlos I a sede da associação Nostrum e novas estufas para as espécies daquele espaço verde. Está prevista a realização de uma nova feira de artesanato que terá regularidade mensal. Para Vítor Marques, presidente da União de Freguesias, as entradas para a utilização regular do Parque devem ser gratuitas mas, para os eventos deveriam ser pagas.
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As entradas para usufruir do Parque D. Carlos I vão manter-se gratuitas, mas “os eventos que aqui se realizam deveriam começar a ser pagos”. Esta é a opinião do presidente da União de Freguesias de N. Sra. do Pópulo, Coto e S. Gregório, que tem a missão de gerir estes espaços verdes. O autarca considera que estes eventos têm custos elevados e por isso “têm que ser comparticipados nem que seja com uma entrada de valor simbólico”, disse. Será também uma forma de se poder ir aumentando a fasquia da qualidade das iniciativas. Não era preciso que os preços fossem muito caros. Bastaria que fossem dois ou três euros, dando direito a algumas horas de estacionamento gratuito.
Ao todo, a Câmara Municipal transferiu 200 mil euros para a União de Freguesias para a gestão do espaço. Este montante, quando a gestão pertencia ao CHO, em épocas financeiras mais desafogadas, “era gasto só em jardinagem”, referiu Vítor Marques.
Já sob coordenação da Junta já foi recuperado o coreto, e estão agora disponíveis mais duas salas no Céu Vidro que permitem a realização de mais actividades. Além da Casa dos Barcos, foram também recuperados caminhos, bancos e papeleiras.
A decorrer está a segunda fase da instalação eléctrica que permite a substancial melhoria da iluminação do parque. “Nunca fechamos o parque antes das 22h30. E quando há eventos, só encerramos à meia-noite ou 1h00”, disse o autarca, explicando que se têm multiplicado os eventos como peças de teatro, jantares temáticos, concerto, conferências, corridas, PAPs das escolas, num sem fim de actividades. Encontra-se em avaliação a possibilidade de melhorar a vigilância e de o parque vir a ficar aberto 24 horas por dia, disse o presidente da Junta.
Estufas e sede da Nostrum
A curto prazo serão criadas estufas que vão funcionar como viveiros de espécies para plantar no Parque e na Mata e também em todos os jardins da cidade. Além do CEERDL estão previstas outras parcerias com entidades como o Paúl de Tornada. “Poderão também vender-se plantas ao público”, disse Vítor Marques.
Em curso está também a parceria com a associação Nostrum. Em breve, esta associação ligada às questões ambientais irá ter sede no Parque, instalando-se numa estrutura pré-fabricada no espaço onde esteve a Orbitur. “Usando recursos e equipamentos que já existem vamos conseguindo avançar”, disse o autarca.
Na Mata Rainha D. Leonor têm sido feitos trabalhos de manutenção, recuperação e limpeza. Estão a ser recuperados caminhos e canteiros. Já nos últimos dois anos, as pequenas obras tinham sido levadas a cabo pela Junta de Freguesia que pretende melhorar as condições do parque de merendas daquele espaço. Ainda assim “há muita coisa para fazer nos dois espaços verdes”, referiu.
Feira mensal destacará artesanato
A Feira das Velharias já se realiza há vários anos no Parque. Aos segundos domingos de cada mês, com base no parque das Bicicletas, o evento foi crescendo e hoje estende-se para várias artérias laterais, percorre as traseiras do Museu Malhoa e estende-se até ao parque das merendas, junto ao chamado roseiral, até ao Pavilhão que em breve vai passar a albergar uma feira de artesanato regular. Esta vai designar-se Feiroeste, será mensal e vai realizar-se ao segundo sábado de cada mês. A primeira está prevista para 9 de Julho e será organizada por autores formados no Cencal.
A gestão das Feiras das Velharias é feita com conhecimento da União de Freguesias mas sob coordenação ADIO, onde também se realizam Feiras das Velharias. “Eles têm os meios humanos e desde o início do ano que têm a gestão deste evento”, disse Vítor Marques. No mês de Junho participaram nas Velharias cerca de 150 feirantes, a maior participação de sempre.
Começa hoje a primeira feira internacional de cutelaria artesanal das Caldas no foyer do CCC. O evento decorre até domingo e reúne 40 expositores de seis países. Haverá ateliers para montar e afiar navalhas e exposições tanto de cutelaria artesanal como industrial. A entrada é gratuita.
A primeira Feira Internacional de Cutelaria Artesanal das Caldas da Rainha começa hoje. O certame, que decorre até domingo, reunirá no foyer do CCC 40 expositores oriundos de Portugal, Espanha, França, EUA, Rússia e Paquistão.
