Category: Sociedade

  • Cadaval: CPCJ aborda maus tratos na infância e juventude em sessão

    A Comissão de Proteção de Crianças e Jovens do Cadaval promove, no próximo dia 30 de outubro, das 9h30 às 17h, no cineauditório Valentina de Abreu (Cadaval), a conferência “Maus Tratos na Infância e Juventude – II Módulo”. A psicopedagoga Fátima Duarte, da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens é a oradora.

  • Memórias de um antigo combatente

    Jardim da Estrela, Lisboa, num pequeno parque infantil entre baloiços, escorregas e bancos de jardim, sempre vigiados pelas nossas Mães, um grupo de crianças lá vai passando o tempo.

    A certa altura a minha Mãe chamou-me e indicou-me um homem sentado num banco lendo um jornal. Aproximei-me e dei os bons dias, acrescentando que o meu Avô também lia o jornal “O Século”. Iniciou-se aqui uma pequena conversa, pois salientei que já sabia ler (tinha passado para a terceira classe) e que em certos momentos acompanhava o meu Avô na leitura. Admirou-se e deu-me os parabéns! Perguntei como se chamava? Respondeu Coutinho… e eu sou o Armando. A conversa pouco mais durou, mas quando cheguei a casa o meu Avô disse-me que eu tinha falado com Gago Coutinho…

    Natal de 1968, ano do início da minha curta carreira militar, depois de fazer o CSM (curso de Sargentos Milicianos em Tavira e Tancos, especialidade de Eq. Mec. Eng.) fui colocado no Batalhão Sapadores Caminhos de Ferro, em Campo de Ourique, dando instrução de preparação física, manejo de armas e outras atividades militares, aos instruendos duma companhia de saúde, cuja formação técnica era ministrada por médicos do Hospital Militar da Estrela.

    Nesta época de Natal organizou-se na unidade um almoço da guarnição militar, comemorando a efeméride. Aqui conheci um figurão ímpar das nossas Forças Armadas. O Senhor Aníbal Augusto Milhais, que entre outras condecorações ostentava o colar da ordem militar da torre e espada. Eu conhecia a história do célebre Soldado Milhões, que se distinguiu na Grande Guerra, em França. No fim da conversa desejou-me felicidades pois comuniquei que estava para breve a minha ida para Moçambique, destino: 2ª Companhia Engenharia – Vila Cabral – Niassa.

    Quando me lembro destes dois episódios, fico feliz e em certas alturas a emoção … transvasa.

    Depois duma longa viagem (36 dias) lá cheguei ao destino, no norte de Moçambique. Aqui fiquei 26 meses, percorrendo o Niassa, ajudando na construção de picadas para a Força Aérea, pontões e uma ponte com quase 150 metros. Ajudando também as populações, em especial na época das chuvas, fomentando a paz, em tempo de guerra, em locais remotos.

    Muito mais haveria a dizer, mas termino saudando os militares portugueses que por esse mundo fora protegem populações e evitam o desenvolvimento da guerra. Que um dia quando regressarem façam parte da família de antigos combatentes, como eu, que entre outros, têm como símbolo honrado a sala do capítulo do Mosteiro da Batalha, para que a nossa nação continue Nobre e Imortal. ■

    Armando Martins Alvoeiro
    (2ª Companhia Engenharia “Com jeito vai” – Sócio
    Combatente n. º179.338)

  • Marta Temido espera que médicos possam chegar em novembro

    Marta Temido espera que médicos possam chegar em novembro

    Ministra da Saúde está confiante na resolução do problema no Centro de Saúde

    A ministra da Saúde está confiante de que a falta de médicos de família no Centro de Saúde do Bombarral, que está a afetar a população, será resolvida, em novembro, quando abrir o novo concurso de recrutamento. É essa a expetativa de Marta Temido, ao intervir, na qualidade de militante socialista, no ‘webinar’ promovido pelo recandidato a presidente da Câmara Municipal, Ricardo Fernandes, realizado durante a campanha eleitoral.

    “Certamente que o Bombarral terá os lugares necessários para poderem ser preenchidos e para atrair pessoas e voltar a responder adequadamente aquilo que são as necessidades desta população que agora ficou desfalcada”, assegurou Marta Temido.

    Dois anos e meio depois de ter sido inaugurado pelo primeiro-ministro António Costa como a 100ª Unidade de Saúde Familiar (USF) do país, o Centro de Saúde do Bombarral está a atravessar um período crítico. Há médicos que se aposentaram, duas estão de licença de maternidade, um casal pediu mobilidade para a zona de residência, no Norte do país, o mesmo sucedendo com outro profissional que também está de malas aviadas para a terra natal. Marta Temido acredita que “a vantagem que o Bombarral teve foi ter criado uma USF, mais apetecível para atrair médicos”, concluindo que “está melhor posicionado para atrair gente nova para novos projetos”.

    Entretanto, a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo respondeu à Gazeta sobre esta questão. Sem adiantar que medidas vai implementar, a curto prazo, informa que “pese embora o constrangimento verificado, importa referir que a prestação de cuidados de saúde aos utentes sem médico tem sido diariamente assegurada, incluindo a vigilância dos grupos de risco, nomeadamente a saúde infantil, saúde materna, planeamento familiar e diabetes”. A ARSLVT não confirma as negociações com o município e a Misericórdia do Bombarral, para prestar apoio médico à população, resumindo que, conjuntamente com o Agrupamento de Centros de Saúde Oeste Norte, “estão a envidar todos os esforços para encontrar soluções que permitam reforçar a capacidade de resposta aos utentes do Centro de Saúde”. ■

  • Peniche: Substituídos telhados em edifícios de habitação social

    A Câmara Municipal de Peniche deu início, ainda no mês de setembro, à substituição dos telhados dos blocos 2 e 3 do Bairro Fernão de Magalhães e bloco 2 da Rua 1º de Maio, destinados a habitação social. Em comunicado, a autarquia sublinha que a intervenção visa dar “condições dignas de habitação à população mais desfavorecida, a par de uma estratégia de manutenção e conservação do património edificado”. ■

  • Óbidos: DGADR investe na montagem de bocas de rega nas baixas

    Foi lançada a empreitada de fornecimento e montagem de contadores individuais nas bocas de rega do Aproveitamento Hidroagrícola das Baixas de Óbidos e Amoreira, intervenção que está orçada em 430 mil euros. O concurso público, a cargo da Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural, foi publicado há dias em Diário da República e prevê um prazo de execução da obra de 180 dias. ■

  • Alcobaça: Avança obra de pavimentação no acesso à urgência do Hospital

    Alcobaça: Avança obra de pavimentação no acesso à urgência do Hospital

    O Centro Hospitalar de Leiria vai investir 50 mil euros na empreitada de remodelação e repavimentação do acesso à urgência do Hospital de Alcobaça Bernardino Lopes de Oliveira (HABLO). A obra já tinha sido lançada anteriormente, mas foi agora alvo de uma retificação do anúncio de procedimento. O edifício do HABLO pertence à Misericórdia de Alcobaça, mas está cedido ao Estado. A obra tem um prazo de execução de 30 dias. ■

  • Gazeta das Caldas  assinala 96 anos  ao serviço da região

    Gazeta das Caldas assinala 96 anos ao serviço da região

    Dirigentes e colaboradores reuniram-se para um convívio na redação para soprar as velas ao jornal mais antigo do distrito de Leiria

    A Gazeta das Caldas celebrou, na passada sexta-feira, 96 anos ao serviço da região. Fundado em 1 de outubro de 1925, o semanário é o jornal mais antigo do distrito de Leiria ainda em publicação, liderando há décadas as audiências no Oeste, no número de leitores e com milhares de assinantes fiéis, que mantêm o hábito de acompanhar os principais acontecimentos das Caldas e dos concelhos vizinhos através das páginas do jornal que sempre se assumiu como um “jornal regionalista”.
    Para assinalar a data, a Direção da Cooperativa Editorial Caldense, entidade proprietária do jornal, promoveu um convívio com a direção editorial e os colaboradores e trabalhadores da Gazeta, com os presentes a terem direito a uma fatia do bolo de aniversário.
    Na ocasião, Francisco Rebelo dos Santos, presidente da Direção da cooperativa, agradeceu o “empenho e a abnegação” dos trabalhadores da Gazeta das Caldas, manifestando “uma renovada esperança” no futuro de um jornal que tem sabido “vencer os desafios” com que a imprensa regional se tem vindo a deparar nas últimas décadas.
    Durante todo o dia, a redação e os serviços de atendimento da Gazeta das Caldas receberam inúmeras mensagens e contactos de leitores, assinantes e anunciantes, que fizeram questão de dar os parabéns ao jornal de referência das Caldas e do Oeste Norte, que está, a passos largos, a caminho do centenário. E que está empenhado em continuar a prestar um serviço público aos caldenses e aos habitantes dos concelhos da região, pelo menos, por mais um século… ■

  • Bicicletas elétricas de uso partilhado chegam às Caldas

    Bicicletas elétricas de uso partilhado chegam às Caldas

    O Projeto Rainhas, com origem no OP de 2015, numa fase inicial irá funcionar com 20 bicicletas e quatro estações

    O projeto de bicicletas elétricas de uso partilhado nas Caldas, que visa promover a mobilidade sustentável e a melhoria da qualidade de vida cidadãos, deverá entrar em funcionamento ainda durante o mês de outubro.

    A iniciativa resulta do Orçamento Participativo de 2015 e está em fase de testagem e parametrização, por parte da empresa de Águeda, light mobie. De acordo com a vereadora Maria João Domingos, neste momento o serviço está apenas a ser utilizado pelos alunos do curso UAAARE (Unidade de Apoio ao Alto Rendimento Escolar da Escola Rafael Bordalo Pinheiro) desde o dia 23 de setembro, quando a autarquia entregou a cada um dos jovens, além do passe de gratuitidade para o Toma, também um cartão para poderem usar as bicicletas elétricas.

    Nesta primeira fase estarão disponíveis 20 veículos, e quatro estações (junto à biblioteca, Parque, Rodoviária e Centro de Alto Rendimento do Bandminton), com docas para 10 bicicletas cada.

    Atualmente, e apesar do serviço ainda não estar a funcionar, já existem interessados no uso das bicicletas, que fizeram o registo na Câmara e o objetivo é que, entretanto, e com o aplicação informática a funcionar, esse registo possa ser feito online, permitindo assim uma maior utilização.

    Fomentar novos estilos de vida mais saudáveis e promover a bicicleta

    O projeto, que foi um dos vencedores do OP, previa uma verba de 60 mil euros, mas que foi aumentada porque a “câmara teve de investir noutras componentes para o deixar mais atualizado”, explicou a autarca. Maria João Domingos destaca o investimento que tem sido feito para tornar a cidade “mais caminhável e ciclável”,permitindo deslocações em modos suaves, para que as pessoas se habituem a usar menos o automóvel, ou que possam deixá-lo nas zonas mais periféricas. Tem, para isso, apostado na promoção de outros modos de deslocação, como a bicicleta, com a construção de ciclovias, instalação de parqueadores para bicicletas, apoio ao Projeto U-bike e a implementação deste projeto.

    Nos últimos anos tem procurado promover a mobilidade sustentável, apostando fortemente na acessibilidade ao transporte coletivo, Projeto TOMA, e na valorização do usufruto do espaço público pelo peão, conforme evidenciado nas obras de regeneração realizadas e em curso na cidade das Caldas da Rainha, concretiza.

    Quando foi proposto, por João Ricardo Marques, o projeto Rainhas pretendia “fomentar novos estilos de vida mais saudáveis e promover a bicicleta como uma prioridade de mobilidade”. ■

  • Emanuel Vital concorre a bastonário da Ordem dos Fisioterapeutas

    Emanuel Vital concorre a bastonário da Ordem dos Fisioterapeutas

    Reforçar a identidade do fisioterapeuta e promover a qualidade da fisioterapia são objetivos do candidato

    Emanuel Vital, residente nas Caldas da Rainha há mais de duas décadas, é candidato a bastonário da Ordem dos Fisioterapeutas. Trata-se da primeira vez que esta organização, criada a 29 de setembro de 2019, vai a votos e o ato eleitoral está marcado para 15 de novembro.

    A concorrer está também António Lopes, que ocupou o cargo de vice-presidente da Comissão Pró-Ordem da Associação Portuguesa de Fisioterapeutas.

    Fisioterapeuta desde 1984, Emanuel Vital justifica a sua candidatura com o facto de “viver” a profissão e por verificar muitas situações que necessitam de ser resolvidas. “Temos uma profissão muito rica, com profissionais muito bons, mas que ainda precisa de se consolidar e ser regulamentada”, explicou à Gazeta das Caldas.

    Ter exercido funções de presidente da Associação Portuguesa da Fisioterapeutas (APFISIO), entre 2016 e 2019, também lhe permitiu “ver por dentro” o trabalho que ainda era necessário fazer, pelo que considera estar bem preparado, juntamente com a sua equipa, para este desafio.

