Caldas cidade termal – ser ou não ser?

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A cidade de Caldas da Rainha só recuperará o estatuto de Cidade Termal:
– se for extinto o Centro Hospitalar.
– se a gestão do Hospital Termal e do seu património assentar numa instituição autónoma.
– se a entidade gestora tiver por base uma parceria entre Ministério da Saúde, Ministério do Turismo e a Autarquia Local – Câmara Municipal e Junta de Freguesia de N.S.do Pópulo.
– se os líderes e gestores desta entidade a governarem sempre com respeito pelo legado da Rainha D. Leonor, dos seus continuadores e na lógica da sua criação.
– se forem exploradas as seguintes áreas de negócio: termalismo de saúde social, termalismo hoteleiro e de saúde, termalismo de lazer, estético e de beleza.
– se o largo do Hospital Termal deixar de ser parque de estacionamento.
– se o largo do Hospital Termal for tratado de forma a ser o ex-libris da cidade.
– se o Parque D. Carlos I fizer parte integrante e percetível do Complexo Termal: Património, Hospital Termal, Balneário Novo e Pavilhões do Parque.
– se o Parque D. Carlos I tiver as infra – estruturas base para fruição, em segurança, de todos os diferentes tipos de utilizadores –. Termalistas, idosos, crianças e visitantes em geral: parque infantil moderno com piso ajustado, os sanitários de referência da cidade, biblioteca / quiosque, anfiteatro ao ar livre – 400 lugares, espaço / convívio para reformados, idosos e crianças, museu da criança e atelier, pista de trânsito infantil, quinta e horta pedagógica, campo de mini – golf, zona de merendas com sanitários, campo de jogos polivalente, museu ecológico, etc.
– se a população das Caldas dele usufruir como a sala de visitas da cidade.
– se a mata Rainha D. Leonor estiver ao serviço da fruição, com segurança, dos termalistas, população e visitantes e tiver os seguintes equipamentos: zona de merendas com instalações sanitárias e circuito, manutenção e esplanada.
– se até ao ano de 2007 for devolvido o espaço ocupado pelo pavilhão e pelo campo de futebol, em nome do respeito pelo património verde e pela bacia termal.
– se todas as intervenções efetuadas no parque D. Carlos I e na mata Rainha D. Leonor respeitarem a razão da sua criação e existência: Caldas Cidade Termal.
– se a preservação do seu património vegetal e do edificado for tratada com mestria, rigor histórico e científico.
– se o passado de que nos orgulhamos for transmitido com a nobreza e o elevado respeito que nos merecem as gerações futuras.
– se a circulação automóvel for banida do centro histórico da cidade e for criada uma rede de transportes urbanos na cidade, como forma de melhoria da qualidade de vida dos seus habitantes e visitantes.
Se assim não for, continuaremos a enganar o presente, a não respeitar o passado e a comprometer o futuro: com discursos e visitas protocolares, de circunstância, cada 15 de Maio, de forma enganosa, cínica e vazia de estratégia SE a autarquia não assumir a dinamização deste processo os Pavilhões do Parque ruirão, tal com já aconteceu com o Casino / Casa da Cultura e Caldas Cidade Termal, restará na memória de um postal ilustrado, para indignação e tristeza muitos caldenses que merecem muito mais de autarcas e dirigentes.
Se assim não acontecer, mais vale pensar noutras coisas e esquecer o termalismo, o que, a verificar-se, seria uma tamanha desonra para as Caldas da Rainha.
Aqui deixo este alerta para que o futuro se construa e que não nos deixemos enganar mais, com discursos de circunstância, vazios, repetitivos e não respeitantes da história da cidade e do seu património termal, com mais de 500 anos.

José Marques
Administrador Hospitalar

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