E se a Lista B tivesse ganho as eleições concelhias do PS em 2020?

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Isabel Alves Pinto
advogada

No dia 26 de setembro aconteceram as eleições autárquicas e o PS caldense sofreu a maior derrota de sempre. O mau resultado eleitoral é fruto do trabalho desenvolvido até aqui. Pelo que, parece-me necessário referir que, eu e aqueles que me acompanharam na candidatura à liderança da concelhia em janeiro de 2020 teríamos procedido de outro modo, e os factos demonstram-no:
O PS decaiu em mais de metade dos votos relativamente a 2017. Perdeu 1 dos 2 vereadores (e esteve à beira de perder os 2); e 3 dos 6 deputados municipais.
Isto num cenário propício para o seu crescimento. Pois, a candidatura independente, que apareceu neste ano eleitoral, liderada por um membro anteriormente integrante das listas do PSD, naturalmente, iria dividir aquele Partido. Divisão essa que, existindo o candidato, a equipa, e o projeto certo, poderia fazer do PS um vencedor. Mas o que aconteceu foi exatamente o contrário.
Desde 2017 que era intenção da concelhia repetir, em 2021, o mesmo candidato autárquico.
Tendo percecionado que a candidatura do PS, em vários domínios, obteve escassa recetividade, e não concordando com a sua repetição, em janeiro de 2020 quando fui candidata à liderança da concelhia (pela Lista B), propus um projeto renovador onde se incluía a apresentação de novo candidato para a Câmara Municipal.
Não ganhámos. Venceu a Lista A, encabeçada por Sara Velez.
Em maio de 2020, em reunião de Comissão Política Concelhia (CPC), intentei que a escolha do candidato autárquico fosse feita em Assembleia Geral de Militantes, para que todos pudessem ter o direito de eleger e de serem eleitos. A minha proposta foi rejeitada, e a escolha em causa foi marcada para reunião da CPC, a realizar em junho de 2020, nos Pimpões. Onde o Secretariado apresentou, como se previa, o mesmo nome de 2017, Luís Patacho.
Apontámos o engenheiro Joaquim Beato para candidato a candidato autárquico de 2021. Mas, sendo nós minoria na CPC, venceu, como estava muito bem definido pela concelhia e Secretariado, Luís Patacho.
Entretanto, Já em 2021, surgiu o Movimento “Vamos Mudar” liderado por Vítor Marques (que, curiosamente, escolheu Joaquim Beato para seu número 2).
Perante este cenário, disse-o por várias vezes, e a vários militantes, que, naquele contexto, se eu fosse presidente da concelhia socialista, tentaria fazer uma aliança com este Movimento; que procuraria construir uma lista conjunta; que o Movimento seria (estabelecendo-se acordo) a candidatura do PS.
O “Vamos Mudar” ganhou estas autárquicas. O nosso candidato a candidato, Joaquim Beato (que lançámos politicamente), foi um dos vencedores da noite de 26 de setembro. O PS foi um dos grandes derrotados.
Com Joaquim Beato ou, mais tarde, fazendo lista conjunta com o Movimento, o PS poderia ter sido o ganhador destas eleições. Foram duas oportunidades perdidas pela atual concelhia. Faltou, na minha modesta opinião, visão/estratégia política.
A conclusão que posso tirar é a de que, se, em janeiro de 2020, a nossa Lista B tivesse vencido as eleições concelhias, o PS teria fortes probabilidades de ser agora a governança deste concelho.
Vítor Marques é o novo presidente da CMCR. Porém, com a maioria na Assembleia Municipal a pertencer ao PSD, e com um empate de vereadores entre o Movimento e o PSD, a governação não se aparenta facilitada.
Através de alianças, ou assumindo-se a oposição, depositamos legitimamente, por ora, esperança ativa na existência de um trabalho criativo, inovador, atento e reflexivo, de todos os intervenientes, mas será, como diria Paulo Freire, uma “esperança do verbo esperançar; porque tem gente que tem esperança do verbo esperar”. ■