    Emanuel Vital elege como missão a defesa da identidade da profissão e promoção da qualidade dos serviços. Mas, para que isso aconteça, é necessário conhecer melhor a profissão através do contato direto e imediato com os colegas. De acordo com este profissional, os hospitais não chegam a ocupar 10% dos fisioterapeutas, cabendo esse papel às IPSS, espalhadas por todo o país e que integram, provavelmente, mais de 3.000 destes profissionais. Também há a necessidade de regulação, tendo em conta que muitos têm prática liberal e que, cerca de 80% dos fisioterapeutas existentes formaram-se durante a última década.

    “Temos uma profissão muito rica, mas que precisa de ser regulamentada”

    Emanuel Vital

    Atualmente há cerca de 15 mil cédulas profissionais atribuídas pela Administração Central do Sistema de Saúde, estimando-se que existam entre 12 a 13 mil fisioterapeutas em exercício, considerando os que estão em mobilidade no estrangeiro e os que já se reformaram.

    O candidato elege também como prioridade a realização de um estudo do impacto económico da profissão. Dá como exemplo a Austrália, em que os estudos mostram que um dólar australiano investido em fisioterapia, para as condições músculo- esquléticas, tinha como retorno uma poupança de seis dólares. “Este é um custo-benefício que não existe para muitas condições de saúde”, salienta Emanuel Vital, alertando para a necessidade de um modelo integrador nos cuidados de saúde.

    “Ou investe-se de forma adequada ou estão a delapidar os custos com a saúde em Portugal”, realça, acrescentando que, tendo conhecimento desses dados, não há justificação para não recrutar mais terapeutas para o SNS e não mudar o modelo de financiamento das intervenções de fisioterapia. “Num sentido positivo, o que queremos é mostrar como o dinheiro público pode ser usado de forma mais eficaz”, diz o candidato, que acredita que serão criadas as condições favoráveis para “abrirmos o caminho para tornar mais universal o acesso aos cuidados de fisioterapia”.

    Fisioterapeuta e a exercer funções de técnico superior diretor no centro de saúde da Marinha Grande, Emanuel Vital, de 57 anos, é natural da Madeira, e residente nas Caldas da Rainha desde 2000. ■

  • Ministra da Agricultura apadrinha inauguração da sede da Leader Oeste

    Ministra da Agricultura apadrinha inauguração da sede da Leader Oeste

    Maria do Céu Antunes valorizou três décadas de existência do Programa LEADER e ouviu pedidos de apoio aos agricultores da região

    Há cerca de dois anos que a Leader Oeste está instalada na antiga escola primária do Cadaval, mas só na passada sexta-feira, e ultrapassadas as grandes contingências provocadas pela pandemia, a associação procedeu à cerimónia de inauguração da sede, numa sessão abrilhantada pela presença da ministra da Agricultura.

    Fundada em 1994, e desde 1996 instalada no Cadaval, a Leader Oeste reúne, agora, no mesmo espaço a sede e os serviços do Contrato Local de Desenvolvimento Social 4G Melhor Cadaval e do Europe Direct Oeste, Lezíria e Médio Tejo.

    A autarquia fez melhorias no espaço exterior do edifício, ficando a intervenção no interior da antiga escola a cargo da Leader Oeste, associação que tem como área de intervenção os 12 concelhos do Oeste na medida LEADER e trabalha com os municípios no que concerne à informação relativa à União Europeia.

    Presente na inauguração, Ana Souto, vice-presidente Federação Minha Terra, classificou a obra como um “momento carregado de simbolismo”, destacando que a coesão “assume-se como pertinente nos tempos atuais”. “O futuro da Europa e o do país não pode deixar nenhum território para trás”, salientou a dirigente.

    Aproveitando a presença da ministra da Agricultura, o presidente da Câmara do Cadaval pediu ao Governo um olhar atento para o impacto de o fogo bacteriano está a ter junto dos produtores da região e solicitando apoios para fazer face ao aumento no custo da eletricidade. José Bernardo Nunes garantiu, ainda, que a Câmara do Cadaval está “disponível para ajudar a encontrar soluções” para a disponibilização de água para rega.

    “O Projeto Tejo é uma solução, mas desconhecemos o ponto de situação e pode demorar uma década para resolver os probelmas do Oeste”, alertou o autarca, sublinhando que foi “em boa hora” que a Câmara cedeu a escola primária à Leader Oeste, uma “entidade dinamizadora da economia da região”.

    O presidente da Leader Oeste agradeceu à Câmara do Cadaval a cedência da escola e recordou o impacto de alguns dos projetos desenvolvidos pela associação, como o programa PROVE – Promover e Vender ou o mercado ECOrural, que funciona aos sábados, e cujos produtos foram apresentados nesta inauguração, mas também o levantamento dos moinhos do Oeste

    “Estas novas instalações permitem dinamizar todas as valências da Leader. Considerando o espaço, poderemos pôr este local ao serviço dos associados, da comunidade e do Oeste, consolidando a equipa técnica em várias áreas e continuando a desenvolver um trabalho em rede”, frisou Pedro Folgado, o presidente da Câmara de Alenquer que também lidera a Comunidade Intermunicipal do Oeste.

    Coube a Maria do Céu Antunes encerrar os trabalhos, tendo a ministra enfatizado os 30 anos do Programa LEADER, uma iniciativa que “deu início a variadas transformações nos territórios rurais da Europa”, revelando-se um “instrumento programático de sucesso, mobilizador das comunidades, potenciador da identidade territorial e da valorização dos recursos endógenos, além do importante contributo para a fixação das populações”.

    No entender da ministra da Agricultura, 2021 e 2022 “são anos muito importantes para fazer a transição” do Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (2023-2027), visando garantir o abastecimento alimentar, atingir objetivos ambientais e climáticos e promover o desenvolvimento socioeconómico dos territórios rurais.

    “[Com o PRR e a PAC (2023-2027)], torna-se necessário fazer mais, fazer melhor, fazer diferente e desenvolver territórios rurais mais justos, equilibrados e sustentáveis”

    Maria do Céu Antunes

    “Estamos todos convocados a reduzir a tendência de despovoamento das zonas rurais, reduzir o risco de pobreza, reduzir riscos de disparidade de rendimentos entre homens e mulheres”, destacou a governante, notando que há outros instrumentos, como o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que tem 93 milhões de euros disponíveis para “projetos de investigação e dinamização do território”.

    A antiga presidente da Câmara de Abrantes recordou que estão abertos dois avisos, com vista à “Mitigação das Alterações climáticas” e à “Adaptação às alterações climáticas”, pelo que, perante um desafio “muito grande”, surge uma “grande oportunidade para os Grupos de Ação Local” (GAL) desenvolverem iniciativas com impacto.

    “É necessário fazer mais, fazer melhor, fazer diferente e desenvolver territórios rurais mais justos, equilibrados e sustentáveis”, frisou a ministra da Agricultura, exortando os GAL para “que se organizem no território, com os seus pares e comunidades interminicipais”. ■

  • 96 primeiras páginas da Gazeta para recordar

    96 primeiras páginas da Gazeta para recordar

    Recorde a História e os principais acontecimentos locais, nacionais e internacionais nas “primeiras” da Gazeta

    O desafio a que nos propusemos era apresentar 96 primeiras páginas da Gazeta das Caldas, uma por ano, mas não necessariamente uma de cada ano.
    Numa viagem pelo arquivo de edições da Gazeta das Caldas é uma tarefa complicada escolher apenas 96 exemplos de primeiras páginas. São já mais de 5400 números publicados deste título nascido em 1925, a maior parte já digitalizado pelo Arquivo Distrital de Leiria, outra parte no arquivo da Gazeta das Caldas, tanto no físico, como no digital.
    Procuramos nestas páginas recordar alguns dos principais acontecimentos locais, regionais, nacionais e até internacionais através de primeiras páginas do seu jornal e perceber a evolução da sociedade, da cidade e da Gazeta.
    Ao longo deste exercício, que tinha obrigatoriamente que começar com a primeira e já famosa, com a manchete “Ao que vimos”, seguimos pela elevação de Caldas a cidade, pela criação dos serviços mais básicos na cidade, a inauguração da estátuta da Rainha ou a construção da igreja, do tribunal ou da rodoviária, entre outros.
    Os chamados problemas crónicos são obviamente várias vezes mencionados nas primeiras páginas do jornal. É o caso da Lagoa de Óbidos e a luta contra a natureza para a desassorear, mas também do definhar da Linha do Oeste e os vários anúncios de modernização. O Hospital Termal também é, logicamente, várias vezes assunto de primeira página, quer pela abertura anual, quer pelo encerramento a que esteve sujeito.
    A vida das Caldas está espelhada nestas páginas de memória. O regime fascista e as suas implicações nas liberdades individuais mas também na vida do próprio jornal é evidente ao longo de várias décadas.
    A tentativa de derrubar a ditadura no 16 de março e a Revolução dos Cravos que foi também o sinónimo de uma nova vida para a Gazeta das Caldas.
    Dos tempos modernos, recordamos, por exemplo, o encerramento da Secla, o terrorista da ETA que tinha bombas numa casa na Avarela, no concelho de Óbidos ou o atentado no jornal francês Charlie Hebdo, que mereceu também um cartoon na primeira página da Gazeta.
    Mas nem só o assunto interessa, e algumas destas páginas foram escolhidas pelo seu aspeto gráfico, em muitos casos arrojado para a época em que foram publicadas e várias vezes a ser alterado, mantendo, ainda assim, nestes 96 anos, desde 1925, o seu tão caraterístico logótipo, que perdeu apenas o acento circunflexo no “e”, logo numa fase inicial.
    Há, entre esta difícil escolha, exemplares que contam também um pouco da História do próprio jornal e da sua evolução, com momentos marcantes, como a passagem a bi-semanário, mas também a criação de cooperativa (tratada nas páginas 40 e 41). Há ainda números de aniversários, números especiais e iniciativas relevantes na vida da quase centenária Gazeta das Caldas. ■

  • Sustentabilidade e desperdício alimentar determinam o que vamos comer no futuro

    Sustentabilidade e desperdício alimentar determinam o que vamos comer no futuro

    A alimentação está em mudança constante e os hábitos dos consumidores são muito variados. A capacidade económica fará a destrinça entre o que vamos comer

    O leitor já ouviu, certamente, falar em alimentação macrobiótica ou gastronomia molecular. Estes são conceitos que se têm vindo a tornar correntes, um pouco à imagem do que sucedeu a alimentação vegetariana ou vegan, alternativas que, até há um par de anos, pareciam algo de inusual. O futuro da alimentação é uma perfeita incógnita, mas parece cada vez mais certo que a capacidade económica dos consumidores será o aspeto decisivo para se perceber o que cada pessoa passará a comer.
    Mesmo “sem querer fazer futurologia”, o chef Ricardo Raimundo acredita que as tendências na nossa alimentação “irão estar dependentes do fator urbano vs rural e económico-financeiro das famílias”.
    “Temos o consumidor que com menos possibilidades económicas e que recorre à grande distribuição ou supermercados, onde o fator preço e comodidade é prioritário sem olhar à qualidade, origem ou mesmo os conservantes existentes nos ingredientes ou alimentos processados e refeições prontas”, identifica o professor, olhando, depois, “tro tipo de consumidor que avalia a relação qualidade/preço, proximidade e até mesmo a sazonalidade dos alimentos. Este está em minoria e, muitas vezes, está mais desperto para outras ofertas, como o bio ou km Zero, estando assim mais disponível e com melhor capacidade financeira”.
    “Vivemos numa era de transformação e revolução na alimentação do ser humano, a tecnologia, a ciência, a investigação, a indústria alimentar, a fácil mobilidade entre muitos outros mudaram o que comemos hoje”, nota o beneditense, formador na Escola Superior de Tecnologia do Mar de Peniche e que colabora com várias empresas da região num projeto de criação e desenvolvimento de novos produtos gastronómicos..
    Este profissional salienta que, “tendo em conta as mudanças a que tivemos que nos adaptar impostas por uma pandemia em cerca de um ano e meio”, os nossos hábitos e costumes de vida “alteraram a alimentação que levávamos anteriormente em alguns aspetos”. E os consumidores denotam cada vez maiores preocupações com os alimentos que ingerem.
    “O facto de a própria medicina ter evoluído também nos tem despertado para imensas doenças de origem alimentar, pois destacam se na sua origem o excesso de sal e de açúcar como as mais difíceis de combater”, frisa Ricardo Raimundo, que antevê um futuro onde “as alergias, hábitos e escolhas ou regimes vão influenciar o que comemos e os mercados disponíveis”.
    “Temos assistindo a uma tendência de um aumento na área de produtos naturais, saudáveis, de bem estar, vegan, bio, sem glúten ou alternativas a carnes e produtos de origem animal por muitos outros”, nota o premiado chef, que destaca, igualmente, outras questões fundamentais para o futuro da alimentação de todos nós.
    “A sustentabilidade e o desperdício alimentar são cada vez mais aspetos a ter em conta, ainda que por vezes não se consiga colocar em prática tanto quanto gostaríamos. Há hoje mais pessoas e organizações dedicadas à redução do desperdício alimentar e chegam a pessoas mais vulneráveis e necessitadas alimentos em muito bom estado”, sublinha este verdadeiro embaixador dos produtos regionais, que têm vindo a promover através de inúmeras iniciativas com players regionais.
    E como poderá evoluir a alimentação dos habitantes do Oeste, tendo em conta a qualidade e variedade dos produtos autóctenes de que dispomos?
    “Continuaremos a ter uma região Oeste com a valorização dos principais produtos aqui produzidos, principalmente pelas características de micro clima e proximidade ao mar. Há várias empresas e pessoas da região a trabalhar em excelentes produtos que irão chegar à nossa mesa cada vez com mais sabor e qualidade”, garante o chef, que demonstrou ser capaz de servir uma ementa de grande qualidade para o nosso futuro alimentar. ■