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Os cuteleiros da região poderão mostrar o seu trabalho e contactar com fornecedores de matérias-primas. O público poderá apreciar exemplares únicos e contactar com cuteleiros, visitar exposições que retratam a evolução da cutelaria na região e poderá participar em workshops para montar navalhas. Um destes workshops integra o projecto Familiarte. Haverá ainda uma sessão de esclarecimento acerca da lei das armas brancas, a cargo da PSP.
A feira, que tenta dar a conhecer o que é feito nesta região, procura mostrar tanto o lado artesanal, como o industrial.
A apresentação deste evento decorreu no passado sábado no posto de turismo (ao cimo da Praça da Fruta). No pátio dois cuteleiros – David Garrote, de Alcobaça e Tiago Garcia, do Painho – forjavam ferro enquanto as pessoas apreciavam. Aqueciam o ferro, colocavam-no em cima da bigorna e batiam com os martelos, num tão típico som, que se prolongou durante a conferência de apresentação.
Rui Rocha, presidente da Junta de Santa Catarina, salientou o peso desta actividade na freguesia a que preside e na vizinha Benedita. “É a actividade económica mais importante da freguesia, emprega cerca de 500 pessoas e mais 500 pessoas na Benedita”, afirmou, sugerindo que a região deveria ser a Capital Mundial da Cutelaria. “Existem cinco empresas que exportam mais de 90% da sua produção para 70 países”, informou, sugerindo que exista uma aposta no turismo industrial em que as cutelarias abram as portas para receber turistas.
Já Filipa Norte, da oficina Lombo do Ferreiro, disse que o número de expositores que se inscreveram foi superior às expectativas, tal como os apoios recebidos.
Filipa Norte referiu ainda que a cutelaria é um nicho de mercado muito interessante.
Por sua vez, Carlos Norte explicou que querem “retirar a conotação de arma” que é atribuída às facas e educar as crianças para o uso e respeito por este tipo de objectos.
Durante a apresentação foi lançado um livro sobre o canivete português que reúne dez modelos típicos e informação sobre os mesmos. A ideia de lançar esta obra surgiu da participação do Lombo do Ferreiro em feiras internacionais de cutelaria no estrangeiro. “Tínhamos vontade de dar a conhecer o canivete português”, esclareceu.
Paulo Tuna, cuteleiro que tem sido procurado para criar peças únicas, afirmou a sua “dificuldade em encontrar matéria-prima”, o que condiciona o crescimento do seu projecto.
Vítor Marques, presidente da União de Freguesias de Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório, sugeriu que “o Cenfim e o Cencal têm potencial e provas dadas” para integrar um curso profissional de cutelaria. Mas Tinta Ferreira, presidente da Câmara, disse que já houve uma tentativa de criar um curso profissional equivalente ao 12º ano na área da cutelaria, na escola de Santa Catarina, mas que “não houve inscrições”. Ainda assim, o edil referiu que as opções pelo Cencal e Cenfim são uma possibilidade a considerar.
PROGRAMA
Sexta-feira – 1 de Julho
17h00 – Abertura ao Público
17h30 – Inauguração
21h00 – Encerramento
Sábado – 2 de Julho
10h00 – Abertura ao Público
11h00 às 13h00 – Atelier “Monta a tua própria navalha”
15h00h às 17h00 – Atelier “Monta a tua própria navalha”
17h00 – “Afiação e Manutenção de Lâminas”
17h30 – Sessão de Esclarecimento “Lei das Armas Brancas” a cargo da PSP
21h00 – Encerramento
Domingo – 3 de Julho
10h00 – Abertura ao Público
11h00 – “Afiação e Manutenção de Lâminas”
11h00 às 13h00 – Atelier “Monta a tua própria navalha”
15h00 às 17h00 – Atelier “Monta a tua própria navalha”
18h00 – Sorteio de Peças de Cutelaria entre os visitantes
19h00 – Encerramento do Evento
A dupla caldense Diogo Oliveira e Afonso Reis venceu e convenceu na segunda etapa do circuito nacional de vólei de praia, em Carcavelos, realizada no passado fim-de-semana.
[shc_shortcode class=”shc_mybox”]A competir no escalão de Sub18, os caldenses entraram muito fortes e não perderam nenhum set no caminho para a final, marcado por muito vento e calor. Na final venceram com uma vantagem confortável e mostraram uma superioridade notória.
A participação destes atletas no escalão sénior tem dado outra maturidade que reflete claramente na qualidade do voleibol apresentado. Os treinadores de praia do Sporting das Caldas, Luís Moreira e Ricardo Oliveira, não se tem poupado a esforços no treino desta dupla e os resultados fazem-se sentir.
