Numa época em que tudo e todos criticam o nosso SNS, criticam o INEM e por vezes os bombeiros, em que se dá tanta relevância na comunicação social às más decisões tomadas pelos médicos, e à desorganização do sistema de socorro à vítima, e quando tudo corre bem, agradecemos só a Deus, eu gostaria de contrariar esta tendência, que também era a minha tendência, e realçar uma situação que se passou com a minha família.
Na passada sexta-feira, 1 de fevereiro, o meu pai, perante desespero da minha mãe, queixando-se de fortes dores de cabeça, decide telefonar para o 112 e pedir auxílio. A situação parecia pouco preocupante. Assim que chegam os bombeiros, como é normal, avaliam a minha mãe. Durante essa normal avaliação, num abrir e fechar de olhos, todo o cenário “normal” se transforma em algo bastante complicado e confuso. 
(É aqui que começa a essência da minha “história”, é aqui que eu vi o quanto é preciso ter sangue frio e rapidez na resposta, é aqui que os profissionais me mostram o quanto estão muito bem preparados, e eu mudo toda a minha opinião que era formada em relatos da comunicação social…) 
Os bombeiros, neste cenário, rapidamente pedem auxílio ao INEM que num instante chegaram ao Carvalhal Benfeito, onde vivem os meus pais. A médica e o técnico do INEM, novamente dotados de uma rápida capacidade de resposta e confiança, traçam o caminho a percorrer. 
Rumamos para Leiria, com o sentimento que tivemos uma pontinha de “sorte” (no meio de todo aquele azar) por vermos profissionais empenhados em nos ajudar.
Ao chegar a Leiria, a minha mãe entra e é rapidamente avaliada. Enquanto isto, eu e a minha irmã, aguardamos na sala de espera, num ambiente em que os barulhos de fundo (os gritos de dor) por vezes abafam o som do rádio da rececionista, que mesmo de paciência esgotada pedia, com gentileza, a um bêbado para não perturbar quem estava na sala.
Após a avaliação, que naquele momento parecia demorar uma eternidade a chegar, (na realidade, a nossa ânsia de querer saber é que nos faz pensar que é uma eternidade ) lá nos chamam e nos comunicam que vamos ter nova aventura, agora no Centro Hospitalar da Universidade de Coimbra.  
Aí vamos nós para Coimbra. Percebemos que a pontinha de sorte ainda lá estava. Bem recebidos e esclarecidos, esperamos por notícias numa sala de espera, onde se espera e desespera, onde se critica os tempos de espera, onde o único sorriso que vi, foi o da enfermeira que me chamou para nos dar informações e que até nos deixou ver a nossa mãe mesmo antes de entrar no bloco operatório… Como foram bons aqueles minutos… 
Todo este caminho foi feito com os melhores, que deram o máximo, que fizeram tudo o que estava ao alcance para salvar a vida da minha mãe. 
Infelizmente depois da operação a pontinha de sorte perdeu-se, e mesmo rodeada de excelentes profissionais, decidiu partir. Por mais dura que seja a realidade, é esta a lei da vida! 
Muitas pessoas, por não saber lidar com a crueldade desta lei, culpam tudo e todos.
Também existem profissionais pouco empenhados, é um facto, mas nem todos são assim! 
Há bombeiros excecionais 
Há médicos e enfermeiros magníficos 
Há rececionistas muito competentes.
Há profissionais de Saúde de louvar
Como diz o nosso Presidente, não vamos generalizar pessoas ou casos, populista ou não ele tem razão, vamos realçar os casos de sucesso! A taxa de sucesso é enorme! Aprendi isto nestes dias difíceis.  

Valter Jacinto