    “O facto de a própria medicina ter evoluído também nos tem despertado para imensas doenças de origem alimentar”
    Ricardo Raimundo

  • Cidades do futuro devem apostar no  regresso da vivência aos centros históricos

    Cidades do futuro devem apostar no regresso da vivência aos centros históricos

    Refazer os centros urbanos é um dos grandes desafios da próxima década no que diz respeito à habitação. Mas ainda há necessidade de novas construções, para que as cidade sejam atrativas

    Ninguém parece ter dúvidas que as casas do futuro serão mais inteligentes e mais amigas do ambiente. A grande questão é saber onde estarão essas habitações, quais os preços e, sobretudo, que impactos terão nas cidades. Para Leonel Fadigas, um dos rostos do Centro de Investigação em Arquitetura, Urbanismo e Design da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa, o “projeto” de arquitetura para a região é simples: na próxima década haverá um regresso gradual aos centros históricos e cidades como as Caldas terão de ser capazes de atrair investimento, por forma a captar população.
    “As cidades do futuro vão ser diferentes na forma e no funcionamento”, assevera aquele arquiteto paisagista, notando que, hoje em dia, as cidades têm, essencialmente, dois grandes desafios para responder: “algumas estão a perder população e noutras os centros históricos estão a ficar desertos”.
    “Com a zona central degradada, uma cidade perde negócio, tem um parque habitacional degradado e é pouco atrativa. É por isso que refazer os centros é um dos grandes desafios das autarquias para a próxima década”, considera o alcobacense, que integra, desde 2005, o Conselho Estratégico do SIL – Salão Imobiliário de Portugal, evento que decorre esta semana na FIL, em Lisboa, reunindo os maiores especialistas do setor.
    Habituado a planear políticas públicas e a definir o urbanismo e ordenamento do território e a estruturação urbana, Leonel Fadigas considera que o regresso da vivência dos centros históricos “fará toda a diferença” na afirmação dos territórios. E alerta que Caldas da Rainha “não pode ficar para trás”.
    “A aposta nos centros históricos tem inúmeras vantagens, desde logo porque essas zonas centrais têm a vantagem de terem feito a identidade das cidades e, além disso, já têm as infraestruturas instaladas”, justifica o arquiteto, contrariando a ideia de que havendo perda de população nos concelhos não serão precisas habitações. “Isso é um erro. Há muita gente a viver mal. As novas habitações são necessárias para os novos residentes, mas também para quem já vive nas cidades. O que tem de ser feito é construção de qualidade e enquadrada nos núcleos urbanos, onde fica mais barato construir, dado que já existem infraestruturas instaladas”, justifica.
    Este regresso aos centros urbanos não é, todavia, um problema que se resolva apenas num concelho. Torna-se necessária uma visão estratégica para toda uma região, que se prevê venha a ser mais alargada, sobretudo com a mais que provável criação de uma nova NUT.
    Aliás, foi já a pensar nisso que, em dezembro, a Ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, a ministra da Modernização do Estado e da Administração Pública, Alexandra Leitão, e o ministro do Planeamento, Nelson de Souza, assinaram um memorando com as Comunidades Intermunicipais (CIM) da Lezíria do Tejo, do Médio Tejo e do Oeste que visa a elaboração de uma estratégia que suporte uma Intervenção Integrada de Base Territorial com incidência nestes territórios.
    Com aquele memorando, as entidades comprometem-se “a apoiar trabalhos de desenvolvimento e reflexão estratégica” de forma a dar resposta a problemas territoriais específicos no futuro quadro de fundos europeus 2021-2027 (Portugal 2030), numa abordagem que “deve permitir combater de forma mais robusta desequilíbrios regionais e potenciar recursos de cada um destes territórios”.
    A habitação está no centro destas prioridades, tal como a mobilidade das populações, sendo que estas duas áreas estão intrinsecamente ligadas. “Uma cidade só é vivida com pessoas, mas as pessoas têm de ser capazes de se mover com facilidade”, refere Leonel Fadigas.
    Mas será que é possível viver de forma condigna nos centros históricos, quando o preço da habitação é tão elevado? “Estamos perante um novo paradigma e o PRR vem precisamente nesse sentido, o de privilegiar a habitação dos centros das cidades em vez da expansão dos núcleos urbanos. Hoje em dia poderá ser um privilégio viver no centro, mas podemos reabilitar o parque habitacional e devolvê-lo às populações em condições de habitação em renda acessível. Os preços da construção estão elevados, mas há instrumentos que o Estado e as autarquias possuem e que pode ajudar a regular o mercado do ponto de vista dos preços da habitação”, advoga um dos responsáveis pelo Plano Estratégico das Caldas da Rainha apresentado em 2003, um dos vários estudos que, em traços gerais, ficaram na gaveta.
    “Com estas mudanças, melhora-se a qualidade de vida das pessoas, fixa-se população e poupa-se o solo que não se ocupa com habitação. Reduzir a expansão das áreas urbanizáveis é vital para manter um desenvolvimento sustentável e isso passa pela reabilitação dos centros das cidades”, considera o especialista, para quem será ainda necessário adotar políticas de mobilidade que permitam “retirar os automóveis ou reduzir o tráfego automóvel” das localidades.

    Rever os PDM
    Uma cidade qualificada “é sempre uma cidade com mais condições para atrair investimento”, considera Leonel Fadigas, que alerta, ainda, para a sustentabilidade do próprio sistema urbano e para a necessidade de definir outras políticas públicas para a gestão do território.
    “Temos de olhar de forma diferente para os problemas. A ideia de cidade já não é um espaço urbano. A cidade é um sistema de trocas económicas, sociais e culturais que se está a assumir na faixa litoral do país”, sustenta o alcobacense, salientando, a título de exemplo, que Leiria é hoje “uma área com 200 mil pessoas”, que apanha vários concelhos. E como fica as Caldas?
    “A modernização e eletrificação da Linha do Oeste vai ter um aumento decisivo na importância desta região. Pela primeira vez, Caldas perdeu população entre 2011 e 2021 e neste período crítico, as Caldas viveram uma letargia. Não é só o perder população, é o não sentir o dinamismo e Caldas corre o risco de enfranquecer se Torres continuar a crescer”, salienta o arquiteto, para quem a grande questão para os próximos dez anos no concelho é que a cidade seja capaz de “recuperar a centralidade e recuperar a capacidade de atrair investimento qualificado”.
    Outro dos grandes desafios que a região enfrenta na próxima década, e que tem estado na ordem do dia, tem que ver com a definição de instrumentos locais e regionais que abram caminho a um desenvolvimento mais sustentado e enquadrado com a emergência ambiental que vivemos. É nesse sentido que se torna vital rever os Planos Diretores Municipais, que, na maioria dos concelhos da região, têm décadas de existência e condicionam (ou permitem usos excessivos e indevidos) o crescimento das aldeias, vilas e cidades. ■

    “Hoje em dia poderá ser um privilégio viver no centro, mas podemos reabilitar o parque habitacional e devolvê-lo às populações em condições de habitação em renda acessível”
    Leonel Fadigas

  • O clima está a mudar e é preciso intervir

    O clima está a mudar e é preciso intervir

    As alterações climáticas são hoje uma realidade visível e, caso, não se tomem medidas a curto prazo, as consequências podem ser irreversíveis

    Os especialistas alertam e as associações ambientais exigem ação. O clima está a mudar e mais rapidamente do que se temia. E mesmo sendo tomadas medidas, muitos dos efeitos do aquecimento global vão perdurar.
    Os efeitos mais visíveis das alterações climáticas estão patentes nos chamados “eventos climáticos extremos”, onde se incluem as chuvas torrenciais (muitas vezes concentradas e fora de época) e as inundações que daí advêm, os tufões e fenómenos similares, a seca, os grandes incêndios, todos eles com elevado impacto económico e social, explica a bastonária da Ordem dos Biólogos. De acordo com Maria de Jesus Fernandes, Portugal ocupa um lugar cimeiro no ranking de países sujeitos a eventos extremos, com perda de biodiversidade e colapso dos ecossistemas, com consequências na agricultura e produção de alimentos, assim como nas reservas de água. “E , obviamente, na saúde e na qualidade de vida das populações”, remata à Gazeta das Caldas.
    O Oeste, mercê da influência oceânica, tem conseguido manter-se “um pouco à margem desta situação”, no entanto têm-se verificado fenómenos episódicos de temperaturas “anormalmente elevadas e não poderemos esquecer os grandes incêndios de outubro de 2017, que fustigaram fortemente a região”, exemplifica. Tendo em conta todas estas situações, os principais desafios que se colocam para a próxima década prendem-se essencialmente com a agricultura e as reservas de água. “Temos um sistema de rios e ribeiras, na sua maioria, de regime temporário, de caudal intermitente de inverno, e torrenciais”, explica, realçando que o território não tem sido planeado tendo em conta situações extremas de falta de água ou de chuvas torrenciais extremas. “Muitos dos leitos de cheia destas ribeiras estão ocupados por edificações e estradas, e isso pode ser de facto um grande problema num futuro próximo”, alerta. Por outro lado, o uso racional da água terá de ser uma prioridade em toda a região, bem como sua reutilização, destaca Maria de Jesus Fernandes.
    A especialista faz ainda notar que a fruticultura e os hortícolas podem não se conseguir adaptar às alterações de temperatura, do solo e das pragas (também elas em mutação devidas às alterações de temperatura), uma matéria que deverá merecer grande atenção dos investigadores e dos produtores locais.
    Para a responsável, as mudanças climáticas mais significativas na região advêm da subida da temperatura e da escassez de água. No entanto, poderemos estar perante alterações mais significativas ao nível do clima, se existirem alterações maiores ao nível das correntes oceânicas. “Beneficiamos de um clima particularmente mais ameno devido ao efeito dessas massas de água oceânica, mas alterações por ação do degelo e da subida da temperatura da água do mar poderão alterar a circulação destas massas de água provocando grande desregulação no clima, em especial nas áreas costeiras, como é o caso do Oeste”, alerta. De acordo com Maria de Jesus Fernandes, a principal mensagem a reter é que as mudanças climáticas “estão já presentes no nosso dia-a-dia, são um problema da nossa geração e não apenas das gerações vindouras. E cada um de nós pode ajudar a retardar este processo”.

    Aposta nas energias renováveis
    Também a jovem ativista Andreia Galvão partilha das mesmas preocupações ao nível das alterações climáticas, que vão desde a poluição dos rios ao ênfase na monocultura, passando pelo efeito dos incêndios que, “cada vez mais, têm assolado o país e devastado as comunidades”. A caldense considera que os desafios que se colocam na próxima década são principalmente de disputa política e defende que é necessário uma mobilização de massas, sem precedentes, em relação à resolução da crise climática. “É preciso contestar a política do business as usual, do negacionismo e da contestação de quem diz que é necessário agir, neste momento”, disse à Gazeta das Caldas.
    Caso estes problemas não sejam resolvidos será impossível reverter os impactos da crise climática, tal como o refere o sexto relatório da ONU, divulgado recentemente. “As catástrofes, os incêndios serão cada vez mais incidentes e os problemas sociais gerados dessa desigualdade cada vez mais acentuados”, adverte Andreia Galvão, realçando que as pessoas na linha da frente, nomeadamente de contextos sócio-económicos mais baixos, estarão mais expostas a problemas como a pobreza energética. “Podemos seguir este caminho ou mudar enquanto temos tempo, porque ainda temos tempo para mudar”, sustenta. Para que isso aconteça, é “preciso problematizar e visibilizar os problemas concretos relativamente à crise climática”, considera a ativista. Desde a Lagoa de Óbidos à ausência de transporte público, onde destaca a Linha do Oeste, às políticas populistas que funcionam em torno de carismas pessoais ao invés de soluções concretas para resolver o maior problema da Humanidade, são alguns dos exemplos que aponta.
    Na sua opinião, este território pode ser um “grande gerador” no setor das energias renováveis e defende que esta seja uma decisão política. Para além disso, “é preciso combater o afastamento da política, porque só é possível criar contestação política quando as pessoas se apercebem, que esta é a causa das suas vidas”, conclui a jovem ativista.

