Empatas e irresponsáveis

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José Luiz Almeida e Silva

Quem percorrer as edições da Gazeta das Caldas desde 1925 aparece com surpreendente persistência, para além de outros temas que se mantêm, como as ligações ferroviárias ou o desenvolvimento das termas, o problema da Lagoa de Óbidos e da sua potencialidade.
Nestes meados do ano 2021, dito da Recuperação e da Resiliência, num plano cognominado de “bazuca”, verifica-se que a principal marca ambiental e ecológica do Oeste vista do espaço, continua a defrontar-se com a atitude tradicional portuguesa do “empata” e da muito irresponsabilidade por aqueles que deviam cuidar do assunto.
Apesar de assistirmos à chegada das já tão prometidas tubagens, para lançar os dragados no mar (?), verifica-se que a própria Lagoa está a estrebuchar de tanto adiamento, desinteresse, desmazelo, ignorância e provavelmente má-fé, pois em tempos que se fala de sustentabilidade e de resiliência.
É evidente que a Lagoa vista do Terreiro do Paço tem menos impacto que vista do céu, pois está entremeada com milhares de outras minudências, que pouco pesam na decisão governamental. A título de exemplo, um mero cais sobre a Lagoa construído pelo município há mais de meio século, está em ruínas há mais de duas décadas, perante a desfaçatez de quem se diz responsável pelo menos por tudo aquilo, com uma anedótica placa proibindo a sua utilização.
As milhares de toneladas de areia que assoreiam a Lagoa também pouco dizem a essas sapiências burocráticas anónimas, fruto das “competências” centralizadas e irresponsabilizadas, na sede do poder político. Será que o assoreamento final ainda vai a tempo de ser evitado e permitir que o investimento previsto faça a obra que a Lagoa exige? Vamos a ver, mas do Terreiro do Paço esperamos pouco sensibilidade e “resiliência” para o assunto.