Será a covid uma desculpa?

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Catarina Tacanho
farmacêutica

O covid (ou a covid) anda aí. É um facto que passo a contextualizar.

166.827.347 – é o total de casos confirmados.
3.456.630 – é o número de mortes.

Numa conta simples percebemos que as mortes representam 2,1% dos casos.
15% da população portuguesa já tem a vacinação completa.
*Dados retirados do site da Universidade Johns Hopkins (23/5/2021 – 20h, hora de Portugal).
Na rua há pessoas, há vida, os turistas voltaram, há trânsito. As escolas e faculdades regressaram. Já há teatro, cinema, concertos. As máscaras e o álcool gel denunciam o novo “normal” ou deverei dizer “anormal”?
Voltámos a ver pessoas, a sair à rua, a ir à praia, a viver. A vida quer voltar ao que era antes. As pessoas querem voltar ao que era antes. A economia também precisa. A saúde mental agradece. E há regras a respeitar!
Os restaurantes estão cheios, como antes. Podemos ir almoçar com amigos que não víamos há meses. Deixámos de ter medo, e acreditamos na vacinação, que segue em ritmo cruzeiro, abaixo do desejável ainda assim. São factos. Mas na escola do meu filho os pais foram proibidos de entrar. Mesmo de máscara. Deixamos os miúdos no portão, e estamos proibidos de entrar na escola. E ninguém sabe explicar porquê.
Um dos motivos para entrarmos na escola é carregar os cartões de refeição. Desde que a escola reabriu tem havido um respeito transversal pelas regras na sua maioria, e entrar na escola para ir à secretaria demora 5 minutos. E no entanto, não podemos. Há cartazes a proibir a entrada de Encarregados de Educação. Saliento cirurgicamente que há a opção de carregamento à distância, numa plataforma que raramente abre à primeira, mediante o pagamento de uma taxa. Num concelho maioritariamente rural, o carregamento de cartões à distância pode não ser fácil para alguns, e o aumento dos custos é também um fator dissuasor. Mandar dinheiro pelos miúdos muitas vezes também não é opção, pois ou são do 1º ano e ainda se estão a adaptar à escola (num ano letivo marcado também pelo confinamento), ou são imaturos, ou querem é brincar (claro, são crianças!), ou esquecidos.
Reforço, proibidos de entrar.

Na escola do meu filho os pais foram proibidos de entrar. Mesmo de máscara.
E ninguém sabe
explicar porquê

Na escola do meu filho não há nenhuma turma em isolamento. No concelho há atualmente 8 casos por 100 000 habitantes (dados de 21/05 às 14h), bastante abaixo do limiar crítico. Mais um facto.
Será que o covid está a servir para mudar coisas que antes não tinham enquadramento para acontecer? Os pais são parte integrante da comunidade educativa, e é importante que sejam ativos nas escolas. Mas claramente na escola do meu filho não se pensa assim.
De volta ao novo “anormal”.
PS – depois de acabar de escrever este artigo, verifiquei que os números que usei para começar este artigo já estão desatualizados. Mas a percentagem de mortes mantém-se, e o número de vacinados aumenta. Assim, nada a acrescentar.