    A ameaça de inundação
    Um estudo da organização Climate Centre, publicado em finais de 2019 e denominado “Futuro inundado: Vulnerabilidade global ao nível do mar é maior do que se pensava anteriormente”, traça um quadro fortemente pessimista a meio século, e a região Oeste não é excepção. Há praias que desaparecem, a Lagoa de Óbidos vai galgar as suas margens, com especiais impactos na zona entre o Penedo Furado e o parque de autocaravanas, mas também na zona do Arelho, perto do antigo aeródromo. O documento, disponível online, revela que Peniche fica sem ligação a terra, tornando-se uma ilha, o Baleal desaparece e a Papôa também fica quase totalmente submersa. As margens do rio Alcoa sobem, na zona da Nazaré, e os campos da Cela ficam inundados.
    A marginal de São Martinho ficaria em risco e a baía estender-se-ia quase até Alfeizerão, onde já chegou no passado, e o rio Tornada também transborda e chega ao Chão da Parada. Estes resultados têm em conta a subida média do nível do mar e a precipitação anual, assim como cortes moderados em termos de poluição. De acordo com os autores do estudo, o nível médio da água do mar subiu entre 11 e 16 centímetros no séc.XX e, “em cenários de emissões mais altas, o aumento do séc XXI pode-se aproximar dos dois metros”. Tendo em isso em conta, “traduzir as projecções do nível do mar na exposição potencial da população é fundamental para o planeamento costeiro e para avaliar os benefícios da mitigação climática, bem como os custos da falta de ação”, revelam.
    No entanto, o estudo adverte que “os erros nos dados de elevação podem levar a que as áreas sejam classificadas incorretamente como seguras ou em risco” e que “os detalhes devem ser verificados com uma visita ao local e com medidas de elevação mais precisas”. ■

    “As mudanças climáticas já estão presentes no nosso dia a dia e são um problema da nossa geração e não apenas das vindouras”
    Maria Jesus Fernandes

    “É preciso contestar a política do business as usual, do negacionismo”
    Andreia Galvão

     

    Paulo Lemos
    ex-secretário de Estado do Ambiente

    Clima e sustentabilidade na Região Oeste

     

    Não há empresa, município ou governante que não inclua sustentabilidade na respetiva comunicação. Trabalhando eu há muitos anos nesta área reconheço que é um progresso. A questão é saber a fronteira entre o marketing e a verdadeira vontade de mudar. E precisamos de mudar. Todos os estudos recentes, em particular o do Painel Internacional sobre Alterações Climáticas, apontam para a necessidade de mudar os padrões insustentáveis de produção e consumo e alertam que a década em que vivemos será decisiva para evitar danos maiores. E o problema não é apenas as alterações climáticas é também o padrão de consumo de recursos dado que já consumimos 1,7 planetas por ano e, se nada for feito, em 2050, iremos consumir como se existissem 3 planetas. Isto é, estamos já a consumir recursos que pertencem ás próximas gerações.
    Portugal, devido a sua localização geográfica, é extremamente vulnerável, aos previsíveis efeitos das alterações climáticas nomeadamente secas, ondas de calor, redução de humidade, fogos, cheias e eventos meteorológicos extremos. Acresce que Portugal, com quase 2000 kms de costa (contando com Açores e Madeira), é muito vulnerável à subida do nível do mar.
    O clima ameno da região poderá evitar ou adiar alguns dos impactos mais negativos. No entanto, a costa do Oeste é muito vulnerável ao avanço do mar. As dragagens que recentemente se iniciaram na Lagoa de Óbidos fazem parte duma nova filosofia de adaptação as alterações climáticas. Em vez de dragar as areias para as margens e desta forma reduzir a área da Lagoa os dragados estão a ser enviadas diretamente para o mar de modo a reforçar a circulação das areias na nossa costa e combater o avanço do mar.
    A dimensão do desafio pode levar muitos a pensar que não vale a pena fazer nada. Pelo contrário, todos temos que contribuir.
    Os níveis local e regional podem ser decisivos neste combate dado que as cidades são responsáveis por 70% das emissões de gases com efeito de estufa no mundo, sendo os governos locais, por seu turno, responsáveis por mais de 70% das medidas de redução das alterações climáticas e até 90% das medidas de adaptação às mesmas.
    O planeamento é fundamental e os instrumentos de ordenamento local e regional deveriam ter como objetivo a mitigação das emissões de gases poluentes e a adaptação aos previsíveis impactos das alterações climáticas.
    A adapt.local – Rede de Municípios para a Adaptação Local às Alterações Climáticas foi criada para promover a elaboração de estratégias municipais de adaptação às alterações climáticas e respetiva integração nos instrumentos de planeamento municipal assim como promover a troca de conhecimento entre as autarquias e com a sociedade civil. De acordo com o respetivo site, da região Oeste só Torres Vedras faz parte desta rede.
    A melhor forma da região Oeste ser mais sustentável e resiliente é promover um modelo de desenvolvimento circular que aposte numa crescente autossuficiência em termos de recursos reduzindo (ou pelo menos não aumentando) o consumo de matérias-primas, energia e a produção de resíduos para além da capacidade de regeneração da biosfera.
    Na área da energia a Região deve aumentar a produção local de energias renováveis, incentivando o autoconsumo ou a criação de Comunidades de Energia Renovável.
    Os edifícios públicos também devem dar o exemplo e serem eficientes do ponto de vista energético e hídrico. O poder local também deve incentivar os cidadãos a aproveitar os incentivos dos programas comunitários e nacionais para tornar as suas habitações mais eficientes. Deve também aumentar a exigência em termos de eficiência para novos projetos de habitação.
    A escassez de água será uma realidade no futuro, pelo que será importante promover a eficiência hídrica por exemplo reutilizando as águas da chuva e as águas residuais.
    Tendo em conta que o desperdício alimentar é um problema global e contribui para o aumento das emissões deve ser promovido o consumo de produtos locais, as quintas urbanas e o apoio a empresas e organizações que trabalham nesta área.
    Finalmente em termos de recursos é importante a prevenção da produção de resíduos, a criação de centros de reuso de reparação e promover a reutilização e a reciclagem dos materiais.
    Se a Região apostar numa política ativa de sustentabilidade poderá também melhorar a sua visibilidade, atratividade e competitividade para empresas que apostem nesta área, mas também para os novos “nómadas” digitais que poderão beneficiar da qualidade de vida da nossa região enquanto trabalham para empresas por todo o mundo. ■

    O clima ameno da região poderá evitar ou adiar alguns dos impactos mais negativos

    A escassez de água será uma realidade no futuro

  • Alterar o paradigma da mobilidade

    Alterar o paradigma da mobilidade

    Num país em que a maioria da população ainda utiliza carro próprio para seus percursos, começam a aparecer alternativas em termos de mobilidade e todos são convidados a participar nessa mudança, tornando-se mais multimodais

    A conversa estava combinada no café do CCC e, à hora marcada, Jaime Neto estava no local e a sua bicicleta elétrica ficara no estacionamento do centro cultural. Demorou menos de 10 minutos no caminho e para o caldense este é, desde há algum tempo, um dos seus meios de transporte de eleição. Há cerca de sete anos foi buscar a bicicleta que já estava guardada há 30 anos e começou a utilizá-la nas suas deslocações. Mais recentemente, com a pandemia e o início das aulas e reuniões, com recurso ao computador, decidiu comprar uma bicicleta elétrica para andar pela cidade. Uma tendência que começa a ganhar cada vez mais adeptos.
    “Andar de bicicleta é um prazer, dá boa disposição física e mental. Na deslocação para as aulas, ganho mais energia do que indo de carro e é também uma forma de mobilidade”, diz o professor nas escolas Raul Proença e de Santo Onofre e, por estes dias, ainda vereador do PS na Câmara das Caldas da Rainha. Jaime Neto considera, inclusive, que a bicicleta foi importante para exercer as suas funções na vereação, pois permitia-lhe mais “liberdade na mobilidade” para visitar locais e tirar fotografias sobre problemas que, depois, levava às reuniões e apresentava ao executivo municipal.
    No entanto, “não é muito fácil andar de bicicleta nas Caldas”, reconhece o docente, que já apresentou várias propostas no sentido de tornar a cidade mais amiga dos utilizadores dos modos de mobilidade suave.
    Jaime Neto evita locais como a Rua da Estação, que é estreita e tem um muro alto de um dos lados. “Ando a 20, 25 kms por hora mas há carros que querem andar mais depressa e fazem pressão, alguns automobilistas são muito agressivos”, conta, acrescentando que já quase teve um acidente na rotunda, por ter sido ultrapassado pela direita.
    “Considero que há ainda muito trabalho a fazer, de convivência entre os vários modos de transporte, eu próprio também ando de automóvel e a pé, sou multimodal e acho que essa é a tendência de futuro, os vários modos puderem conviver”, resume.
    Apesar de ainda encontrar obstáculos, o uso da bicicleta tem vindo a ganhar terreno em termos de mobilidade e a pandemia ainda potenciou mais a procura por este meio de transporte. As vendas de bicicletas e de bicicletas elétricas aumentaram 40% nos 27 Estados-membros da UE e no Reino Unido, no ano passado. De acordo com os dados da Confederação Europeia do setor, foi o melhor ano em várias décadas, com 22 milhões de bicicletas vendidas. Só Portugal vendeu mais de um milhão e meio de unidades.
    A Estratégia Nacional para a Mobilidade Ativa Ciclável tem “a meta ambiciosa” da construção de 10 mil quilómetros de ciclovia até 2030, com vantagens para a saúde e com impacto económico e social. “Mais ciclistas em circulação proporcionam maior sensação de segurança nas ruas, e mais oportunidades de interação social, beneficiando a economia de proximidade, pois o número médio de visitas a estabelecimentos comerciais tende a aumentar, bem como o nível total de consumo per capita”, refere o documento.
    Jaime Neto defende que os municípios têm de ser mais ativos na adopção das políticas europeias nos territórios locais, dando o exemplo do projeto europeu de uma pista ciclável ao longo de toda a costa e salienta que quando integrou a Assembleia Municipal apresentou um plano intermunicipal da mobilidade ciclável das Caldas e Óbidos. O caldense acredita que este modo de deslocação mais sustentável e ativo tem “tudo para andar”, desde que os cidadãos vejam vantagem e os poderes políticos criem as infraestruturas de estacionamento e mais sinalização horizontal. A Câmara das Caldas, no âmbito do Plano de Mobilidade Urbana Sustentável, tem previstas ações de melhoria da circulação pedonal, incremento do número de vias cicláveis e implementação de sistemas de bicicleta pública e beneficiação do transporte público.
    No que respeita ao transporte público e intermodalidade, a articulação entre os transportes municipais Toma e Obi e a possibilidade de aquisição do bilhete integrado já é uma realidade. Também o PART- Programa de Apoio à Redução Tarifária procurou aumentar o número de passageiros nos transportes públicos coletivos, através do apoio aos passes sociais, dentro do concelho, e também entre os concelhos do Oeste e a Área Metropolitana de Lisboa.

    Modernização da Linha do Oeste
    Um dos maiores desafios que se colocam à região em termos de mobilidade é a modernização e eletrificação da ferrovia, problema que se arrasta há décadas e que vê ocorrer adiamentos sucessivos.
    Há dias, o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, garantiu à Gazeta das Caldas que o contrato de adjudicação para o troço entre Torres Vedras e as Caldas da Rainha deverá ser assinado nos próximos tempos, permitindo o início da empreitada “o mais tardar em janeiro” do próximo ano. Através do programa Portugal 2030 será possível modernizar o troço da Linha do Oeste entre as Caldas e o Louriçal. Uma intervenção que, de acordo com o governante, trará ganhos, desde logo a nível ambiental, com a substituição das composições atualmente movidas a diesel, como também do ponto de vista da viabilidade deste meio de transporte.
    O troço das Caldas para norte também terá ganhos de tempo, embora possam não ser os desejados para concorrer diretamente com o automóvel. Para compensar essa falta de competitividade, há fatores a considerar como a comodidade da viagem, a sustentabilidade ambiental, uma maior capacidade para passageiros e mercadorias e os custos associados a uma viagem de combóio.
    Também a CP, em resposta à Gazeta das Caldas, refere que se “justifica plenamente uma aposta na mobilidade ferroviária que permita servir as populações dessa região”. A empresa tem investido na revitalização da sua capacidade ao nível da manutenção de material circulante, conforme é o exemplo da reabertura das oficinas na Figueira da Foz, em novembro de 2020, para poder dar uma resposta mais eficaz de mobilidade a esta linha, concretiza.
    Ainda de acordo com a empresa do Estado, serão também muito importantes para esta linha as mais valias que possam resultar do estudo em curso pelo governo no Plano Nacional Ferroviário, mantendo-se a CP “muito expectante relativamente ao aproveitamento de todas as oportunidades, para que seja possível ir ao encontro das necessidades de mobilidade das pessoas e dos desafios estratégicos do país”.
    Ao nível do material circulante, “sendo expectável” a chegada das primeiras novas unidades encomendadas à Stadler a partir de 2024/2025, a CP poderá também fazer uma reafectação do parque de material circulante nas várias linhas em que opera, melhorando as condições de conforto e eficiência da sua operação, conclui a empresa. ■

    “Sou multimodal e acho que essa é a grande tendência de futuro, os vários modos poderem conviver”
    Jaime Neto

    “Justifica-se plenamente uma aposta na mobilidade ferroviária na região ”
    CP

  • Bazuca poderá ajudar a combater assimetrias

    Bazuca poderá ajudar a combater assimetrias

    O envelhecimento e o empobrecimento são os maiores problemas sociais. A bazuca e as redes locais podem ajudar a diminuir desigualdades