A próxima etapa realiza-se já este fim-de-semana e os caldenses jogam em casa, na Foz do Arelho, numa prova organizada pela FP Voleibol, Câmara Municipal de Caldas da Rainha e Sporting Clube das Caldas.[/shc_shortcode]
O Caldas divulgou no final da semana passada os três primeiros reforços para a próxima época. Natalino é um guarda-redes, Diogo Bento reforça a ala direita e Alexandre Cruz é opção para o ataque.
[shc_shortcode class=”shc_mybox”]Diogo Bento, de 25 anos, é um jogador formado no Torreense. Representou o Peniche na época passada e tem ainda passagens no At. Malveira e no Lourinhanense. Na época passada foi utilizado por Pedro Solá sobretudo a lateral direito, mas na parte final da época surgiu a ocupar a posição de extremo. Fez 33 jogos pelo Peniche e marcou cinco golos.
Com a entrada de um lateral no plantel, José Vala fica com a garantia, salvo duplo infortúnio, de poder contar em exclusivo com André Santos para o meio-campo, posição na qual se tem evidenciado mais ao serviço do pelicano.
Para o ataque o Caldas garantiu o concurso de Alexandre Cruz, que na época passada se destacou ao serviço do Campeão Distrital Ginásio de Alcobaça. O jovem avançado tem 21 anos e marcou por 24 vezes ao serviço dos azuis em 38 jogos, revelando-se fundamental na conquista do título. O avançado é natural do Juncal e conta com passagens por Beneditense, Marinhense, U. Leiria e Portomosense.
Da Divisão de Honra Distrital vem também Natalino, guarda-redes de 22 anos que fez todo o seu percurso pela AE Óbidos, onde foi treinado justamente por José Vala. É, para já, o único guardião garantido para fazer concorrência ao titular da baliza alvinegra nas últimas quatro temporadas, Luís Paulo.
Estas três contratações encaixam como uma luva na política desportiva dos alvinegros, jovens com valor, da região, que trabalham para dar o salto competitivo nas suas carreiras.
O plantel tem agendado o regresso aos trabalhos no dia 18 de Julho.[/shc_shortcode]
Decorreu entre domingo e quarta-feira a primeira edição do Portugal Internacional Cup nas Caldas, em Óbidos e Peniche. A iniciativa, de uma empresa privada, movimentou cerca de 900 jovens dos 8 aos 19 anos.
[shc_shortcode class=”shc_mybox”]Ao todo estiveram envolvidas 58 equipas em seis escalões diferentes. Os traquinas, benjamins e infantis jogaram futebol de 8, os iniciados, juvenis e juniores jogaram futebol de 11. Mais de metade das equipas (36) viajaram de Espanha e muitos dos jovens atletas vieram acompanhados dos respectivos familiares, o que também contribuiu não só para a divulgação do Oeste, como para trazer movimento ao comércio e à hotelaria da região durante estes dias.
As equipas que viajaram do país vizinho representaram os clubes Calasanz, Pasillo Verde, Atlético Pinto, Hogar, Puentecastro, Getafe, Ponteferradina e L’Alcudia.
A estes juntaram-se várias equipas dos clubes da região, como AE Óbidos, Caldas, Peniche, Escola Académica e Bombarralense, e ainda uma equipa do SL Marinha, da Marinha Grande.
A abertura realizou-se no domingo de manhã no Estádio Municipal de Óbidos, onde todas as equipas desfilaram ao som do tema da Liga dos Campeões. Alberto Pereira, Pedro Félix e Jorge Amador, vereadores das autarquias das Caldas da Rainha, Óbidos e Peniche – parceiras do evento – deram o pontapé de saída perante uma plateia entusiasta, composta sobretudo pelas comitivas espanholas. O público pôde ainda assistir à actuação do Rancho Esperança na Juventude do Nadadouro.
A organização do evento, a cargo da empresa Futból Base Internacional, reiterou a ideia deixada na apresentação do evento, de que pretende tornar esta competição na mais importante a este nível realizada na costa atlântica e agradeceram a confiança depositada quer pelas autarquias, quer nos clubes parceiros.
Já os vereadores dos municípios foram unânimes em reconhecer que, para além da componente desportiva, este torneio é uma boa forma de dar a conhecer a região em termos de turismo. De resto, o calendário da prova integrou roteiros turísticos, como idas à praia, e culturais.
