“Faleceu António Fonseca”

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Marco Fonseca
filho de António Fonseca

Gostaria de me dirigir à publicação do Sr. Mário Tavares na Gazeta de 4 de setembro de 2020 acerca da notícia “ Faleceu António Fonseca”.
António Fonseca, meu pai, foi após Bordalo Pinheiro, talvez um dos maiores ceramistas Caldenses de todos os tempos, eu cresci a ver o meu pai a fazer os desenhos, esboços e a modelar as peças que hoje são as chamadas peças VIP de colecionismo da Bordalo Pinheiro, António Fonseca criou peças únicas que hoje mal ou bem continuam a ser vendidas, exportadas e lamentavelmente , modificadas.
António Fonseca foi para Moçambique e não Angola, na busca de uma melhor vida, onde criou efetivamente a sua família, após a independência de Moçambique, regressou ás Caldas, terra que o viu nascer e onde voltou a abraçar o barro que amava, acabou por seguir outros caminhos pela família, pela necessidade, pela esperança de dar mais aos seus, o que na realidade conseguiu e uma vez feito o seu trabalho regressou ás Caldas para recuperar os espólio destruído ou desgastado de Bordalo Pinheiro, para lhe dar uma nova vida.
Além de tudo o que teria para contar, António Fonseca , meu pai, recebeu a medalha de mérito desportivo das Caldas DA Rainha, foi campeão nacional pelas Caldas da Rainha na modalidade de Ping-Pong entre outras, representou as Caldas e o Sporting Clube das Caldas no estádio Nacional, saudades da mocidade portuguesa de alpercatas, calções e t-shirt de alças branca.
Contrariando o comentário de Mário Tavares, António Fonseca, meu pai, realizou-se plenamente e em todos os sentidos.