    O clima económico negativo agravado pela pandemia causou um aumento na procura de apoios sociais, sobretudo, no que diz respeito à procura por bens alimentares. É o que dá a conhecer José Siqueira, o presidente da direção do Banco Alimentar Contra a Fome do Oeste que viu aumentar os pedidos por parte das entidades para que pudessem distribuir por mais pessoas, que entretanto perderam o seu sustento. Mas há esperança num futuro relativamente próximo, desde que a bazuca e as redes sociais cumpram o seu papel.
    O dirigente considera que, com os apoios que estão previstos da União Europeia, através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), “se bem aplicados, poderá ser possível uma gradual diminuição da procura dos referidos apoios” sociais. Mas isso não será suficiente. Para este responsável, seria igualmente importante que o país pudesse dar à população “um nível de emprego melhor remunerado”.
    Ainda assim, numa década, José Siqueira não prevê, de todo, que seja possível erradicar definitivamente a totalidade das carências. Como tal, sublinha que serão sempre necessárias as instituições de Apoio Social, que terão de ter mais serviços motivados pelo progressivo envelhecimento da população portuguesa. Com a diminuição demográfica e a consequente diminuição da população ativa, José Siqueira afirma que a ação destas instituições “se vai tornar cada vez mais necessária”.
    Ana Domingos, presidente da Direção do Centro de Educação Especial Rainha D. Leonor (CEERDL) acredita que em Portugal, como noutros países europeus, as questões do envelhecimento populacional e a diminuição da população ativa “têm implicações nos orçamentos de saúde e proteção social”, sobretudo “quando os recursos são não infinitos”.
    A dirigente recorda que as exigências de rápida adaptação dos contextos produtivos e de mercado, a indispensabilidade da habilitação e da qualificação e introdução de inovação tecnológica “são quotidianas”.
    Para a responsável, acrescem à situação de muitos as dificuldades de situações críticas dos ciclos económicos e outras, mais inesperadas, como a recente situação pandémica. E salientou que “estes não são desafios de futuro, são desafios de ontem e para os ultrapassar temos de contar com todos. Nenhum cidadão é dispensável”.
    De resto, Ana Domingos considera que a realidade económica e social dos próximos anos será muito marcada pelas consequências do quadro pandémico.
    “Enquanto se aguarda a recuperação económica e diminuição dos níveis de desemprego é expectável o agravamento das condições de vida das pessoas”, disse a dirigente, acrescentando que as políticas nacionais e regionais de apoio e proteção social e de apoio ao tecido empresarial, “terão um protagonismo significativo, pelo menos no curto prazo”.
    A diminuição dos impactos locais “passará pelo reforço das redes de suporte existentes na comunidade e estas deverão estar devidamente concertadas com a ação da administração local e central. Importa que, pela proximidade aos cidadãos, “sejam feitos atempada e adequadamente diagnósticos sociais que fortaleçam as intervenções sociais de proximidade territorial”.
    Ana Domingos considera também que as organizações de solidariedade social da região “são entidades com grande know-how, experiência e capacidade de adaptação aos novos desafios e estão preparadas para continuarem a ser parceiras do estado e da comunidade neste caminho de desenvolvimento humanista”.
    A presidente do CEERDL salienta que o Estado estabelece acordos de cooperação com estas organizações do 3º sector “para o cofinanciamento da prestação de serviços sociais e estes acordos têm vindo a ser ajustados e continuarão a ser atualizados para enquadrar novas realidades”.
    São estes acordos que exigem a melhoria contínua de qualidade e de eficiência na resposta às necessidades da população e “que garantem que o apoio social chega a todos os que precisam”.
    Estas parcerias entre o Estado e o setor social privado continuarão a ser, para Ana Domingos, “a forma mais eficiente de contribuir para a qualidade de vida de públicos mais vulneráveis e com necessidades mais prementes”.
    Contudo, no que diz repeito à área social “é sempre possível fazer melhor, desde que consigamos sempre olhar a diferença com igualdade”, rematou a líder do CEERDL.
    Segundo o diretor do Centro Distrital de Leiria da Segurança Social, os apoios sociais, por parte do Estado, na próxima década, estão diretamente ligados aos objetivos inscritos no PRR.
    Desta forma estão previstos 277 milhões de euros para investir em lares de idosos, centros de dia, creches, centros de capacitação para a inclusão e residências autónomas. Esta última alternativa é uma forma inovadora de encarar e dar resposta aos idosos, cujo envelhecimento não tem que passar necessariamente pela institucionalização nos lares.
    Segundo João Paulo Pedrosa vão também ser criadas “políticas direcionadas para alargar o cuidado ao cidadão idoso e ou portador de deficiência”. Irá, ainda, apostar-se numa nova geração de Apoio Domiciliário, “com mais valências e durante maiores períodos de tempo e mais horas, procurando abranger mais 40 mil pessoas, com 17 milhões de euros”, acrescentou o dirigente.
    João Paulo Pedrosa deu também a conhecer que vão ser disponibilizados diretamente no projeto Radar Social “mais de 60 milhões de euros para formar equipas multidisciplinares que vão enquadrar, apoiar e tratar grupos de cidadãos vulneráveis, em particular, em situação de fragilidade social”, frisou o dirigente da Segurança Social.
    “Todos estes programas e estas respostas vão estar disponíveis, na maior parte dos casos, para a cooperação, através de candidaturas”, disse o antigo deputado do PS. João Paulo Pedrosa acrescenta que as IPSS, Misericórdias e outras instituições da sociedade civil do distrito de Leiria (englobando aqui a NUT III do Oeste e do Pinhal Litoral) “têm sido, felizmente, particularmente ativas”.
    Só no ano de 2020 foram pagos no distrito de Leiria “mais de 73 milhões de euros em acordos de cooperação com o setor social, justamente, resultantes da dinâmica na apresentação de candidaturas e outras respostas”, acrescentou o responsável pelo Instituto da Segurança Social do distrito de Leiria.
    Neste momento, João Paulo Pedrosa explicou que está a decorrer o concurso “Mobilidade Verde Social”, que se destina à aquisição de 2500 viaturas, 100% elétricas para o sector social e solidário.
    O responsável afirmou que a estas candidaturas, “como é apanágio, acorrerão inúmeras instituições do distrito, tornando assim as respostas melhoradas e a vida dos cidadãos qualificada”.
    Segundo João Paulo Pedrosa, “as instituições do setor social em Leiria, bem como as suas autarquias são o garante da melhor resposta ao cidadão, sobretudo ao mais necessitado e vulnerável”, tal como se tornou particularmente visível na fase crítica da pandemia. ■

    “Os acordos entre o Estado e e entidades do sector social será a melhor forma de garantir apoio aos mais vulneráveis”
    Ana Domingos

    “A acção das instituições de apoio social será mais necessária”
    José Siqueira

     

    Ana Costa Leal
    engenheira silvicultora

    Combate  à pobreza – um desígnio
    de todos nós

     

     

    O combate à pobreza nas Caldas da Rainha foi objeto de debate, face ao agravamento da situação económica das famílias provocado pela pandemia.
    Respondendo ao apelo efetuado por várias organizações de Apoio Social, em maio deste ano, o Conselho da Cidade – Associação para a Cidadania das Caldas da Rainha fez um levantamento das preocupações e/ou dificuldades face à degradação da situação e da condição das pessoas e famílias que aquelas apoiavam. As consequências do confinamento e, em particular, do fecho ou dificuldade de acesso às instituições oficiais, foram-se tornando progressivamente mais penalizadoras a cada dia que passava. Apesar do esforço acrescido, estas instituições enfrentavam diariamente novos pedidos de ajuda alimentar e dificuldade em exercer certas tarefas. Para além das dificuldades de referenciação e acompanhamento das famílias, a própria pandemia veio condicionar decisivamente quer a mobilização de pessoas quer de bens alimentares. Nestas circunstâncias, uma informação eficiente sobre os diferentes tipos de apoio que existem no concelho, a existência de uma entidade coordenadora dos diferentes fluxos de alimentos e outros, e a existência de uma plataforma com os dados de todos os beneficiários regularmente atualizada tornava-se imprescindível.
    A conferência teve como convidados Célia Roque diretora do Centro de Emprego Oeste Norte e Edmundo Martinho, coordenador da Estratégia Nacional de Combate à Pobreza, que, com base nas suas experiências profissionais, lançaram pistas e apontaram soluções para ajudar no combate à pobreza e exclusão social. Foram exemplos a carência de transportes nas freguesias que dificulta o acesso dos seus habitantes a empregos disponíveis no concelho, a carência de creches e infantários, inclusive em horários pós-laboral e fins-de-semana que dificulta quem trabalha em regime de turnos. Aspetos tão singulares como, por exemplo, a importância da existência de um balneário público para quem vive em condições de habitabilidade reduzidas, foram igualmente identificados.
    A importância de quebrar com a pobreza que vai passando ao longo de gerações é fundamental e obrigatoriamente passa por investir nas famílias com crianças, como por exemplo, construindo parcerias nas áreas do apoio escolar, da saúde, e do desporto. Há que melhorar as condições para que crianças criadas no seio de famílias vulneráveis, tenham maiores probabilidades de ter um percurso escolar normal, para que o seu futuro passe pela sua formação profissional, com acesso a um emprego estável e um salário condigno. Parcerias com pessoas que os apoiem no seu percurso escolar, com clínicas, médicos ou psicólogos, que se disponibilizem para dar o seu contributo ou associações desportivas que as incluam nas suas atividades, são contributos que, pontualmente, apesar de já existirem no concelho, têm de ser ampliados para que, a uma escala maior produzam os frutos necessários que todos desejamos.
    O Apoio Social necessário para ultrapassar estas dificuldades vai exigir o melhor de todos. Vai exigir:
    – Políticas e criação de redes de apoio social,
    – Inteligência e criatividade para encontrar soluções alternativas,
    – Humildade para reconhecer que há sempre formas de melhorar,
    – Mobilização de competências e conjugação de esforços,
    – Sensibilizar e envolver toda a comunidade neste Combate – Estado, sociedade civil, empresas.
    Escrevo este texto na véspera de eleições autárquicas. Seja qual for o resultado das eleições, desejo que os próximos responsáveis autárquicos assumam para os próximos anos o Combate à Pobreza um desígnio do concelho, porque o bem-estar de todos só nos pode engrandecer. ■

    A importância de quebrar
    com a pobreza que vai passando ao longo de gerações é fundamental

    O Apoio Social necessário para ultrapassar estas dificuldades vai exigir o melhor de todos nos próximos anos

  • Encontrar na escola as skills do futuro

    Encontrar na escola as skills do futuro

    A falta de professores, a motivação dos alunos e a adaptação da escola ao mundo digital são alguns dos grandes desafios que se colocam no ensino

