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Gazeta das Caldas
Margarida Varela

Li, com tristeza, na última Gazeta a confirmação de algo que já era esperado. O Turismo do Centro mandou fazer 3 brochuras publicitando a zona centro de Portugal… Imaginem, 3 edições diferentes onde as Caldas da Rainha não é contemplada senão de forma ligeira com a Rota Bordaliana.
Não consigo aceitar que uma cidade como a nossa, rica e ímpar em história, seja referida de passagem em edições que pretendem vender aos turistas estrangeiros e portugueses os locais de interesse a visitar.
No meu Pensatório “Amazing!” fiz referência a um jantar onde estive com jornalistas dos quatro cantos do mundo, convidados a conhecer Portugal para mais facilmente anunciarem e incentivarem os seus conterrâneos a optarem pelo nosso maravilhoso país, mas de Caldas da Rainha não sabiam nada nem foram convidados a vir cá.
Ou seja, no que diz respeito à internacionalização, podemos esquecer os próximos anos. Com esperança ainda pensei que o “turismo cá dentro” fosse uma hipótese… também não é!
Amazing!
Claro que nos podemos vangloriar das “Tasquinhas” e da “Feira dos Frutos”.
É melindroso falar das “Tasquinhas”, porque elas são uma boa ajuda para as Associações do Concelho e uma animação para um público específico, trazendo muitas pessoas das freguesias, sendo que este ano, inclusive, tivemos “direito de antena” na televisão.
No rescaldo das animadas noites da Feira dos Frutos também é ousado forçar outro olhar que não o do entusiasmo, porque é verdade que saiu muita gente à rua, sobretudo jovens em busca de convívio e alegria.
Nas “Tasquinhas” contemplamos as freguesias e as associações. Nos “Frutos” (que de frutos teve pouco) juntamos sobretudo os jovens e uma faixa mais citadina.
Porém, para além da euforia gerada pelo pretenso sucesso destas 2 iniciativas, cabia à Câmara divulgar um dado crucial.
Qual o impacto destes eventos?
As Tasquinhas e a Feira dos Frutos foram capazes de atrair públicos nacionais e estrangeiros, que às Caldas vieram deixar valor, ou tratou-se essencialmente de público local? Sendo que assim só se verificou transferência de consumos, sem efectiva criação de valor para o Concelho.
Mesmo que se chegue à conclusão que ambas trouxeram públicos novos à Cidade, devemos colocar outra questão: cabe à Câmara criar as condições de atractividade para que no Concelho se instalem projectos turísticos e adicionalmente se crie uma dinâmica que atraia sustentadamente visitantes e turistas. Ao invés está a edilidade a patrocinar ela própria dois eventos que concentram em muito pouco tempo, muita gente, mas que em nada contribuem para a sustentabilidade, ao longo do ano, da actividade económica do 06Concelho …
E onde ficam os comerciantes que durante anos deram vida e elevação a esta cidade como a Capital do Comércio?
As “Tasquinhas” descapitalizam os possíveis compradores das lojas e retiram clientes aos poucos restaurantes que ainda existem na cidade.
Os “Frutos” gastam o resto!
Precisamos de medidas de fundo, atraentes, sistemáticas e comprometidas com a nossa génese para “enchermos” não só as “Tasquinhas” e os “Frutos” mas toda a cidade de forma constante e sustentável.
Portugal está na moda, o turismo é fonte de riqueza para muitas cidades e aldeias deste país. Locais que “inventam” história, constroem experiências, do pouco ou quase nada fazem muito. As Caldas da Rainha não precisa de inventar nada, nem sequer precisamos de ir “ver ideias” a outros lados porque temos tudo. Apenas andamos a perder tempo e a deixar que outros nos passem à frente.
É desesperante perceber o manancial histórico, a riqueza gastronómica que não se resume, de forma alguma, às cavacas, a diversidade de ofertas turísticas em várias valências… Tanto tanto que temos para oferecer!
E…?

Margarida Varela