Iluminações e vida à noite nas Caldas

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José Luiz de almeida Silva
diretor da Gazeta das Caldas

Os centros antigos e/ou históricos das urbes morrem ou desaparecem se não lhes for dada uma utilidade objetiva para a população autóctone ou visitante, especialmente nos períodos do fim de tarde e da noite, quando, por razões de comodidade ou de ocupação alternativa, estes não têm atratividade ou permanecem desertos e pouco iluminados.
Caldas da Rainha, que foi durante décadas, no século passado, um exemplo de vida e de atratividade deste núcleo central da cidade, com momentos de raro apogeu, mesmo em tempos difíceis da II Grande Guerra, com a vinda dos refugiados do centro da Europa, tem lutado contra essa desertificação nas últimas décadas, sem grande êxito.
O abandono de certos edifícios, a deslocação da população residente para a periferia, a alteração do tipo de utilização das termas como existiu durante muitas décadas (séculos), o comodismo das pessoas, que preferem ficar à roda da televisão ou junto das redes sociais, o encerramento de muitos espaços públicos, nomeadamente cafés, restaurantes tradicionais e bares/cervejaria, que eram emblemáticos nas Caldas, acumulou um efeito que hoje é fortemente notado ao longo do ano, especialmente no Verão.
As várias tentativas de reversão deste fenómeno, que se estende ao uso do Parque D. Carlos I, como o conhecemos durante grande parte do século passado e era narrado pelos cronistas do séc. XIX, tem fracassado.
Nos últimos tempos temos assistido, sem grande entusiamo das entidades que se deviam preocupar com o tema, a uma tentativa de re-animação deste centro histórico, com a re-abertura de alguns espaços públicos e a iluminação de algumas (poucas) fachadas que valorizam o espaço urbano.
Mas, se os próprios cidadãos locais não aderirem a esse movimento e o tornarem sustentável, as tentativas saem frustradas e mais tarde todos reconhecerão que se destruiu um património urbano insubstituível e inultrapassável.
Por esse mundo fora, especialmente na histórica Europa, com os patrocínios a iniciativas como as distinções atribuídas pela UE ou pela UNESCO, ou mesmo por entidades nacionais, de títulos como “capitais da cultura”, “património material ou imaterial”, “cidades criativas”, etc., nada se tornará sustentável e criador de riqueza e de emprego, se permanecer uma espécie de letargia ou de apatia, mesmo preguiça individual e coletiva, que invalide todas aas iniciativas em sentido contrário e positivo.
Será que os novos caldenses e os visitantes saberão ainda contrariar esta tendência depressiva e que anula a vida urbana? ■