    A renovação do quadro de professores é um dos desafios do sistema de ensino na próxima década. “Aquilo a que assistimos neste momento, em várias escolas do país, é preocupante, várias turmas sem professores e de várias disciplinas”, disse Sandra Santos, da direção do Colégio Rainha D. Leonor. “Durante os últimos anos assistimos ao encerramento de cursos na área do ensino e isso já se começa a refletir. É preciso investir nesta área, colocando esta profissão no patamar que merece, aliciando, assim, os alunos a escolherem o ensino”, concluiu.
    João Silva, diretor do Agrupamento de Escolas Raul Proença , diz que “a carência de professores e a necessidade de rejuvenescer os quadros das escolas constitui uma equação de difícil resolução”, tal como a “desvalorização da carreira dos Assistentes Técnicos e dos Assistentes Operacionais, que cria dificuldades de recrutamento”.
    Já Maria do Céu Santos, diretora do Agrupamento Bordalo Pinheiro, lamenta a ausência de “medidas concretas suscetíveis de evitarem o colapso anunciado”. A motivação dos alunos é outro ponto abordado. A professora nota que “a escolaridade obrigatória até aos 18 anos trouxe mais um desafio: motivar os alunos para a aprendizagem. Para muitos, a escola pouco lhes diz”.
    João Silva realça “as dificuldades resultantes de uma sociedade que se concentra nos seus direitos e ignora, ou desvaloriza, os seus deveres”.
    A adaptação ao mundo digital é outro dos grandes desafios e sobre isso, afirma Maria do Céu Santos, “o principal desafio da escola é hoje, como sempre foi, preparar da melhor forma os alunos para o mundo”, mas “há novas realidades decorrentes da evolução tecnológica que merecem uma reflexão, desde a crise do paradigma secular da aula expositiva perante a turma passiva que vai “tirando apontamentos”, ao imobilismo da escola perante o mundo dinâmico que a rodeia”. A diretora nota que “o mundo avança todos os dias, vertiginosamente, para uma realidade inconciliável com o padrão de ensino tradicional. Os alunos, todos eles, trazem no bolso, ao alcance de um clique, bibliotecas inteiras, no smartphone” e salienta ainda que “será um erro a Escola persistir em eleger as novas tecnologias como inimigas”. Maria do Céu Santos refere, ainda, que “as mudanças no mundo refletem-se, inevitavelmente, na escola” e que “a realidade virtual e realidade aumentada tem de entrar nas salas de aula. O professor é insubstituível, mas terá de fazer um imenso esforço de adaptação aos novos tempos”.
    Uma ideia semelhante tem Sandra Santos, que diz que “o ensino terá de saber conciliar soft e hard skills. Não podemos ignorar o avanço tecnológico, nem as competências digitais enquanto mais-valia, mas também não podemos menosprezar tudo o que existe de insubstituível na relação humana dentro de uma sala de aula, as competências sociais, privilegiando sempre o desenvolvimento emocional dos alunos”.
    João Silva também sente que “as “novas” tecnologias estarão mais presentes na prática letiva e os alunos terão de assumir um papel mais ativo num contexto de maior articulação curricular. Interdisciplinaridade, trabalho de projeto e em equipa serão metodologias mais presentes nas nossas escolas. A realidade envolvente (local, nacional e mundial) e as preocupações da sociedade, e dos jovens em particular, terão de ser assumidas como eixos motivacionais”, considera.
    “No caso particular do nosso agrupamento, temos ainda como desafio a necessidade de requalificar a Escola Secundária Raul Proença e, posteriormente, a EB de Santo Onofre (EBI)”, acrescentou João Silva, notando que “decorridos dois anos em contexto pandémico, ansiamos para que tudo volte progressivamente ao “normal”. Os danos causados ao nível das aprendizagens foram muito significativos”, mas mostrando-se convicto de que “com o envolvimento de todos poderemos recuperar muito do que ficou para trás, mas tem de haver um trabalho colaborativo e um investimento significativo na educação, seja a nível do poder central, seja ao nível do poder local”.
    Sandra Santos alertou ainda para a “capacidade para preparar os alunos para as profissões do futuro, pois muitas pesquisas dizem que vários empregos da próxima década ainda não existem. Necessitamos de desenvolver diversas competências nos nossos alunos, para os dotar de ferramentas que os tornem adultos capazes, críticos, empreendedores e seguros/confiantes das suas capacidades. Conhecer o aluno, reconhecer as mudanças necessárias e saber envolver o aluno, serão premissas essenciais para que as aprendizagens sejam significativas”.
    Vítor Lapa, director dos Núcleos de Caldas da Rainha e Peniche do CENFIM, disse à Gazeta das Caldas que um dos principais desafios “é captar jovens para o ensino tecnológico. Pode atá parecer um contrassenso, num tempo em que a tecnologia está na base de tudo, mas efectivamente os jovens não se sentem atraídos pelas profissões ligadas às indústrias e tecnologias. No CENFIM ensinamos e trabalhamos áreas profissionais às quais ainda, erradamente, estão associados ambientes hostis e sujos, tarefas duras e pesadas, mas felizmente para os milhares de profissionais deste sector a evolução tecnológica transformou as suas profissões e hoje são muito mais informatizadas que pesadas”, fez notar.
    A dificuldade em encontrar formadores com as caraterísticas que procuram “disponíveis para colaborar na formação em horário laboral, é uma tarefa árdua e um grande desafio que acaba por limitar a nossa capacidade de formar”.
    Acresce que o “o ritmo a que a tecnologia evolui obriga a que as escolas, e a nossa em particular, acompanhem as novas tendências tecnológicas tornando difícil a aquisição de equipamentos e instrumentos que estejam actualizados e equiparados ao que se utiliza na indústria. Conseguir financiamento para essa actualização é outro desafio muito relevante”.
    Vítor Lapa nota ainda que para o futuro, no caso deste centro de formação, é importante “juntamente com as empresas do sector da Metalurgia, Metalomecânica e Electromecânica, tornar as suas profissões mais atrativas para jovens e adultos”, mas também “convencer as empresas a libertar os seus profissionais qualificados e técnicos especialistas para a missão de transferir a sua experiência e conhecimento para os formandos” e ainda “ter a capacidade financeira para investir em recursos tecnológicos e humanos que nos permitam acompanhar a evolução tecnológica”.
    Este responsável sente que “na sequência do que já está a acontecer agora, a aprendizagem tenderá a ser mais baseada em projectos que integrem vários domínios/disciplinas aumentando a interligação e transversalidade dos conteúdos” e portanto “os professores/formadores assumirão um papel de facilitadores de aprendizagem, orientando os alunos no acesso à informação e na forma como estes a devem aplicar”.
    Nesse sentido, Vítor Lapa prevê que “os recursos e métodos pedagógicos serão orientados para permitir a autoaprendizagem, cabendo ao formador acompanhar e orientar os formandos nesse processo, possibilitando ritmos e níveis de aprendizagem diferenciados. Este modelo, que já está em prática no CENFIM, para adultos, através do projecto “Oficina Individual de Formação”, permite aos formandos escolherem o seu horário e ritmo para fazerem o seu percurso formativo (passagem pelas várias etapas do circuito onde estão os recursos didáticos) que é acompanhado e monitorizado pelo formador, à semelhança do que existe por exemplo nos ginásios”.
    A terminar, realçou ainda que “é muito importante que se assegure que a rede de transportes públicos colectivos cubra as várias áreas do concelho das Caldas da Rainha e a sua ligação aos concelhos vizinhos, para que os jovens e adultos desses concelhos possam escolher a sua área de formação sem que estejam limitados pela inexistência de transporte ou transporte com horário compatível com a frequência dos cursos”. ■

    “As preocupações dos jovens terão de ser assumidas como eixos motivacionais”
    João Silva

    “O ensino terá de saber conciliar soft e hard skills”
    Sandra Santos

  • ESAD agarra desafio de olhar para o futuro nas páginas da Gazeta

    ESAD agarra desafio de olhar para o futuro nas páginas da Gazeta

    Parceria resultou no conjunto de ilustrações que embelezam esta edição de aniversário. Sempre com os olhos postos no futuro

     

    O desafio era agarrar o futuro e desenhá-lo para as páginas desta edição do 96º aniversário da Gazeta das Caldas, que tem o futuro da cidade e da região no horizonte para a próxima década. E a Escola Superior de Artes e Design (ESAD) disse prontamente presente ao desafio lançado, com os docentes a corresponderem e a ilustrarem os trabalhos jornalísticos desta edição com vislumbres gráficos do que será o nosso coletivo em certas áreas de atividade.
    Este desafio criativo foi prontamente aceite pelo diretor da escola, João dos Santos, tendo João Maio Pinto assumido a coordenação do projeto.
    Como o leitor se aperceberá nas próximas páginas, estas ilustrações acompanham reportagens e artigos de opinião de especialistas sobre os temas que estiveram em análise pela redação ao longo desta semana. Contudo, o processo criativo das ilustrações resultou, apenas, da interpretação individual de cada um dos professores da ESAD, que assim puderam transmitir a sua visão sobre o que pode acontecer na próxima década em domínios tão diversos como a saúde, a economia, a habitação ou a cultura.
    Nas páginas seguintes da Gazeta, poderá apreciar, mais em concreto, o trabalho destes artistas, que colaboraram de forma graciosa com o nosso jornal, dando o melhor de si em prol de uma edição única e irrepetível.
    Para a posteridade, e com o devido agradecimento, aqui ficam os nomes dos autores das ilustrações e os respetivos subtemas, com um agradecimento especial ao diretor da escola: António Gomes (cultura), Bruno Santos (habitação), João Catarino (saúde), João Maia Pinto (economia), Luísa Barreto (mobilidade), Marco Correia (clima), Nuno Fragata (ensino), Ricardo Castro (emprego) e Teresa Amaral (alimentação).
    Por fim, mas não menos importante, resta, ainda, referenciar a ilustração das páginas anteriores, da autoria de Isabel Baraone, que valoriza o texto de suporte a esta edição de colecionador da Gazeta das Caldas. Que é única e transmissível. ■

    Onze docentes da ESAD, com coordenação de João Maia Pinto, ilustram as páginas do destaque desta edição única e transmissível

  • Um jornal de referência a caminho do centenário

    A Gazeta é o jornal mais antigo do distrito e comemora, em 1 de outubro de 2025, o centenário. Propriedade da Cooperativa Editorial Caldense, tem encontrado respostas para os desafios do setor

     

    Se a antiguidade, pelo menos no que diz respeito à imprensa local e regional, continua a ser um posto, então Caldas da Rainha pode orgulhar-se de ter o jornal mais antigo em publicação no distrito de Leiria. Mas a cidade (e a região) pode também orgulhar-se de possuir um semanário de referência, líder de audiências e que caminha para o centenário com a agilidade de um meio de comunicação social que, ciente da sua herança, se moderniza e enfrenta os grandes desafios da imprensa local e regional.
    Como todas as grandes instituições, os primeiros anos da Gazeta foram atribulados e o caminho nem sempre foi o mais rápido, mas o jornal assumiu-se, desde praticamente o arranque, como um elemento agregador da comunidade.
    O primeiro número da Gazeta foi impresso na tipografia Caldense de José da Silva Dias e saiu a 1 de outubro de 1925, o que significa que este título, agora propriedade da Cooperativa Editorial Caldense, está apenas a quatro anos de celebrar o centenário, um marco de que poucos jornais se podem gabar de ter atingido.
    Contudo, a Gazeta das Caldas acabou por ter uma “falsa partida” como quinzenário, em 1922, já que o então “quinzenário noticiário, humorístico e desportivo” durou apenas seis números.
    A Gazeta viria a assumir-se, efetivamente, em 1925, como um “jornal regionalista” e o propósito de “servir os interesses da região, chamando a si todas as ideias, venham de onde vierem, que concorram para o seu progresso incessante”.
    Em outubro do ano passado, a Gazeta entrou num novo ciclo, surgindo nas bancas e em casa dos assinantes como um novo layout, que visou adequar a imagem do jornal aos tempos modernos. A recetividade dos leitores e do público foi muito positiva e, desde então, o jornal tem também vindo a renovar alguns conteúdos, que deixaram de ser publicados em suplemento e ganharam “corpo” de revista, como o “Guia do Ensino & Formação”, as “250 Maiores empresas do Oeste” ou a “Casa & Decoração”. Em agosto deste ano, o jornal lançou, numa iniciativa ímpar na imprensa regional, uma revista sobre a participação do Caldas na Liga 3.
    Além da edição semanal, que vai para casa dos assinantes e pode ser adquirida em postos de venda por quase todo o país, a Gazeta tem vindo a reforçar a cobertura online com a atualização diária do site (https://www.gazetadascaldas.pt), lançou no ano passado uma app (disponível na Play Store e na App Store), tem uma página no Instagram (https://www.instagram.com/gazetadascaldas/) e, no último ano, reforçou a oferta de newsletters. ■

    Algumas datas marcantes

    • Eis alguns dos momentos marcantes da história dos primeiros anos da Gazeta das Caldas.
    • O primeiro número da Gazeta das Caldas foi impresso na tipografia Caldense de José da Silva Dias, a 1 de outubro de 1925
    • Em 1926, a sede do jornal muda-se dos pavilhões do parque para o Largo Dr. Barbosa, 17, 1º D
    • A 5 de setembro de 1926, a Gazeta suspendeu a publicação, que só viria a ser retomada quatro meses mais tarde, a 1 de janeiro de 1927
    • A edição da Gazeta de 28 de novembro de 1936 inaugura um novo estilo gráfico e uma nova abordagem jornalística
    A primeira capa da Gazeta das Caldas diz ao que vem o jornal
  • 1925-2021 – 96 anos de Gazeta das Caldas