As finais decorreram na quarta-feira, no Estádio do GD Peniche, já depois do fecho desta edição.[/shc_shortcode]
O cluster termal Caldas e Óbidos tem que ser diferenciado e dirigido a públicos diferentes. A cidade deve apostar na reabilitação e a vila na área do bem-estar. Foi o que defendeu João Pinto Barbosa, secretário-geral da Associação das Termas Portuguesas no ciclo “Regresso às Termas”. Na sua opinião o destino até deve ser pensado em conjunto, sem esquecer que é preciso apostar nos produtos da região.“Usem e abusem do que é local”, disse o convidado, que é também da área do marketing, e que vê também um potencial de atracção raro na piscina da Rainha. “Há turistas que pagariam bom preço pela experiência de mergulhar naquele espaço histórico”, disse.
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Caldas da Rainha “não pode perder a sua identidade histórica e deve dedicar-se à terapêutica e à recuperação enquanto que Óbidos poderia dedicar-se ao bem-estar”. O convidado considera que seria trágico se os dois concelhos fizessem a mesma coisa. “Faz sentido que trabalhem o destino em conjunto e que tenham motivações e até públicos diferentes”, comentou João Pinto Barbosa, secretário-geral da Associação das Termas Portuguesas. O convidado recordou que entre 2018 a 2020 haverá uma realidade termal nas Caldas e em Óbidos e é preciso pensar na melhor forma de as aliar para criar um cluster atractivo, tão próximo da capital. Foi esta uma das principais interrogações que João Pinto Barbosa, secretário-geral da Associação das Termas Portuguesas, trouxe à Eira Branca, a 18 de Junho. Segundo aquele responsável, também docente universitário na área do marketing, há vários anos que o Ministério da Saúde “nada ou quase nada fazia” pela estrutura termal caldense e por isso, congratulou-se com o facto de ser agora a Câmara a gerir esta realidade. “O foco tem que ser na reabilitação no Hospital Termal e não apenas a nível nacional mas também internacional”, disse o convidado que considera que “seria trágico fechar o hospital e inventar qualquer outra coisa. Disso, não tenho dúvidas”, afirmou. Uma das apostas poderia ser o turismo médico. Portugal poderia tentar cativar público que precisa de recuperar de intervenções cirúrgicas em ambiente termal. Seria uma ideia para as Caldas que, à semelhança de estâncias termais da Hungria, já o estão a fazer com êxito. “Convalescer em ambiente termal é muito mais barato do que numa cama de hospital, além de que é muito mais saudável”, disse o orador. A questão da vida e dos hábitos saudáveis estão também muito em voga e pelos 34 espaços termais lusos estão a surgir propostas na área da saúde e da prevenção que pretendem captar mais turistas. Além de diversificar a oferta das estâncias, procura-se que também ajudem a desenvolver as regiões mais desfavorecidas do país onde estão as estâncias termais. “São programas que se inspiram nas mini-curas francesas e que decorrem em programas de sete dias”, explicou João Pinto Barbosa, acrescentando que estes programas também querem captar população mais urbana e activa.
A piscina da rainha
Durante a sua intervenção, o orador destacou uma pérola do património termal caldense: a piscina da Rainha. “Quando mostro esta piscina nos congressos internacionais, perguntam-me logo se é possível tomar ali banho”, comentou João Pinto Barbosa, enquanto mostrava uma bela fotografia desta piscina ancestral, existente no Hospital Termal das Caldas. “E porque não tirar proveito do património? Poderia ser uma espécie de ritual, caro, pois é algo único que merece ser vivido. Estou em crer que muita gente gostaria de o fazer”. Na sua opinião, nunca poderia custar menos de 500 euros (e poderia chegar ao dobro) pois é algo que tem uma “capacidade de atracção invulgar”. E deixou ainda outros conselhos: apostar na produção local e saber vender o que é autêntico e singular. “Faz todo o sentido fazer uma exfoliação com rosas da Bulgária naquele país. Por cá é preciso descobrir o que a localidade tem para oferecer. Usem e abusem do que é local”, afirmou o secretário-geral, recordando que os turistas vão sempre à procura do que as localidades têm de diferente para lhes oferecer.
Na anterior sessão deste ciclo sobre as termas, a convidada foi a professora universitária Manuela Hasse que fez uma reflexão sobre o património e sobre a simbologia da água. Na sua intervenção deixou clara a necessidade manter, actualizar e salvaguardar o património termal. Salientou o dever de todos na manutenção e conservação dos espaços.
TINTA FERREIRA ENCERRA CICLO DAS TERMAS
O ciclo “Regresso às Termas” termina amanhã, 2 de Julho, pelas 16h00, no Museu Malhoa com a participação do presidente da Câmara das Caldas, Tinta Ferreira, que fará a apresentação “Caldas da Rainha: Que caminho para o termalismo?”. Será o final de um ciclo de sessões organizadas pelo Casal da Eira Branca e coordenadas por Jorge Mangorrinha.