Gratidão

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Mercês Silva e Sousa
Professora

GRATIDÃO, do latim gratia, significa literalmente graça, ou gratus, agradável.
São Tomás de Aquino, no “Tratado da Gratidão”, defende que a gratidão tem três níveis:
1- Superficial: racional, de reconhecimento a alguém pela sua atitude;
2- Intermédio: graças e louvor a quem lhe prestou algum benefício ou favor;
3- Profundo: compromisso com quem lhe fez o favor ou a boa atitude, gerando um vínculo.
O idioma português é o único, a nível mundial, que possibilita agradecer inserido no terceiro nível com um “obrigado”.
Orgulho-me das minhas raízes caldenses por parte da minha mãe. Se não fossem os meus ancestrais eu não teria nascido! Gratidão!
Assim:
– José Francisco de Sousa (1835 a 1907), meu trisavô, foi um ceramista importante não só na cidade, mas também no reino, na corte, tendo produzido uma notável obra de faiança artística. Tem o seu nome eternizado na cidade, numa rua e no beco situado perpendicularmente à chamada Rua das Montras (Rua Almirante Cândido dos Reis), no centro da cidade, onde tinha a sua pequena fábrica cerâmica. Os azulejos da fachada do prédio com a placa toponímica do beco são da sua autoria. Algumas das suas obras encontram-se no Museu de Cerâmica das Caldas da Rainha.
– José Augusto de Sousa (13-01-1869 a 30-07-1903), seu filho, meu bisavô, foi um pintor caldense que infelizmente teve uma curta vida; faleceu com 34 anos. Seus dois filhos tiveram de estudar na Casa Pia de Lisboa.
– Eduardo Romualdo de Sousa (07-02-1892 a 25-01-1971), meu avô materno, seu filho mais velho, foi um homem exemplar para mim, gerente do então Banco Lisboa e Açores, em Lisboa, e também funcionário dos Correios, trabalhou intensamente para dar todas as boas condições à sua amada esposa e aos seus filhos; minha mãe foi a única filha e a mais nova!
-José Vasco Alvim de Sousa (19-02-1892 a 27-01-1987), meu tio-avô, com quem tive o prazer de conviver, pintor conhecido por José de Sousa, foi cofundador do Museu José Malhoa, inaugurado a 11-08-1934, nas Caldas da Rainha, e extremamente ativo na cidade na área cultural e turística.
Muitos dos nossos ancestrais fizeram incontáveis sacrifícios para nos criarem, alimentarem, cuidarem nas horas de enfermidades e nas tensões emocionais da adolescência, providenciarem instrução e educação. Muito do que sei e sou hoje a eles lhes devo. Esta é mais uma singela homenagem que lhes dedico. Muitíssimo obrigado!
Para a Gazeta das Caldas um “Bem-haja” (sinónimo -“muito obrigado”) pela oportunidade de estar convosco. ■