    1925-2021 – 96 anos de Gazeta das Caldas

    José Luiz de Almeida Silva
    diretor da Gazeta das Caldas

    Aproxima-se rapidamente o centenário da Gazeta das Caldas e esta edição comemora o 96º aniversário da sua fundação a 1 de outubro de 1925. O jornal atravessou vagamente a 1ª República, tendo assistido ao golpe de Estado de 1926, mantendo inicialmente uma calculada independência, apesar de não ter percebido que a ditadura e a instauração do regime da censura lhe iriam transformar o seu projeto inicial.
    Depois, comungou as mesmas ideias do regime corporativo de Oliveira Salazar a partir dos anos 1930, com direções que se identificavam diretamente com a linha do regime, apesar de uma certa independência no que tocava aos interesses locais e regionais, não se coibindo de manter conflitos semiencobertos com as autoridades leirienses – Governo Civil e Serviços de Censura – que levou mesmo à saída do presidente da Câmara imposto pela capital do distrito no início dos anos 1960, com a nomeação de uma figura conhecida localmente.
    No 25 de Abril de 1974 o jornal protagonizou no seu interior um conflito da alteração radical do regime, que se transferiu igualmente para a sua linha editorial com alguns solavancos. Mas a partir de finais de 1974 foi conseguida erigir uma linha editorial independente e coerente, à margem das pressões partidárias, que permitiu construir um projeto com credibilidade nacional, tendo novos protagonismos em temas mais atuais e, por vezes, antes de serem de consenso mais generalizado, como a questão ambiental e do nuclear.
    Curioso recordar que aquando da Revolução de Abril o jornal estava a comemorar o seu 50º aniversário e dentro de quatro anos, comemorará o seu centenário, tendo acompanhado de forma coerente e sem tibieza, o maior período de regime democrático e republicano português.
    Percorrendo as páginas da Gazeta ao longo da sua vida percebe-se que o jornal esteve quase sempre ao lado das grandes questões que permitiram vincar a importância das Caldas da Rainha como centro urbano de referencia a nível nacional, como em vários casos, foi a própria Gazeta e os seus colaboradores que tomaram a iniciativa que se estenderam à sociedade local e regional.
    Recordamos, por exemplo, que no seu segundo ano de vida, no número em 1927 dedicado ao 15 de Maio, é a Gazeta das Caldas que lança o desafio para que os caldenses homenageiem a rainha Fundadora D. Leonor com uma estátua a erigir numa praça central.
    Nessa edição, em texto da responsabilidade da direção do jornal, dizia-se: “Impõem-se-nos, porém o dever de, neste soleníssimo dia, saudarmos todo o povo da região, pedindo-lhe que nas suas preces de cristãos envolvam a memoria da benemérita Fundadora desta linda e atraente vila e que todos num futuro próximo se saibam compenetrar do dever que teem de concorrer com o seu óbulo material para o Grande Monumento a erigir-lhe, cuja subscrição a “Gazeta” anunciará e iniciará num dos seus próximos números”.
    Nesse mesmo editorial dizia-se com grande emoção da vila Caldas da Rainha: “Terra creada e predestinada para o Bem; continua as suas tradições honrosas de hospitalidade e de ternura; abraça num amplexo afectivo todo o paiz, e engrinalda-se de satisfação ao receber, com a merecida galhardia, os que de todos os seus pontos vêm buscar às Águas da Rainha o bálsamo suavíssimo das suas lágrimas que derramou sinceras pela pobreza de Portugal.”
    Ficamo-nos por esta iniciativa que ainda hoje é marcante na nossa cidade, demonstrando que a Gazeta das Caldas, independentemente das pessoas e das correntes ideológicas, foi um arauto do querer da cidade e do concelho, como da região, situação reforçada no quase último século de uma forma inequívoca e demonstrativa de uma coerência que não é contestável.
    Os próximos quatro anos vão ser decisivos para a Gazeta das Caldas, como para Caldas da Rainha, quando estamos todos empenhado num desígnio que se alarga a Portugal, à Europa e ao Mundo, de construir um futuro mais consentâneo com os desafios mais marcantes, como a Paz e a Solidariedade Internacional, a luta contra as alterações climáticas, a procura na Sociedade Global de formas de governação que respeitem os direitos de todos, incluindo daqueles que são discriminados com base no sexo ou na sua orientação, na etnia, na cor, ou nas maiores ou menores competências intelectuais ou culturais que tenham.
    Sabemos, por conhecimento próprio e do que se passa no mundo, que nestes próximos anos é também a viabilidade e sustentabilidade da imprensa escrita que está em causa, ou seja, que teremos de encontrar entre os leitores, assinantes, anunciantes, como das entidades que regulam as políticas de cada região, país e de comunidades de países mais alargadas, a força e o empenho para enfrentar os próximos tempos.
    Adivinham-se mais dificuldades, mas como já vivemos os 96 anos anteriores, também manifestamos o nosso empenho para enfrentar positivamente o futuro que se abre à frente de nós. ■

    Nestes 96 anos, a Gazeta das Caldas, foi um arauto do querer da cidade e do concelho, como da região

     

    Os próximos quatro anos vão ser decisivos para a Gazeta das Caldas, como para Caldas da Rainha

  • Homem de 65 anos detido com perto de 6 mil doses de canábis

    Homem de 65 anos detido com perto de 6 mil doses de canábis

    Um homem de 65 anos foi detido esta segunda-feira por tráfico de estupefacientes na localidade de Póvoa, no concelho de Alcobaça. A detenção foi efetuada no seguimento de uma investigação do Núcleo de Investigação Criminal da GNR que decorria há cerca de um mês, por tráfico de drogas.

    Numa busca domiciliária a outra em veículo, foram apreendidas 5.840 doses de canábis, mais 35 plantas, e ainda duas balanças digitais, uma arma e diversos sacos de embalamento.

    O detido, com antecedentes criminais pelo mesmo tipo de crime, foi constituído arguido e os factos foram remetidos ao Tribunal Judicial de Alcobaça, para aplicação de medidas de coação.

  • Pulseira eletrónica por violência doméstica nas Caldas

    Pulseira eletrónica por violência doméstica nas Caldas

    O Núcleo de Investigação e Apoio a Vítimas Específicas da GNR deteve, esta sexta-feira, um homem, de 54 anos, pelo crime de violência doméstica, no concelho das Caldas da Rainha.

    O suspeito é acusado de infligir maus tratos físicos, verbais, psicológicos e ameaças de morte, com recurso a arma de fogo e uma faca de cozinha, à companheira de 49 anos de idade. Segundo a GNR, durante a relação de cinco anos, “o agressor controlava a vítima, limitando a sua vida social e familiar, impedindo-a de utilizar telemóvel e redes sociais, limitando a sua liberdade e auto-determinação”.

    A situação terá piorado, quando há seis meses terminaram a relação, “sendo que o detido através de mensagens, intimidava e ameaçava a vítima de morte, na tentativa de coagi-la a reatarem a relação”.

    No decorrer das diligências, foi dado cumprimento a um mandado de busca domiciliária e outro mandado de busca em veículo, tendo sido apreendidas três espingardas caçadeiras, respetivas licenças e manifestos, sendo ainda apreendida uma pistola de calibre 6,35 mm, que o arguido detinha de forma ilegal.

    Ao detido, após ter sido presente ao Tribunal Judicial de Porto de Mós, no dia 2 de outubro, foram-lhe aplicadas as medidas de coação de proibição de contactos com a vítima por qualquer meio, controlado por pulseira eletrónica.

  • Curso de formação de sargentos do Exército ingressa nos Quadros Permanentes

    Curso de formação de sargentos do Exército ingressa nos Quadros Permanentes

    Teve lugar, na manhã deste sábado, na Escola de Sargentos do Exército, nas Caldas da Rainha, a Cerimónia de Entrega dos Cintos de Cerimónia e dos Diplomas de Curso ao 48.º Curso de Formação de Sargentos dos Quadros Permanentes do Exército, constituído por 67 alunos, 63 homens e 4 mulheres.
    A cerimónia, presidida pela secretária de Estado de Recursos Humanos e Antigos Combatentes, Catarina Sarmento e Castro, contou com a presença do Chefe do Estado-Maior do Exército, General José Nunes da Fonseca, de Vice-Chefe de Estado Maior do Exército, Tenente-General Rui Davide Guerra Pereira, dos Diretores Honorários das Armas e dos Serviços do Exército, e do Bispo das Forças Armadas e das Forças de Segurança, D. Rui Valério, entre outras entidades militares e civis, informou o Exército.
  • Veleiro alemão encalha na praia da Nazaré

    Veleiro alemão encalha na praia da Nazaré

    Um veleiro de bandeira alemã, com um tripulante a bordo, encalhou, na noite desta sexta-feira, na praia da Nazaré, enquanto navegava em direção ao fundeadouro da Nazaré.

    Segundo a Autoridade Marítima Nacional (AMN), o alerta foi recebido pelas 21h31, através do Centro de Coordenação de Busca e Salvamento Marítimo de Lisboa, tendo sido ativada para o local uma embarcação e uma mota de água da Estação Salva-vidas da Nazaré e uma viatura do Comando-local da Polícia Marítima da Nazaré.

    À chegada ao local onde se encontrava o veleiro encalhado, os elementos da Estação Salva-vidas verificaram que o tripulante, um homem de 69 anos e nacionalidade alemã, se encontrava bem fisicamente e sem necessidade de assistência médica, tendo o mesmo sido encaminhado para as instalações da Capitania do Porto da Nazaré.

    Foram iniciadas as operações de remoção do veleiro do local, tendo o veleiro acabado por se afundar. Durante o dia de sábado será elaborado um plano de reflutuação e remoção do veleiro do local, explicou a AMN.

    Nesta ação estiveram empenhados quatro elementos da Estação Salva-vidas da Nazaré, apoiados por uma embarcação e uma mota de água, bem como três elementos da Polícia Marítima, apoiados por uma viatura.

  • Caldas integra Rede de Apoio à Integração de Migrantes

    Caldas integra Rede de Apoio à Integração de Migrantes

    A Câmara das Caldas da Rainha anunciou, esta sexta-feira, que vai integrar a Rede Nacional de Centros Locais de Apoio à Integração de Migrantes (CLAIM), uma iniciativa lançada pelo Alto Comissariado para as Migrações. A proposta de protocolo foi aprovada, por unanimidade, em reunião de executivo, em agosto.
    Os migrantes passam a ter acesso, num mesmo local e de forma gratuita, “a diferentes instituições e gabinetes que trabalham em estreita colaboração e permitem resolver de forma mais eficaz as questões relacionadas com o seu processo de integração em Portugal”.
    O Centro de Apoio Local vai ficar instalado no serviço de ação social da Autarquia e os técnicos estão atualmente a receber formação especializada para este gabinete de apoio entre em funcionamento a curto prazo.
  • Portugal regista 15.922 reações adversas às vacinas

    Mais de 15.900 suspeitas de reações adversas às vacinas contra a covid-19 foram notificadas em Portugal, das quais 5.929 forma classificadas como graves e que incluem 85 casos de morte em idosos, segundo dados do Infarmed.

    “Os casos de morte ocorreram num grupo de indivíduos com uma mediana de idades de 77 anos e não pressupõem necessariamente a existência de uma relação causal entre cada óbito e a vacina administrada, decorrendo também dentro dos padrões normais de mortalidade da população portuguesa”, ressalva o “Relatório de Farmacovigilância – Monotorização da Segurança das Vacinas contra a covid-19 em Portugal”.

    Desde o início da campanha de vacinação a 27 de dezembro de 2020 até 26 de setembro, foram registadas 15.922 notificações de reações adversas (RAM), num total de 15.956.183 doses administradas, 5.929 (37%) classificadas como “graves” e 9.993 (63%) como “não graves”.

    Das reações notificadas como “graves”, 3.612 foram classificadas como “clinicamente importantes” (23%), 1.517 geraram incapacidade (9,5%), 557 motivaram hospitalização (3,5%), 158 representaram “risco de vida” (1%) e 85 morte (0,5%).

    Dos casos classificados como graves, cerca de 85% dizem respeito a situações de incapacidade temporária (incluindo o absentismo laboral) e outras consideradas clinicamente significativas pelo notificador, quer seja profissional de saúde ou utente, refere a Autoridade Nacional do Medicamento.

    “Com o decorrer do programa de vacinação, e o estímulo para a notificação de suspeitas de RAM associadas a vacinas contra a covid-19, este valor tem aumentado”, sublinha.

    Contudo, acrescenta, “as reações adversas são pouco frequentes, com cerca de 1 caso em mil inoculações, um valor estável ao longo do tempo”.

    O maior número de casos registou-se na faixa etária 25/49 anos (2.799), grupo onde foi administrado o maior número de vacinas (5.420.526).

    O Infarmed reporta 22 casos de reações não graves em menores de 3 anos, explicando que dizem respeito “a ocorrências não graves de febre, regurgitação ou irritabilidade em crianças cujas mães poderão ter sido expostas à vacina”.

    Na faixa etária dos 12-17 anos, foram notificados 47 casos como graves e 30 como não graves, num total de 994.827 vacinas inoculadas, o que representa 0,1 reações adversas por 1.000 doses administradas.

    Segundo o Infarmed, os casos notificados como graves são reações de tipo alérgico, que dependem do perfil individual do vacinado.

    “São casos que motivaram observação e/ou tratamento clínico, mas todos tiveram evolução positiva e sem sequelas. Oito destes casos foram casos de mio/pericardite”, salienta.

    Entre os 18 e os 24 anos, foram registadas 310 reações graves e 433 não graves, em 1.066.386 vacinas inoculadas.

    No grupo 50/64 anos, foram notificadas 1.360 reações graves e 2.247 não graves, num total de 3.887.195 doses, enquanto na faixa etária 65/79 anos foram registadas 775 reações graves e 1.206 não graves (em 3.233.934 vacinas), e nos maiores de 80, 363 reações graves e 279 não graves (1.352.978 de vacinas administradas).

    Do total de reações adversas, 8.434 são referentes à vacina da Pfizer/BioNtech, num total de 10.731.924 doses administradas, 4.293 da Astrazeneca, em 2.202.274 doses inoculada, 1.778 da Moderna (1.901.818 doses) e 1.340 da Janssen (1.120.167).

    Por cada 1.000 doses administradas, foi comunicada uma RAM no nas vacinas Pfizer, Moderna e da Janssen, e duas na AstraZeneca.

    O Infarmed ressalva que estes dados “não permitem a comparação dos perfis de segurança entre vacinas, uma vez que estas foram utilizadas em subgrupos populacionais distintos e em períodos e contextos epidemiológicos distintos”.

    A maioria das reações foi registada em mulheres, com 3.925 notificações de casos graves e 6.739 não graves, enquanto nos homens foram, respetivamente, 1.688 e 2.702.

    A reação mais notificada é dor de cabeça (3.826), seguida da febre (3.820), dor muscular (3.744), dor no local de injeção (3.347), fadiga (1.864), calafrios (1.618), náusea (1.453), dores nas articulações (1.187), dor generalizada (1.067), tonturas (960), mal-estar geral (900), dor nas extremidades corporais (830), aumento dos gânglios linfáticos(808), fraqueza orgânica (728), vómitos (716).

    Durante o período de recobro pós-vacinal estabelecido, de 30 minutos, é monitorizada a ocorrência de qualquer reação imediata do tipo alérgico. Após este período, qualquer suspeita de reação alérgica grave deve motivar a procura de atendimento médico imediato.

  • Água da torneira considerada “excelente” em 2020

    Água da torneira considerada “excelente” em 2020

    A água da torneira em Portugal continental teve uma qualidade “excelente” para consumo humano em 2020, indica o relatório anual da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR) divulgado hoje.

    O Volume 2 do Relatório Anual dos Serviços de Águas e Resíduos, relativo ao “Controlo da Qualidade da Água para Consumo Humano” no ano passado, conclui que “o indicador de água segura mantém o seu valor nos 99%, podendo garantir-se à população que pode beber água da torneira com confiança”.

    De acordo com um comunicado da ERSAR, o indicador água segura na torneira do consumidor fixou-se em 2020 nos 98,85%, o que representa um acréscimo de duas décimas em relação a 2019 e confirma a evolução positiva desde 1993 (50%) e a permanência no patamar de excelência desde 2015.

    Os dados da ERSAR revelam que a maioria dos concelhos (79%) apresenta percentagens iguais ou superiores a 99% no indicador de qualidade da água, sendo que 15% dos municípios possuem uma percentagem de água segura de 100% visto que não apresentaram nenhum incumprimento em todas as análises.

    Apenas num município – Santo Tirso (91,89%) – se registaram resultados globais por concelho com valores de água segura inferiores a 95%, caso essencialmente relacionado “com a avaria dos sistemas de tratamento das captações de água que servem as escolas não abrangidas pela rede pública de distribuição, o que fez com que neste período não fossem realizadas todas as análises previstas no programa de controlo da qualidade da água”.

    A situação “foi ultrapassada pelo fornecimento de água engarrafada pelo município até regularização, em articulação com a autoridade de saúde, garantindo-se assim a proteção da saúde humana. De registar que a percentagem de água segura na maior zona de abastecimento de Santo Tirso é de 99,81%”, esclarece a ERSAR.

    “No ano de 2020, a ERSAR realizou 21 ações de fiscalização para verificar o cumprimento dos requisitos legais do regime da qualidade da água para consumo humano (57 % na região Norte, 29 % na região Centro e 14 % na região Alentejo). Refira-se que este número de ações de fiscalização foi condicionado pelo estado de emergência e pelos confinamentos obrigatórios resultantes da pandemia de Covid-19”, diz a entidade reguladora no comunicado.

     A entidade sublinha que, apesar dos desafios colocados pela Covid-19, “foi possível manter a segurança da água da torneira graças à cooperação inexcedível entre as entidades gestoras, a entidade reguladora ERSAR, as autoridades de saúde, os laboratórios e demais intervenientes no processo de controlo da qualidade da água”.

    “Esta cooperação permitiu que os programas de controlo da qualidade da água (PCQA) aprovados pela ERSAR fossem implementados por todas as entidades gestoras dos sistemas públicos de distribuição sem alterações significativas e, acima de tudo, sem qualquer prejuízo para o controlo da qualidade da água destinada ao consumo humano e, por inerência, para a proteção da saúde humana”, conclui.

  • Orçamento Participativo do Bombarral com novo calendário

    Orçamento Participativo do Bombarral com novo calendário

    A Câmara Municipal do Bombarral retomou os procedimentos da 2ª edição do Orçamento Participativo do Bombarral, com um ajuste ao calendário definido inicialmente e que esteve relacionado com a realização das eleições autárquicas do passado dia 26 de setembro.

    Fechada a fase de notificação e audiência prévia dos interessados, da resposta às reclamações e da análise técnica e transformação das propostas admitidas em projetos, segue-se o momento de divulgação de todas as propostas admitidas e excluídas e dos projetos que irão estar a votação até ao próximo dia 15, após o que se seguirá o início da votação, que terminará a 17 de novembro.

    Deste modo, a votação dos projetos poderá ser efetuada on-line, em www.opb.cm-bombarral.pt, mediante o registo no referido portal, ou em boletim de voto disponível para o efeito nos serviços municipais (Setor de Atendimento ao Público) e nas Juntas de Freguesia do concelho, informa a autarquia.

    A segunda edição do Orçamento Participativo do Bombarral contou com a apresentação de 30 propostas, das quais 10 foram admitidas e convertidas em projeto, para efeitos de votação sete projetos em nome individual e três em representação de associações.

  • Conselho Estratégico do Planalto das Cesaredas toma posse

    Conselho Estratégico do Planalto das Cesaredas toma posse

    O Conselho Estratégico do Planalto das Cesaredas analisou, esta semana, o plano de ação definido no Plano Estratégico do Planalto das Cesaredas (PEPC), cuja execução foi entregue à Associação Geoparque Oeste (AGEO) por intermédio da Comunidade Intermunicipal do Oeste.

    Em comunicado, a AGEO explica que na primeira reunião formal de constituição do órgão consultivo estiveram presentes 22 entidades “representativas de todo o Planalto”. “Este é um primeiro passo de um processo dedesenvolvimento sustentável e inclusivo de todo o território do Planalto de Cesaredas”, salienta a entidade, notando que o Conselho Estratégico é composto pelas associações e entidades que têm na sua génese a defesa e promoção do património natural e cultural do Planalto das Cesaredas, contando também com as Juntas de Freguesia e as Câmaras de Bombarral, Lourinhã, Óbidos e Peniche.

    A Associação Geoparque Oeste foi mandatada pela Comunidade Intermunicipal do Oeste para dinamizar e promover a execução do PEPC, cabendo a esta entidade a coordenação do Conselho Estratégico, assim como o estabelecimento de pontes entre este órgão e os respetivos municípios.

    O PEPC é um projeto da Comunidade Intermunicipal do Oeste, desenvolvido em 2019 em colaboração com a Associação dos Amigos do Planalto das Cesaredas e associações locais que desenvolvem atividade no Planalto das Cesaredas, tendo como principais objetivos aumentar a visibilidade e notoriedade deste território como espaço singular e de convergência de patrimónios; promover práticas de referência no domínio da gestão urbanística e ambiental, e disponibilizar experiências diferenciadas no domínio do lazer e recreio. ■

  • Empreendedorismo social como forma de capacitar jovens em situação de maior vulnerabilidade

    Empreendedorismo social como forma de capacitar jovens em situação de maior vulnerabilidade

    Desenvolver ferramentas que permitam aos jovens criar uma organização social é o grande objetivo do projeto Empreendedor Social Europeu

    A economia social destina-se a obter lucros, não para investidores ou proprietários dos negócios, mas com impacto para a comunidade. Na Europa já tem um peso significativo ao nível do emprego, coesão social, desenvolvimento regional e rural, proteção ambiental, defesa do consumidor, agricultura, desenvolvimento de países terceiros e políticas de segurança social.
    Mas o que é um empreendedor social, onde encontrar fundos para uma empresa social, como fazer um plano de marketing, organizacional e financeiro e qual o impacto das empresas sociais?

    Estas são algumas das questões que representantes do projeto Empreendedor Social Europeu (ESE), procuraram responder durante o encontro formativo que tiveram, entre 26 e 28 de setembro, em Pafos, no Chipre.
    Co-financiado pelo Erasmus + (programa da UE), o projeto integra o IED – Institute of Entrepreneurship Development (Grécia), CO-LABORY (Itália), Mitra (França), ACTA Center (Roménia), CCIF Cyprus (Chipre) e a CAI – Conversas Associação Internacional (Portugal), que trabalha alguns projetos no Oeste.
    Todos estes parceiros consideram que as empresas sociais irão crescer e continuar a ter impacto na sociedade, pelo que devem ser vistas como uma solução para alguns dos desafios como o desemprego (juvenil), a proteção ambiental ou a coesão social. Nasceu assim o projeto que pretende criar um modelo eficaz e replicável a nível europeu para disseminar técnicas de inclusão na área do empreendedor social. Para além de promover a integração e oferecer oportunidades de aprendizagem personalizadas aos jovens, haverá intervenção internacional junto das equipas participantes, o que potencia um efeito multiplicador em cada um dos territórios, ao nível da formação de profissionais que trabalham com jovens. Foi o que aconteceu durante estes dias no Chipre, e que Gazeta das Caldas, pôde acompanhar, a convite da associação portuguesa.
    Estes profissionais irão depois disseminar as competências adquiridas aos jovens dos respetivos países onde atuam, transmitindo-lhes as ferramentas necessárias para criarem uma empresa social. No caso português,a CAI irá, até dezembro, entrar em contato com organizações, empresas e autarquias, para criar uma formação nas Caldas, destinada a jovens da região e onde vão colocar em prática todo este conhecimento criado, desde o que é o empreendedorismo social às diferentes etapas do projeto. “Será um treino em que vamos utilizar muitas atividades em que as pessoas aprendam, fazendo”, explica Helder Luiz Santos, coordenador de projetos da CAI, deixando um apelo às organizações interessadas, desde startups a escolas e centros de formação, para que possam entrar em contato com a associação até meados de outubro, para ver da viabilidade da formação.
    Os destinatários deste projeto são jovens, sobretudo aqueles que têm menos possibilidades de aceder a estas formações. Está ainda prevista outra formação em Lisboa, que deverá incluir pessoas de bairros sociais, enquanto que nas Caldas, o objetivo é trabalhar em cooperação com associações locais e outras entidades, que integrem estes jovens.

    Manual para empreendedores
    “O objetivo deste projeto é desenvolver ferramentas que possamos transmitir aos jovens para que eles possam criar uma empresa social, que tenha lucro mas também um impacto social para a comunidade onde estão inseridos”, explica Cidália Rocha, coordenadora do projeto ESE.
    Na sua apresentação, deu como exemplo prático de trabalho o de mães solteiras que, não tendo dinheiro para comprar roupas para os seus filhos, as foram re-adaptando e criando novas peças, inovadoras e originais, e que face à curiosidade e procura que provocaram, poderiam equacionar uma abordagem de negócio. Seguiu-se toda uma explicação sobre o plano de negócios que teriam de criar, de modo a apoiar o processo de tomada de decisão e avaliar a viabilidade da sua ideia inicial.
    Como resultado do projeto foi criado um manual sobre Empreendedorismo Social, que integra os resultados de um estudo comparativo na Europa sobre histórias de sucesso de empresas sociais, com um impacto social nos seus territórios. Fornece também informações sobre os métodos de abordagem e ensino para jovens, em especial jovens desfavorecidos, sobre como iniciar uma startup, numa vertente social.
    O ESE começou em 2019 e irá terminar em janeiro do próximo ano. ■

     

    Uma cidade com mais de 2000 anos de história

    Os painéis de mosaicos são uma das grandes atrações e remontam do período da ocupação romana

    Situada no sudoeste do Chipre, Pafos alia o turismo de massas com uma herança cultural que remonta ao tempo dos romanos

    Pafhos foi a primeira capital do Chipre, entre o século 2 aC e o século 4 dC, quando Nicocles, o último rei de Palaipafos, mudou a cidade da localização anterior para perto do porto. A cidade, rica e próspera, viria a ser destruída nessa altura por um terramoto, e a capital passaria para Salamina, na costa leste do país.
    A riqueza cultural e patrimonial da então capital pode ser comprovada no Parque Arqueológico de Kato Pafos, que integra a lista de património mundial da UNESCO desde 1980. Local de visita obrigatória para conhecer a história da região, este inclui locais e monumentos desde o século 4 aC até a Idade Média, sendo que a maioria dos vestígios datam do período romano. Por exemplo, numa das vilas romanas existentes, a “luxuosa” casa de Dionísio (escavada em 1962) é possível encontrar, nas várias divisões paineis de mosaicos que retratam várias cenas da mitologia grega. De destacar que os paineis são achados arqueológicos do local, que datam de finais do século II, à excepção de uma réplica do painel mais antigo descoberto até à atualidade, que retata a criatura da mitologia grega, Scylla e que data do século III aC. O complexo também inclui outros monumentos importantes, como o Asklepieion, o Odeon, a Ágora, o Castelo Saranta Kolones (Quarenta Colunas), as ruínas Limeniotissa de uma basílica cristã primitiva e os túmulos dos reis.

    O parque arqueológico da cidade integra a lista do património da Unesco desde 1980

    As escavações, que nos últimos dois anos têm estado condicionadas devido à pandemia, costumam contar com a presença de jovens de vários países, nomeadamente da Itália, França e Polónia. Devido às condições metereológicas, na altura do verão, costumam começar a trabalhar pelas 5 horas da madrugada, para depois parar durante o período de mais calor.
    Durante a visita guiada, o grupo teve ainda oportunidade de conhecer o castelo, situado no porto de Pafos. Construído durante o século 7 dC como um forte bizantino, foi demolido por um terremoto no século XIII e reconstruído em 1570 pelos venezianos.
    Começou por ser uma fortaleza, depois prisão e ainda armazém de sal durante a conquista britânica, tendo recebido influências de todas essas funções a que serviu. Nos últimos anos tem sido cenário de vários eventos culturais, assim como outros espaços que foram reabilitados na zona do porto, sobretudo desde 2017, altura em que foi Capital Europeia da Cultura. ■

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